quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Retomei o prazer da leitura com esse livro


Quando li sobre o lançamento do novo livro de Jô Soares, As esganadas, fiquei naturalmente curiosa pois sou fã de sua narrativa. Quando o li pela primeira vez, O Xangô de Baker Street, fiquei fascinada pela facilidade em mesclar situações históricas e personagens veridicos com ficção. Gostei muito também de sua forma leve e seu humor inteligente que já é uma marca registrada há muito tempo. Em seguida, quando lançou O homem que matou Getúlio Vargas, pensei com meus botões: será que ele conseguirá manter o ritmo do outro livro ou será uma cópia do que já se escreveu? Mais uma vez me diverti lendo as peripécias e desastres do assassino profissional mais desastrado da história: Dimitri Borja Korozec. Ri até ficar em cólicas com suas trapalhadas e sua obstinação em querer matar o presidente. Quando lançou Assassinatos na Academia Brasileira de Letras, mais uma vez adentrei seu mundo fictício mesclado com passagens históricas e um Rio de Janeiro maravilhoso de se vivenciar. Principalmente para quem não teve a oportunidade de conhecer a cidade maravilhosa em seus áureos tempos onde a intelectualidade fervia pelas ruas da cidade. E agora, ao chegar às minhas mãos o mais novo livro dele, literalmente devorei cada página de sua história. E mais uma vez comprovei a astúcia, a inteligência e o dom literário de Jô em desenvolver histórias plausíveis de se acontecer em qualquer parte mas que, como sempre, tem a cidade do Rio de Janeiro como pano de fundo. E porque não dizer como personagem principal afinal, está presente em todos os momentos do livro. Jô resgata ruas, lugares que foram point no passado e que muitas vezes nunca ouvimos falar a não ser que se pesquise como ele próprio deve ter pesquisado e muito.
Bom, como bibliotecária e pesquisadora amadora mas apaixonada, devo confessar que isso me fascina. E os personagens Tobias Esteves, um investigador português que vem parar por aqui, um Sherlock Holmes das terras lusitanas, o delegado sempre ranzinza, a jornalista moderninha e feminista, as vítimas que são sempre personagens interessantes e todo o clima que envolve o romance são um convite para a leitura. Cheguei a ler numa resenha feito em um determinado blog que Jô pecou ao revelar logo de cara o assassino. Discordo afinal, a inteligência de Jô está justamente em desenvolver as tramas paralelas de forma surpreendente e assim, o leitor se vê envolvido e vai até o final do livro. É isso. Deixo aqui meu parecer sobre esse livro e indico para todos que gostam de uma leitura inteligente e bem humorada. Salute Jô!

4 comentários:

claudete disse...

Roseli há tempo não te visito, rs, por falta de tempo mesmo, entretanto o teu texto é uma legitimada e pormenorizada resenha que um autor precisa. Parabéns! Motivou-me ler não apenas este , mas a obra do Jô Soares.

Celina Dutra disse...

Obrigada pela excelente resenha! Jô Soares é um escritor que fica na minha gaveta de "preconceitos". Quem sabe um dia eu me cure desse mal. Já aconteceu com outro autor de quem hoje sou admiradora.
Girassóis nos seus dias. Beijos.

Juliana disse...

Ainda não li nenhum livro dele. Valeu pela indicação, Roseli!

Abraços!

Menina no Sotão disse...

Oi Roseli, eu soube do lançamento (como não saber em se tratando de um global?) mas não me chamou a atenção ainda. Eu não gostei dos outros livros dele. A narrativa não me agradou e acho que por mais que ele faça pesquisa, há algumas coisas ali que não me agradaram. rs

bacio