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quarta-feira, 22 de março de 2017

Volta - se houver motivo para voltar

Chega de preguiça e vamos retomar as atividades desse blogue que já anda parado há muito tempo. 
Nessa postagem, retomo uma das atividades que mais gosto de desenvolver que é falar sobre os livros que leio. Confesso que nesses dois últimos anos minha cota de leitura caiu drasticamente. Por motivos pessoais, profissionais e por também estar em constante desenvolvimento da escrita no outro blogue Sacudindo as Ideias, andei desleixada com a leitura de meus adorados livros. Mas ainda bem que sempre há tempo de se reatar e voltar para velhos e doces hábitos.
Final de ano passado, mais especificamente no dia 03 de dezembro, a escritora Ana Costa lançou seu livro “Volta – se houver motivo para voltar”, pela editora Scortecci.
Livro de crônicas, todas baseadas em sua própria vivência, Ana divide com nós leitores, suas experiências de vida como quem sentou-se numa mesa de bar ou num café e desenvolve uma conversa calma, deliciosa, com pausas, risadas e alguns momentos de pura emoção. Adentrei em seu universo sentindo-me próxima a ela como se fossemos amigas de longa jornada. Identifiquei-me várias vezes quando narra suas experiências na doença que lhe acometeu há dois anos e que mudou drasticamente sua vida. Profissional da área da saúde, ao sofrer um AVC que lhe trouxe algumas sequelas, Ana viu-se da noite pro dia com sua vida toda bagunçada.  Minha irmã caçula também sofreu AVCs muito jovem e sei o quanto isso a afetou. Sofreu bullying no ambiente de trabalho. Sua vida pessoal também passou por mudanças e todo esse conjunto de situações fizeram a autora dar um tempo em tudo e sair em viagem com o filho, grande companheiro de todas as horas.
Suas crônicas abordam justamente essas experiências que viveu. Aqui e lá fora.
Muitos podem pensar que a autora pesou a mão em sua pena ao escrever traçando linhas deprimentes, sofridas, uma vez que o assunto abordado trás esse sentido. No entanto, Ana discorre em seus textos de uma forma leve, com pitadas de humor da melhor qualidade e outras tantas de  refinada ironia. Tudo na medida certa, faz de seu livro, uma obra deliciosa de se ler.
Como cronista que sou e, como leitora voraz, mergulhei na leitura.
Ao término, saí emocionada. Com a bagagem de vida de nossa escritora que não teve medo de enfrentar seus fantasmas. Ana, anseio pelo próximo. Não demore!

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Uma viagem à Terras dos Encantados


Sonhadora que sou, desde a mais tenra idade, sou movida pela fantasia. Quando pequena, adorava ouvir as histórias que papai contava à noite, após o jantar. Ouvir as contações de meus avós também era prazeroso e isso fomentou meu espírito sempre ávido pelas fantasias. Não poderia ser diferente: tornei-me amante dos livros, profissional deles e pretensa escritora. E por falar em livros, já mergulhei em diversos mundos fantasiosos que varia de O Mágico de Oz, passando por Alice no País das Maravilhas, mais recentemente tornei-me fã de O Senhor dos Anéis, Harry Potter. Vibrei ao ler a brilhante história ainda desconhecida do grande público, A Casa do Escorpião, de Nancy Farmer.
Sou fã de carteirinha da série Once Upon a Time que reuniu todos os personagens que sempre amei em separado. Enfim, sou pela fantasia e pelo fantástico sim!
Toda essa minha introdução, é para apresentar à vocês o livro que estou lendo. Ainda não terminei mas, já amando.

Terras dos Encantados: a jornada do Círculo, de Ana Santana.


Ana, assim como eu, é uma amante da fantasia e construiu uma história cativante com personagens que encantam.


Com uma pegada na distopia e na espiritualidade, a história é sobre Fadas, druidas e humanos numa aventura que começa vagarosamente apresentando os personagens e, com o passar das páginas, ganham velocidade e deixa o leitor numa expectativa pelo final.
Ainda não terminei minha leitura até mesmo porque, estou lendo mais três livros simultaneamente (loucura né?) mas posso desde já garantir que é uma deliciosa viagem à terras encantadas. Para quem curte esse gênero, vale muito a pena conhecer. E um detalhe: é história criada aqui, em nosso país e da melhor qualidade. Venha você também conhecer Terras dos Encantados.
Por enquanto, só tem em formato digital pela Amazon


Sinopse: Nina cresceu nas Terras dos Encantados, sob a pressão de estranha profecia. Alane, um sacerdote druida, ajudou a desenvolver seus dons. Lorena é filha adotiva de cientistas obcecados pela produção da antimatéria. Cética, acreditava apenas no poder da Ciência. Às vésperas de um aniversário de 17 anos que modificará radicalmente suas vidas, conflitos sanguinários ameaçam destruir seus mundos. Nesse redemoinho, os pais de Lorena desaparecem; para salvá-los, ela precisa atravessar as fronteiras entre as duas dimensões. É quando os caminhos de Nina e Lorena se cruzam. Nesse instante, emergem antigos fantasmas do passado. E uma herança sombria leva as jovens a partir em busca do Livro do Futuro. Este misterioso manuscrito pode ser a chave para salvar os dois mundos. Para encontrá-lo, Nina, Lorena e seus aliados deverão não apenas derrotar seres das trevas, mas também as sombras que ameaçam dominar suas próprias almas. E, se vencerem, restará decifrar um último enigma. O Livro do Futuro salvará realmente os Humanos e os Encantados? Ou será apenas mais uma arma nas mãos dos inimigos? Personagens fascinantes compõem essa trama de natureza fantástica e espiritualista, preponderando a presença feminina em cada página. Velhos estereótipos são revistos, principalmente conceitos como herói e vilão. 
Nessa história, nada é o que parece ser.


Ana Santana também tem blog por onde você pode acompanhar seus escritos: Valise de palavras

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O grande feito da "foca"


Sabe aquela leitura que te remete ao ambiente e personagens da história no qual você, enquanto leitor, passa a fazer parte do mesmo? Livro que te faz sentir aromas, ver paisagens, fazer parte da mesma, conhecer os personagens e tornar-se íntima deles?
E quando esse livro tem como personagem principal o nosso poeta maior Carlos Drummond de Andrade e, aos poucos, você passa a frequentar seu apartamento, comer dos biscoitinhos e tomar seu café ouvindo sua fala mansa de mineirinho? Fala sério, consegui instigar sua curiosidade não foi?
Quer saber que livro é esse e participar dessa intimidade toda com o poeta? Então precisa comprar e ler o livro O poeta e a foca: como uma jovem jornalista conseguiu de Drummond a primeira entrevista para a imprensa, da jornalista Nanete Neves.
Numa linguagem leve, a autora narra sua grande aventura quando, recém formada, trabalhando num jornal pequeno paulistano, recebeu como missão, entrevistar o poeta às portas dele completar 75 anos.
Numa narrativa homérica, Nanete nos pega pela mão e inicia uma viagem com muitos obstáculos para transpor - uma vez que o poeta era arredio a entrevistas, até conseguir chegar a ele e concretizar o grande feito. Um delicioso painel das redações de jornais da época, do Rio de Janeiro na década de 70, um desfilar de outros autores que Nanete contatou para obter informações sobre Drummond e como chegar até ele.
Essa é minha dica de leitura de hoje. Uma leitura para todas as idades e eu super indico aos professores para trabalhar o livro junto das obras de Drummond no Ensino Médio. 
Gostou? Eu simplesmente amei!

Sinopse:

Em 1977, Carlos Drummond de Andrade completava 75 anos sem nunca ter dado uma entrevista. Toda vida ele fugiu de jornalistas. Com toda a grande imprensa à sua procura, só uma jovem repórter de um pequeno jornal paulistano foi recebida por ele - e em seu apartamento, no Rio de Janeiro, aonde nem os amigos tinham acesso. Quase 40 anos depois a escritora e jornalista Nanete Neves resolveu contar essa história no livro O Poeta e a foca. No livro, Nanete Neves conta como foi esse encontro que rendeu matérias em diversos veículos de comunicação e, principalmente, uma doce amizade com o poeta com troca de telefonemas e cartas por vários anos. A autora relata também as conversas com intelectuais que lhe falaram do jeito de ser do Poeta, suas esquisitices, sua visão de mundo e idiossincrasias pessoais, preparando-a para conhecer o mito: Antônio Houaiss, Nélida Piñon, Ferreira Gullar, Affonso, Antônio Callado, Pedro Nava entre outros.


Título: O poeta e a foca
Autor: Nanete Neves
Editora: Pasavento
ISBN:9788568222096
Ano: 2015

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Para o amor não existe tempo


Após quarenta e dois dias de descanso absoluto, retorno as atividades de meu adorado cotidiano. Saindo de um jejum necessário, cá estou para falar daquilo que é uma das coisas que mais gosto: ler e comentar por aqui com vocês leitores aquilo que me agradou o paladar literário. Sim, porque só falo daquilo que gosto. O que não gosto passa longe do meu blog.
Terminei de ler no finzinho das férias o livro Amor em dois tempos, de Lívia Garcia-Roza, editora Companhia das Letras.
Em dezembro, perambulando pela livraria Cultura, dei de cara com esse livro que me chamou atenção primeiramente pela capa que achei bem bonita, a seguir pelo título, passeei os olhos pela sinopse e aí, me encantei de vez. Comprei!
Fui fisgada desde a primeira frase da história e apaixonei-me pela personagem principal Vivian, uma senhora beirando os setenta anos que ficando viúva de seu marido Conrado, se vê com a missão de levar suas cinzas para Salvador para espalhar no Farol. Como era da vontade do finado. Acompanhada de sua amiga Hilda, embarcam numa aventura deliciosa.
O que a princípio era para ser uma missão espinhosa, torna-se um descortinar de emoções que pareciam enterradas há muito tempo. Pelo menos para a sonhadora Vivian que reencontra um amigo e antigo amor de infância Laurinho.
Driblando o eterno mal humor de sua amiga Hilda, Vivian se deixa levar pelas emoções da verdadeira paixão que, não importando a idade, surge fazendo sua vida ganhar novo colorido.
A autora Livia Garcia-Roza, nos presenteia com um personagem carismático que nos faz torcer do começo ao fim do livro por sua felicidade e a certeza que o amor é sempre bem vindo não importa a idade.
Um livro que desde já indico a quem deseja uma leitura leve, gostosa mas que aborda questões sérias e importantes na vida de todos. Sem se tornar enfadonho. Prazer garantido!

Sinopse:

Vivian acaba de ficar viúva. Depois de um casamento de décadas com Conrado, ela se vê com a difícil missão de levar as cinzas do marido para a cidade onde ele nasceu: Salvador. Hilda, sua grande amiga, irá acompanhá-la nessa empreitada. Mas ao chegar à capital baiana, as coisas não acontecem conforme o previsto. A escolha de onde espalhar as cinzas se mostra mais complexa do que ela imaginava, Hilda se comporta de um modo cada vez mais esquisito e, como por ironia do destino, Vivian irá reencontrar ali Laurinho, seu amor de infância. A possibilidade de se apaixonar e viver um romance quando já se aproxima dos setenta anos irá trazer uma nova luminosidade para a vida da protagonista, que até então tinha se conformado com um casamento infeliz, a dedicação ao filho único e o refúgio na escrita. Neste Amor em dois tempos, a ficcionista Livia Garcia-Roza nos apresenta mais um romance sensível, com muito humor e pleno de esperança.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Mosaico de rancores

Se formos parar para analisar, a vida de toda pessoa já dá um bom romance. Terminei de ler um livro no qual identifiquei personagens muito bem descritos ali que me remeteu a pessoas reais. Livro esse que há tempos desejava ler e que finalmente no final do ano passado comprei e só agora em férias, consegui ler. 
E li numa tacada única.  Marcia Barbieri, a autora. Mosaico de rancores, o título do livro.

Marcia foi minha companheira do módulo de contos do curso de criação literária que fiz em meados de 2010. Desde lá, já admirava sua escrita. que percebia, já incomodava algumas pessoas. 
Já vou logo avisando: não é literatura de best seller nem Chic Lit. Sua escrita é para os leitores fortes e que admiram um texto denso, que muitas vezes choca pela crueza. Mas (pelo menos para mim), é um puta texto, uma baita história e nos trás grandes personagens que em muitos momentos, nos identificamos. 
E talvez aí, justamente aí, é que incomoda. Vivemos dias em que só é de bom tom nos apresentarmos "felizes", "realizados", "amados", "bonitos".

Os personagens de Marcia Barbieri tomam a via contrária a tudo isso e nos arrota na cara o Lado B de todo ser humano. 
E é justamente isso que me fascina!
Adoro anti-heróis, personagens que mostram sua verdadeira face expondo suas taras, seus medos, suas neuroses, sua humanidade.
E aqui, em Mosaico de rancores eles se expõe de forma arreganhada, sem pudores.
A história nos apresenta um casal que vive entre tapas e beijos e sexo e traições. Maria Luíza e Lúcio.
Ela, uma mulher passional, com traços característicos de esquizofrenia, que sente um ciúme louco do marido no qual, imagina que a trai com todas as mulheres que passam por ele. 
Por conta disso, ou talvez usando isso como uma boa desculpa, sai à rua e trai o marido descaradamente entrando em bares e fazendo sexo com estranhos.
Mais da metade do livro, é narrado sob a ótica pra lá de distorcida de Maria Luíza onde a escritora Marcia usa com maestria metáforas e uma linguagem ferida, ácida, mordaz para representar muito bem a confusão mental e o turbilhão de emoções mal resolvidas da protagonista.
Depois, de determinado ponto do livro até o final surpreendente, a história é vista sob a ótica de Lúcio e aí, a linguagem muda bastante deixando o leitor em dúvida. Quem é o mocinho da história e quem é o vilão?
Quem fantasia a realidade e quem a vive de fato? Ou, pensando melhor, as neuroses de ambos se entrelaçam num verdadeiro "mosaico de rancores" e de emoções nada resolvidas que nos envolve fazendo com que, ao término do livro, percamos o fôlego diante de tantas emoções afloradas.
Mais uma vez repito: não é leitura para qualquer leitor. Só para os mais fortes e que tenham uma visão ampla de literatura. E também que estejam dispostos a vivenciar um passeio numa montanha russa das mais cruéis e fascinantes. Garanto: você sentirá enjoo, vomitará algumas vezes, sentirá nojo, revirará os olhos diante de muitas cenas mas, sem dúvida, não passará por essa história indiferente. Impossível!
Essa é minha dica de leitura para quem deseja um livro fora do comum, uma literatura brasileira das boas! Altamente recomendável as almas fortes e com desejo de coisas novas. E guardem esse nome porque ela já está causando e muito com seu segundo romance ao qual já tenho em mãos mas ainda não li: A Puta.
Tenho certeza que muito em breve, ela será uma autora muito falada e lida por todos.

Sinopse:
Márcia Barbieri é detentora de uma prosa poética, giratória e alucinante. Neste romance, a maior parte da narração é da protagonista Maria Luíza, uma mulher de gênio forte, extremamente passional, cujo ciúme beira à loucura. Estilista, quase não sai do apartamento que divide com o marido Lúcio, um fotógrafo. 
O leitor é arrastado pela visão tortuosa e esquizofrênica de Maria Luíza. No entanto, nos últimos capítulos do livro toda sua narrativa será desmistificada pelo olhar de Lúcio, o qual revelará para o leitor um segredo sobre Maria Luíza, assim como mostrará como ele é sem a lente dessa mulher perversa. 
Mas será que podemos confiar em Lúcio ou ele é tão psicótico quanto a sua mulher? Em qual deles confiar?

Trecho de Mosaico de rancores:

"Vulvas vermelhas recordam a solidão antes do nascimento. Deflorações. O paraíso perdido de Milton. Clitóris na procura incessante do gozo. Línguas bipartidas. Cobras venenosas. Teu pau no meu sexo. Minha boca buscando alento no seu desprezo. Desafetos geram embriões. O amor é violento, afasta vértebras. Meninos estuprando realidades de quatro. A rosa corrompida dos ventos."
"Tateio meu corpo e finjo orgasmos. Clitóris e lábios não são suficientes. Gemidos me calcificam. Pedras em coma submergem. Faço dos meus lençóis o leito frágil do meu rio. Não há graça nem louvor nos meus suicídios diários."

Título: Mosaico de rancores
Autor: Marcia Barbieri
Editora: Terracota
Ano: 2013
Páginas: 200 ISBN: 8562370851

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Sob a luz de Lua de Papel


Nessa minha longa vida de leitora, já li praticamente de tudo. Romances épicos, romances açucarados e previsíveis, suspenses, terror, gótico, dramaturgia, biografia, autoajuda, poesia, enfim, passeei por diversos gêneros e estilos literários. E nessa minha caminhada literária li autores geniais, medíocres, mais ou menos e aqueles que simplesmente fechei o livro e mandei embora sem dó nem piedade.
Parto sempre do seguinte pressuposto: se escreveu, é porque deve ter algo que queira transmitir.
E, acredite, na maioria das vezes consigo mesmo compreender o que o autor desejou com seu livro, sua história. E tem mais, gosto de conhecer autores de todas as nacionalidades, gosto de penetrar nos universos que fogem de minha rotina. Já li autores espanhóis, italianos, franceses, tchecos, alemães, ingleses, árabes, holandeses, japoneses, e... pasmem! Brasileiros! Não é incrível isso?
Leio, devoro, degusto autores nacionais de vários estilos e épocas. E cada vez que termino um livro de autor nacional paro e penso: Como temos talentos por aqui!!
Anos atrás, tive o grato prazer de conhecer a obra do excelente escritor Josué Montello e ao ler um de seus últimos livros "Uma sombra na parede", pela primeira vez li um romance entre duas moças: Malu e Ariana.Ao término da leitura, parei e pensei: Que puta romance!

Recentemente compareci a um lançamento de livro que me fez ler saborosamente cada frase que compunha a história. Várias vezes me peguei voltando aos capítulos iniciais ou recapitulando o mesmo pelo puro prazer de novamente me deliciar com a bela escrita.
E anos mais tarde, vejo-me com uma história de amor entre duas moças. Dessa vez as protagonistas são: Alexandra e Raissa.
A primeira, uma jovem interiorana que sonha sair das mediações de sua cidade (Teodoro),e ganhar o mundo. Jovem inexperiente, ingênua.
Raissa, uma jovem urbana, vivida, moderna, escritora .
Dois mundos totalmente diferentes entre si mas que pouco a pouco se mesclam e se alimentam numa vivência que, com certeza, enriquecerá a ambas.
Ambientado hora no mundo universitário onde ambas estudam, nos ambientes GLT que Raissa frequenta, hora no mundo simples da cidade de Teodoro.
Algumas vezes confesso que fiquei muito brava com a personagem Alexandra. Sua paralisia, sua negação da realidade, seu desdém com o povo de sua cidade, tudo isso me irritava. Às vezes me pegava brigando em voz alta com a personagem. Isso significa que os personagens foram muito bem desenhados pela autora e tornaram-se verdadeiras diante do leitor - no caso, eu.
Ao término da leitura, já sentia saudades delas e de suas aventuras e desventuras.
(Foto Pedro Mattos Werneck)

Lua de papel, romance da escritora Lunna Guedes tem uma narrativa delicada, lírica, feminina contrariando todo o esteriótipo de que o amor lésbico tenha de ser caricatural, grotesco, masculinizado.
Acompanhar as descobertas de Alexandra, nos leva enquanto leitor, muitas vezes a fazer descobertas em nós mesmo afinal, sentimentos são sentimentos independente do gênero. A paixão, a atração, o querer bem, o desejar alguém. Lunna é uma escritora que trás em sua escrita uma nostalgia que torna a história uma viagem prazerosa. Detalhe: O livro é artesanal e confeccionado pela própria autora. Durante o lançamento, ela foi terminando o livro diante de cada leitor que ali compareceu - o que deu um toque mais que especial ao evento.
Quer ler um trecho do livro? Vem aqui
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terça-feira, 19 de agosto de 2014

Uma viagem estranhumana através dos livros de Stella Maris Rezende

Como cenário, a cidade do Rio de Janeiro, uma cidadezinha do interior de Minas, pinceladas de Brasília e Torino (Itália).
Junte a esses cenários, o período da ditadura militar no Brasil (1965) e três irmãs gêmeas que carregam o fardo de uma maldição que persegue a família por gerações. Ah! E antes que me esqueça, uma personagem pra lá de especial que tem uma participação importante na trama: a cantora italiana Rita Pavone.
Numa realidade estranhumana onde relógios, telhados, chuva, xícaras e tantos objetos inanimados acompanham a saga das irmãs, a história só poderia ser escrita de uma forma criativa. poética e cativante.
A autora, Stella Maris Rezende dá conta dessa tarefa de forma brilhante apresentando-nos um livro que prende o leitor do começo ao fim do último capítulo.
Stella Maris Rezende, mineira de Dores de Indaiá é Mestre em Literatura Brasileira além de desenhista, cantora, escritora e atriz.
Recebeu os maiores prêmios entre eles: João-de-Barro (1986, 2001 e 2008), Bienal Nestlé (1988), Jabuti (2012) na categoria Melhor Livro Juvenil e Livro do Ano de Ficção. 
Eu, particularmente, iniciei a leitura pelo último livro mas acredito que não tenha perdido nada pois são histórias diferenciadas.
Nos três livros, as personagens são da mesma cidade da autora ou seja, da cidade mineira de Dores de Indaiá. Só isso já dá um toque especial para todas.
Desde que me propus a ler livros infatojuvenis para conhecer melhor esse universo e também para me instrumentalizar a escrever resenhas para o site infantil Moleca-Meleca e Moleque Chiclete, fui adentrando um universo muito rico e conhecendo as diversas facetas narrativas de muitos dos autores.
Me encantei com a narrativa de Stella Maris Rezende! É sem dúvida, um dos melhores livros juvenis que li e olha que já li muitos nesses anos todos. Agora, correr pra comprar os outros dessa trilogia Livro estranhumano e conhecer as outras personagens e suas histórias.
Abaixo, alguns trechos do livro pra vocês conhecerem um pouco da narrativa poética de Stella Maris Rezende:
" A grande mesa de fórmica, na qual todos os professores pousavam livros e pastas, agigantava-se diante das carteiras dos alunos da sala de aula das gêmeas. Era uma mesa leve, embora fosse exageradamente grande. Gostava de todos os alunos daquela sala, mas se detinha nas gêmeas, contemplando-as com afinco."

"A poeira atrás do sofá se interessava pela vida das três irmãs, naquela casa habitada pelo destino do dissabor, da tristeza, do assassinato, da vingança, do fracasso, da anunciada desdita."


"A luz gostou de ver as meninas entrando no ônibus. Se pudesse, iria com elas. De certa forma, foi. De um modo difícil de explicar, não as deixou nunca mais. Uma luz estranhumana. Com toda a certeza, poderia ser apagada, esquecida para sempre. Mas enquanto vivia, resplendia. No entanto, não era só ela que se interessava pelas três irmãs."

Sinopse: 

'As gêmeas da família' conta a história das trigêmeas idênticas Verdança, Azulfé e Rosade. Apenas a voz e a expressão do rosto as distinguem, além das cores das roupas que, por associação, ajudaram a formar os apelidos de cada uma. Por promessa da mãe, até completarem 18 anos de idade, a festiva Maria da Esperança precisa se vestir de verde, a serena Maria da Fé só pode usar azul, e a séria Maria da Caridade tem de se contentar com um figurino exclusivamente cor-de-rosa. Adolescentes dos anos 1960 no interior de Minas Gerais, as três garotas compartilham a frustração de não arranjar namorado e a paixão pela cantora pop italiana Rita Pavone - além de uma suposta maldição que paira há gerações sobre todas as mulheres gêmeas da família. Em As gêmeas da família Stella Maris conta o mirabolante plano das meninas de viajar às escondidas ao Rio de Janeiro para conhecer Rita Pavone em pessoa a partir de originais pontos de vista; objetos inanimados, animais de estimação e até elementos da natureza se alternam no papel de narradores testemunhais das desventuras de Verdança, Azulfé e Rosade. A viagem conduz o trio por uma trajetória de descobertas (de si mesmas, da relação entre elas, da afetividade com a mãe) e de amadurecimento pessoal, tendo como pano de fundo um Brasil recém-mergulhado na ditadura militar.

As Gêmeas da Família fecha a trilogia iniciada com A Mocinha do Mercado 
Central e A Sobrinha do  poeta. 


quarta-feira, 5 de março de 2014

Sessão de terapia - meu ponto de vista

Feriado prolongado, pensei em fazer uma viagem aqui próximo mesmo mas, um tombo em casa me impediu de concretizar tal viagem. Saldo ruim: dor no tornozelo e joelho. Saldo positivo: descanso forçado onde coloquei minhas horas de sono em dia e minhas leituras também. Televisão pra mim nessa época é um tédio então só mesmo a leitura pra me fazer viajar de forma diferente e mais livre.
Já estava lendo o livro Sessão de Terapia, de Jaqueline Vargas há... acreditem, 4 meses!
Vocês podem pensar: "Hum! Para demorar tanto assim deve ser um livro bem chato né?"
No que respondo: Não! Muito pelo contrário. É um livro para ler aos poucos. Bem aos poucos. Lendo um capítulo, refletindo sobre ele. Fazendo uma terapia através dele. E foi o que fiz esse tempo todo.
Baseado na série de TV da GNT, estrelado por ZéCarlos Machado no papel do terapeuta Theo Cecatto, um homem que, aos 56 anos entra em uma dupla crise: profissional e familiar.
O desenrolar da história mostrando Theo em seu consultório atendendo os diversos pacientes, cada um com seu histórico, Theo na posição de paciente sendo atendido por Dora Aguiar, sua supervisora e terapeuta no passado, sua vida familiar ao lado da esposa e filhos.
Conheci essa história ao assistir o primeiro capítulo da série quando estive um final de semana na casa de meu irmão. Adorei! A brilhante atuação dos atores é algo que prende a atenção.
Ao chegar o livro à biblioteca onde trabalho pensei: serei a primeira a ler esse livro. Não me arrependi!
A autora, Jaqueline Vargas, é a responsável pela adaptação e redação final das duas temporadas da série e nos brinda com um texto enxuto, ágil e dinâmico. As temáticas trabalhadas no consultório de Theo nos leva, enquanto leitor, a pensar e refletir bastante sobre nossas próprias neuras, conflitos, dificuldades de relacionamentos e por isso mesmo, torna-se uma leitura valiosa e mais do que uma simples literatura.

Uma das tantas frases do livro que me levou a pensar. Bateu direto em uma de minhas tantas fraquezas:

"Breno mal saíra e já me lembrava dele, de sua definição sobre mim: eu tinha medo de ser fraco, ou melhor, de aparentar fraqueza. Era verdade, eu gostava de pensar que meus pacientes e também meus filhos viam em mim um modelo impecável. No entanto, esse tipo de modelo não existia. Eu vinha sendo fraco, tão inábil e debilitado que me tinha afastado deles para que não percebessem, como se o meu isolamento não transmitisse nenhuma mensagem." p.194

A sensação de incômodo muitas vezes gerados por algumas passagens me fez lembrar de quando li o livro de Irvin D. Yalom, Cada dia mais perto, que inclusive escrevi sobre ele aqui no blog. Igualmente foi uma leitura sofrida até mesmo porque, estava em crise também e o livro serviu de verdadeira terapia para mim.
Essa é uma das dicas de leitura que faço hoje à vocês. Vale e muito a pena: ler o livro e assistir a série que já se encontra a venda. Outro dia vi o box e em breve me darei de presente, hehe!

Sinopse: 


Este livro é o relato do diálogo interior de Theo Ceca tto, o já conhecido protagonista da série Sessão de Terapia, em um momento muito particular de sua vida. Tudo parece dar errado. No âmbito pessoal, seu casamento passa por uma crise e o relacionamento com a esposa está cada vez mais difícil. Do lado pro fissional, uma série de acontecimentos o leva a questionar sua atuação como psicólogo. A princípio, Theo pensa tratar-se apenas de uma fase da qual ele certamente conseguirá sair, mas a declaração apaixonada da paciente Júlia e a descoberta da infidelidade da esposa o arrastam para um intenso turbilhão emocional. Após oito anos afastado de qualquer tipo de aconselhamento ou terapia pessoal, as circunstâncias o levam a procurar a antiga mentora. O reencontro com Dora Aguiar é repleto de amargura e rancor, e o que deveria ser um momento de re flexão se transforma em mais uma guerra. Aos poucos Theo se dá conta de que suas certezas não passam de uma ilusão e de que as convicções de antes nada mais eram do que uma defesa para não aceitar a realidade do seu dia a dia. O desprezo pela esposa, a súbita paixão por Júlia, a inconsequente interferência no processo de seus pacientes, o distanciamento dos filhos e de si – todos esses fatos vão revelando, aos poucos, outras motivações, camadas mais e mais profundas de questões que Theo sempre tentou evitar. De repente ele se percebe sendo mais paciente do que seus pacientes e constata que, assim como eles, está apenas em busca do entendimento para poder se reencontrar. Nesta jornada, Theo acaba se surpreendendo com o que acredita, com o que sente e com quem realmente é. 
Livro: Sessão de terapia
Autor: Jaqueline Vargas
Editora: Arqueiro
280 p. il.

terça-feira, 9 de julho de 2013

A busca por nós mesmos


Feriado é bom para descansar em todos os aspectos: sair da rotina, fazer coisas diferentes e ler. Foi exatamente isso que fiz desde sábado quando decidi passar alguns dias na casa de meu irmão. Na viagem de ida já iniciei a leitura de um livro que escolhi entre tantos. Ainda em casa, antes de sair, olhei para meus dois livros começados e resolvi que não levaria nenhum deles pois eram grandes e seria um tanto chato para carregar. Foi onde procurei entre tantos que tenho aqui na estante e optei por um fino que tem me atraído para leitura há um certo tempo: A chave de casa, de Tatiana Salem Levy.
Desde que foi lançado em 2007, chamou-me a atenção mas como sempre tive outros na frente para ler, esse foi ficando na lista de espera. Até que sua vez chegou e simplesmente me deliciei com sua leitura!
Devo dizer desde já que não é uma leitura convencional e, para aqueles que gostam ou estão acostumados a livros "começo, meio e fim", esse não irá agradar. Explico: Tatiana ousou em seu primeiro romance, uma linguagem diferenciada do convencional. Sem dúvida ela correu um certo risco de pôr seu projeto a perder mas como boa jogadora arriscou e acertou na mosca.
Escrito por várias vozes: a narradora, a mãe, o avô. São várias histórias que se desenvolvem partindo ora no passado, ora no presente e algumas vezes nos deixando em dúvida sobre o real e o imaginário da narradora.
Capítulos curtos, concisos, nos pega pelas mãos e nos leva para as ruas de Estambul para a busca e origens de sua família que vieram de tão longe para fixar moradia no Rio de Janeiro. Essa busca da personagem pelo passado de seu avô que se simboliza através da chave da casa que ele lhe deu, também nos faz refletir sobre nosso passado, a vida de nossos descendentes e a nossa própria vida.
Como sou apaixonada por histórias onde as relações humanas são o condutor da narrativa, sem dúvida que fiquei encantada com esse romance.Essa é minha dica de leitura de hoje.

Sinopse:
Passando por temas como a morte da mãe, a relação com um homem violento, viagem, raízes, herança, entre outros, a autora procura tecer um romance de vozes diversas. Neta de judeus da Turquia e filha de comunistas do Brasil, a narradora recebe do avô a chave que abriria a porta da casa de Esmirna, para onde os avós fugiram durante a Inquisição.

Título: A chave de casa
Autora: Tatiana Salem Levy
Editora: Record
Ano: 2007

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Descobrindo Clarice


Vamos sacudir a preguiça que se instala no final de ano e começar a escrever pra valer.

Faz tempo que não falo nada a respeito das minhas leituras. No segundo semestre, como estive mais ocupada com meus afazeres da escrita da pós, acabei deixando de lado minhas leituras. O que me deixou um pouco triste afinal, recebendo livros novos a todo momento aqui na biblioteca, não deu outra: fui ficando ansiosa vendo tantos títulos legais chegando e eu não podendo ser a primeira a ler. Mas de qualquer forma consegui ler alguns. E é sobre um em especial que vou falar agora: Clarice, de Benjamin Moser, editora Cosac Naify.

Quando esse livro chegou por aqui dei uma olhada técnica nele e achei-o interessante, bonito. Parou por aí. Após registrá-lo, foi feita a divulgação e ele ficou em destaque aqui na biblioteca.

Numa noite, assistindo o programa Metrópolis na TV Cultura, o autor foi entrevistado. E foi exatamente essa entrevista que me despertou a vontade de ler esse livro e saber mais sobre a misteriosa escritora que tanto me perturbou durante a adolescência.

A leitura desse livro foi muito gratificante pois a pesquisa que o autor fez sobre a vida de Clarice, suas origens, seus traumas, o período político em que ela viveu, enfim, foi muito edificante e prazeroso ler até o final esse que, acredito , seja a biografia definitiva de Clarice Lispector.

E ao término da leitura refleti sobre tudo o que li e cheguei a seguinte conclusão: que personagem maravilhoso foi essa mulher! Só a vida dela já dá um bom enredo para uma história e tanto! Rica em conflitos, beleza, mistérios...Que persona! Agora, é ter tempo e disposição para ler as obras que tanto relutei durante minha vida desde que a conheci pela primeira vez. Acredito que agora eu tenha condições de ler, assimilar e compreender seus pensamentos, personagens e enredos (ou a falta deles).

Fica aqui então minha dica de leitura para quem já leu os livros de Clarice Lispector, para aqueles que como eu, ainda tinham uma certa reserva com ela e para todos que apreciam uma literatura mais aprofundada e não tão digerível como os famosos Best Seller.

Nada contra pois também os leio mas de vez em quando é bom demais ler algo que saia do lugar comum e adentre nossos mais secretos mundos. E nisso Clarice era craque em explorar.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Duas sugestões de leitura

Vamos sacudir a preguiça que se instala no final de ano e começar a escrever pra valer.
Faz tempo que não falo nada a respeito das minhas leituras. No segundo semestre, como estive mais ocupada com meus afazeres da escrita da pós, acabei deixando de lado minhas leituras. O que me deixou um pouco triste afinal, recebendo livros novos a todo momento aqui na biblioteca, não deu outra: fui ficando ansiosa vendo tantos títulos legais chegando e eu não podendo ser a primeira a ler. Mas de qualquer forma consegui ler alguns. E é sobre eles que vou falar agora.
O primeiro que peguei (dos dois) assim que chegou foi Fora de Mim, de Martha Medeiros. Acompanho essa escritora já há um tempo e adoro todas as crônicas dela. Esse livro em questão é um romance. Nele, a personagem passa pela experiência dur
o de ser largada pelo marido. A dor da separação, a constatação de que já não há um par, a certeza de que aqueles momentos felizes não voltarão mais, a dor da rejeição. Tudo isso relatado num ritmo frenético. Exatamente como está o interior da personagem. Leia a sinopse:

Em Fora de mim, a autora vai ainda mais fundo na descrição de sentimentos universais provocados por essa perda, comparada por ela a um acidente de avião, em que os sobreviventes "percebem a perda de altitude, a potência enfraquecida das turbinas e o desastre iminente, até que acontece a parada definitiva da aeronave, (...) e sobe do chão um silêncio absoluto, (

...) a quietude amortizante de quem não respira, não pensa, não sente nada ainda."

A autora inicia sua narrativa visceral no instante da despedida, da queda, do fim trágico, nem além nem aquém da dor maior: quando se tem a certeza de que não há mais volta. Aos poucos, o leitor vai compreendendo como tudo aconteceu, como tudo afinal foi ficando fora de controle.

Recém-separada de um casamento longo e pacífico, a protagonista se apaixona loucam

ente, embora não cegamente, por um outro homem, de personalidade conturbada, com quem vive uma intensa paixão. Consciente do mergulho, a mulher pressente que no fundo daquela relação só acabaria encontrando a escuridão da dor. Mesmo assim, dá o salto. E perde.

A entrega aqui é um vício sem saída.

O segundo livro foi Um erro emocional, de Cristovão Tezza.

Como já havia lido do mesmo autor O filho eterno e simplesmente fiquei extasiada com a forma de sua escrita, assim que chegou esse outro título dele, tratei de pegar para ler.

Confesso que li numa tacada só assim como o da Martha Medeiros. Com um diferencial: são escritas tão diferentes uma da outra, que as emoções fluem de uma maneira louca e absurda.

Com o livro da Martha, numa linguagem mais direta sobre as emoções à flor da pele quando se perde um grande amor, me senti retratada.

Afinal, quem nessa vida já não entrou com a bunda e seu

parceiro com o pé? Dói pra burro! Já no livro de Cristovão, fala-se de emoção também. Assim como fala de interiorização de cada personagem, seus pensamentos mais íntimos, suas "encanações", sua solidão.

Sei que a forma dele escrever não agradará a todos os leitores. Principalmente aqueles que gostam de linguagem direta. Sua escrita é mais subjetiva, dá mais voltas, mas é de uma riqueza que me agrada muito. Aprecio de fato a maneira que Cristovão Tezza escreve. Sem dúvida, já se tornou um de meus escritores contemporâneos preferidos.

Leia a sinopse:

Em Um Erro Emocional, Tezza apresenta a conflituosa relação entre Paulo e Beatriz, um escritor e sua leitora. O livro começa com uma declaração, uma frase truncada: "Cometi um erro emocional." É o ponto de partida para um mergulho em lembranças nem sempre agradáveis. Logo, Paulo e Beatriz vão se tornar cúmplices.

E é isso pessoal. Fica aqui minhas sugestões para iniciar um ano que, espero, seja rico em muitas leituras.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Clarice em doses pequenas

Descobrindo Clarice Lispector aos poucos. Delícia! Como me identifico! E pensar que no passado, ao tentar ler uma obra dela achei-o horrível! Hoje sei que não estava ainda preparada para sua intensidade. Olha o que descobri dela:

Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.

e tem mais:

Um domingo de tarde sozinha em casa dobrei-me em dois para a frente - como em dores de parto - e vi que a menina em mim estava morrendo. Nunca esquecerei esse domingo. Para cicatrizar levou dias. E eis-me aqui. Dura, silenciosa e heroica. Sem menina dentro de mim.

Mais do que jogo de palavras
O que eu sinto eu não ajo. O que ajo não penso. O que penso não sinto. Do que sei sou ignorante. Do que sinto não ignoro. Não me entendo e ajo como se me entendesse.

Saudade
Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver s outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Promoção de livro: Relações de sangue



Nesse mês de agosto, o blog surge com uma novidade: pela primeira vez farei uma promoção valendo um livro. Já estava com vontade de fazer isso mas sempre por um motivo ou outro deixava pra lá. Mas agora surgiu a oportunidade e aqui está um livro que não li (devorei!!!) e ainda na empolgação da história desejo repassar a todos que por aqui comparecem. Estou falando do livro Relações de Sangue, de Martha Argel, da editora Giz. Aproveito para agradecer a atenção e a simpatia de todos na editora e que possamos fazer novas parcerias daqui pra frente.

O sorteio será feito no dia 18 de agosto e para concorrer basta você fazer um comentário dizendo que DESEJA SE AVENTURAR COM CLARA E SEUS VAMPIROS que automaticamente estará concorrendo a um livro de Martha Argel. O ganhador(a) terá 3 dias para me enviar o endereço. E então? Vamos participar? Desde já espero por vocês por aqui.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Doidas e Santas

Nesse feriado prolongado, não resisti e mal o livro chegou à biblioteca, peguei-o para ler durante esses dias de folga. Já estava de olho nele desde que li a seu respeito num blog há uns dois aos atrás, se não me engano. Gostei da capa, gostei da sinopse e decidi que iria ler um dia. Já no ônibus, de retorno a minha casa, comecei a ler e não parei mais. Nem reparei no trânsito e na demora que tive devido ao feriado prolongado. Literalmente viajei nas páginas e nas histórias que Martha Medeiros divide conosco (leitores). Suas crônicas são deliciosas, com um senso de humor refinado e com uma leveza que muito aprecio. Estou quase terminando a leitura, faltam poucas páginas e já estou querendo ler mais livros dela. Me conquistou! Estou falando de seu livro Doidas e Santas e mais uma vez, reforço a minha sugestão para que mais e mais pessoas se interessem em ler crônicas. Digo isso pois sempre esbarrei em pessoas que mesmo gostando muito de ler, não se permitem aventurar-se em outros estilos literários: poesia, contos e crônicas. Isso é puro preconceito de quem não tem conhecimento. Falo isso por experiência própria. No passado, tinha horror de poesia, de contos, de novelas. Achava tudo um tédio. Mas, ao entrar em contado com diversos poetas e suas obras, agucei minha sensibilidade e passei a gostar. Da mesma forma que quando mais nova, achava um horror e de extremo mal gosto música clássica. Como podem gostar disso? Pensava sempre. E, no entanto, com o passar dos anos, do contato e do conhecimento, passei a ser grande admiradora de nomes como Beethoven, Mozart, Handel, Vivaldi, e tantos outros gênios da música clássica. Mas, retornando ao foco de minha narrativa que é o livro de Martha Medeiros, fica aqui minha sugestão de leitura. Sei que muitas pessoas que por aqui passam já devem conhecer seus livros ou , pelo menos algumas de suas crônicas ou poemas. Por outro lado, também sei de pessoas que, assim como eu, não tinham ainda lido nada dela. E para essas, fica minha sugestão. Boa leitura!