sábado, 26 de janeiro de 2013

Se locomover pela cidade: difícil e quase impossível tarefa

Hoje vou falar um pouco de algo que tenho observado e até presenciado não como simples expectadora, mas como atriz principal ou no máximo, co-adjuvante. Tem coisas que na vida, só mesmo passando por elas é que aprendemos a ter uma visão real. Desde que minha irmã ficou com problemas de saúde e teve que utilizar bengala a princípio, depois andador e agora cadeira de rodas, sua vida ficou bem complicada na cidade. E,como acompanhante dela nessas incursões, tenho constatado o quanto a cidade e a sociedade está longe de estar preparados para conviver com o deficiente físico. As pessoas, já tenho observado de longa data que - ou por preconceitos ou pura falta de informação - não sabem nem querem conviver com pessoas nessas condições. A impaciência impera nas estações de metrô, ônibus, restaurantes, cinemas e por aí vai. Pessoas que, ao nos ver se aproximando, saem de perto, desviam os olhos, fingem que o deficiente físico não existe. Outras vezes, fazem questão de expressar sua repugnância fazendo caretas, revirando os olhos numa atitude mesquinha, arrogante e nada humana para com seu semelhante. Esquecem que hoje estão bem, mas que amanhã ou depois,suas vidas podem sofrer grandes reviravoltas e acordarem nessa mesma situação. Outro dia, num ônibus, minha irmã, já deficiente, teve de ouvir do motorista que aquela hora não era mais horário de velhos e aleijados andarem pelas ruas atrapalhando as pessoas "normais".
Quanta ignorância!
Ontem, fui acompanhar minha irmã até a garagem de uma empresa de ônibus para ela renovar sua carteirinha que lhe dá direito a utilizar os transportes de forma gratuita.Confesso que foi uma experiência dura, difícil, cansativa e...Revoltante!
A cidade definitivamente não está preparada para receber e conviver com cadeirantes! O sufoco que foi eu empurrar a cadeira de rodas por calçadas esburacadas, buscar por rebaixamentos que quase não existem e o pior, quando existe, é muito mal feito como esse exemplo que fiz questão de fotografar. 


            Rua Franz Voegeli próximo ao Cia Municipal de Transportes de Osasco e Shopping União

Confesso que retornei a minha casa muito triste por constatar o quanto os deficientes físicos sofrem não só nessa, mas na maioria das cidades aqui no Brasil. Está na hora de se conscientizar e exigir dos orgãos competentes, a adequação das vias públicas para o deficiente físico.
A coisa boa do dia: Costumamos ressaltar as coisas negativas e acabamos por esquecer das coisas boas que nos acontecem. Não é o caso de hoje. Agradeço imensamente a atenção, educação e cortesia de um motorista de táxi que tem nos servido bastante: Jorge. Motorista alegre que sempre ajuda os passageiros com dificuldades de locomoção e pessoas idosas. Sei disso pelo contato e convívio quase que diário com ele. Além de motorista (quase particular) da família, ele é nosso vizinho. Obrigada mesmo! 
Agradeço imensamente também a equipe de funcionários do Shopping União que são de uma atenção e auxiliam sempre com um sorriso no rosto todos os deficientes físicos que necessitam de ajuda e nisso ressalto a atitude sempre atenta dos seguranças e principalmente da equipe de bombeiros que ali trabalham. Obrigada! Ah se todos fossem assim! O mundo seria bem melhor!

3 comentários:

Pedrita disse...

eu entendo bem o q vc diz, minha mãe é deficiente visual. ela enxerga. mas há limitações. e há uma dificuldade enorme em vários lugares. comprei por ex ingressos para o cinema. não sabia se era a sala com muitas escadas. e era. por sorte um casal queria trocar pq comprei embaixo por serem os últimos e tudo se resolveu. mas não tinha como ela subir no cinema, q é praticamente escuro. 15 degraus. até 5 ela vai. 15 começa a ser perigoso. é difícil fazer o pessoal do cinema entender q ela precisa de mais luz, não pode ser aquela luz de cinema, quase no escuro, enquanto a tela não passa nada a luz deveria ser total. mas eles nao entendem e falam q é proibido aumentar a luz. uma pessoa uma vez quase empurrou a minha mãe na escada rolante pq ela demorava. eu já tive gente q perguntou pq eu nao proibia minha mãe de sair. pode? eu acompanho no twitter um local q denuncia irregularidades e políticos q buscam melhoras para os deficientes. sempre luto por melhorias. realmente tb eu e minha mãe temos muitas pessoas q nos ajudam. uma vez ela apertou errado o andar do elevador. estava sozinha e saiu em outro andar. voltou e não sabia o q apertar e o elevador chegou no térreo e o porteiro aflito, dizendo q tinha visto q minha mãe tinha entrado em andar errado, chamado o elevador e ofereceu ajuda. tb agradeço a esse gentil senhor. beijos, pedrita

Luma Rosa disse...

Tenho uma leitora do "Luz" que é cadeirante e o pai de um menino deficiente físico e ambos sempre reclamam da falta de estrutura nas cidades para atender a esse público. As cidades precisam se modernizar, pois como disse, o futuro poderá ser bem complicado, pois a populaçao idosa está aumentando e muitos fazem uso de cadeiras de rodas.
Felizmente existem pessoas bondosas que auxiliam quando estão fora de casa.
Boa semana!! Beijus,

Albuq disse...

Acessibilidade deveria ser uma assunto constante e que realmente todos atentassem para esse problema.
TExto interessante e inquietante.