quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Amor, tema inesgotável

Sempre fui romântica, apesar de minha pinta de durona. Adoro filmes de amor, histórias de amor com muito olho no olho, suspiros de tesão e todo ritual que acompanha uma relação a dois.

Porisso não poderia deixar de apreciar poemas de amor. E esse em especial, da poetisa Elisa Lucinda eu realmente caí de quatro. Essa mulher tem uma sensibilidade! Quando conheci seus poemas me rendi por completo pois ela fala de amor com todo o sentimento de mulher. E é claro, que nos identificamos por completo. Vai aí uma pequena dose de seu enorme talento e sensibilidade.



Da chegada do amor (Elisa Lucinda)


Sempre quis um amor

que falasse

que soubesse o que sentisse.


Sempre quis uma amor que elaborasse

Que quando dormisse

ressonasse confiança

no sopro do sono

e trouxesse beijo no clarão da amanhecice.


Sempre quis um amor

que coubesse no que me disse.


Sempre quis uma meninice

entre menino e senhor

uma cachorrice

onde tanto pudesse a sem-vergonhice do macho

quanto a sabedoria do sabedor.


Sempre quis um amor

cujo BOM DIA!

morasse na eternidade de encadear os tempos;

passado presente futuro

coisa da mesma embocadura sabor da mesma golada.


Sempre quis um amor

de goleadas cuja rede complexa

do pano de fundo dos seres não assustasse.


Sempre quis um amor

que não se incomodasse

quando a poesia da cama me levasse.


Sempre quis uma amor

que não se chateasse diante das diferenças.

Agora, diante da encomenda

metade de mim rasga afoita

o embrulho

e a outra metade é o futuro

de saber o segredo que enrola o laço,

é observar

o desenho do invólucro e compará-lo

com a calma da alma o seu conteúdo.


Contudo sempre quis um amor

que me coubesse futuro e me alternasse em menina e adulto

que ora eu fosse o fácil,

o sério e ora um doce mistério

que ora eu fosse medo-asneira

e ora eu fosse brincadeira ultra-sonografia do furor,

sempre quis um amor que sem tensa-corrida-de ocorresse.


Sempre quis um amor

que acontecesse sem esforço

sem medo da inspiração por ele acabar.


Sempre quis um amor

de abafar,(não o caso) mas cuja demora de ocaso

estivesse imensamente nas nossas mãos.

Sem senãos.


Sempre quis um amor

com definição de quero sem o lero-lero da falsa sedução.

Eu sempre disse não à constituição dos séculos

que diz que o "garantido" amor é a sua negação.


Sempre quis um amor

que gozasse e que pouco antes de chegar a esse céu se anunciasse.


Sempre quis um amor

que vivesse a felicidade sem reclamar dela ou disso.


Sempre quis um amor

não omisso e que suas estórias me contasse.


Ah, eu sempre quis uma amor que amasse.


Poesia extraída do livro "Eute amo e suas estréias", Editora Record - Rio de Janeiro, 1999,

Um comentário:

Antonio Ricardo Soriano disse...

Agora que terminei o meu blog, tive tempo de admirar os seus.
Música, Poesia, textos selecionados e muito mais.
Este blog é um facilitador!
Parabéns e sucesso!
Ricardo - Dante