terça-feira, 17 de novembro de 2009

Um pouco do talento e sensibilidade de um poeta perseguido e mal interpretado

Quando estava na faculdade, em meados de 1997, conheci através de uma professora, o poeta francês Baudelaire. Durante a aula, a professora nos mostrou um de seus poemas e fiquei encantada com sua sensibilidade. Tantos anos se passaram e ontem, ele retornou ao meu pensamento e procurei no acervo da biblioteca onde trabalho, algum livro dele e encontrei esses: I fiori del male: poesie complete e Pequenos poemas em prosa. Pasmem! Do ano de 1937, novinho não? E foi desse último que retirei esse poema que de imediato, me conquistou:
DESEJO DE PINTAR
Infeliz pode ser o homem, mas feliz o artista que o desejo dilacera!
Estou louco por pintar aquela que apareceu tão raras vezes e tão depressa fugiu, como algo belo e fugaz fica atrás do viajante arrastado na noite.
Como já faz tempo que ela desapareceu!
Ela é bela, e mais que bela; ela é surpreendente.
Nela o negro excede: e tudo o que ela inspira é noturno e profundo.
Seus olhos são dois antros em que cintila vagamente o mistério, e seu olhar ilumina como o raio: é uma explosão dentro das trevas.
Eu a compararia a um sol negro, se pudéssemos conceber um astro negro que vertesse a luz e a felicidade.
Mas ela lembra mais facilmente a lua, que sem dúvida a marcou com sua temível influência;
não aquela lua branca dos idílios, que se assemelha a uma noiva fria, mas a lua sinistra e embriagante, suspensa ao fundo de uma noite tempestuosa e transtornada pelas névoas que correm;
não aquela lua mansa e discreta a visitar o sono dos homens puros, mas a lua arrancada do céu, vencida e revoltada, que as Feiticeiras tessalienses obrigam duramente a dançar sobre a relva apavorada!
Na sua fronte pequena residem a vontade tenaz e o amor pela presa.
No entanto, na base deste rosto inquietante, em que narinas móveis aspiram o desconhecido e o impossível, rebenta, com graça indizível, o riso de uma grande boca, vermelha e branca, e deliciosa, que faz sonhar com o milagre de uma esplêndida flor desabrochada num terreno vulcânico.
Há mulheres que inspiram o desejo de vencê-las e desfrutá-las;
mas esta dá vontade de morrer lentamente sob seu olhar.
Imagem: Sea maiden
Autora: Michelle Monique

Um comentário:

Daniel Savio disse...

Poesia bonita e combinou bem com a foto que colocou...

Mas há várias musas na vida (bem como musos), aquelas mais inocentes, aquelas mais dominadora, mas sempre musa...

Fique com Deus, menina Roseli.
Um abraço.