segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Canção sem seu nome

Adriana Calcanhoto quando surgiu no cenário musical não me chamou muito a atenção. Mas, aos poucos, ouvindo suas canções e, principalmente ao prestar atenção em suas composições, reconheci seu valor e seu talento para brincar com as palavras. Ela é uma poetisa de mão cheia. Sua sensibilidade, sua delicadeza em compor suas letras e seu conhecimento da língua portuguesa me espantaram! Uma vez, assisitindo o programa do Pasquale Neto, ele estava derramando elogios para ela por sua preocupação nas composições, por seu conhecimento gramatical e, a partir daí tornei-me fã. Encontrei esse poema (sim, porque pra mim é um poema) e quero compartilhar com vocês. Serve para alguns matarem saudades dela e para conhecimento de outros que ainda não conhecem seu trabalho.

Eu vi você atravessar a rua

Molhando a sombra na água

Eu vi você parar a lagoa parada

Você atravessou a rua

Na direção oposta


Pisando nas poças, pisando na lua

E a poesia refletida ali me deu as costas


E pra que palavras
Se eu não sei usá-las

Cadê a palavra que traga você

Daquela calçada

Você atravessou a rua

Na direção contrária

E a poesia que o meu olho molhava ali

Quem sabe não me caiba

Quem sabe seja sua

E toda lagoa parada

Você na direção errada

E eu na sua...

Um comentário:

Milena C disse...

Rose, só hoje consegui ver seu blog, e adorei!!!! Vi todo o arquivo, os posts anteriores, e achei o máximo, parabéns!!!! Até me deu umas idéias, hahahah!

Beijos!!

Mi

PS.: Adorei o poema do Drummond e, sem pedir licença mesmo, coloquei a última frase dele no meu MSN, tá? ;)