quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Ainda uma bela mulher

(Imagem retirada do blog Acerto de contas)

Amanhece. Entre nuvens espessas, flocos de poluição a sair das chaminés e os primeiros acordes de uma cidade despertando para mais um dia, eis que surge bela na sua feiura e contrastes. Abrindo seus enormes braços de mãe amorosa mas enérgica, recebe diariamente milhares de pessoas vindo de todos os lugares. Brinda à todos com um cardápio pra lá de diversificado com uma rede gastronômica de dar inveja a qualquer metrópole. Ativa vinte e quatro horas incessante não deixa ninguém na mão. O que se desejar ou sonhar, ela lhe oferece. Tribos de todo tipo se cruzam formando um mosaico bizarro Suas centenas e centenas de ruas, avenidas, alamedas surgem diante de nós como imensa rede sanguínea com frotas de automóveis ensurdecedores conferindo-lhe mais vida, mais neurose, feito um enorme dragão cuspindo fogo com suas luzes a piscar ao cair da noite. Seus bueiros, lixos, buracos mostram que a bela também sabe ser fera. E que fera! E o que dizer de suas entranhas? Suas redes de metrô que se entrelaçam movendo um número imensurável de seres humanos apressados, neuróticos, preocupados? Movendo-se como um verdadeiro formigueiro humano, é um cenário digno de ficção científica. No entanto é a mais pura realidade de quem habita essa cidade. O que mais se ouve sobre ela é que a cada dia se torna mais difícil viver nela. Cidade que endurece as pessoas, feia, embrutecida pelo concreto, vidro e aço, desbotada pela poluição com seus rios fétidos que dá repugnância em quem a visita. No entanto, ela diariamente conquista muitos que a visitam. E hoje, nessa data especial em que completa 458 anos de vida ativa, São Paulo pra mim é o paraíso em pleno inferno de Dante. Quem aqui chega, cai de paixão incondicional e mesmo sem saber porque, declara um amor sem igual por ela. Eu nasci e vivo aqui. Amo descaradamente essa Sampa querida, embrutecida, velha, decadente, injusta. Mas como todo amor, não vemos seus defeitos. Ou, se vemos, a colorimos e damos a ela sempre uma outra chance. Parabéns São Paulo da chuva, da poluição, das ruas esburacadas, dos transportes apinhados. Parabéns por nos proporcionar tantas alegrias e conquistas. À ti rendo meu carinho, meu respeito e desejo de que muito em breve, você seja mais valorizada,mais cuidada, mais amada por todos que sorvem a seiva de seu peito.

4 comentários:

Cristiano Marcell disse...

Dura poesia concreta de suas esquinas....

Belo texto!

Luciano A.Santos disse...

Roseli, belíssimo texto, como São Paulo merece, e tua última frase deveria ser um desejo de todos que aí moram: "À ti rendo meu carinho, meu respeito e desejo de que muito em breve, você seja mais valorizada,mais cuidada, mais amada por todos que sorvem a seiva de seu peito."

Beijos.

Menina no Sotão disse...

Não nasci aqui, mas amo São Paulo e sim, sou paulistana porque adotei essa cidade como sendo minha, faltou-me apenas o prazer da nacionalidade. Mas ao nascer não nos dão essa opção, mas ao escolhermos no futuro o nosso chão há a opção. rs

bacio

Mirian Mondon disse...

Roseli, que belo texto, parabens!!!
Bela e justa homenagem a São Paulo.

Desde que retornei ao blog estava tentando acessar o seu e nao conseguia nao sei porque, hoje felizmente deu certo e aqui estou para matar um pouco a saudade.

Obrigada pelas boas vindas de retorno.
Se passar por lã, por favor vote no nome do blog, não suporto mais o nome antigo, rs

beijos e ate breve!