sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Eu ouço cada uma...

Sempre que estou no coletivo seja ele trem, metrô, ônibus costumo observar as pessoas e cá entre nós, a gente sempre sai com algumas histórias que dariam verdadeiras crônicas. Quando não estou com sono - se for pela manhã, quase sempre - capto algo digno de nota. Outro dia tinha duas comadres conversando atrás de mim na fila e foi bem divertido ouví-las conversando. Até porque, mesmo que não quisesse seria impossível pois as "Maricatas" falavam muito alto e não tinha como não prestar atenção a conversa. Foi mais ou menos assim:
-Maria, tô muito avexada! Cridita que peguei o cachorro filo duma égua na minha cama com minha melhor amiga? Cão da peste! Affê! Qui tô putcha da minha vida!
-Severina, mulé de Deus! Diga isso não! Tô passada cuma notiça dessa! Quandio foi o sucedido?
-Sexta passada! Depois de trabalar um dia inteiro fazendo faxina em casa de bacana, chego em casa arriada de cansaço e o que encontro? O sem vergonha, filo de um tinhoso com uma rapariga desdentada no maió desfruti em minha cama! Safados!!!!! Logo na minha cama novinha que nem terminei de pagar ainda! Fiz o crediário em 24 meses! O cochão é do bão cumadi! E o filo duma égua me leva outra pro desfruti na minha cama novinha!
-Qui ce fez?
-Fiz o maió escandalo que toda a vizinhança saiu pra ver. Vuô pena de galinha véia pra tudo que foi lado. Peguei as coisa daquele safado e joguei na rua! Joguei tumén aquela traidora na rua. Aquela que não saia di casa, tomando meu cafezinho, aquela faladora miserave, qui mi apunhalô nas costas. aquela que um dia dei guarida quando chego cuma mão na frente e outra tras do norte faminta, esqueletica, mofada e suja!Disgrama de muíé, ajudei a consegui o primeiro emprego, dei ropa minha, sapato meu, até calcinha emprestei mó de que a disinfeliz nem isso tinha. E agora abocanha meu home? Tá certo que é uma tranquera mas era meu! Não valia o que comia, mas era meu!
-E Severina, e agora? Tá suzinha, tá? O desgramento foi de vez ou já vortô?
-Quero sabe mais desse traste não! Qui sô muié de uma palavra só! Ele apareceu, joguei água nele, telefonô querendo voltá e desliguei na cara dele!
-Eita qui eu quiria se ansim! Mas me diga uma coisa: jogo fora aquele cochão? Sim poque eu num deitaria nele mais é nunca!
-Tá maluca muié! Tô pagano ainda o crediaro e vô jogar fora um cochão tão bão? O que fiz foi lava as ropa de cama bem lavadim, despois quarei no sol, passei bem e tá novo! A cama é boa, o cochão é bão e não vô mudar tão cedo.
É isso cumadi. O jeito é tocar pra frente e espera que o próximo seje mió!
-Tá me dizeno o quê? Ainda qué tê outro? Affê?!...
-Maria qui prigunta muié! Tô viva, tenho um fogo qui valamedeus! Demorô! Qui venha o próximo! Eita, e vamo qui a fila tá andano!

2 comentários:

Michelle Marques disse...

Hahahaha...! Gostei, Rô! Muitas vezes eu também me pego observando as pessoas na rua. Imaginando o que se passa na vida de cada uma delas...
E a gente ouve cada coisa mesmo...!!
Beijos,
Mi
^-^

Sonhos & melodias disse...

Oi Michelle, que bom te ver por aqui. Menina, e não é que dá boas histórias mesmo? Em breve colocarei outras que ouço e guardo para postar aqui. Volte sempre.
Bjs