quinta-feira, 27 de maio de 2010

Uma deliciosa fábula francesa

Em matéria de literatura, nunca gostei de histórias muito certinhas, com personagens também certinhos, muito menos finais felizes. Talvez, justamente por ser humana, gosto da complexidade que todos trazem impressos em seu DNA.

Com certeza é isso o que me encanta nos filmes de Wood Allen. A gama de personagens neuróticos e urbanos é de uma riqueza! Simplesmente me identifico!

O livro que terminei de ler, me fisgou por completo. O personagem Virgile é de uma neurose absurda que me ganhou desde a primeira página lida. Suas manias, seus pensamentos obssessivos, sua maneira de pensar e enxergar as pessoas, a cidade e a vida são tão...comuns!

Apesar das pessoas acharem umas as outras “estranhas”, “esquisitas”, se analisarmos bem de perto, veremos que o que menos tem, se é que tem, é gente normal.

Como já disse um certo alguém: De perto ninguém é normal!

Outro atrativo do livro além dos personagens bizarros, é a própria cidade de Paris. Ela é uma grande personagem na história de Martin Page. Sempre presente mesmo quando não mencionada ou descrita. Suas ruas, livrarias, restaurantes, estações de metrô, suas zonas de meretrício, suas lojas luxuosas, seus cafés nos dá uma dimensão exata de como é se viver na “Cidade Luz”. E Virgile demonstra a todo instante seu amor à Paris.

Vocês devem estar se perguntado: Mas afinal, que livro é esse? Calma, já te falo. O livro de Martin Page, um jovem escritor francês que vem causando buxixo no meio literário francês, chama-se Talvez uma História de Amor, da editora Rocco.

Autor do consagrado Como me tornei estúpido, aqui nesse romance, os encontros e desencontros amorosos que quase todas as pessoas vivem ou viveram são expostos sem máscaras românticas. Por outro lado, não deixa de ser uma comédia romântica com situações engraçadas, mas tão comuns a todos os habitantes de uma metrópole. As situações podem parecer bizarras mas são fáceis de se acontecer em Paris, em Nova York, em São Paulo, em Tóquio... Olha, confesso que expondo o livro na vitrine da biblioteca, já começo a sentir saudades de Virgile e seus amigos, já sinto falta do cheiro da cidade de Paris...

Deixo vocês com um pouquinho dessa história. Só para atiçar mais a curiosidade.

"É mais confortável ter amigos do que amigas. As mulheres captam coisas demais...Analisam, decifram, comentam e sugerem. Já os homens se limitam a conselhos simplistas e despropositados"

"Gostava do bairro por causa de sua heterogeneidade. Eram muitos os estrangeiros (indianos, árabes, chineses, africanos) que viviam e trabalhavam naquela parte do décimo distrito parisiense"

"- Virgile - disse uma voz feminina. Ele se aproximou do alto-falante para usufruir melhor aquela melodia encantadora. Deus tem voz de mulher, pensou Virgile."

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4 comentários:

Pedrita disse...

eu tb gosto de histórias mais realistas. tb adoro woody allen. não conheço esse livro. andamos no mesmo tempo de leitura, acabei tb o livro q estava lendo, mas ainda não coloquei no blog. beijos, pedrita

Sonhos & melodias disse...

Oi Pedrita,
Olha, adorei mesmo essa história. Vou dar uma passada em seu blog para ler seu parecer do livro.
Bjs

Luma Rosa disse...

Teve uma época que fazia exercício opticos e chegava na clínica bem antes dela abrir. Esperava olhando as pessoas passarem pela calçada e presenciava situações bizarras, comportamentos até certo ponto esquizofrenicos e outros que eu encarava com certa graça, como pessoas que pulam, não pisam em marcações ou riscos nas calçadas. Qualquer pessoa normal tem manias que para alguns pode se considerar doença mas que para elas funciona como uma válvula de escape! Woody Allen é mestre! Um observador contumaz do cotidiano! Beijus,

Sonhos & melodias disse...

Oi Luma! Bom te ver por aqui. Obrigada pela visita.
Bjs