sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Finalmente apresentada a ele

Terminei de ler o livro de um escritor que ainda não conhecia sua obra. Somente sua fama.
Pois é. Sempre ouvi falar de Charles Bukowski. Mas até então, entre tantos autores para se ler, fui deixando até que chegou às minhas mãos seu livro Mulheres. Terceiro romance publicado em 1978. Como é pocket, resolvi ler.
Como sempre gostei de personagens marginais ou fora do comum, apaixonei-me por Henry Chinaski e suas "Mulheres".
Um verdadeiro retrato da década de setenta. A vida boêmia de Hank, um escritor na casa dos quase sessenta anos e suas aventuras.
Após um período de jejum sexual, Hank inicia uma verdadeira maratona sexual em busca da mulher que o complete. Personagens hilárias passeiam pela vida do autor que, devido a uma certa notoriedade, mesmo sendo feio e velho, ganha fácil todas as mulheres que praticamente se jogam aos seus braços. E ele claro, não se faz de rogado "traçando" todas.
O livro até poderia cair na mesmice por não ter muito a acrescentar afinal, entra capítulo sai capítulo, a história se repete: mulher cruza caminho de Chinaski e logo vai para sua cama fazer mil estripulias sexuais ao lado do insaciável escritor. Muitas delas, verdadeiras junkies viciadas em álcool, bolinhas, maconha e claro, sexo.
O que constatei durante a leitura, é que o escritor (personagem) está fazendo um "estudo" sobre as mulheres para seus escritos. Tanto que algumas delas se reconhece em seus poemas. Ele descaradamente vai conhecendo, analisando, usando e catalogando cada mulher que passa por sua vida. Muitas delas deixam marcas na vida do autor, outras passam de forma meteórica, outras ficam no vai e vem.
Antissocial, não curte muito baladação no sentido de viver em grupos. Ama corrida de cavalos, música clássica, participa de saraus e dá palestra em universidade para ganhar o pão de cada dia. Ossos do ofício que muitas vezes, só bebendo umas pra aguentar. E ele bebe! E muito! E assim, esse personagem totalmente anti-herói vai ganhando nossa simpatia, afinal, qual mulher ainda não conheceu um legítimo representante "Chinaski"? Eu, confesso, já conheci alguns e sei que carisma eles trazem consigo.
Utilizando uma linguagem tida como "chula" por muitos, em minha opinião Bukowski soube escrever com maestria histórias que mostram bem o submundo literário em que seu personagem vivia.
Ao término do último capítulo, acredito que ele possa acrescentar mais uma admiradora sua: eu. Quero agora partir para a leitura de seus outros livros.
Essa é minha dica de leitura de hoje.

Sinopse: 

“Eu tinha cinquenta anos e há quatro não ia pra cama com nenhu­ma mulher.” Este é Henry Chinaski, Hank, escritor, alcoólatra, amante de música clássica, alter ego de Charles Bukowski e protagonista de Mulheres. Mas este não é um livro convencional – nem poderia ser, em se tratando de Bukowski – no qual um homem está à procura de seu verdadeiro amor. Após um período de jejum sexual, sem desejar mulher alguma, Hank conhece Lydia – e April, Lilly, Dee Dee, Mindy, Hilda, Cassie, Sara, Valerie, não importa o nome que ela tenha. Hank entra na vida dessas mulheres, bagunça suas almas, rompe corações, as enlouquece, as faz sofrer. E no fim elas ainda o consideram um bom sujeito. Publicado em 1978, Mulheres, o terceiro romance de Bukowski, é a essência de sua literatura: com o velho Chinaski, ele sintetiza a alma de todos aqueles que se sentem à margem. Escrevendo em prosa, Bukowski poetisa a dureza da vida e nos dá uma pista: “ficção é a vida melhorada”.

Título: Mulheres
Autor: Charles Bukowski
Editora: L&PM
ISBN: 978.85.254.2313-9 
Ano: 2011
Páginas: 320

Um comentário:

Pedrita disse...

esse desse autor não li. li outro. mas gostei muito tb. é muito visceral. beijos, pedrita