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sábado, 24 de maio de 2014

Quando as estrelas anunciam que nem tudo acabou

Em 2012 quando esse livro foi publicado, não dei importância. Passou um tempo e comecei a ler muita coisa a respeito dele. Todas positivas. Indiquei para a biblioteca onde trabalho comprar. Em pouco tempo tornou-se um dos livros mais solicitados. Todas as pessoas que pegam, devolvem olhando o livro com certo ar de saudade antecipada. Outro dia, uma garota do 8º ano, ao devolver o livro estava com uma expressão estranha então perguntei se não tinha gostado.
Ela ficava olhando para o livro e não conseguia me responder.
Uma amiguinha a abraçou e disse:
- Tia, ela amou tanto que não consegue nem falar de tanta emoção. Você já leu?
- Não, ainda não.
- Então leia. Vai entender. É lindo demais tia!.
E as duas saíram da biblioteca chorando. Fiquei pasma e segui meu dia. Cada vez que devolviam o danado do livro, mais emoção.
Certa vez, uma professora pegou emprestado, curiosa por ver as suas alunas comentando tanto sobre ele.
Quando devolveu, disse:
- Roseli, já leu ele?
- Ainda não.
- Nossa! Quando terminei de ler, estava em meu quarto e meu pai entrou. Ficou preocupado ao me ver aos prantos. Simplesmente não conseguia falar de tanto que soluçava. Quando finalmente consegui falar, meu pai ficou bravo comigo afinal, estava chorando por causa de um livro. Ah vá!
Leia Roseli. Leia! Li.
Terminei de ler agorinha e confesso que também tive meu momento de catarse total onde me debulhei em um pranto de lavação d'alma. Quando me acalmei, comecei a enumerar os livros que me causaram o mesmo torpor. Enumero-os aqui:

  • Brumas de Avalon, Marion Zimmer Bradley;
  • Os catadores de conhas, Rosamunde Pilcher;
  • A última convidada, Josué Montello;
  • Através do espelho, Jostein Gaarder;
  • O adeus à mulher selvagem, de Henry Coulonges;
  • A menina que roubava livros, de Markus Zusak;
  • Marina, de Carlos Ruiz Záfon
Poderia desfiar aqui uma lista muito maior mas paro por aqui, pois esses foram livros que realmente me emocionaram muito.
O livro, para me conquistar, não basta apresentar uma boa história. Não! Pra me conquistar, tem que ter personagens que me ganhem, me convençam que existam de fato. Gosto que me seduzam, me apaixonem e gosto principalmente quando fico com dó de terminar o livro por saber que eles partirão de minha vida.
Os personagens do livro A culpa é das estrelas, são jovens como tantos outros mas que têm um diferencial: são doentes.
Hazel Grace é uma jovem paciente terminal que encontra Augustus Waters. Jovem bonito, espirituoso que trará para a vida de Hazel um matiz de emoções e descobertas que fará um diferencial e tanto em sua rotina cercada por médicos, medicações e cuidados.
Lidar com a finitude quando você mal iniciou sua vida, sem dúvida, deve ser uma barra e tanto.
Num momento em que a maioria dos adolescentes estão se preparando para ingressar na vida adulta, e você se ver obrigado a se afastar de amigos e colegas da escola, ficar entubado, passar por sessões de quimioterapia e radioterapia, com certeza não é nada prazeroso.
A história aborda tudo isso mas nos trás uma mensagem tocante de um amor que nasce apesar de tudo.
Mostra que esse amor pode ser mais forte que qualquer coisa, que pode superar tudo inclusive a morte.
John Green, jovem escritor norte-americano foi extremamente feliz ao abordar a questão da vida/doença/morte de forma tão natural e poética.
(Imagem: blog Notas Musicais)

Interessante que, ao término do livro, ainda chorando, lembrei-me de uma letra do compositor Jair Oliveira que vem bem de encontro a essa linda história. Encerro essa resenha com a letra e vídeo dessa música:

O que pensam as estrelas
(Jair Oliveira)



O que pensam as estrelas enquanto eu, cá embaixo, vivo?
Elas observam meu presente indeciso
Eu contemplo o seu passado preciso
Eu choro, espirro, gozo...
E elas, simplesmente, brilham

Mas o que pensam as estrelas enquanto eu, cá embaixo, sonho?
Impropérios e desaforos rondam meus planos
Igual ao vácuo abraçando aos sistemas
Tantos nós, tantos sóis...
Eu como, eu apodreço, eu vomito...
Elas, majestosamente, brilham

O que pensam as estrelas enquanto eu, cá embaixo, grito?
Sussurros estelares carregam o tempo
Eu só enxergo o que os meus olhos permitem
Fuleragem atômica, mundana
Fuligem cósmica
Eu, sistematicamente, durmo
Elas, persistentemente, brilham

O que pensam as estrelas enquanto eu, cá embaixo, sofro? 
Perco os propósitos no espelho manchado
Gotas randômicas preenchem o infinito
Elas caçoam de meu destino
Enxergam meu sol com indiferença
Seis bilhões de dúvidas!
Eu padeço, tombo, desisto...
Elas, esplendorosamente, apagam!

O que pensam as estrelas enquanto eu,
cá embaixo,
morro?

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Mergulhando numa viagem a uma Paris que não existe mais


Desde que comecei a trabalhar em biblioteca - isso lá pelos idos do ano de 1991 - que tenho anotado alguns nomes de escritores que pretendo um dia ler. Já trago anotado os nomes de Marguerite Yourcenar, Simone de Beauvoir, Albert Camus, Jane Austen e, entre tantos outros nomes de escritores nacionais e estrangeiros, encontrava-se o nome de Ernest Hemingway.
Várias e várias vezes passando pelo corredor onde se encontram depositados os livros de literatura norte-americana, meus olhos passeavam pelos livros desse autor. De alguma forma eles me chamavam a atenção mas decidi que leria lá na frente, quem sabe no dia em que me aposentar.
Bom, ainda não me aposentei mas por uma dessas coincidências do destino, um livro dele me caiu nas mãos e não tive dúvida: na volta para casa resolvi iniciar a leitura dele. E só terminei hoje pela manhã vindo ao trabalho. Foi uma experiência tão prazerosa que pensei: Por que não li isso antes? E ao mesmo tempo em que faço a pergunta já tasco logo uma resposta: Porque não me encontrava preparada para tal leitura. Tudo tem a sua hora inclusive, a leitura de determinados livros e autores.
Paris é uma festa, publicação póstuma de Hemingway, foi um verdadeiro mergulho na Paris de sua juventude. E foi também um mergulho meu nessa cidade que tanto me encanta, me chama, me seduz. É engraçado essas coisas em nossas vidas. Desde que pela primeira vez peguei nas mãos um livro de gramática francesa do meu tio e olhei para aquele monte de letrinhas que formavam uma língua diferente, me apaixonei. Nem sabia o porquê mas me apaixonei pela língua francesa, depois pela cultura francesa e esse é um sonho que espero um dia concretizar: conhecer Paris. Mas não somente Paris mas conhecer a fundo o país. Espero ter fôlego, saúde e dinheiro para um dia realizar esse meu sonho.
Mas voltando para o livro, sorvi cada capítulo dele e toda vez que terminava, era invadida por uma sensação tão boa como se tivesse vivenciado cada aventura do autor, ao seu lado. Parecia até que via, sentia aquele homem de personalidade forte conversando comigo. A seu lado, através de seus textos, pude conhecer uma Paris que já não existe mais. Conheci pessoas interessantes, bizarras, estranhas que formaram toda a história da juventude do autor. Olha, sem dúvida despertou em mim uma vontade louca de ler os demais livros de Hemingway.
Um detalhe que me chamou a atenção: o autor descreve sua paixão pela escrita, não pela publicação propriamente dita. Ele persegue a lapidação de um bom texto. Ele almeja se dedicar 24h do seu dia a esse ofício que ele considera mais que sagrado. Os demais autores que ele cita no decorrer do livro também tem mais ou menos esse pensamento. Todos conviviam naquela Paris que os recebia de braços abertos de forma amigável, na maior camaradagem. Um ajudando o outro. Tão diferente de hoje onde as pessoas desejam mais é desfilar nas vitrines literárias, cada um comendo o fígado do outro, um esbanjar de egos inflados que chega a dar azia a quem realmente leva o ofício de escrever a sério. É claro que não estou aqui generalizando mas, que o quadro atual está mais para "parecer" do que "ser", não resta dúvida.
Agora, o que torna o livro mais interessante, é saber ao término do livro que uma pessoa que se dizia tão pobre e feliz vivendo naquela Paris possa, ao término da escrita desse livro dar cabo de sua vida. É de se espantar não é mesmo? Veja bem, não estou aqui tecendo julgamentos levianos sobre o ato extremo dele, isso só ele mesmo sabia o porque. O que deixo aqui é meu espanto diante de tanta beleza seguida do ponto final que Hemingway deu a si próprio.
Ah! Já ia me esquecendo. Ontem, olhando as estantes daqui dei de cara com um outro livro que tem tudo a ver com Paris é uma festa.
É o livro Paris não tem fim, do escritor espanhol Enrique Vila-Matas. Já comecei a ler esse também. Mas falarei sobre ele numa outra ocasião.
Esta é a dica de leitura que deixo hoje para vocês. Se já leu, é uma ótima pedida para reler. Se ainda não leu, está esperando o que hein? Corre logo atrás do seu exemplar em uma biblioteca próxima de você ou compre para si. Vale a pena!

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Atiçando diversos sentidos



A cozinha é um universo à parte dentro de uma casa. E quem a comanda também passa a ser um mundo diferenciado e um ser quase sublimado. Pode parecer exagero de minha parte afirmar tal coisa mas, de fato, a mulher ou o homem que cozinha é especial. Afinal, ao cozer, você não apenas coloca os ingredientes que a receita exige. Acrescenta junto pitadas de amor, de vontade de agradar não somente o paladar das pessoas que irão saborear. Não! Cozinhar vai muito mais além. Você oferta prazer, atiçando vários sentidos. O olfato, o paladar, a visão, o tato. E, é claro, a comunhão em volta de uma mesa.
Quando vi esse livro não tive dúvidas. Quero muito ler! O fato de conhecer detalhes da vida pessoal das escritoras, a relação delas com a comida e com o ato de cozinhar faz com que penetremos num universo particular e passamos a dividir com elas o cotidiano. O livro inicia-se com a cozinha de Virginia Woolf, passando por Gertrude Stein, Agatha Christie, Simone de Beauvoir entre outras. É bom demais. Conhecer suas fraquezas, seus delírios, seus defeitos (nem todas amavam cozinhar) trás essas divindades para próximo da gente. Outro detalhe desse livro: para quem não leu obra de alguma dessas autoras (como eu), atiça a curiosidade em ler.
Outro atrativo desse livro: no final tem receitas das autoras. Que elas faziam ou que gostavam de comer.
Vale muito a pena ler. É a dica de leitura do dia.

Título: A cozinha das escritoras: saberes, memórias e sabores de 10 grandes escritoras
Autor: Stefania Aphel Barzini
Editora: Benvirá
ISBN: 9788582400746 

quarta-feira, 5 de março de 2014

Na dúvida sobre o que ler? Remédio forte!


Em 2010 tive o prazer em fazer o curso Prática de Criação Literária promovido pela Editora Terracota juntamente com a Universidade Cruzeiro do Sul.
Foi sem dúvida, um divisor de águas em minha vida literária. Sempre gostei de escrever mas tinha um certo acanhamento em mostrar meus escritos aos outros. Era um misto de timidez, ciúmes e medo do que poderiam pensar sobre o que escrevo. Mas fazer esse curso me deu uma abertura para ousar mais, conhecer os diversos gêneros literários além, é claro, de aprender a lapidar um texto. Seja ele um conto, uma crônica, um poema ou um romance. Estou longe de ser uma exímia escritora mas hoje sou bem melhor do que em 2010. Toda essa introdução, foi pra falar um pouco sobre um de meus colegas de curso que já, naquela época de curso demonstrava seu potencial literário.
Dia 22 passado, fui ao lançamento de seu primeiro livro de contos e como passei esses dias de Carnaval de repouso por conta de minha queda, aproveitei para ler o livro Remédio Forte, de Gláuber Soares.
Passei uma tarde inteira me deliciando com seus contos.
Como também escrevo contos e adoro personagens do cotidiano, mergulhei com um prazer intenso em suas narrativas ágeis, enxutas, dinâmicas. Vários de seus personagens me soou familiar afinal, quem não conheceu uma mulher guerreira que sempre se dedicou a seus familiares e que agora ao fim de sua vida se vê jogada num asilo para idosos (Remédio forte), ou já não teve a experiência de ir a um mega show de sua banda favorita relembrando passagens de sua vida  (Um, dois, três, quatro...). Amei relembrar aqui meu debut em shows sendo o primeiro, Queen, minha banda favorita até hoje. 
Me diverti acompanhando a crise de identidade do número 5 no delicioso conto (Cinco menos fora nada).
A emoção tomou conta de mim ao ler o belo texto (Jaboticabas no Éden) que trata do encontro sensível entre crianças de 7 anos que perdurou na memória do menino pro resto de sua vida. Confesso que meus olhos se encheram de lágrimas nesse!
Dei boas risadas acompanhando os desencontros num relacionamento. Ah! O pensamento do homem e o pensamento da mulher! Sempre entrando em desalinho. Mas quem vive uma relação ou já viveu vai compreender muito bem as experiências vividas no texto (Primeiro round) pelo casal.
Nascido em Itabuna (BA), o autor soube com maestria descrever o Carnaval baiano no delicioso conto 
(O Pelourinho é logo ali). A gente se desloca para as ladeiras ouvindo o som contagiante dos atabaques, sentindo o cheio da comida baiana, o burburinho incessante dos turistas pelas ruas. É bom demais!
É um desfile de personagens e situações que além de nos entreter, nos força a refletir sobre a natureza humana. Sem dúvida, Gláuber foi super feliz na escolha dos contos e do título para seu livro. Remédio forte é o contato com as experiências humanas que nos tornam melhores ou piores dependendo de nossas escolhas na vida. Para mim, foi um remédio que além de me ajudar a passar o tempo ocioso diante de minha perna machucada, ajudou a tratar algumas feridas interiores fazendo-me refletir sobre algumas questões humanas.
Remédio Forte, esse eu altamente recomendo!


Livro: Remédio forte
Autor: Gláuber Soares
Editora: Terracota
113 p.

Sessão de terapia - meu ponto de vista

Feriado prolongado, pensei em fazer uma viagem aqui próximo mesmo mas, um tombo em casa me impediu de concretizar tal viagem. Saldo ruim: dor no tornozelo e joelho. Saldo positivo: descanso forçado onde coloquei minhas horas de sono em dia e minhas leituras também. Televisão pra mim nessa época é um tédio então só mesmo a leitura pra me fazer viajar de forma diferente e mais livre.
Já estava lendo o livro Sessão de Terapia, de Jaqueline Vargas há... acreditem, 4 meses!
Vocês podem pensar: "Hum! Para demorar tanto assim deve ser um livro bem chato né?"
No que respondo: Não! Muito pelo contrário. É um livro para ler aos poucos. Bem aos poucos. Lendo um capítulo, refletindo sobre ele. Fazendo uma terapia através dele. E foi o que fiz esse tempo todo.
Baseado na série de TV da GNT, estrelado por ZéCarlos Machado no papel do terapeuta Theo Cecatto, um homem que, aos 56 anos entra em uma dupla crise: profissional e familiar.
O desenrolar da história mostrando Theo em seu consultório atendendo os diversos pacientes, cada um com seu histórico, Theo na posição de paciente sendo atendido por Dora Aguiar, sua supervisora e terapeuta no passado, sua vida familiar ao lado da esposa e filhos.
Conheci essa história ao assistir o primeiro capítulo da série quando estive um final de semana na casa de meu irmão. Adorei! A brilhante atuação dos atores é algo que prende a atenção.
Ao chegar o livro à biblioteca onde trabalho pensei: serei a primeira a ler esse livro. Não me arrependi!
A autora, Jaqueline Vargas, é a responsável pela adaptação e redação final das duas temporadas da série e nos brinda com um texto enxuto, ágil e dinâmico. As temáticas trabalhadas no consultório de Theo nos leva, enquanto leitor, a pensar e refletir bastante sobre nossas próprias neuras, conflitos, dificuldades de relacionamentos e por isso mesmo, torna-se uma leitura valiosa e mais do que uma simples literatura.

Uma das tantas frases do livro que me levou a pensar. Bateu direto em uma de minhas tantas fraquezas:

"Breno mal saíra e já me lembrava dele, de sua definição sobre mim: eu tinha medo de ser fraco, ou melhor, de aparentar fraqueza. Era verdade, eu gostava de pensar que meus pacientes e também meus filhos viam em mim um modelo impecável. No entanto, esse tipo de modelo não existia. Eu vinha sendo fraco, tão inábil e debilitado que me tinha afastado deles para que não percebessem, como se o meu isolamento não transmitisse nenhuma mensagem." p.194

A sensação de incômodo muitas vezes gerados por algumas passagens me fez lembrar de quando li o livro de Irvin D. Yalom, Cada dia mais perto, que inclusive escrevi sobre ele aqui no blog. Igualmente foi uma leitura sofrida até mesmo porque, estava em crise também e o livro serviu de verdadeira terapia para mim.
Essa é uma das dicas de leitura que faço hoje à vocês. Vale e muito a pena: ler o livro e assistir a série que já se encontra a venda. Outro dia vi o box e em breve me darei de presente, hehe!

Sinopse: 


Este livro é o relato do diálogo interior de Theo Ceca tto, o já conhecido protagonista da série Sessão de Terapia, em um momento muito particular de sua vida. Tudo parece dar errado. No âmbito pessoal, seu casamento passa por uma crise e o relacionamento com a esposa está cada vez mais difícil. Do lado pro fissional, uma série de acontecimentos o leva a questionar sua atuação como psicólogo. A princípio, Theo pensa tratar-se apenas de uma fase da qual ele certamente conseguirá sair, mas a declaração apaixonada da paciente Júlia e a descoberta da infidelidade da esposa o arrastam para um intenso turbilhão emocional. Após oito anos afastado de qualquer tipo de aconselhamento ou terapia pessoal, as circunstâncias o levam a procurar a antiga mentora. O reencontro com Dora Aguiar é repleto de amargura e rancor, e o que deveria ser um momento de re flexão se transforma em mais uma guerra. Aos poucos Theo se dá conta de que suas certezas não passam de uma ilusão e de que as convicções de antes nada mais eram do que uma defesa para não aceitar a realidade do seu dia a dia. O desprezo pela esposa, a súbita paixão por Júlia, a inconsequente interferência no processo de seus pacientes, o distanciamento dos filhos e de si – todos esses fatos vão revelando, aos poucos, outras motivações, camadas mais e mais profundas de questões que Theo sempre tentou evitar. De repente ele se percebe sendo mais paciente do que seus pacientes e constata que, assim como eles, está apenas em busca do entendimento para poder se reencontrar. Nesta jornada, Theo acaba se surpreendendo com o que acredita, com o que sente e com quem realmente é. 
Livro: Sessão de terapia
Autor: Jaqueline Vargas
Editora: Arqueiro
280 p. il.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Taí! Esse livro me deixou muito feliz!


Até bem pouco tempo era analfabeta de literatura latina. Sim, confesso que nunca tinha lido nada de Gabriel Garcia Márquez, Mario Vargas Llosa, Borges, Cortázar e Cia. Mas aos poucos fui me permitindo conhecer, ver se gostava ou não, analisar a obra. Lembro-me do primeiro livro que li foi do Gabriel G. Márquez Crônica de uma morte anunciada. Simplesmente amei! Depois li Memórias de minhas putas tristes. Gostei demais!
Aí me empolguei e li O carteiro e o poeta, de Skármeta, depois O último leitor,de David Toscana. E vieram alguns livros de Mario Vargas Llosa iniciado por As travessuras da menina má que achei demais de bom. Adorei Segredos de menina, de Maitena Burundarena.
Toda essa introdução é para falar a vocês sobre minha última leitura: Livro de receitas para mulheres tristes, de Héctor Abad.


Autor colombiano, jornalista, editor e tradutor, Héctor conversa com o leitor como se estivesse na sala de estar ou num boteco bebericando algo e falando sobre sentimentos, perdas, desejos.
Textos curtos e sempre indicando uma receita infalível para cada mal que nos aflige. Gostei tanto desse livro, a começar pela capa e pelo título que pesquisei e vi que aqui, na biblioteca onde trabalho tem mais um título dele que já separei para ler: A ausência que seremos. Olha que outro título mais lindo!
Leitura altamente recomendável para todas as mulheres que gostam de uma boa leitura. Independente de ser uma mulher triste ou não. O autor aborda sentimentos inerentes a todo ser humano portanto, é leitura para homens também. Até mesmo para que se conheça melhor a natureza feminina.
É a dica do dia!



Sinopse: 

Héctor Abad nos revela neste seu Livro de receitas para mulheres tristes mais da sua sensibilidade humana e muito do seu talento literário, adotando gêneros desprezados, que nem literários são considerados, e os reinventando como boa literatura, sem lhes roubar a simplicidade. A ironia está presente em todas as páginas, mas nunca é corrosiva. Logo de saída, o autor anuncia que ninguém tem a receita da felicidade, para em seguida afirmar que em seu “largo trato com frutos e verduras, com ervas e raízes, com músculos e vísceras de diversos animais silvestres e domésticos” descobriu “alguns atalhos de consolação”. E como um bom sábio-bruxo, sempre pronto a sorrir de si mesmo enquanto aconselha, faz boas mágicas com as palavras. Fala num cálido sussurro, como que socorrendo uma irmã, convidando-a a refletir sem alarde, com conselhos simples, e a dar umas boas risadas com suas piadas de alto calão. E assim, quase não querendo, visita com esses atalhos os principais tópicos que mais preocuparam os filósofos do bem viver. Fala da angústia diante da finitude e da velhice, da imensa dor do luto, dos dilemas éticos nas relações amorosas. Mas também de questões mais comezinhas - e por vezes mais prementes -, como os incômodos da menstruação, a frigidez, o mau hálito, a constipação intestinal. Não há hierarquia, porém. Cada texto tem sua cor, sua filigrana, e juntos formam um precioso livro-caleidoscópio que dá pena de largar e vontade de reler sem fim, sob outra luz. O convite é claro e transparente: “leia este falacioso ensaio de feitiçaria: o encantamento, se valer, nada mais é que seu som - o que cura é o ar que as palavras emanam”. Feliz de quem o aceitar.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Quando a voz se cala


Estou preguiçosa esse ano hein? Mas hoje achei além da disposição, o tempo necessário para falar um pouco sobre o que ando lendo. Apesar da preguiça, tenho lido muito e o que tenho lido tem sido bom demais!
Hoje especialmente falo sobre um livro que na minha opinião, deveria ser leitura obrigatória em todas as escolas e discutido à exaustão devido ao tema abordado: bullying nas escolas.
Trabalhando no universo escolar desde 1991, convivo com pré-adolescentes e adolescentes e passei de certa forma a ser o ombro amigo, o ouvido para seus desabafos, seus conflitos, suas perdas, seus medos. Já vi praticamente de tudo ma sempre me surpreendo quando vejo um(a) jovem sofrendo calado sem conseguir botar pra fora o que lhes atormenta a alma.
Fale!, de Laurie Halse Anderson aborda de forma brilhante esse tema. A personagem principal Melinda vai iniciar sua trajetória no ensino médio e passa por uma grande prova de fogo durante o ano letivo.
Convidada para uma festa dos veteranos para celebrar o início das férias, Melinda acaba chamando a polícia e acaba com a alegria de todos. Houve um motivo para ter agido assim mas, vamos descobrindo bem aos poucos durante a leitura do livro.
Sendo hostilizada por todos inclusive os seus antigos amigos e colegas de classe, ela simplesmente se cala. Desenvolve uma vida interior para aguentar o peso das dificuldades diárias tanto em casa ao lado de seus pais que são totalmente ausentes de sua vida, cada um se preocupando com o próprio umbigo, quanto para aguentar as novas matérias e seus aloprados e esquisitos professores. Não é nada fácil!
Sendo tachada de "esquisita" por todos, a menina vai se fechando cada vez mais em si passando inclusive a desenvolver alguns tiques nervosos como por exemplo, morder seus lábios até sangrar.
Uma garota que até o ano passado havia sido cheia de vida, alegre, comunicativa, passa a apresentar uma aparência desleixada, descuidando de sua imagem parecendo até que, inconscientemente, busca se enfeiar, se castigar por algo.
A persona de Melinda é uma das coisas mais complexas e lindas que já vi na literatura. A autora foi extremamente feliz em seu romance de estréia. Soube com maestria desenvolver um personagem complexo, e um ambiente - no caso, uma escola - que a princípio deveria ser o melhor possível. No entanto, o ambiente escolar mostra ser um dos mais perversos para aqueles que não sabem se defender.
Aqui mesmo onde trabalho, já vi de um tudo. As diversas tribos como tão bem escreve a autora: os atletas e suas "garotas", os nerds, os "bonzinhos", os "vagabundos" e por aí vai. O meio pedagógico também é muito bem retratado mostrando professores sensíveis, professores impacientes e intolerantes, professores que viajam nas aulas e não ensinam absolutamente nada e professores que também sofrem Bullying dos próprios colegas.
Obra-prima vencedora de vários prêmios, é sem dúvida um livro que deve ser lido por todos: jovens, professores e pais para que possam compreender um pouco melhor o universo teen e seus conflitos para se estabelecer na sociedade rude em que vivemos.
Ah! Antes que me esqueça, soube através de uma outra blogueira que essa história virou filme com o título "O silêncio de Melinda", estrelado por Kristen Stewart. Vou pegar na locadora pra assistir. Fica aqui a dica de leitura. E também de filme para quem, assim como eu, não viu.


Sinopse:

“Fale sobre você... Queremos saber o que tem a dizer.” Desde o primeiro momento, quando começou a estudar no colégio Merryweather, Melinda sabia que isso não passava de uma mentira deslavada, uma típica farsa encenada para os calouros. Os poucos amigos que tinha, ela perdeu ou vai perder, acabou isolada e jogada para escanteio. O que não é de admirar, afinal, a garota ligou para a polícia, destruiu a tradicional festinha que os veteranos promovem para comemorar a chegada das férias e, de quebra, mandou vários colegas para a cadeia. E agora ninguém mais quer saber dela, nem ao menos lhe dirigem a palavra (insultos e deboches, sim) ou lhe dedicam alguns minutos de atenção, com duvidosas exceções. Com o passar dos dias, Melinda vai murchando como uma planta sem água e emudece. Está tão só e tão fragilizada que não tem mais forças para reagir. Finalmente encontra abrigo nas aulas de arte, e será por meio de seu projeto artístico que tentará retomar a vida e enfrentar seus demônios: o que, de fato, ocorreu naquela maldita festa? Um romance de estreia extraordinário; uma obra-prima vencedora (e finalista) de inúmeros prêmios sobre uma jovem que opta por calar em vez de dizer a verdade. Fale! encantou tanto leitores quanto educadores, alunos e professores. Um romance transformador, corajoso, capaz de fazer refletir sobre temas fundamentais -- porém espinhosos como o bullying -- do cotidiano dos adolescentes.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Quando por entre estantes e livros se descobre um mundo

Reta final de 2013 e terminei de ler um livro que não figurava na minha lista de futuras leituras mas que me chamou a atenção na livraria Cultura. Primeiro por sua bela capa onde mostra uma jovem entre estantes e inúmeros livros. Segundo pelo título que tem a ver comigo. E terceiro, pela temática da história que me instigou a curiosidade.
Quem me conhece sabe que leio de quase tudo nessa minha vida. Com raríssimas exceções(autoajuda por exemplo), procuro não ter preconceitos. Acho toda leitura válida e de tudo busco algo de positivo.
Sei que algumas pessoas vão torcer o nariz para o livro que li. Paciência. Acredito nos diversos estágios de leitura e muitas vezes necessito de algo mais leve, pura diversão mesmo do que me aprofundar numa literatura mais "cabeça".
Vamos direto ao livro: A Bibliotecária, de Logan Belle. Depois que comprei, li várias resenhas sobre o livro e vi que a maioria comparava esse livro ao 50 tons de cinza, de E. L. James.
Não concordo e explico. 50 tons até tinha tudo para ser uma boa história mas seus personagens são rasos, sem carisma algum. Principalmente aquela jovem recém formada em jornalismo que é a "Anta" em forma de gente. O gostosão nada mais era do que um robô do sexo. Belo, belo, belo e?... Não me cativou em nada!
Pelo menos nessa história, existe um pouco de consistência tanto nos personagens centrais - no caso, a bibliotecária Regina Finch e no seu partner Sebastian Barnes. Fora a bela Biblioteca Pública de Nova York que serve de painel de toda a trama vivida pelos dois. Descrição que me deu vontade de conhecer suas dependências e percorrer seus corredores. Ah! Fora o fato de colocar nós bibliotecárias como pessoas normais, saudáveis e com a sexualidade em dia e bem resolvida e não somente mulheres secas, áridas, sem graça e sem vida sexual como muito pensam e retratam a profissional. Gostei disso e não vejo em absoluto mal algum em a autora retratar a bibliotecária com vontades, tesões e desejos. Mas, é claro que a narrativa não é perfeita. Também não esperava isso então, terminei de ler o livro e não me senti decepcionada. É um bom livro para se ler despretensiosamente, curtir um pouco as cenas de sexo Bondage que diga-se de passagem, não escandaliza (talvez as mais puritanas, sei lá) e se divertir com uma boa história.
Agora, uma reclamação tenho a fazer e é com as editoras: nos últimos livros que tenho lido, tenho encontrado muitos erros de revisão. Não se empregam mais esse profissional nas editoras? O que acontece? Nesse livro mesmo encontrei por diversas vezes erros horríveis de revisão. Record, fique atenta a isso! Respeito aos escritores e aos leitores por favor!
Ah! em tempo: ainda me deliciei pois conheci um pouco mais sobre a Pin-Up Bettie Page que até então tinha somente alguma informação bem escassa sobre ela, sua importância e beleza. Valeu!!

Sinopse:
A jovem Regina Finch acaba de chegar a Manhattan para trabalhar na Biblioteca Pública de Nova York. Mas o que parecia ser a promessa de uma rotina tranquila em meio a clássicos da literatura logo se revela um irresistível jogo de sedução quando ela conhece o envolvente Sebastian Barnes, investidor da instituição e um dos homens mais cobiçados da cidade, que fica obcecado pela beleza da bibliotecária. A até então ingênua Regina se entrega a um crescente e selvagem desejo que parece consumi-la mais a cada dia, uma paixão que despertará na jovem sensações jamais imaginadas.
Ah! Em tempo 2: a editora Record classifica esse livro como ChickLit. Informação errada! É literatura erótica e adulta viu gente! Atenção 2 dona Record!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Replay - quem não gostaria de ter uma segunda chance?

A literatura francesa contemporânea tem ótimos autores. Alguns já mencionei por aqui como Martin Page com seu livro Talvez uma história de amor, Marie Darrieussecq com o ótimo e incômodo Porcarias, Emmanuel Carrère, esse ainda não li mas espero em breve conhecer seus livros. E, um autor que muito tem me agradado pela sua narrativa e temática é Marc Levy.
O primeiro livro que li dele me pegou de primeira: E se fosse verdade que também ficou ótimo na roupagem cinematográfica com Reese Witherspoon e Mark Ruffalo. Após essa leitura quis conhecer outros títulos dele e me encantei com Da próxima vez, em seguida li o maravilhoso Tudo aquilo que nunca foi dito. Após a leitura desse livro virei fã de carteirinha de Marc Levy. E hoje falo um pouco sobre esse último livro que li dele, Replay.

Sinopse:


Tudo que Andrew Stilman queria era uma segunda chance. Após partir o coração da mulher que amava, seu maior desejo era voltar no tempo e consertar os erros, mas isso é impossível – ou, ao menos, era o que ele pensava. Na manhã do dia 9 de julho de 2012, durante sua caminhada matinal às margens do Rio Hudson, o prestigioso repórter Andrew Stilman é violentamente atacado, sem conseguir ver o criminoso. Após sua morte, o inesperado acontece. O jornalista não vê uma luz no fim do túnel, nem muito menos abre os olhos no céu, mas acorda dois meses antes de seu assassinato. Quando acorda, Andrew está de volta ao dia 9 de maio do mesmo ano. Ele vai reviver os dois próximos meses atento a qualquer detalhe que possa ajudá-lo a descobrir quem o agrediu – ou melhor, irá agredi-lo – dois meses depois. Do coração de Nova York até as ruas de Buenos Aires, Andrew vive uma aventura repleta de reviravoltas, enquanto tenta salvar a própria pele e não decepcionar seu grande amor mais uma vez. O protagonista de Replay, best-seller de Marc Levy, além de consertar os erros que cometeu, terá de correr contra o tempo para tentar evitar sua morte e encontrar seus possíveis assassinos.

Desde o primeiro capítulo fui pega pela narrativa de Levy e fui acompanhando o personagem em sua busca pelo seu assassino até o último capítulo. O autor foi muito bom pois não conseguia descobrir quem poderia ter feito isso com Andrew. Personagens que convencem, são carismáticos, até mesmo o chato do colega de redação do jornal onde Andrew trabalha, Freddy Olson nos cativa no decorrer da história. Além do mais, quem não gostaria de ter uma segunda chance de consertar os erros que fez na vida? De pedir perdão aos que machucou, ofendeu? Sem dúvida Levy nos faz refletir sobre essas questões através dos personagens e suas histórias de vida. Enfim, terminei de ler e fiquei com gosto de quero mais. Vamos agora partir para outras histórias de monsieur Levy. Essa é a dica de leitura de hoje.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Mergulhei nesse oceano e cheguei ao final do caminho


Emocionante! Foi a palavra que me veio à cabeça assim que terminei o último capítulo do novo livro do autor britânico Neil Gaiman, O Oceano no Fim do Caminho. Sendo fã desse autor desde que li pela primeira vez Sandman, e de lá para cá só alegria e muita emoção ao ler seus livros: Os filhos de Anansi, Belas maldições, Stardust, Coraline.

Quando soube de seu mais recente lançamento, não via a hora do livro chegar à biblioteca. Queria ser a primeira a ler. E fui. E amei! E vibrei! E sofri todas as agruras do personagem principal. Isso é o que chamo de boa, brava, estupenda literatura. A que nos pega pelas mãos e nos proporciona aventuras jamais vividas no mundo real. E que mesmo no mundo da fantasia nos obriga a reflexões profundas sobre nosso ser, nossa conduta, nossa existência. Não falarei mais para não estragar a leitura. Só digo que mais uma vez, Gaiman me surpreendeu e me fez muito feliz. É a dica de leitura de hoje.


Sinopse: 
Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino. Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Solo. Um mergulho intenso na história da MPB através da ótica de Cesar Camargo Mariano

O prazer de uma boa leitura, de acompanhar um bom enredo, com narrativa que te seduza, saber de vidas que você até conheceu superficialmente através das mídias. Essa confissão consentida que o autor que se autobiografa nos faz sentir próximos dele e de sua vida. Por essas e outras que gosto de ler biografias. E essa que já aguardava ler há algum tempo me fez viajar por um Brasil que não conheci, num período em que pessoas talentosas envolvidas com as artes no geral - em especial a música - se envolviam por amor e não pelos cinco minutos de exposição e celebridade como é tão comum hoje.
Através do livro Solo: memórias, de Cesar Camargo Mariano, pude conhecer mais a fundo o que já tinha certo conhecimento ao ler a outra biografada que teve uma ligação estreita com ele, Elis Regina. Mas, ao contrário do livro Furacão Elis, de Regina Echeverria, nesse livro de Cesar, tive momentos de leitura em que tive a nítida impressão que o próprio estava sentado à minha frente tomando uma dose de Whisky em plena Baiuca, e tranquila e sem pressa, me contava sua vida de músico desde sua entrada precoce no cenário musical até os dias atuais. Vivi através da leitura, momentos importantíssimos de nosso panorama musical e pude ter o privilégio de conhecer e saber um pouquinho mais sobre figuras ilustres da noite carioca e paulistana.
Saber como surgiu a ideia e a realização com todos os seus percalços do famoso e inesquecível Falso Brilhante, ficar a par das inúmeras dificuldades e da insegurança para se realizar um sonho quase impossível de gravar um disco de Elis e Tom Jobim e depois saber o passo a passo da gravação até chegar a reta final desse trabalho que hoje é considerado um dos melhores e mais bonito do mundo, não tem preço!

Sou fã assumida de toda essa família: Cesar, Elis e Filhos que hoje continuam a disseminar o talento herdado: Pedro Mariano e Maria Rita.
Cresci ouvindo Elis e curtindo sua obra. Senti imensamente sua partida antes mesmo de eu debutar em shows. Lamento até hoje. Na década de noventa conheci por acaso seu filho Pedro, até então um desconhecido de todos e me encantei com sua bela voz e Swing no palco. Tive o privilégio de assistir ao show de Cesar acompanhado do excelente guitarrista e violonista Romero Lubambo no Sesc Vila Mariana e me apaixonei pela música instrumental que até então, conhecia bem pouco.
Enfim, poderia ficar aqui desfiando muita coisa que li, constatei, conheci, relembrei como por exemplo, a homenagem que seus filhos fizeram em pleno palco quando fez sessenta anos. Estava presente nesse show e ler essa passagem me remeteu a essa noite memorável e emocionante. Foi linda demais!!
Espero que minhas divagações acerca desse livro tenha despertado em vocês a vontade de ler. Vale e muito a pena e você termina o livro se sentindo amiga íntima desse nosso grande maestro, arranjador e músico do mais alto quilate. Cesar, obrigada por nos abrir suas portas e janelas e nos convidar a entrar! Fechei o livro e já sinto saudades. 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Livros que me acompanharam nas férias

Na postagem anterior falei de minhas férias e dos passeios que fiz. Sempre que viajo carrego comigo alguns livros para me distrair na viagem. Dessa vez não foi diferente. Por indicação de meu amigo que viajou para o Rio comigo, comprei o livro Delta de Vênus, de Anaïs Nin, da editora L&PM. É interessante. Sempre tive vontade de ler sua obra mas sempre adiava. Acho que chegou a hora, comprei e levei comigo.
Discípula das descobertas freudianas, a autora aplicou nesses textos a delicadeza de estilo que lhe era característica e a pungência sexual que experimentou na sua própria vida. Em seus contos, inúmeras prostitutas, jovens curiosas, mulheres maduras que decidem se libertar e buscam aventuras sexuais, homens que têm desejos dos mais bizarros se esbarram numa Paris efervescente mas que já dá mostra de uma certa decadência.
Gostei muito da narrativa de Anaïs Nin. Delicada, algumas vezes poética, feminina mas que descreve muito bem as cenas eróticas sem cair na vulgaridade. Está certo que não é uma leitura para qualquer leitor. Se você for de mente fechada e tiver certo conservadorismo com relação a cenas de sexo, pode esquecer essa autora. Agora, se for um leitor(a) de mente aberta e gostar de ler e adentrar o universo sexual que, vamos combinar, faz parte da natureza humana, aí sim você terá uma leitura prazerosa, de bom gosto e muito bem escrita.
Alguns contos são bem curtos, outros se arrastam um pouco e trazem muitos personagens. Algumas vezes confesso que me cansei um pouco mas, fazendo um balanço geral do livro, gostei bastante. Para quem achou 50 tons de cinza tudo de bom, recomendo ler essa autora para conhecer de fato uma ótima literatura erótica.
Outro livro que comprei no aeroporto de Natal enquanto aguardava o voo de retorno e que me surpreendeu bastante foi As mulheres de terça-feira, da escritora alemã Monika Peetz, editora Casa da Palavra.
O livro já me agradou pela capa e ao ler a sinopse, me ganhou de vez.
A história fala sobre uma emocionante viagem de transformação e amizade pelo caminho de Santiago.

Sinopse: Judith encontra o diário de seu falecido marido sobre uma peregrinação inacabada a Santiago de Compostela. Ela e as quatro amigas se unem para completar a jornada – sem saber o que as espera. O guia de viagem prometia: “A cada passo, uma resposta.” Mas o que aconteceu com as amigas foi o oposto: novas dúvidas surgiam conforme cumpriam o percurso, fazendo-as se ques­tionarem sobre a vida que levam e as escolhas que fizeram. Kiki, Judith, Estelle, Eva e Caroline se despediram de suas ro­tinas e famílias para se depararem com um caminho livre, um horizonte amplo e um cenário deslumbrante. Algumas bolhas nos pés, muitas horas para refletir sobre si mesmas e aventuras no decorrer do caminho serão responsáveis por trazer a paz de espírito de que precisavam – e fazer com que tomem as decisões que elas nunca tiveram coragem de tomar. Li esse livro numa tacada só sem perder o fôlego e me envolvi com as personagens e seus conflitos de uma forma intensa. Ri e chorei junto delas e saí da leitura com um sentimento muito bom no peito. É dessas leituras que marcam presença e você se apega e se apaixona pelas mulheres da história. Amei! fica aqui mais uma excelente dica de leitura.

terça-feira, 9 de julho de 2013

A busca por nós mesmos


Feriado é bom para descansar em todos os aspectos: sair da rotina, fazer coisas diferentes e ler. Foi exatamente isso que fiz desde sábado quando decidi passar alguns dias na casa de meu irmão. Na viagem de ida já iniciei a leitura de um livro que escolhi entre tantos. Ainda em casa, antes de sair, olhei para meus dois livros começados e resolvi que não levaria nenhum deles pois eram grandes e seria um tanto chato para carregar. Foi onde procurei entre tantos que tenho aqui na estante e optei por um fino que tem me atraído para leitura há um certo tempo: A chave de casa, de Tatiana Salem Levy.
Desde que foi lançado em 2007, chamou-me a atenção mas como sempre tive outros na frente para ler, esse foi ficando na lista de espera. Até que sua vez chegou e simplesmente me deliciei com sua leitura!
Devo dizer desde já que não é uma leitura convencional e, para aqueles que gostam ou estão acostumados a livros "começo, meio e fim", esse não irá agradar. Explico: Tatiana ousou em seu primeiro romance, uma linguagem diferenciada do convencional. Sem dúvida ela correu um certo risco de pôr seu projeto a perder mas como boa jogadora arriscou e acertou na mosca.
Escrito por várias vozes: a narradora, a mãe, o avô. São várias histórias que se desenvolvem partindo ora no passado, ora no presente e algumas vezes nos deixando em dúvida sobre o real e o imaginário da narradora.
Capítulos curtos, concisos, nos pega pelas mãos e nos leva para as ruas de Estambul para a busca e origens de sua família que vieram de tão longe para fixar moradia no Rio de Janeiro. Essa busca da personagem pelo passado de seu avô que se simboliza através da chave da casa que ele lhe deu, também nos faz refletir sobre nosso passado, a vida de nossos descendentes e a nossa própria vida.
Como sou apaixonada por histórias onde as relações humanas são o condutor da narrativa, sem dúvida que fiquei encantada com esse romance.Essa é minha dica de leitura de hoje.

Sinopse:
Passando por temas como a morte da mãe, a relação com um homem violento, viagem, raízes, herança, entre outros, a autora procura tecer um romance de vozes diversas. Neta de judeus da Turquia e filha de comunistas do Brasil, a narradora recebe do avô a chave que abriria a porta da casa de Esmirna, para onde os avós fugiram durante a Inquisição.

Título: A chave de casa
Autora: Tatiana Salem Levy
Editora: Record
Ano: 2007

quarta-feira, 5 de junho de 2013

A um passo de meio século

Em breve entrarei para o time das "Cinquentinhas". Isso já tem mexido comigo há pelo menos uns três anos. Pode parecer exagero? Pode ser que sim, pode ser que não. O fato é que passei ilesa pela crise dos vinte, dos trinta e dos quarenta. Mas os cinquenta, confesso que pegou forte. O fato de estar prestes a completar meio século de vida (estão me entendendo?) fez borbulhar uma série de questionamentos que até então tinham passado em branco.
A começar pelo físico que por mais que nos cuidemos, o tempo é inexorável! A genética idem! Não posso me queixar não. Fisicamente estou muito bem. O rosto já mostra as marcas do tempo sinalizando pés de galinha que antes não existia, manchas senis que insistem em se materializar, o famoso bigode chinês que pouco a pouco vai se fincando sem dó nem piedade, olheiras que insistem em me fazer companhia.
Ah! isso sem falar no cabelo que já está praticamente cem por cento branco. Eu é que ainda não tive coragem de assumi-los.Tenho algumas conhecidas que deixaram de se escravizar pelas tinturas. Confesso que tenho a maior admiração pela atitude delas. Mas ainda não me sinto preparada para tal passo. Não sou do tipo "coroa metida a ninfetinha" mas por ter um espírito jovial me visto informalmente. Gosto de um bom jeans, camiseta e tênis. Mas também adoro botar um vestido bem bonito e explorar toda minha feminilidade.
Voltando ao fator "envelhecer", ou se preferirem, amadurecer, percebi que de uns anos pra cá fui ficando de espírito rígido. Logo eu, que sempre tive horror a me tornar uma pessoa amarga diante da vida. De uma hora para outra me vi sendo cópia dessas pessoas de meu passado que tanto me horrorizavam. Parei com tudo! E entrei numa fase de questionar e botar na balança minha vida. E as tais perguntas passaram a pulular me minha cabeça já tão confusa:
"O que fiz de minha vida? O que conquistei em minha vida? Não casei, não plantei árvores, não tive filhos e ainda não escrevi um livro. Tô fodida e mal paga! Estou prestes a completar 50 anos e não tenho ninguém."
PQP piração total! Minha vida virou de cabeça pra baixo ao ponto de procurar ajuda terapêutica senão pirava de vez!
E tenho feito um balanço geral de tudo desde meu nascimento. Além da ajuda da psicanálise que tem me feito muito bem, como leitora voraz que sou, fui em busca de alguns livros que abordem a maturidade e como lidar com ela. Encontrei alguns ótimos que abordam a temática de forma bem legal.
Um que estou com a leitura bem adiantada  é O melhor momento: aproveitando ao máximo toda a sua vida, de Jane Fonda. 
Sinopse: com base nas mais recentes pesquisas científicas e em histórias de vida - incluindo a sua - , Fonda trata de questões relativas a sexo, amor, sociabilidade, espiritualidade, alimentação, atividade física e autoconhecimento na maturidade, mostrando como a fase de transição dos 45 aos 50 anos e, principalmente dos 60 em diante pode ser aquela em que realmente nos tornamos as pessoas ativas, afetuosas e plenas que sempre deveríamos ter sido.
Se espantou com quem escreveu? Eu também! Mas olha, estou adorando cada página desse livro dela.
O balanço que ela faz de sua vida, as crises, as neuroses que a acompanharam por toda sua existência e que ela buscou investigar justamente para ter uma terceira etapa de sua vida com qualidade. E é isso que quero para a minha vida. 

Outro livro que achei bem interessante é A arte de ser leve, de Leila Ferreira. 
Sinopse: Gentileza, bom humor, desaceleração e felicidade são alguns dos temas discutidos de forma inteligente e divertida por Leila Ferreira. ...O livro aponta para o perigo de emagrecermos o corpo, mas ficarmos com obesidade mórbida do espírito. Achei o máximo essa última frase!




E um outro que já está na minha lista de leitura sobre a temática é A arte de envelhecer, de Sherwin B. Nuland.
Sinopse: Médico a quatro décadas, o Dr. Nuland examina o impacto do passar dos anos na mente e no corpo, nas ambições e nos relacionamentos. Unindo a paixão de um cientista pela verdade ao entendimento de um humanista sobre o coração e a alma, o doutor ensina que a velhice não é uma doença, e sim uma arte.


Ainda falarei muito sobre esse tema por aqui mas por hora, deixo essas dicas de leitura. Não é somente para quem já é idoso ou para quem como eu, está prestes a botar os pés nessa fase da vida. São leituras agradáveis que nos orientam para uma qualidade de vida melhor.

domingo, 10 de março de 2013

As primeiras luzes da manhã - um carinho na alma!


Uma situação vivida por muitas e porque não dizer por todas as mulheres casadas há um certo tempo. A rotina que se estabelece entre o casal, a vida corrida e seus inúmeros compromissos. A acomodação dos sentimentos que levam tantas pessoas, e nisso falo não somente da condição feminina, mas do homem também, a ficarem insatisfeitos com suas vidas.
O livro As primeiras luzes da manhã, do autor italiano Fabio Volo trata dessa temática. Tendo como personagem principal que conduz toda a trama, uma mulher, o autor consegue traduzir de forma espetacular a alma feminina. Suas fantasias, seus medos, suas frustrações, seus sonhos de menina que pouco a pouco vão abaixo por conta de uma vida a dois extremamente solitária.
Elena, uma mulher próxima dos quarenta anos, casada com Paolo, um homem pacato, apagado, calado. Profissional, vive uma vida cheia de acontecimentos na empresa, mas que ao chegar em sua casa, entendia-se profundamente com a falta de diálogo, falta de companheirismo, falta de tesão entre ela e seu marido. Duas vidas que se desbotaram pelo tempo e que hoje, tal convivência passa a sufocá-la.
Num diálogo interno,o livro vai montando um quebra-cabeça através de capítulos curtos que representam as páginas desse diário e o dia a dia da mulher que chega a um tal ponto de insatisfação que a leva a sair de sua paralisia diante da vida e sai em busca de si própria e seu autoconhecimento emocional.
É interessante como alguns livros não te chamam a atenção de imediato. É o caso desse. Com uma capa que passa desapercebida, em outras ocasiões nem prestei maiores atenções nele.

No entanto, lendo um artigo sobre esse escritor na revista Comunità Italiana, fiquei curiosa em conhecer sua obra. Considerado atualmente como um dos melhores escritores italianos, Fabio, além de escrever, é ator, diretor de TV e de rádio. A leitura é envolvente e acabei lendo ele no intervalo que levo de manhã para o trabalho e ao retornar para casa a noite. Em outras palavras, é impossível largar! Ah! E tem mais: já que estamos na onda de literatura erótica, esse aqui dá de 10 a 0 na trilogia 50 tons de cinza. É um erotismo de bom gosto, muito bem escrito e verossímil. É minha dica de leitura!

sábado, 1 de dezembro de 2012

Eita que fogo na bacurinha!



Acordei inspirada após quase dez horas de sono. Como já faz tempo que não falo sobre minhas leituras, decidi escrever um pouco sobre um livro que há tempos ouvi falar e anotei para futura leitura. Na semana passada resolvi que iria comprar e, gente, li em poucas horas!
Decidi falar sobre ele porque, embalada por essa epidemia que está sendo as leituras eróticas, nada como ler um livro de - nada mais nada menos -  que Pedro Almodóvar.
Para quem ainda não sabe, além de excelente e genial roteirista e diretor de cinema, também viajou pelas ondas da literatura. Como toda obra de Almodóvar, o livro é trabalhado dentro do universo feminino. Sempre com personagens incomuns e, ao mesmo tempo, tão comuns, nos leva a uma Madri que literalmente pega fogo.
Raimunda, Eulália, Katy, Diana e Lupe. Mulheres com perfis diferenciados, idades variadas e personalidades idem nos pegam pela mão e transportam para histórias pra lá de deliciosas.
Todas elas têm em comum, o senhor Ming e sua fábrica de absorventes.
O gostoso de se ver nos filmes e de se ler nos contos, é justamente a força visual que Almodóvar dá às suas mulheres. Ele trabalha e nos escancara a realidade delas: donas de casa enfadadas com sua rotina pesada e sem graça, mulheres que passaram uma vida inteira preservando sua virgindade e que, ao chegar aos setenta anos, deseja recuperar sua juventude e sexualidade. Mulheres que optaram pela homossexualidade. Mulheres que largam o hábito para se jogarem na vida. Enfim, um verdadeiro mosaico de personalidades botando em xeque suas vidas, enfrentando seus demônios interiores, se jogando nas experiências sentimentais e sexuais. Tudo isso regado a muito humor - algumas vezes negro - , muita sacanagem - da boa e com uma leveza que só mesmo esse gênio espanhol poderia fazer.
Concordo com a Julieta Jacob, do blogue Vaca Tussa que disse que esse livro daria um bom filme. Vou mais além: Almodóvar com certeza já utilizou algumas pinceladas das personagens em seus muitos filmes. Mas que esse livro daria una boa película, ah! isso daria sim!
Só que falo, falo, falo e não disse ainda o nome do livro: Fogo nas entranhas, da editora Dantes. O livro na publicação brasileira ainda se enriquece mais com o prefácio de Regina Casé com o título: Calor na bacurinha. Hilário!

Sinopse:

"O demônio caminha em linha reta e evitar as retas é uma forma de debochar dos demônios" 
(provérbio chinês)

Abandonado pelas cinco amantes, um chinês, magnata da indústria de absorventes femininos, prepara um diabólico plano de vingança. A praga é das boas. Deixa a mulherada e toda Madri de pernas para o ar. Literalmente, isso é Fogo nas Entranhas.
Pulp Fiction da melhor qualidade, a narrativa mistura sexo, feminismo, espionagem e assassinatos. Tudo é repugnante, hilário, vertiginoso e contundente. ´E genial, trata-se de Pedro Almodóvar.
Leia essa história como se fosse um filme, vire a página desta fotonovela ou HQ. As cenas saltam aos olhos.
Pedro Almodóvar estreiou em 1981 na literatura com esse livro.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O amor sempre está na moda

Nesse final de semana peguei um livro que comprei em janeiro e se encontrava na lista de leitura. Como havia acabado de ler um livro denso denso, tenso e me emocionou muito, decidi que devia pegar agora um livro bem leve. E olhando os livros que tenho em minha estante decidi por esse e acreditem, foi a melhor escolha que fiz.
Amor fora de hora, de Katarina Mazetti, da editora Lua de Papel foi uma leitura super rápida, divertida e me emocionou. Não como o livro Marina, mas, uma emoção leve e alegre.
Nunca tinha lido nada dessa autora e até fiquei meio em dúvida se ia gostar ou não dele quando comprei. Mas, como sempre, acertei em cheio! Uma história de amor sem rebuscamento, sem forçar nas cores. Uma história de amor que poderia perfeitamente ser a minha história - até mesmo porque a personagem principal é bibliotecária como eu - poderia ser a sua ou a de qualquer mulher. Não tem grandes reviravoltas, nem grandes performances dos personagens. São pessoas comuns feito nós, na vida real. Sem glamour, a história de amor entre Desirée e Benny começa de uma forma e num local no mínimo, inusitado: um cemitério.
Desirée perdeu seu marido e com frequência visita seu túmulo e reflete por algum tempo sempre amaldiçoando sua traição por morrer e deixá-la sozinha.
Benny perdeu sua mãe e, assim como Desirée, visita periodicamente o túmulo dela e reflete o quanto ela lhe faz falta.
Ela, uma típica mulher urbana. Bibliotecária, culta, refinada, reside num apartamento elegante, clean e cercada por livros, sua grande paixão.
Ele, um homem rústico, cuida da fazenda desde que sua mãe faleceu. Sozinho, trabalha duramente para mantê-la funcionando. Leva uma vida simples, com hábitos mais simples ainda.
Mas, apesar de diferenças culturais tão grandes e distintas, uma grande paixão surge entre os dois. Vivenciar as experiências, os desencontros, as brigas desses dois me fez dar boas risadas e ao término do livro, fiquei com uma sensação muito boa. Por isso, deixo aqui como sugestão. Leia sem esperar uma grande história e se surpreenderá afinal, o bonito dela é justamente a falta de pretensão talvez da escritora que apenas quis escrever uma história de amor nos dias de hoje. E isso, ela cumpriu bem!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Cara a cara com os fantasmas


Terminei de ler a série A Mediadora, escrita pela já consagrada autora Meg Cabot sob o pseudônimo de Jenny Carroll. Fazia um bom tempo que não me divertia tanto ao ler um livro. A pegada humorística de Meg Cabot é na medida certa e os personagens são engraçados e verdadeiros, logo, a gente se identifica e não tem como não gostar. Suzannah Simon, garota de apenas 16 anos que tem o dom de enxergar os mortos, conversar e auxiliar a resolver seus problemas para que possam seguir adiante, é uma jovem como tantas de sua idade. Com as mesmas encucações, medos, conflitos além de ter de lidar secretamente com essa peculiaridade que bem poucos entenderiam. Meg Cabot soube desenvolver personagens adolescentes de forma bem realista e divertida mostrando os diversos estereótipos: as patricinhas que existem em todos os colégios espalhados pelo mundo, os rapazes atletas bonitos, musculosos e sem nenhum cérebro, os nerds estudiosos e discriminados pelo resto da classe etc. Muitas emoções são expostas, desenvolvidas e resolvidas nessa série. Questões universais como amor próprio, inveja, cobiça, descoberta da sexualidade, do amor adulto. Questões familiares mostrando as novas famílias onde agregam filhos vindos de outra relações e sua convivência.
Além, é claro, de ter um mocinho da história que vai abalar as bases aparentemente sólidas da nossa heroína mas que só tem um problema: ele é um fantasma! Mas...vejam bem. Não é qualquer fantasma. Não!!! É um belo, másculo, moreno e definido fantasma da espécie masculina que vai deixar Suze ardendo de paixão. Não tem como ficar sem torcer para que os dois fiquem juntos. É aventura garantida!

Leia a sinopse do primeiro livro:

Falar com um fantasma pode ser assustador. Ter a habilidade de se comunicar com todos eles então é de arrepiar qualquer um. A jovem Suzannah seria uma adolescente nova-iorquina comum, com seu indefectível casaco de couro, botas de combate e humor cáustico, se não fosse por um pequeno detalhe: ela conversa com mortos. Suzannah é uma mediadora, em termos místicos, uma pessoa cuja missão é ajudar almas penadas a descansar em paz. Um dom nada bem-vindo e que a deixa em apuros com mãe e professores. Como convencê-los da inocência nas travessuras provocadas por assombrações?

Com muito humor, neste primeiro volume da série A Mediadora, Meg Cabot nos apresenta a vida desta mediadora que tem certa ojeriza a prédios antigos: quanto mais velho um edifício, maiores as probabilidades de alguém ter morrido dentro dele. Filha de um pai-fantasma nada ausente e uma nova família, que inclui um pai adotivo e três irmãos postiços, a história começa com a mudança de Suzannah para uma casa mal-assombrada na ensolarada Califórnia. Só que Jesse não é um espírito qualquer, é um fantasma bonitão que nada faz para assustá-la, muito pelo contrário.

No melhor estilo das populares séries de TV Ghost Whisperer, Supernatural e Medium, A Mediadora traz histórias repletas de mistério, aventura e romance.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Amar - um tema inesgotável

Não costumo ler livros do gênero autoajuda. Não que seja um preconceito meu mas sim, uma questão de gosto pois em se tratando de leitura, aprecio aqueles que me surpreendem. E, verdade seja dita, a maioria dos livros que assim se intitulam são pra lá de previsíveis. No entanto, terminei de ler recentemente um livro que me surpreendeu pela criatividade da história e por tratar de relacionamentos de uma forma muito bonita e poética.
Escrita por dois especialistas em terapias de casais, fazem um verdadeiro tratado das relações humanas que envolvem casais. E esse tema é algo universal pois todos os conflitos numa relação ocorrem aqui entre nós brasileiros, lá nos países europeus, no Alasca ou em qualquer outra parte do planeta. Muda-se a língua, os costumes mas o que envolve sentimentos numa relação é igual em toda parte. E essa história me fez parar diversas vezes entre um trecho e outro e refletir, pesar o que foi dito, filtrar e isso me fez um bem danado afinal, quem não deseja melhorar suas relações não é mesmo? Até anotar frases num caderno comecei a fazer pois senti necessidade de guardá-las comigo para repensá-las futuramente.
Amar de olhos abertos. Só esse título já me chamou a atenção e quando li na orelha do livro a seguinte frase: "Apaixonar-se é amar as semelhanças, e amar é se apaixonar pelas diferenças". Uau!!! Isso me fisgou o interesse em ler todo o resto. Ao término da história fiquei com uma sensação muito boa dentro de mim e passei a olhar o outro, no caso, o parceiro com olhos mais tolerantes. Por conta dessa minha experiência com a leitura desse livro, deixo aqui como sugestão. Para todos que gostam de ler sobre relações, para aqueles que curtem pensamentos filosóficos e psicanalíticos ou que simplesmente se amarram numa história bem contada.

Sinopse:

Roberto é um homem solteiro, eternamente insatisfeito com suas relações amorosas. Para ele, a história é sempre a mesma: conhece uma mulher, eles se apaixonam, começam a namorar, mas, após um tempo, surgem as diferenças e o encanto acaba.
Até que, por acaso ou destino, um estranho erro do seu provedor faz com que ele comece a receber e-mails endereçados a um tal de Fredy. A princípio Roberto os apaga. Porém, à medida que outras mensagens vão chegando, a curiosidade fala mais alto e ele abre uma delas. Quem a assina é Laura, uma psicóloga que está escrevendo com Fredy um livro sobre terapia de casais.
Mesmo não gostando da ideia de invadir a privacidade de outra pessoa, Roberto acha cada vez mais difícil resistir à tentação de continuar lendo os e-mails de Laura, pois suas teorias se mostram muito úteis para sua vida.
Amar de olhos abertos. Jorge Bucay e Silvia Salinas. Editora Sextante

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Uma manhã falando sobre Aqueles cães malditos de Arquelau



Dia 18 desse mês, o colégio recebeu a visita do escritor Isaias Pessotti para um bate-papo com os alunos do primeiro ano do ensino médio que leram o livro Aqueles cães malditos de Arquelau. Sobre esse autor, já havia falado dele aqui mas abordado outro livro, A Lua da verdade.
Aqueles cães malditos de Arquelau foi o primeiro livro que li desse autor quando ainda fazia faculdade. Uma colega que gostava bastante de ler comentou comigo sobre o livro e perguntou se tinha interesse em ler. Não precisa nem dizer que quis, não é mesmo? O livro me pegou de imediato mas devo dizer que não é um livro tão fácil assim de se ler. Isaias Pessotti é uma pessoa extremamente culta, filósofo e psicólogo de formação além de um amante confesso da história italiana. Uma história muito bem desenvolvida com personagens enigmáticos e encantadores que nos seduzem logo que iniciada a leitura. Quando disse que o livro não é tão fácil de se ler, quis dizer que, para uma pessoa que não tenha uma bagagem boa de conhecimento, principalmente histórico, fica difícil de entender a trama. Mas, de qualquer forma, o livro é rico em tramas, mistérios, amores impossíveis e uma personagem linda, sedutora e envolvente que é a própria Itália e seus costumes e tradições. Em alguns capítulos, Pessotti nos narra a delícia de saborear "una pasta", un risotto nero, bebericando un Gattinara.
A história se passa entre os idos dos anos 60 em Milão onde jovens estudantes do Instituto Galilei se deparam com um inédito manuscrito do século XV.
Através de uma investigação aprofundada de dar inveja a qualquer romance policial, vão decifrando todo mistério que circunda a figura do bispo vermelho que estudava as tragédias gregas e chamava Eurípedes de "Cavaleiro da Paixão".
Alias, a paixão permeia a tudo e a todos: amor por uma mulher, por um pensador esquecido, por uma vida original livre da mediocridade, da prepotência, a paixão pelo conhecimento.
Este livro recebeu o prêmio Jaboti 1994 como livro do ano e em 2005 foi eleito por um juri de críticos literários e jornalistas de todo o país como um dos quinze melhores romances brasileiros dos últimos quinze anos. É pouco ou quer mais? Já li essa história duas vezes e continuo encantada com ela. Talvez eu parta para a terceira releitura e tenho certeza que lerei como se fosse a primeira. Para encerrar, devo dizer que fiquei encantada com o escritor pois ele é de uma simpatia sem igual. Como disse uma aluna ao se despedir dele:

- Preciso dar um abraço nele pois ele é muito fofo!

Fica aqui a minha dica de leitura. Já havia falado sobre ele no blog O Que Elas Estão Lendo, da Georgia e da Flavia mas é sempre bom falar desse livro e indicá-lo a todos.