quarta-feira, 14 de maio de 2008

Dicas de leitura

Livros sempre me fascinaram pois através deles vivencio experiências que na realidade nunca vivi. É mais ou menos como o ator que consegue viver vários personagens, suas experiências, sentimentos e emoções através da interpretação. Tenho um gosto bem eclético com relação a leitura. Não costumo ficar presa a apenas um estilo ou uma linguagem. Como sou curiosa por natureza e sempre tive essa sede inesgotável de saber, leio tudo (ou quase tudo) que me cai nas mãos. Há alguns anos atrás, li um livro que me impressionou muito e que assim que terminei de ler, fiquei dias seguidos sob uma forte impressão que ele me causou. Trabalhando em uma biblioteca que por sinal é muito rica e diversificada, sempre gostei de passear pelas estantes olhando os livros, lendo suas lombadas e, de quando em quando, um livro sempre crescia diante de meus olhos quase que dizendo: "Ei, você, é você mesmo! Leia-me! Garanto que não irá se arrepender!" Quando isso acontece, paro, olho mais demoradamente sua lombada, depois retiro o livro da estante e folheio, leio suas orelhas (quando tem), as sinopses da história, observo a capa, sua ilustração e só então, decido se leio ou não. Muitas vezes inicio um diálogo mudo com o livro dizendo o seguinte: "Gostei de você, acho que deve ser bom mas, ainda não é o momento. Vou anotar seu título para mais tarde te pegar para ler. Certo? Foi assim com os livros da Marguerite Yourcenar que encontrei por aqui. Os títulos: Memórias de Adriano, O tempo, esse grande escultor, A obra em negro e Golpe de misericórdia. Me vi atraida por todos eles mas sinto que ainda não é o momento. É engraçado isso em mim mas é assim que funciona. Voltando aos meus passeios pelas estantes, uma vez, um livro já gasto, com a capa um pouco destruida, de um autor que não conhecia me chamou terrivelmente a atenção. Retirei-o da estante, passei as mãos por todo ele, virei-o, folhei-o, até que comecei a ler os comentários de vários jornais que tinha em sua capa posterior. Comecei a ler a orelha que trazia uma sinopse da história e decidi: "Tenho que ler esse livro!" E li...e me emocionei, vivi ao lado de seus personagens momentos de dor, de tristeza, de desamparo. Ao terminar de ler estava tão emocionada que chorei. Esse livro que me levou aos prantos chama-se O Adeus da Mulher Selvagem, do autor Henri Coulonges. Passado algum tempo, um outro livro me saltou gritando: "Leia-me!!!!!!!!!! O título me agradou de imediato e também decidi que valeria a pena ler. E não é que eu estava certa? Ou será que devo dizer: Não é que ele (o livro) estava certo? Que história! Que personagens! Que lição de vida! O livro se chama Ainda Resta Uma Esperança, de J. M. Simmel. Gostei tanto dessa história e da maneira como o autor abordou uma situação tão penosa, dura, sofrida que é a guerra e suas conseqüências na vida das pessoas de uma maneira tão poética que simplesmente me apaixonei por esse autor. Depois desse li mais alguns livros dele. Virei fã. Passado mais alguns anos e muitas leituras, um dia me deparei com um livro de literatura juvenil que me chamou e muito a atenção. E da mesma forma me interessei, li e me emocionei, refleti muito sobre a questão trabalhada nele e assim, mais um livro me marcou. Seu título: A Nuvem, de Gudrun Pausewang. Por que separei esses livros para comentar hoje? Simples, a temático deles é séria: os dois primeiros falam da guerra mundial e suas seqüelas nas pessoas que passaram por ela. Suas perdas materias, seus familiares, sua dignidade. A Nuvem narra um acidente radioativo em uma usina nuclear e o que acontece a toda uma população que se torna vítima de uma situação que, já vimos na realidade quando aconteceu em Chernobyl. Ao término desses livro, me senti saindo mais forte, mais humana, mais sensível as questões que nos envolve. Porisso caro leitor é que sempre digo: Ler é fundamental para o amadurecimento e o crescimento de todos. O homem adquire experiência, sabedoria e trabalhamos principalmente nossas emoções. Essa é a mensagem que deixo aqui e essas são minhas sugestões de leitura. Os livros do Henri Coulonges e J. M. Simmel se encontram esgotados. Já pesquisei mas é fácil de encontrá-lo em sebos. A Nuvem, em qualquer boa livraria.

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