sábado, 24 de maio de 2014

Quando as estrelas anunciam que nem tudo acabou

Em 2012 quando esse livro foi publicado, não dei importância. Passou um tempo e comecei a ler muita coisa a respeito dele. Todas positivas. Indiquei para a biblioteca onde trabalho comprar. Em pouco tempo tornou-se um dos livros mais solicitados. Todas as pessoas que pegam, devolvem olhando o livro com certo ar de saudade antecipada. Outro dia, uma garota do 8º ano, ao devolver o livro estava com uma expressão estranha então perguntei se não tinha gostado.
Ela ficava olhando para o livro e não conseguia me responder.
Uma amiguinha a abraçou e disse:
- Tia, ela amou tanto que não consegue nem falar de tanta emoção. Você já leu?
- Não, ainda não.
- Então leia. Vai entender. É lindo demais tia!.
E as duas saíram da biblioteca chorando. Fiquei pasma e segui meu dia. Cada vez que devolviam o danado do livro, mais emoção.
Certa vez, uma professora pegou emprestado, curiosa por ver as suas alunas comentando tanto sobre ele.
Quando devolveu, disse:
- Roseli, já leu ele?
- Ainda não.
- Nossa! Quando terminei de ler, estava em meu quarto e meu pai entrou. Ficou preocupado ao me ver aos prantos. Simplesmente não conseguia falar de tanto que soluçava. Quando finalmente consegui falar, meu pai ficou bravo comigo afinal, estava chorando por causa de um livro. Ah vá!
Leia Roseli. Leia! Li.
Terminei de ler agorinha e confesso que também tive meu momento de catarse total onde me debulhei em um pranto de lavação d'alma. Quando me acalmei, comecei a enumerar os livros que me causaram o mesmo torpor. Enumero-os aqui:

  • Brumas de Avalon, Marion Zimmer Bradley;
  • Os catadores de conhas, Rosamunde Pilcher;
  • A última convidada, Josué Montello;
  • Através do espelho, Jostein Gaarder;
  • O adeus à mulher selvagem, de Henry Coulonges;
  • A menina que roubava livros, de Markus Zusak;
  • Marina, de Carlos Ruiz Záfon
Poderia desfiar aqui uma lista muito maior mas paro por aqui, pois esses foram livros que realmente me emocionaram muito.
O livro, para me conquistar, não basta apresentar uma boa história. Não! Pra me conquistar, tem que ter personagens que me ganhem, me convençam que existam de fato. Gosto que me seduzam, me apaixonem e gosto principalmente quando fico com dó de terminar o livro por saber que eles partirão de minha vida.
Os personagens do livro A culpa é das estrelas, são jovens como tantos outros mas que têm um diferencial: são doentes.
Hazel Grace é uma jovem paciente terminal que encontra Augustus Waters. Jovem bonito, espirituoso que trará para a vida de Hazel um matiz de emoções e descobertas que fará um diferencial e tanto em sua rotina cercada por médicos, medicações e cuidados.
Lidar com a finitude quando você mal iniciou sua vida, sem dúvida, deve ser uma barra e tanto.
Num momento em que a maioria dos adolescentes estão se preparando para ingressar na vida adulta, e você se ver obrigado a se afastar de amigos e colegas da escola, ficar entubado, passar por sessões de quimioterapia e radioterapia, com certeza não é nada prazeroso.
A história aborda tudo isso mas nos trás uma mensagem tocante de um amor que nasce apesar de tudo.
Mostra que esse amor pode ser mais forte que qualquer coisa, que pode superar tudo inclusive a morte.
John Green, jovem escritor norte-americano foi extremamente feliz ao abordar a questão da vida/doença/morte de forma tão natural e poética.
(Imagem: blog Notas Musicais)

Interessante que, ao término do livro, ainda chorando, lembrei-me de uma letra do compositor Jair Oliveira que vem bem de encontro a essa linda história. Encerro essa resenha com a letra e vídeo dessa música:

O que pensam as estrelas
(Jair Oliveira)



O que pensam as estrelas enquanto eu, cá embaixo, vivo?
Elas observam meu presente indeciso
Eu contemplo o seu passado preciso
Eu choro, espirro, gozo...
E elas, simplesmente, brilham

Mas o que pensam as estrelas enquanto eu, cá embaixo, sonho?
Impropérios e desaforos rondam meus planos
Igual ao vácuo abraçando aos sistemas
Tantos nós, tantos sóis...
Eu como, eu apodreço, eu vomito...
Elas, majestosamente, brilham

O que pensam as estrelas enquanto eu, cá embaixo, grito?
Sussurros estelares carregam o tempo
Eu só enxergo o que os meus olhos permitem
Fuleragem atômica, mundana
Fuligem cósmica
Eu, sistematicamente, durmo
Elas, persistentemente, brilham

O que pensam as estrelas enquanto eu, cá embaixo, sofro? 
Perco os propósitos no espelho manchado
Gotas randômicas preenchem o infinito
Elas caçoam de meu destino
Enxergam meu sol com indiferença
Seis bilhões de dúvidas!
Eu padeço, tombo, desisto...
Elas, esplendorosamente, apagam!

O que pensam as estrelas enquanto eu,
cá embaixo,
morro?

8 comentários:

Clara Lucia disse...

Já ouvi sobre esse livro e também já está na minha lista de próximas aquisições. Gostei da resenhar, Roseli.
Da sua lista o único que li e tbm fiquei encantada foi com A Menina que Roubava Livros. Já viu o filme? No Youtube tem... Não é tão bom quanto o livro. Digo que é apenas parte do livro, mas é bom também.
Querida, uma linda semana, beijos!

Ives disse...

Olá! Gostei muito do seu blog e fiquei muito curiosos com o livro em destaque, vou ver se o encontro! abraços
http://ives-minhasideias.blogspot.com.br/

deise disse...

Amei suas impressões sobre o livro.. eu continuo na fila pra ler, eles ainda não pararam na estante, acho que só conseguirei ler nas férias..rsrs. Desconheço a música mas a letra se encaixa perfeitamente ao contexto do livro.
Um abraço!

Roseli Pedroso disse...

Oi Clara, estou para assistir o filme da Menina que roubava livros. Qualquer hora pego.
Bjs

Roseli Pedroso disse...

Yves, seja bem vindo a esse blog. É sempre um prazer interagir com outros blogueiros. Passarei pelos seus em breve.
Abraço,

Roseli Pedroso disse...

Oi Deise, é sempre um prazer receber você por aqui. Quando tiver oportunidade leia. Vai se emocionar. Quanto a música, é linda demais a letra não? Obrigada pela visita.
Abraço!

Claudia disse...

Que delícia poder perguntar às pessoas se este ou aquele livro lhes interessa! Cheguei a este livro sem indicação nenhuma, na época estava tão afundada em meus afazeres que nem na mídia havia ouvido falar dele, diferente de agora, que percebo que o rapaz é muito cotado no mercado. rs.
Sabe que, curiosamente eu não chorei ao fim do livro? E olha que sou chorona...fiquei sim, com a sensação de orfandade e, mais que tudo, a sensação de gratidão ao John, por ter descrito tão naturalmente as pessoas acometidas pela doença.
Penso que foi uma leitura rápida e bonita. Fiquei feliz ao encontrar aqui, sua lista de títulos BONS. Adoro dicas de boa leitura!

Beijos meus,

Roseli Pedroso disse...

Claudia fico imensamente feliz em te ver por aqui. Sempre que posso deixo uma postagem sobre os livros que leio. Apareça sempre que quiser.
Bjs