segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia 08 de Março - Comemorar o que?

É engraçado como esse dia me soa, no mínimo estranho. Quando passo pelos corredores da empresa onde trabalho e recebo olhares acompanhados de um tímido sorriso e um"Feliz Dia da Mulher", confesso que fico sem ter o que responder. Então, para não parecer antipático de minha parte, sorrio timidamente também e agradeço. Não sei se isso acontece com outras mulheres m mas comigo, todo ano é a mesma coisa. Explico: Sempre fui defensora de meus direitos. Não como mulher, mas sim como ser humano que batalha para se firmar na vida. Sempre fui uma batalhadora desde cedo. Comecei a trabalhar por volta de meus quatorze/quinze anos e nunca gostei de depender de ninguém pra nada. Meu pai mesmo já me chamava de "Turquinha" pelo fato de não gastar meu dinheiro com qualquer coisa. Principalmente quando ele vinha me pedir uns trocadinhos para fazer uma fezinha no jogo do bicho ou da loteria esportiva. Eu sempre negava pois achava um disperdício gastar dinheiro em jogo. O pouco que ganhava por mês na época já era tão pouco. Se gastasse em jogo então, nem me fale. Não dava mesmo! Tudo o que conquistei na vida foi através de muita luta, muita determinação, muita garra e dispensei muitas horas de lazer e de paqueras e namoros em troca de meu estudo e dedicação a minha profissão.
cansei de ouvir de minhas tias e primas que era bobagem me dedicar tanto assim aos estudos. Achavam que eu devia isso sim, me empenhar em agarrar um maridão logo, antes que os anos passassem de vez para mim. Sempre achei isso uma grande bobagem! Marido? Pra quê?
Não. Eu aumejava voos maiores para mim. Não tinha interesse algum em formar uma família.
Não que tenha algo contra. Não mesmo. Mas nunca me vi desempenhando esse papel: esposa/mãe. Acho lindo as mulheres que nasceram com esse dom mas, definitivamente, isso nunca foi para mim. Sou uma mulher cônscia de seus direitos e deveres de cidadã e procuro sempre na medida do possível, fazer o meu melhor. Trabalho muito, cuido de casa (sou o homem da casa se é que me entendem), tenho preocupações que todos têm e não me sinto nem jamais me senti inferiorizada. Seja pelos homens ou por outras mulheres. Nunca me senti menos em questão de beleza. Sei que não me enquadro em nenhum desses esteriótipos que a mídia lança. No entanto sei de meus encantos e valores enquanto mulher. Gosto de mim exatamente assim como sou. Com todas as minhas virtudes e imperfeições. Fico as vezes um pouco encanada com minhas celulites que as vezes me incomodam, no entanto, ao mesmo tempo digo a mim mesma: são elas que te definem? são elas que te dão o real valor enquanto ser humano? Não? Então bola pra frente que atrás vem gente. Toda essa reflexão sobre minha pessoa, é pra dizer que ando um pouco triste com o papel e com a imagem que vem sendo vista nas mídias do que é ser mulher: bonita, gostosa, burra e puta. Não me enquadro em nenhuma dessas categorias e assim como eu, muitas outras também ficam fora desse páreo e daí, sofrem com a desvalorização perante os homens, perante a sociedade que abraçou essa imagem e não abre espaço para outros padrões de beleza. Ou é essa mulher que descrevi, ou então são o grupo das anoréxicas que mais parecem um bando de mortas-vivas saídas do videoclip Triller, de nosso saudoso Michael Jackson. Sem chance então né? Dado essas constatações, pergunto: temos o que comemorar? Se somos defensoras de nossos direitos e abraçamos a imagem da feminista, somos tachadas de lésbicas e mal amadas. Se aceitamos essa imagem que a mídia nos vende, também somos mal interpretadas. É, está difícil como sempre o foi ser mulher. As cobranças, a falta de respeito seja no seio da família, seja no trabalho, seja no meio social, sempre seremos um ser "inferior" não importando o quanto façamos. Não quero aqui deixar um relato pessimista, muito pelo contrário. Sempre fui otimista e continuo acreditando em nosso valor. Sou mulher, gosto de ser mulher, tenho orgulho de ser mulher e mais que tudo: respeito a mulher. Independente de suas escolhas.
Quanto a festejar e comemorar minha condição de mulher, pra mim todo dia é meu dia!

5 comentários:

Daniel Savio disse...

É um jeito de pensar, mas não podemos de deixar de lutar para a nossa vida, a felicidade dela...

E mesmo assim, feliz dia das mulheres.

Fique com Deus, menina Roseli.
Pedroso.
Um abraço.

Marina G. disse...

É muito bom comemorar, mas não tiro sua razão, todo dia é nosso. Porque nós não temos feriado, nem mesmo hoje, todo dia é dia de luta e de conquistas também. Para ser diferente do que a sociedade impõe é preciso ter uma garra enorme, porque senão acabamos cedendo aos modismos e tipos impostos pr cabeças cada vez mais vazias.

Beijo querida.

ps.: mudei de blog, eu postava no Re-corte Cultural, Agora fiz um outro chamado Popart com farofa. Uma coisa nada louca né? rs

Sonhos & melodias disse...

Agradeço Daniel, veja bem, não sou pessimista mas procuro ver o outro lado também.
Obrigada pelo carinho de sempre e pelas visitas que são sempre bem recebidas.
Bjs

Sonhos & melodias disse...

Oi Marina!! Bom te ver de novo por aqui! Já fui visitar seu novo blog e está lindo! Só não consegui deixar comentários. Apareça sempre.
Bjs

Lunna disse...

Essa data me incomoda, sério porque a data vem de um momento triste e lamentável da história. Tudo bem que elas fizeram alguma coisa, mas e as que vieram depois, o que irão fazer além de acomodar-se?
Muitas já fizeram e muitas precisam fazer e isso é válido, mas não precisamos de datas para saber disso, basta acordar, abrir os olhos e observar o mundo a nossa volta.
Bacio