quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Ídolos fabricados

Navego muito pela Internet. E vejo de um tudo. Às vezes rio, outras vezes choro, me emociono, noutras situações me revolto e outras tantas passo batido pois é puro besteirol, cultura inútil e nada me acrescentará.
Fato recente sobre essa última coisa que falei. Não quero nem me dar ao trabalho de citar o nome da criança pois já fiquei tão de saco cheio de tanto ouvir e ler tiradas no Facebook ou nos sites, que me recuso a engrossar a fila dos que falam.
Mas não dá para passar batido sobre o assunto. Não sobre a figura em si mas sobre a atitude da grande maioria da sociedade que adora uma fofoca de bastidores. Talvez isso seja resquício de nossa colonização. Tudo o que vem de fora mesmo sendo o lixo do lixo gringo, nós idolatramos e rendemos graças, estendemos tapete vermelho e damos a melhor das acolhidas. E isso ocorre com todos os seguimentos culturais. Literatura brasileira por exemplo: sou bibliotecária e amo ler. Leio de tudo ou quase tudo. Procuro não ter preconceitos e estou sempre aberta a conhecer outras culturas através da sua literatura. Mas observo que grande parcela da população brasileira desdenha sem nem mesmo conhecer os autores nacionais. Os contemporâneos então, nem se fale! Houve uma vez, numa conversa entre bibliotecárias em que ouvi a seguinte pérola da boca de uma delas:
" Literatura brasileira? Ah, isso não existe. Todos os autores são trash. Não perco meu tempo lendo eles".
Ao ouvir tal absurdo, respirei fundo, olhei a pessoa em questão, pensei em sua formação (ela se gaba de ser formada pela USP) e perguntei:
"Mas você tentou pelo menos ler algo ou só desenvolveu essa teoria por acompanhar pensamento alheio?"
Acho que a partir daí começou nossa antipatia mútua porque a fulana me fuzilou com seu olhar 43 e me ignorou voltando-se para a colega ao lado. 
Isso se dá também com o cinema nacional que a maioria torce o nariz mas dá bilheteria para qualquer filme Z norte-americano.
Eu simplesmente não entendo! Até aceito a teoria de que gosto não se discute mas as pessoas são incapazes de pensar por si mesma e adotam como verdades absolutas gostos de outras culturas menosprezando o que temos de melhor por aqui.
Enfim, essa é minha opinião. Procuro dar o melhor de mim para a sociedade, sem ficar bradando bandeiras e fazendo discursos chatos. Atitudes. É o que penso. É o que faço. E mais uma vez fico com esse gosto rançoso na boca em ver fatos isolados como o desse garotinho mimado e mal criado vindo em Terras Tupiniquins desfazer desse povo e ainda sair falando mal. Ah moleque! Vá para casa, estudar e aprenda a ser gente. De verdade e não fabricada pela mídia. É isso!

2 comentários:

edilene disse...

Excelente texto ,realidade virtual ídolos de barro irreal,vamos aprender á pensar ,usar nossos neurônios ,é isso aí

Bruxa do 203 disse...

Em geral esses lixos fabricados não são sequer simpáticos ou divertidos. É só besteira mesmo!

Lembro do vocalista dos Paralamas dizendo que tudo que é em inglês o brasileiro engole sorrindo, mesmo sem saber o que está engolindo, mas se é em espanhol ou português, a pessoa já faz cara feia.