segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Divagações

Hoje me coloquei como expectadora do mundo e passei, logo pela manhã, a observar a humanidade. Gozado como acontecem pequenas histórias ao nosso redor e na preocupação de nosso dia-a-dia nem notamos. Quanta riqueza, quanta sutileza, quanta azaração...
Na condução, pessoas somente preocupadas em ganhar o dia sem no entanto, se preparar para dias melhores. Vivendo de migalhas, de sobras, do que der e vier. E ainda por cima se acham no direito de mal-dizer o destino que não as presenteia com algo melhor. Pessoas que se movem de forma mecânica, apressadas, se atropelando, se xingando...
Veio-me à mente o livro de Saramago, Ensaio sobre a Cegueira, pois o que constatei foi exatamente isso. Uma cegueira total nas pessoas que transitam pela cidade, nas calçadas, nos transportes, nos cafés. Ninguém é capaz de enxergar realmente o próximo.
Transformamo-nos em autômatos, agindo de forma mecânica, imediatista, sem estímulos verdadeiros, em busca de uma felicidade frugal, tola, inexistente e, por conta disso, deixamos de vivenciar momentos de verdadeiro encantamento ao lado de nossos familiares e amigos.
Mas, se por um lado vemos esse lado negativo, alguns acontecimentos surgem em nosso dia como brinde por estarmos vivos. Situações hilariantes, emocionantes, que marcam e passam a fazer parte de nossas memórias. Quantas vezes nos deparamos com o sorriso de uma criança que nos preenche o espírito de alegria e jovialidade.
Um abraço de alguém querido que nos envolve num calor aconchegante. Sem palavras, somente com a linguagem corporal a nos falar o quanto somos amados.
E continuo a divagar sobre tudo que me cerca, vendo as pessoas passando como numa grande estação de trem. Rostos passam numa rapidez não dando tempo de fixar suas feições. Barulho de carros, do apito do guarda, da britadeira perfurando mais uma vez a calçada. Grupos de crianças saindo da escola numa algazarra deliciosa...dá uma saudade...Uma música ao longe saindo de alguma casa"...Minha garganta estranha, quando não te vejo, me vem um desejo louco de gritar..." Um aroma delicioso saindo de alguma chaminé de restaurante, hummmm carne assada, chega a dar água na boca.
E a vida segue.

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