terça-feira, 30 de outubro de 2007

Florbela Espanca



Descobri essa poetisa portuguesa há alguns anos quando fazia uma pesquisa sobre poetas portugueses. Até então, nunca tinha lido nada sobre ela nem sobre sua obra. E fiquei fascinada por seus poemas, por sua delicadeza, seus conflitos expressos em alguns poemas e também por sua história de vida. Eis aqui, uma pequena mostra de seu talento e sensibilidade.



Se tu viesses ver-me...
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Florbela Espanca

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