quinta-feira, 8 de março de 2012

Condição Mulher

(Imagem retirada do Google Imagem)

Muito se fala. A mídia aproveita pra fazer suas campanhas divulgando e enaltecendo a mulher. No entanto, apesar de tudo, não me sinto lisonjeada por todo esse carnaval. Afinal, no dia a dia continuamos sendo agredidas, desrespeitadas, relegadas nas mínimas atitudes que passam batidas pela grande maioria. Até mesmo pela própria mulher. As coisas se banalizaram tanto que mesmo diante de tanta pancadaria, já nos anestesiamos e não sentimos mais nada. A própria mulher se deixou levar pelas circunstâncias e hoje se deixa vender como frutas comestíveis: melancias, peras, uvas, enfim, um pomar inteiro de mulheres pra se degustar. Não quero dizer com isso que estou generalizando. Não mesmo. Apesar de parecer um quadro ruim da mulher contemporânea, tenho consciência de que muitas são exemplos a serem seguidos devido às suas atuações elogiáveis no campo artístico, político, empresarial, educacional etc.
Mas o que observo é que infelizmente essas mulheres são minoria. Para a grande massa, ainda é mais vantajoso se deixar vender por um "bom casamento", um bom"amante" que possa lhe proporcionar um presente e quiça, um futuro seguro recebendo jóias, bens materiais, e diversos mimos que a façam se sentir valorizada. E para tanto, se prestam a maus tratos, a violência doméstica e sexual. São as "escravas sexuais" modernas que desfilam ao lado de seus machos alfas sempre com um sorriso no rosto e os peitos à mostra rebolando e posando para flashs da mídia populesca que vive de escândalos alheios quase sempre envolvendo mulheres lindas.
Mas, deixando esse lado negro de lado e voltando um pouco os holofotes para aquelas que fazem a diferença, vemos mulheres maravilhosas fazendo história e deixando um legado rico para a humanidade. No campo científico tivemos grandes mulheres que, contrariando a lei vigente em seu tempo, quebraram tabus, e mostraram ao mundo seu brilhantismo.
No passado distante, Hypatia (375-415AD), filósofa e matemática - alguém já ouviu ou se lembra dela? -, e das filósofas clássicas Aspásia de Mileto, Axiothea de Philesea. Mais recente Simone de Beauvoir, Marie Curie que revolucionou no campo da radioatividade , Mayana Zatz, no presente com suas pesquisas em genética humana. No campo das artes então temos inúmeras mulheres entre elas posso citar sem pestanejar: Fernanda Montenegro, nossa grande dama do teatro brasileiro que é um exemplo de atriz, de mãe, de mulher, de cidadã. Marília Gabriela que sempre com seriedade e respeito à profissão que abraçou, entrevista pessoas dos mais variados campos. E como é bom vê-la no ar!
Poderia desfiar aqui centenas e centenas de linhas falando das mulheres que fazem a diferença. E, pensando bem, essa minoria daria muitas páginas. Logo, não é tão pequena assim a lista das que nos dá orgulho de ter nascido mulher.
Volto a dizer que não tenho muito pra comemorar no dia de hoje. Até mesmo porque já ouvi - que me desculpem os ouvidos sensíveis - muita merda da boca de alguns homens logo pela manhã. Mas não me abato não. Sei meu valor, sei do que sou capaz e também sei que dou de dez a zero em muito homem que bate no peito e se diz macho. Também não sou do tipo feminista radical que sai arrebentando tudo e desqualificando os homens. Sou pela lei do equilíbrio e respeito sempre. Prefiro comemorar o fato de estar viva, com saúde, ativa e que, ao contrário de enaltecer minha condição de mulher, prefiro comemorar o fato de ser mais um ser humano lutando para fazer esse mundo algo melhor. Minha contribuição é pequena, quase invisível mas sei que faço a diferença no dia a dia de muitas pessoas que conseguem ver meu potencial humano.

3 comentários:

Pedrita disse...

concordo que muitos se anestesiaram. tanto q há gente q questiona essa data como se as mulheres tivessem uma posição confortável na sociedade. viraram escravas da estética, as q envelhecem, mesmo com os procedimentos estéticos, tem dificuldades de conseguir trabalho. acho que há ainda muito preconceito. um viva as grandes mulheres q não aceitaram as imposições insanas e lutaram contra como a jung chang, marina silva, léa garcia e ayaan. beijos, pedrita

Georgia disse...

Roseli, parabéns pelo teu texto tao consciente do que é mesmo a mulher nesta sociedade medíocre..., ainda há muito o que mudar.

Em muitos países a mulher ainda sofre demais nas maos dos homens.

Nao sei se temos mesmo o quê comemorarmos neste dia...me dói muito a situacao dessas mulheres.

Um grande beijo

Lúcia Soares disse...

Roseli, vim ler seu texto, a convite da Georgia. Concordo demais, também escrevi sobre isso, no dia 08.
Não vejo motivo pra um dia especial, ainda mais que a data se perdeu do seu propósito.
Muito bom ler você. Um abraço!
www.luciahsoares.com