domingo, 23 de dezembro de 2012

Feliz Natal (com direito a uma volta no tempo e reflexão do que e como vivemos)


Protelei até agora para falar um pouco dessa epoca tão bonita, mas também tão conturbada que é o Natal. Quando pequena, esperava o ano todo por essa data pois ela trazia consigo alegrias, rever parentes que não víamos o ano todo e o mais gostoso: presentes (que era tão raro), roupas e calçados novos e um almoço em família que era uma farra. A casa de meus avós maternos era o QG da galera familiar. Família grande, barulho em toda a casa, risadas altas, mulheres reunidas na cozinha de minha avó que era enorme, homens no quintal reunidos tomando cerveja, caipirinha e discutindo futebol e nós, crianças correndo pela casa toda. Boas e deliciosas lembranças de um tempo que não volta mais!
Saudade de um tempo em que tinha apenas fantasia e uma alma pura de criança. Saudade de um tempo em que não perdia meu tempo em frente a TV ou computador. Tempo em que as amizades criadas eram presenciais, olho no olho, suor escorrendo do rosto corado de tanto correr e brincar de pique.Canelas sujas de brincar na terra, descalça sem a preocupação neurótica dos pais em "preservar" seus filhos de doenças e bactérias. Sujou? Final de tarde toma um banho e pronto! Estão todos limpinhos e cheirosos! Tempo em que passávamos a noite na calçada conversando e ouvindo os "causos" que os avôs contavam de suas infâncias. Cada história! E nossa imaginação voava sem limites.
Na rua em que morava, tinha umas dezenas de crianças de todas as idades. Muitas brincadeiras, muitas rivalidades, muitas brigas, bate boca mas que, em pouco tempo as pazes já estavam feitas e a brincadeira prosseguia. Bullying sempre existiu mas, naquele tempo, não era nada que se traumatizasse. Apenas ríamos um do outro e a amizade se aprofundava cada vez mais. Quando o Natal chegava, toda a criançada gostava de se reunir após o almoço para desfilarem seus presentes.Após o almoço. dentro de casa, os homens se esparramavam pela sala e quartos para tirarem um cochilo. A cozinha mantinha-se agitada com as mesmas risadas das mulheres lavando, secando e guardando as louças. Muita conversa sempre. Eh mulherada animada! Vovó, que sempre manteve um espírito de criança levada, aparecia na área e chamava a gente para comer  goiabada com queijo, ou um cacho de uva, ou gelatina em mosaico, ou sagú. Ela se sentava no degrau na escada e junto de nós, lambíamos os dedos depois das guloseimas! Meu avó sempre se aproximava sério, com as mãos para trás e dizia:
- Maria! Maria! Se porte como uma mulher da sua idade!
Minha avó olhava para ele e se desmanchava numa gargalhada deliciosa. Sempre me lembro de sua barriguinha se movendo para cima e para baixo quando dava essas gargalhadas. Ela era demais! Me ensinou algumas brincadeiras de sua infância e que me fizeram muito feliz ao aprender: pular corda, cama de gato, Cinco Marias,amarelinha. Não posso reclamar de minha infância. Foi boa demais!
Mas retornando da infância para o presente, o Natal hoje, é sinônimo de estresse, desgaste físico, mental e emocional. Ninguém mais curte a alegria da simples reunião familiar. Todos têm a preocupação com gastos em presentes, gastos em deixar a casa bonita e apresentável para os outros, compra de inúmeras coisas desnecessárias. O verdadeiro espírito de Natal escoou ralo abaixo. A única preocupação são os presentes, o comer e beber que beira patologia coletiva causando males para muitas pessoas. O real motivo das reuniões em família, que era a confraternização, a demonstração de amor incondicional e a lembrança do Menino Jesus ficaram em último lugar. Muitas vezes nem sendo lembrado. 
Natal passou a ser a epoca onde mais se gasta,mais se consome e menos se medita e ora por um mundo melhor. Há muito tempo deixei de ser religiosa, abraçar essa ou aquela religião pois vi que em todas, encontramos ranço de preconceitos, discriminações e distorções. Hoje me posiciono como um ser espiritualista que tem ideias próprias, regras próprias que nem sempre agrada aos demais. No entanto, conservei uma coisa dentro de mim que nada nem ninguém vai tirar: meu amor incondicinal ao ser humano. Por mais que as pessoas mostrem seu lado negro, procuro enxergar suas virtudes. Está certo que na maioria das vezes, elas parecem querer que eu veja mais seus defeitos que suas virtudes. Mas sei que todas, sem exceção, têm qualidades. E é nisso que aposto. E, contrariando todas as minhas neuras - sim pessoas, eu também as tenho e não são poucas - estou aqui para desejar a todos que me acompanham o ano inteiro nesse blogue, um Natal com muita paz, alegria genuína nos corações. Desarmem-se diante de seu próximo. Releve as diferenças que tantas vezes são causas de discussões, ressentimentos, invejas e ciúmes.
Vamos nessa data, fazer como nosso irmão maior: doe-se ao próximo e faça à ele o que gostaria que fizessem por você. E isso independe de credos, religiões, posturas. Isso é ser de fato um humano livre de amarras e Pré(conceitos) mundanos. Tiremos as máscaras sociais que nos endurecem no dia a dia e voltemos a ser aquelas crianças puras de coração tendo como verdadeiro intuito, apenas brindar o nascimento do menino Jesus. Feliz Natal a todos!

2 comentários:

Pedrita disse...

Feliz Natal pra vc e sua família. beijos, pedrita

Roseli Pedroso disse...

Obrigada Pedrita! Bjs