domingo, 23 de junho de 2013

O balanço foi feito. Agora é só comemorar!


No dia 24 de junho de 1963, as 16h45, brilhei nesse mundo! Desde o dia anterior Ilda já sofria as dores do parto mas, como sempre, fui devagar para nascer. Não tinha pressa pois sabia que brincaria por muito tempo. Típica canceriana, fui uma criança com imaginação de sobra e juízo de menos. Assim os adultos se dirigiam à mim. Não posso queixar de minha infância. Apesar das inúmeras dificuldades financeiras que a família passava, tive uma infância alegre, brinquei muito, de tudo o que se possa imaginar. Pega-pega, amarelinha, queimada, passa anel, casinha com bonecas, bambolê...
E tantas brincadeiras mais que já nem me lembro e que fizeram parte de minha fase de criança.Magricela, sardenta, cabelinhos ralos, exibida, careteira são os inúmeros adjetivos para representar a Roseli criança.
Fui uma adolescente deslumbrada com o mundo que se descortinava diante desses olhos sonhadores. E como sonhei!!! E paquerei também. E me apaixonei muitas vezes também. Até o dia em que ingressei de vez na vida adulta e de lá pra cá muitas coisas mudaram. Outras não.
A vida adulta, suas exigências, suas responsabilidades foram pouco a pouco minando o espírito sonhador e lúdico que tanto me embalou. Os problemas cotidianos, as contas para pagar, as inúmeras decepções foram tomando lugar em meu coração e tornando-me uma pessoa sisuda, fechada, desconfiada. Até o momento em que não mais aguentei e parei com tudo e pensei: foi isso o que sempre quis para sua vida? 
Lembrei-me de quando mais jovem, observava alguns adultos e via a amargura estampada em seus semblantes e vivia dizendo a mim mesma: Não quero me tornar assim. Jamais serei assim! Deus me livre ficar amarga como essa fulana!
E constatei sofridamente que tinha me tornado exatamente como aqueles adultos de meu passado. Isso doeu profundamente. Foi onde constatei que sozinha não sairia desse labirinto emocional em que me perdi.
No ano passado tomei a decisão de procurar um psicanalista e iniciei minha busca por mim mesma. E apesar das constantes crises que ainda passo, tem me ajudado e muito a resgatar aquela Roseli menina sonhadora, leve, alegre que fui um dia. Havia pensado que ela estava morta e enterrada. Ledo engano.
Estava apenas adormecida e sufocada por tantas mágoas, decepções, preocupações que a vida adulta me obrigou a engolir. Ou, engoli deliberadamente estando numa zona de conforto que parecia ser algo seguro.
Também venho passando por uma crise existencial devido a aproximação dos cinquenta anos. Medos dos mais diversos tipos. Não casei, não tive filhos, sei que não terei nem um muito menos o outro. Não deixarei herdeiros para darem continuidade a minha história. Não plantei árvores nem publiquei ainda um livro só meu. Não tenho um carro pra fazer bonito perante a sociedade materialista, não possuo imóvel para mostrar o quanto conquistei na vida. Fiz poucas viagens. Uma só para o exterior. Nunca fui amada de verdade por um homem. Nunca recebi flores, nem mimos de espécie alguma. Nunca comemorei o Dia dos Namorados com alguém. Enfim, para muitos que lerem esse texto desabafo/reflexivo pode pensar: Que merda de vida! Que pessoa mais medíocre! Que coitadinha!
No que respondo de imediato: Pode até ser que seja tudo isso mas essa vida é a única que tive, que conheci logo, é essa que tenho de amar, de cuidar, de dar tratos e respeitar. Afinal, se nem mesmo eu gostar então é reta final para mim. Posso zerar e pedir a conta e sumir no universo pois não farei falta alguma. Mas sei que não é bem assim. Sou rodeada de pessoas que realmente me amam, me respeitam, me querem por perto. E a que mais me ama e me respeita sou euzinha mesmo. E já estou me tratando com mais respeito e carinho. Já me conscientizei que não formarei família nessa vida. Pelo menos não a família convencional. Mas já tenho vários "filhos postiços" que me querem bem demais. A começar por meus sobrinhos queridos que amo demais e sei o quanto eles me amam também. Tenho meus amigos queridos que me suportam e são ponta firme quando o quesito é chorar em seus ombros e também são excelentes quando o tópico é se divertir. São maravilhosos e agradeço diariamente a presença deles em minha vida. Conquistei amigos durante esses anos que não passam apenas as mãos bondosas em minha cabeça quando faço algo que irá me prejudicar. Não! Esses amigos, se preciso for, dão uns cascudos na orelha pra ver se me despertam de minhas inúmeras surtadas emocionais. Confesso que na hora me dá uma raiva que só mas depois, de ânimos acalmados, como os agradeço pelo chacoalhão!
Hoje, ao arredondar 50, olho para trás e observo que não faria um milímetro diferente do que fiz. Sim, mesmo os erros que cometi, os faria novamente pois foi o pacote todo que fizeram minha vida rica. Foram os inúmeros deslizes, tropeços, empurrões, micos que paguei que dão o toque especial a ela. E também não desviaria de nenhuma pessoa que cruzou meu caminho. Todos, sem exceção, tiveram sua cota de importância
No ano passado, quando estava no ápice de minha crise existencial, olhava-me no espelho e me enxergava velha, cheia de rugas, sem viço jovial que tivera na passado. Já me encontrava no fundo do poço.
Hoje, já tenho uma nova percepção de mim mesma. Continuo enxergando as mesmas rugas, manchas, cabelos brancos que a cada dia aumenta mas que continuo bravamente a escondê-los - mas que já tenho trabalhado para assumi-los um dia - meu corpo tem mudado e muito. Mas tenho cuidado com carinho dele. Hoje, com um outro olhar. Não busco mais a perfeição. Busco qualidade de vida. Quero envelhecer com qualidade e para isso tenho de me exercitar. Hoje, sigo para a academia com prazer, com alegria e ao término de cada aula, sinto-me grata.


Não tenho bola de cristal portanto não posso adivinhar meu futuro. Também não sei o prazo de validade quando aspira. Mas não faz mal. Quero viver intensamente cada minuto dessa minha vida restante. Hoje completo um ciclo importante de minha vida e devo seguir em frente. A juventude fica lá para trás onde deve ficar. Contudo, meu espírito jovial permanece aqui comigo até o fim. Sigo contente para o ciclo seguinte consciente de que ele será aquilo que eu desejar que seja. E eu quero que ele seja pleno, alegre, intenso.
Hoje, olho-me no espelho e brindo essa vida que, se não é a melhor, é a mais perfeita que consegui e não devo lamentar aquilo que não foi mas sim, agradecer por todas as conquistas que alcancei.
E faço aqui meu convite: pegue você também um copo de quentão (humm!!! adoro) e venha comemorar comigo! Feliz Dia de São João e...

Feliz Aniversário para mim mesma!

(Imagem retirada do Google Imagem)

4 comentários:

Ana Luiza Chaves disse...

Roseli,

Te gosto e te admiro. Bacana esse teu post, um retrospecto que alimenta o futuro. Filhos, árvores e livros são metáforas da vida, tenho a certeza que você gerou, plantou e registrou muita coisa boa. Com esses 50 nasce uma nova Roseli. Teria o maior prazer em conhecê-la pessoalmente, quem sabe um dia...

Um beijo no coração pelo seu aniversário.

Pedrita disse...

Parabéns querida! Belo relato, belas fotos. Realmente a vida às vezes engole planos e sonhos, mas é possível ser feliz sem ser convencional. Estou na torcida pelo seu despertar. Coragem. beijos, pedrita

Clara Lúcia disse...

Roseli, menina....
Se vc soubesse o tanto que temos em comum... mas hoje não é dia pra falar disso.
Só digo que vc não está sozinha!
E que esse dia seja especial pra vc. Faça desse dia um dia especial na sua vida!
Sim, vc é muito amada, mas nós, principalmente mulheres maduras, temos necessidade de ouvir que sim, que somos amadas... e isso é tão difícil de ouvir, não é?
Peguei um pedaço do bolo e te dei um abraço bem apertado, e um beijo estalado na bochecha!
Hoje é seu dia! E por coincidência é dia de São João também!

Parabéns!!!

Letícia Alves disse...

Que seja um novo ciclo, uma nova primavera de descobertas. E fico feliz que ao cabo de tudo, você se ame. Esse é o primordial amor. Um beijo!