terça-feira, 23 de novembro de 2010

O mistério de ser um universo à parte nesse todo que é a vida


Sempre gostei de refletir sobre mim mesma e sobre os outros. Desde cedo que tenho essa mania: pensar! Quando pequena, sempre ouvia uma tia minha falar à minha mãe que ela precisava ficar de olho em mim pois ainda ia dar muito trabalho. Sempre que podia, ela ficava azucrinando no ouvido de minha mãe o quanto ela me achava “louca”, “maluca” e dizia sempre que eu vivia no mundo da lua. Por um bom tempo fiquei preocupada e quase acreditei nisso: eu era maluca! Com o passar dos anos, comecei a me preocupar com a imagem que passava aos outros. Será que todos me acham estranha, louca, abilolada?

Não seria de se estranhar afinal, gostava mesmo de me refugiar na fantasia. Minha vida sempre foi enriquecida pelas histórias que meu pai contava à noite após o jantar e isso me dava asas à imaginação.

Já na adolescência, mil crises se instalaram em meu ser. Magrela, sardenta, cabelos escorridos, fugia totalmente ao modelo de beleza vigente. Mas quando me olhava no espelho, não conseguia me ver feia, muito menos engraçada. Gostava de mim. Achava-me legal. Uma coisa podia dizer com certeza: sempre tive uma estima bem lá no auto. Não importava o que falassem o que comentassem ou as brincadeiras que fizessem. Mas, pouco a pouco se formava dentro de mim um ser que desconhecia. Um dia me perguntei: Quem sou eu? E olhando-me no espelho perguntei novamente: E então? Quem é você? Mostre-se por completo. No entanto, aqueles olhos castanhos continuaram a me olhar e de lá de dentro, nada me responderam. Adoro me questionar e quase sempre não obtenho resposta. No entanto, sempre saio dessas conversas comigo mesma satisfeita. É bom! Já me falaram mais de uma vez que me acham misteriosa. No qual imediatamente respondo: Sou mas...quem não é? E você? Já se perguntou algo no gênero? Já se perguntou de onde veio, para onde vai? Quem é? O que gostaria de ser?

São questões filosóficas que atingem a todo ser pensante e cedo ou tarde as fazemos. É bom, é saudável, nos ajuda a evoluir, a amadurecer. Outro dia conversando com minha mãe ela me disse que chegou a se preocupar e muito comigo mas que hoje, de todos os seus filhos, sou a mais centrada, a mais equilibrada e amadurecida. Concordo em parte pois jamais disse à ela que sou uma grande atriz e que muitas vezes interpreto tão bem que chego a convencer até a mim mesma. Mas também, nessa vida quem não interpreta algum papel em algum momento de sua vida? Todos não é mesmo? Então estou perdoada. A propósito, em parte sempre vivi no mundo da Lua pois ela sempre regeu meus caminhos. Sou canceriana, pura água e totalmente lunar. Podia ser diferente? Acho que não.



“Sou tão misteriosa que não me entendo. Não, positivamente não me entendo. Bem, mas o fato é que, mesmo não me entendendo, vou lentamente me encaminhando – e também para o quê, não sei. De um modo geral, para mais amor por tudo...Sinto que me encaminho para o mais humano”.

(Do texto-montagem “Que mistério tem Clarice?, de Renato Cordeiro Gomes do livro Seleta, de 1976)



“Quem sou?...Um nome para o que sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser”.

(Do livro A descoberta do mundo, Editora Rocco, 1999)

7 comentários:

Pedrita disse...

eu tb gosto de refletir e tb desde cedo. tinha altas conversas com meu amigo invisível na infância. beijos, pedrita

Anamélia disse...

engraçado que fui eu que me senti retratada agora. até hoje me acham "a diferente", distraída, misteriosa. parabéns também pelo blog! ainda temos muito que compartilhar! bjus

Sonhos & melodias disse...

Oi Pedrita,
Ah, esses nossos amiguinhos invisíveis! Tenho o maior carinho por eles.
Bjs

Sonhos & melodias disse...

Oi Anamélia,
Seja bem vinda a esse blog. Fico contente que tenha gostado. Apareça mais vezes e obrigada pelo comentário.
Bjs

Jean-Louis disse...

Oi Roseli,
tbm gostei desse post. Até o fim, pensei que vc estava falando de si mesma. Ainda sem ter tido amigos invisiveis, eu posso identificar-me com estos pensamentos. Eu consigo receber comentarios semelhantes das pessoas ao meu redor.
Na minha juventude, sentia uma desconexão, mas desde muito tempo não me preocupo nada disso. Porque eu sei quem sou eu e quem me ama e isso é tudo o que me importa. Ao transcurso de minhas viagens eu sempre encontrei em todas partes do mundo almas que se sentem assim. Não somos sozinhos.
Não sei se vc. olhou meu comentario em seu poema Meteorologia da alma que deixei há uns dias.
Tudo de bom para vc.

Sonhos & melodias disse...

Oi Jean-Louis,
Você não se enganou totalmente. Falo muito de mim mesma mas com uma pitada de ficção. Obrigada pela visita e comentário. Volte sempre.
Abraço,

Daniel Savio disse...

Menina é dificil se conhecer totalmente, mas o que importar é defenir que o seu conceito de felicidade, do que tu queres para vida...

Fique com Deus, menina Roseli Pedroso.
Um abraço.