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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Um novo herói surge para ficar

Viver num mundo autoritário, cruel, onde as necessidades básicas do ser humano não são respeitadas nem levadas em conta.
Isso lhe parece familiar? A mim também. No entanto, essa mesma temática, foi desenvolvida numa história deliciosa de se ler.
O livro? Lua de larvas, de Sally Gardner, editora WMF Martins Fontes.
Standish Treadwell tem quinze anos, é considerado por todos, um garoto burro, de inteligência medíocre, não sabe ler, nem escrever. Vive na Zona Sete ao lado de seu avô, onde a Terra Mãe mantém  toda a população sob controle de um regime totalitário. Sempre solitário, Standish teve sua vida mudada ao conhecer o jovem Hector e seus pais. A amizade que nasce entre os dois fará com que Standish supere seus medos e transforme-se num herói ao se embrenhar numa busca pelo amigo que some junto da família.
Uma história comovente de heroísmo, superação onde o valor da amizade verdadeira e da sede de justiça se fará presente em cada página do livro.
 A autora é inglesa e já tem outros títulos voltados para o público jovem. Lua de larvas pode ser visto como uma literatura juvenil mas também pode se enquadrar perfeitamente ao lado de grandes títulos da literatura mundial como 1984, de George Orwell, Farenheit 451, de Ray Bradbury. Lembrou-me também a vida num futuro distópico muito bem representado pelo autor contemporâneo Petê Rissati em seu livro de estréia Réquiem: sonhos proibidos. Essa situação de um futuro incerto da humanidade, caótico, destruído, governado por um grupo de ditadores onde a humanidade não tem vez nem voz, é algo que nos preocupa mas que, infelizmente não está tão longe de se vivenciar. Haja visto alguns governos que já comandam com punhos de ferro sua nação.
O livro foi premiado no ano passado com a Medalha Carnegie, prêmio britânico para livros infanto juvenis e o prêmio Costa de literatura infantil. Não é pouco heim? 
Ao terminar, fiquei emocionada e apaixonada por esse personagem cativante que faz o leitor vibrar a cada aventura e aperto pelo qual passa durante toda a história. É leitura das boas e diversão garantida para todas as idades.

Sinopse: 

Standish Treadwell é um jovem disléxico que vê o mundo de maneira diferente da maioria. Graças a essa visão, ele percebe que o mundo lá de fora não tem que ser necessariamente cinzento e opressor. Quando seu melhor amigo, Hector, é de repente levado embora, Standish percebe que cabe a ele, a seu avô e a um pequeno grupo de rebeldes enfrentar e derrotar a opressão permanente das forças da Terra Mãe. Com o pano de fundo de um regime implacável, disposto a tudo para vencer seus rivais na corrida para chegar à Lua. Este impressionante Lua de larvas é o novo livro da premiada autora Sally Gardner.

sábado, 24 de maio de 2014

Quando as estrelas anunciam que nem tudo acabou

Em 2012 quando esse livro foi publicado, não dei importância. Passou um tempo e comecei a ler muita coisa a respeito dele. Todas positivas. Indiquei para a biblioteca onde trabalho comprar. Em pouco tempo tornou-se um dos livros mais solicitados. Todas as pessoas que pegam, devolvem olhando o livro com certo ar de saudade antecipada. Outro dia, uma garota do 8º ano, ao devolver o livro estava com uma expressão estranha então perguntei se não tinha gostado.
Ela ficava olhando para o livro e não conseguia me responder.
Uma amiguinha a abraçou e disse:
- Tia, ela amou tanto que não consegue nem falar de tanta emoção. Você já leu?
- Não, ainda não.
- Então leia. Vai entender. É lindo demais tia!.
E as duas saíram da biblioteca chorando. Fiquei pasma e segui meu dia. Cada vez que devolviam o danado do livro, mais emoção.
Certa vez, uma professora pegou emprestado, curiosa por ver as suas alunas comentando tanto sobre ele.
Quando devolveu, disse:
- Roseli, já leu ele?
- Ainda não.
- Nossa! Quando terminei de ler, estava em meu quarto e meu pai entrou. Ficou preocupado ao me ver aos prantos. Simplesmente não conseguia falar de tanto que soluçava. Quando finalmente consegui falar, meu pai ficou bravo comigo afinal, estava chorando por causa de um livro. Ah vá!
Leia Roseli. Leia! Li.
Terminei de ler agorinha e confesso que também tive meu momento de catarse total onde me debulhei em um pranto de lavação d'alma. Quando me acalmei, comecei a enumerar os livros que me causaram o mesmo torpor. Enumero-os aqui:

  • Brumas de Avalon, Marion Zimmer Bradley;
  • Os catadores de conhas, Rosamunde Pilcher;
  • A última convidada, Josué Montello;
  • Através do espelho, Jostein Gaarder;
  • O adeus à mulher selvagem, de Henry Coulonges;
  • A menina que roubava livros, de Markus Zusak;
  • Marina, de Carlos Ruiz Záfon
Poderia desfiar aqui uma lista muito maior mas paro por aqui, pois esses foram livros que realmente me emocionaram muito.
O livro, para me conquistar, não basta apresentar uma boa história. Não! Pra me conquistar, tem que ter personagens que me ganhem, me convençam que existam de fato. Gosto que me seduzam, me apaixonem e gosto principalmente quando fico com dó de terminar o livro por saber que eles partirão de minha vida.
Os personagens do livro A culpa é das estrelas, são jovens como tantos outros mas que têm um diferencial: são doentes.
Hazel Grace é uma jovem paciente terminal que encontra Augustus Waters. Jovem bonito, espirituoso que trará para a vida de Hazel um matiz de emoções e descobertas que fará um diferencial e tanto em sua rotina cercada por médicos, medicações e cuidados.
Lidar com a finitude quando você mal iniciou sua vida, sem dúvida, deve ser uma barra e tanto.
Num momento em que a maioria dos adolescentes estão se preparando para ingressar na vida adulta, e você se ver obrigado a se afastar de amigos e colegas da escola, ficar entubado, passar por sessões de quimioterapia e radioterapia, com certeza não é nada prazeroso.
A história aborda tudo isso mas nos trás uma mensagem tocante de um amor que nasce apesar de tudo.
Mostra que esse amor pode ser mais forte que qualquer coisa, que pode superar tudo inclusive a morte.
John Green, jovem escritor norte-americano foi extremamente feliz ao abordar a questão da vida/doença/morte de forma tão natural e poética.
(Imagem: blog Notas Musicais)

Interessante que, ao término do livro, ainda chorando, lembrei-me de uma letra do compositor Jair Oliveira que vem bem de encontro a essa linda história. Encerro essa resenha com a letra e vídeo dessa música:

O que pensam as estrelas
(Jair Oliveira)



O que pensam as estrelas enquanto eu, cá embaixo, vivo?
Elas observam meu presente indeciso
Eu contemplo o seu passado preciso
Eu choro, espirro, gozo...
E elas, simplesmente, brilham

Mas o que pensam as estrelas enquanto eu, cá embaixo, sonho?
Impropérios e desaforos rondam meus planos
Igual ao vácuo abraçando aos sistemas
Tantos nós, tantos sóis...
Eu como, eu apodreço, eu vomito...
Elas, majestosamente, brilham

O que pensam as estrelas enquanto eu, cá embaixo, grito?
Sussurros estelares carregam o tempo
Eu só enxergo o que os meus olhos permitem
Fuleragem atômica, mundana
Fuligem cósmica
Eu, sistematicamente, durmo
Elas, persistentemente, brilham

O que pensam as estrelas enquanto eu, cá embaixo, sofro? 
Perco os propósitos no espelho manchado
Gotas randômicas preenchem o infinito
Elas caçoam de meu destino
Enxergam meu sol com indiferença
Seis bilhões de dúvidas!
Eu padeço, tombo, desisto...
Elas, esplendorosamente, apagam!

O que pensam as estrelas enquanto eu,
cá embaixo,
morro?

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Mergulhando numa viagem a uma Paris que não existe mais


Desde que comecei a trabalhar em biblioteca - isso lá pelos idos do ano de 1991 - que tenho anotado alguns nomes de escritores que pretendo um dia ler. Já trago anotado os nomes de Marguerite Yourcenar, Simone de Beauvoir, Albert Camus, Jane Austen e, entre tantos outros nomes de escritores nacionais e estrangeiros, encontrava-se o nome de Ernest Hemingway.
Várias e várias vezes passando pelo corredor onde se encontram depositados os livros de literatura norte-americana, meus olhos passeavam pelos livros desse autor. De alguma forma eles me chamavam a atenção mas decidi que leria lá na frente, quem sabe no dia em que me aposentar.
Bom, ainda não me aposentei mas por uma dessas coincidências do destino, um livro dele me caiu nas mãos e não tive dúvida: na volta para casa resolvi iniciar a leitura dele. E só terminei hoje pela manhã vindo ao trabalho. Foi uma experiência tão prazerosa que pensei: Por que não li isso antes? E ao mesmo tempo em que faço a pergunta já tasco logo uma resposta: Porque não me encontrava preparada para tal leitura. Tudo tem a sua hora inclusive, a leitura de determinados livros e autores.
Paris é uma festa, publicação póstuma de Hemingway, foi um verdadeiro mergulho na Paris de sua juventude. E foi também um mergulho meu nessa cidade que tanto me encanta, me chama, me seduz. É engraçado essas coisas em nossas vidas. Desde que pela primeira vez peguei nas mãos um livro de gramática francesa do meu tio e olhei para aquele monte de letrinhas que formavam uma língua diferente, me apaixonei. Nem sabia o porquê mas me apaixonei pela língua francesa, depois pela cultura francesa e esse é um sonho que espero um dia concretizar: conhecer Paris. Mas não somente Paris mas conhecer a fundo o país. Espero ter fôlego, saúde e dinheiro para um dia realizar esse meu sonho.
Mas voltando para o livro, sorvi cada capítulo dele e toda vez que terminava, era invadida por uma sensação tão boa como se tivesse vivenciado cada aventura do autor, ao seu lado. Parecia até que via, sentia aquele homem de personalidade forte conversando comigo. A seu lado, através de seus textos, pude conhecer uma Paris que já não existe mais. Conheci pessoas interessantes, bizarras, estranhas que formaram toda a história da juventude do autor. Olha, sem dúvida despertou em mim uma vontade louca de ler os demais livros de Hemingway.
Um detalhe que me chamou a atenção: o autor descreve sua paixão pela escrita, não pela publicação propriamente dita. Ele persegue a lapidação de um bom texto. Ele almeja se dedicar 24h do seu dia a esse ofício que ele considera mais que sagrado. Os demais autores que ele cita no decorrer do livro também tem mais ou menos esse pensamento. Todos conviviam naquela Paris que os recebia de braços abertos de forma amigável, na maior camaradagem. Um ajudando o outro. Tão diferente de hoje onde as pessoas desejam mais é desfilar nas vitrines literárias, cada um comendo o fígado do outro, um esbanjar de egos inflados que chega a dar azia a quem realmente leva o ofício de escrever a sério. É claro que não estou aqui generalizando mas, que o quadro atual está mais para "parecer" do que "ser", não resta dúvida.
Agora, o que torna o livro mais interessante, é saber ao término do livro que uma pessoa que se dizia tão pobre e feliz vivendo naquela Paris possa, ao término da escrita desse livro dar cabo de sua vida. É de se espantar não é mesmo? Veja bem, não estou aqui tecendo julgamentos levianos sobre o ato extremo dele, isso só ele mesmo sabia o porque. O que deixo aqui é meu espanto diante de tanta beleza seguida do ponto final que Hemingway deu a si próprio.
Ah! Já ia me esquecendo. Ontem, olhando as estantes daqui dei de cara com um outro livro que tem tudo a ver com Paris é uma festa.
É o livro Paris não tem fim, do escritor espanhol Enrique Vila-Matas. Já comecei a ler esse também. Mas falarei sobre ele numa outra ocasião.
Esta é a dica de leitura que deixo hoje para vocês. Se já leu, é uma ótima pedida para reler. Se ainda não leu, está esperando o que hein? Corre logo atrás do seu exemplar em uma biblioteca próxima de você ou compre para si. Vale a pena!

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Atiçando diversos sentidos



A cozinha é um universo à parte dentro de uma casa. E quem a comanda também passa a ser um mundo diferenciado e um ser quase sublimado. Pode parecer exagero de minha parte afirmar tal coisa mas, de fato, a mulher ou o homem que cozinha é especial. Afinal, ao cozer, você não apenas coloca os ingredientes que a receita exige. Acrescenta junto pitadas de amor, de vontade de agradar não somente o paladar das pessoas que irão saborear. Não! Cozinhar vai muito mais além. Você oferta prazer, atiçando vários sentidos. O olfato, o paladar, a visão, o tato. E, é claro, a comunhão em volta de uma mesa.
Quando vi esse livro não tive dúvidas. Quero muito ler! O fato de conhecer detalhes da vida pessoal das escritoras, a relação delas com a comida e com o ato de cozinhar faz com que penetremos num universo particular e passamos a dividir com elas o cotidiano. O livro inicia-se com a cozinha de Virginia Woolf, passando por Gertrude Stein, Agatha Christie, Simone de Beauvoir entre outras. É bom demais. Conhecer suas fraquezas, seus delírios, seus defeitos (nem todas amavam cozinhar) trás essas divindades para próximo da gente. Outro detalhe desse livro: para quem não leu obra de alguma dessas autoras (como eu), atiça a curiosidade em ler.
Outro atrativo desse livro: no final tem receitas das autoras. Que elas faziam ou que gostavam de comer.
Vale muito a pena ler. É a dica de leitura do dia.

Título: A cozinha das escritoras: saberes, memórias e sabores de 10 grandes escritoras
Autor: Stefania Aphel Barzini
Editora: Benvirá
ISBN: 9788582400746 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Amor - tema inesgotável


Conheci Luis Fernando Verissimo quando caiu em minhas mãos, a coleção Plenos Pecados. Uma série que reúne sete livros diferentes com sete autores responsáveis por cada pecado capital.
Veríssimo ficou com a Gula e fez magnificamente. Intitulado O Clube dos Anjos, é uma bem humorada celebração à gula. Mas não é pra falar sobre esse livro que comecei a divagar. Esse foi só o primeiro livro que li dele e me encantei de tal forma com sua narrativa solta, bem humorada, refinada, que depois li O Analista de Bagé e a partir daí virei sua fã. Todo livro novo que sai, leio e sempre reitero minha opinião sobre sua qualidade maior que é ser um grande contador de caso.
O livro que acabei de ler e que o tempo inteiro ficava com um sorriso nos lábios e nos olhos que deslizavam pelas palavras é Amor Verissimo.
Livro de crônicas sobre o amor, ou o fim do amor, ou o encontro entre amantes, o desejo entre duas pessoas que sempre dá caldo para boas histórias.
Um desfilar de personagens divertidos mostrando-nos situações que muitas vezes nos identificamos afinal, amar é pagar micos sempre e sem vergonha. Quem ama sabe o que é isso.
Histórias de amor à primeira vista, amor platônico, amor carnal, amor impossível, amor pelos amigos, pelos pais enfim, amor de todas as formas transformam esse livro num painel de situações que leva o leitor a fechar o livro ao seu término e celebrar esse sentimento tão procurado, proclamado, sentido e desejado por todo ser humano enquanto viver.
Ressalto aqui algumas crônicas que gostei demais: 
Tudo sobre Sandrinha
"...Querem os cheiros de Sandrinha? Tenho todos catalogados na memória. Sandrinha gripada, Sandrinha distraída. Sandrinha contrariada, eufórica, rabugenta, com cólica e sem cólica. Sandrinha roendo unha ou discutindo Kubrick. Não havia nada sobre a Sandrinha que eu não soubesse. Toda essa erudição sem serventia."
Adorei essa crônica porque me identifiquei afinal, sempre que me apaixonei, fazia imensos dossiês do amado. E depois quando acabava ficava sem saber o que fazer com todo aquele material acumulado. As fotos tinha só de me desfazer, os presentes então, nem se fale. Cada item trazia por trás toda uma história. Mas se acabou, o que fazer com tudo isso não é mesmo? Um dilema que todos que amaram um dia, com certeza passaram por isso.
A primeira pessoa
"No começo era eu. Só eu. Eu, eu,eu,eu,eu,eu. Não existia nem a segunda pessoa do singular, porque eu não podia chamar Deus de "tu". Tinha de chamá-lo de "Senhor". Não existia "ele". Não existia "nós". Nem "vós. Nem "eles". Só existia eu"
Verissimo faz aqui uma engraçada definição do primeiro ser humano criado por Deus e sua vida tediosa tendo o planeta inteiro a seu dispor mas sem ter uma companhia para comentar, conversar, trocar ideias.
Corno lírico
"Todo mundo sabia que a mulher do Ferreira o enganava, mas o Ferreira continuava lhe fazendo poemas. Onze anos de casados e ele ainda cantava a mulher em versos. Versos ruins, "amor" rimando com "flor" e "paixão" com "coração", mas versos. Que lia para toda a roda do chope antes de entregar à mulher, às vezes acompanhados de uma rosa. A infiel se chamava Rosa."

Quem não conheceu um corno romântico e poético? A história é engraçada. Vale a pena ler.
Enfim, não vou me estender muito até porque não quero tirar o prazer do ineditismo de uma leitura. 
Meu único desejo é instigar e te provocar a vontade de ler mais esse livro do Luis FernandoVerissimo. 
É garantia de momentos prazerosos! Essa é minha dica de leitura de hoje.
Detalhe: Algumas dessas crônicas serviram de inspiração para uma série pela GNT. Vale a pena conhecer também.


Título: Amor Verissimo
Autor: Luis Fernando Verissimo
Editora: Objetiva
Ano: 2014
ISBN:9788539005468 

quarta-feira, 5 de março de 2014

Na dúvida sobre o que ler? Remédio forte!


Em 2010 tive o prazer em fazer o curso Prática de Criação Literária promovido pela Editora Terracota juntamente com a Universidade Cruzeiro do Sul.
Foi sem dúvida, um divisor de águas em minha vida literária. Sempre gostei de escrever mas tinha um certo acanhamento em mostrar meus escritos aos outros. Era um misto de timidez, ciúmes e medo do que poderiam pensar sobre o que escrevo. Mas fazer esse curso me deu uma abertura para ousar mais, conhecer os diversos gêneros literários além, é claro, de aprender a lapidar um texto. Seja ele um conto, uma crônica, um poema ou um romance. Estou longe de ser uma exímia escritora mas hoje sou bem melhor do que em 2010. Toda essa introdução, foi pra falar um pouco sobre um de meus colegas de curso que já, naquela época de curso demonstrava seu potencial literário.
Dia 22 passado, fui ao lançamento de seu primeiro livro de contos e como passei esses dias de Carnaval de repouso por conta de minha queda, aproveitei para ler o livro Remédio Forte, de Gláuber Soares.
Passei uma tarde inteira me deliciando com seus contos.
Como também escrevo contos e adoro personagens do cotidiano, mergulhei com um prazer intenso em suas narrativas ágeis, enxutas, dinâmicas. Vários de seus personagens me soou familiar afinal, quem não conheceu uma mulher guerreira que sempre se dedicou a seus familiares e que agora ao fim de sua vida se vê jogada num asilo para idosos (Remédio forte), ou já não teve a experiência de ir a um mega show de sua banda favorita relembrando passagens de sua vida  (Um, dois, três, quatro...). Amei relembrar aqui meu debut em shows sendo o primeiro, Queen, minha banda favorita até hoje. 
Me diverti acompanhando a crise de identidade do número 5 no delicioso conto (Cinco menos fora nada).
A emoção tomou conta de mim ao ler o belo texto (Jaboticabas no Éden) que trata do encontro sensível entre crianças de 7 anos que perdurou na memória do menino pro resto de sua vida. Confesso que meus olhos se encheram de lágrimas nesse!
Dei boas risadas acompanhando os desencontros num relacionamento. Ah! O pensamento do homem e o pensamento da mulher! Sempre entrando em desalinho. Mas quem vive uma relação ou já viveu vai compreender muito bem as experiências vividas no texto (Primeiro round) pelo casal.
Nascido em Itabuna (BA), o autor soube com maestria descrever o Carnaval baiano no delicioso conto 
(O Pelourinho é logo ali). A gente se desloca para as ladeiras ouvindo o som contagiante dos atabaques, sentindo o cheio da comida baiana, o burburinho incessante dos turistas pelas ruas. É bom demais!
É um desfile de personagens e situações que além de nos entreter, nos força a refletir sobre a natureza humana. Sem dúvida, Gláuber foi super feliz na escolha dos contos e do título para seu livro. Remédio forte é o contato com as experiências humanas que nos tornam melhores ou piores dependendo de nossas escolhas na vida. Para mim, foi um remédio que além de me ajudar a passar o tempo ocioso diante de minha perna machucada, ajudou a tratar algumas feridas interiores fazendo-me refletir sobre algumas questões humanas.
Remédio Forte, esse eu altamente recomendo!


Livro: Remédio forte
Autor: Gláuber Soares
Editora: Terracota
113 p.

Sessão de terapia - meu ponto de vista

Feriado prolongado, pensei em fazer uma viagem aqui próximo mesmo mas, um tombo em casa me impediu de concretizar tal viagem. Saldo ruim: dor no tornozelo e joelho. Saldo positivo: descanso forçado onde coloquei minhas horas de sono em dia e minhas leituras também. Televisão pra mim nessa época é um tédio então só mesmo a leitura pra me fazer viajar de forma diferente e mais livre.
Já estava lendo o livro Sessão de Terapia, de Jaqueline Vargas há... acreditem, 4 meses!
Vocês podem pensar: "Hum! Para demorar tanto assim deve ser um livro bem chato né?"
No que respondo: Não! Muito pelo contrário. É um livro para ler aos poucos. Bem aos poucos. Lendo um capítulo, refletindo sobre ele. Fazendo uma terapia através dele. E foi o que fiz esse tempo todo.
Baseado na série de TV da GNT, estrelado por ZéCarlos Machado no papel do terapeuta Theo Cecatto, um homem que, aos 56 anos entra em uma dupla crise: profissional e familiar.
O desenrolar da história mostrando Theo em seu consultório atendendo os diversos pacientes, cada um com seu histórico, Theo na posição de paciente sendo atendido por Dora Aguiar, sua supervisora e terapeuta no passado, sua vida familiar ao lado da esposa e filhos.
Conheci essa história ao assistir o primeiro capítulo da série quando estive um final de semana na casa de meu irmão. Adorei! A brilhante atuação dos atores é algo que prende a atenção.
Ao chegar o livro à biblioteca onde trabalho pensei: serei a primeira a ler esse livro. Não me arrependi!
A autora, Jaqueline Vargas, é a responsável pela adaptação e redação final das duas temporadas da série e nos brinda com um texto enxuto, ágil e dinâmico. As temáticas trabalhadas no consultório de Theo nos leva, enquanto leitor, a pensar e refletir bastante sobre nossas próprias neuras, conflitos, dificuldades de relacionamentos e por isso mesmo, torna-se uma leitura valiosa e mais do que uma simples literatura.

Uma das tantas frases do livro que me levou a pensar. Bateu direto em uma de minhas tantas fraquezas:

"Breno mal saíra e já me lembrava dele, de sua definição sobre mim: eu tinha medo de ser fraco, ou melhor, de aparentar fraqueza. Era verdade, eu gostava de pensar que meus pacientes e também meus filhos viam em mim um modelo impecável. No entanto, esse tipo de modelo não existia. Eu vinha sendo fraco, tão inábil e debilitado que me tinha afastado deles para que não percebessem, como se o meu isolamento não transmitisse nenhuma mensagem." p.194

A sensação de incômodo muitas vezes gerados por algumas passagens me fez lembrar de quando li o livro de Irvin D. Yalom, Cada dia mais perto, que inclusive escrevi sobre ele aqui no blog. Igualmente foi uma leitura sofrida até mesmo porque, estava em crise também e o livro serviu de verdadeira terapia para mim.
Essa é uma das dicas de leitura que faço hoje à vocês. Vale e muito a pena: ler o livro e assistir a série que já se encontra a venda. Outro dia vi o box e em breve me darei de presente, hehe!

Sinopse: 


Este livro é o relato do diálogo interior de Theo Ceca tto, o já conhecido protagonista da série Sessão de Terapia, em um momento muito particular de sua vida. Tudo parece dar errado. No âmbito pessoal, seu casamento passa por uma crise e o relacionamento com a esposa está cada vez mais difícil. Do lado pro fissional, uma série de acontecimentos o leva a questionar sua atuação como psicólogo. A princípio, Theo pensa tratar-se apenas de uma fase da qual ele certamente conseguirá sair, mas a declaração apaixonada da paciente Júlia e a descoberta da infidelidade da esposa o arrastam para um intenso turbilhão emocional. Após oito anos afastado de qualquer tipo de aconselhamento ou terapia pessoal, as circunstâncias o levam a procurar a antiga mentora. O reencontro com Dora Aguiar é repleto de amargura e rancor, e o que deveria ser um momento de re flexão se transforma em mais uma guerra. Aos poucos Theo se dá conta de que suas certezas não passam de uma ilusão e de que as convicções de antes nada mais eram do que uma defesa para não aceitar a realidade do seu dia a dia. O desprezo pela esposa, a súbita paixão por Júlia, a inconsequente interferência no processo de seus pacientes, o distanciamento dos filhos e de si – todos esses fatos vão revelando, aos poucos, outras motivações, camadas mais e mais profundas de questões que Theo sempre tentou evitar. De repente ele se percebe sendo mais paciente do que seus pacientes e constata que, assim como eles, está apenas em busca do entendimento para poder se reencontrar. Nesta jornada, Theo acaba se surpreendendo com o que acredita, com o que sente e com quem realmente é. 
Livro: Sessão de terapia
Autor: Jaqueline Vargas
Editora: Arqueiro
280 p. il.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Taí! Esse livro me deixou muito feliz!


Até bem pouco tempo era analfabeta de literatura latina. Sim, confesso que nunca tinha lido nada de Gabriel Garcia Márquez, Mario Vargas Llosa, Borges, Cortázar e Cia. Mas aos poucos fui me permitindo conhecer, ver se gostava ou não, analisar a obra. Lembro-me do primeiro livro que li foi do Gabriel G. Márquez Crônica de uma morte anunciada. Simplesmente amei! Depois li Memórias de minhas putas tristes. Gostei demais!
Aí me empolguei e li O carteiro e o poeta, de Skármeta, depois O último leitor,de David Toscana. E vieram alguns livros de Mario Vargas Llosa iniciado por As travessuras da menina má que achei demais de bom. Adorei Segredos de menina, de Maitena Burundarena.
Toda essa introdução é para falar a vocês sobre minha última leitura: Livro de receitas para mulheres tristes, de Héctor Abad.


Autor colombiano, jornalista, editor e tradutor, Héctor conversa com o leitor como se estivesse na sala de estar ou num boteco bebericando algo e falando sobre sentimentos, perdas, desejos.
Textos curtos e sempre indicando uma receita infalível para cada mal que nos aflige. Gostei tanto desse livro, a começar pela capa e pelo título que pesquisei e vi que aqui, na biblioteca onde trabalho tem mais um título dele que já separei para ler: A ausência que seremos. Olha que outro título mais lindo!
Leitura altamente recomendável para todas as mulheres que gostam de uma boa leitura. Independente de ser uma mulher triste ou não. O autor aborda sentimentos inerentes a todo ser humano portanto, é leitura para homens também. Até mesmo para que se conheça melhor a natureza feminina.
É a dica do dia!



Sinopse: 

Héctor Abad nos revela neste seu Livro de receitas para mulheres tristes mais da sua sensibilidade humana e muito do seu talento literário, adotando gêneros desprezados, que nem literários são considerados, e os reinventando como boa literatura, sem lhes roubar a simplicidade. A ironia está presente em todas as páginas, mas nunca é corrosiva. Logo de saída, o autor anuncia que ninguém tem a receita da felicidade, para em seguida afirmar que em seu “largo trato com frutos e verduras, com ervas e raízes, com músculos e vísceras de diversos animais silvestres e domésticos” descobriu “alguns atalhos de consolação”. E como um bom sábio-bruxo, sempre pronto a sorrir de si mesmo enquanto aconselha, faz boas mágicas com as palavras. Fala num cálido sussurro, como que socorrendo uma irmã, convidando-a a refletir sem alarde, com conselhos simples, e a dar umas boas risadas com suas piadas de alto calão. E assim, quase não querendo, visita com esses atalhos os principais tópicos que mais preocuparam os filósofos do bem viver. Fala da angústia diante da finitude e da velhice, da imensa dor do luto, dos dilemas éticos nas relações amorosas. Mas também de questões mais comezinhas - e por vezes mais prementes -, como os incômodos da menstruação, a frigidez, o mau hálito, a constipação intestinal. Não há hierarquia, porém. Cada texto tem sua cor, sua filigrana, e juntos formam um precioso livro-caleidoscópio que dá pena de largar e vontade de reler sem fim, sob outra luz. O convite é claro e transparente: “leia este falacioso ensaio de feitiçaria: o encantamento, se valer, nada mais é que seu som - o que cura é o ar que as palavras emanam”. Feliz de quem o aceitar.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Quando a voz se cala


Estou preguiçosa esse ano hein? Mas hoje achei além da disposição, o tempo necessário para falar um pouco sobre o que ando lendo. Apesar da preguiça, tenho lido muito e o que tenho lido tem sido bom demais!
Hoje especialmente falo sobre um livro que na minha opinião, deveria ser leitura obrigatória em todas as escolas e discutido à exaustão devido ao tema abordado: bullying nas escolas.
Trabalhando no universo escolar desde 1991, convivo com pré-adolescentes e adolescentes e passei de certa forma a ser o ombro amigo, o ouvido para seus desabafos, seus conflitos, suas perdas, seus medos. Já vi praticamente de tudo ma sempre me surpreendo quando vejo um(a) jovem sofrendo calado sem conseguir botar pra fora o que lhes atormenta a alma.
Fale!, de Laurie Halse Anderson aborda de forma brilhante esse tema. A personagem principal Melinda vai iniciar sua trajetória no ensino médio e passa por uma grande prova de fogo durante o ano letivo.
Convidada para uma festa dos veteranos para celebrar o início das férias, Melinda acaba chamando a polícia e acaba com a alegria de todos. Houve um motivo para ter agido assim mas, vamos descobrindo bem aos poucos durante a leitura do livro.
Sendo hostilizada por todos inclusive os seus antigos amigos e colegas de classe, ela simplesmente se cala. Desenvolve uma vida interior para aguentar o peso das dificuldades diárias tanto em casa ao lado de seus pais que são totalmente ausentes de sua vida, cada um se preocupando com o próprio umbigo, quanto para aguentar as novas matérias e seus aloprados e esquisitos professores. Não é nada fácil!
Sendo tachada de "esquisita" por todos, a menina vai se fechando cada vez mais em si passando inclusive a desenvolver alguns tiques nervosos como por exemplo, morder seus lábios até sangrar.
Uma garota que até o ano passado havia sido cheia de vida, alegre, comunicativa, passa a apresentar uma aparência desleixada, descuidando de sua imagem parecendo até que, inconscientemente, busca se enfeiar, se castigar por algo.
A persona de Melinda é uma das coisas mais complexas e lindas que já vi na literatura. A autora foi extremamente feliz em seu romance de estréia. Soube com maestria desenvolver um personagem complexo, e um ambiente - no caso, uma escola - que a princípio deveria ser o melhor possível. No entanto, o ambiente escolar mostra ser um dos mais perversos para aqueles que não sabem se defender.
Aqui mesmo onde trabalho, já vi de um tudo. As diversas tribos como tão bem escreve a autora: os atletas e suas "garotas", os nerds, os "bonzinhos", os "vagabundos" e por aí vai. O meio pedagógico também é muito bem retratado mostrando professores sensíveis, professores impacientes e intolerantes, professores que viajam nas aulas e não ensinam absolutamente nada e professores que também sofrem Bullying dos próprios colegas.
Obra-prima vencedora de vários prêmios, é sem dúvida um livro que deve ser lido por todos: jovens, professores e pais para que possam compreender um pouco melhor o universo teen e seus conflitos para se estabelecer na sociedade rude em que vivemos.
Ah! Antes que me esqueça, soube através de uma outra blogueira que essa história virou filme com o título "O silêncio de Melinda", estrelado por Kristen Stewart. Vou pegar na locadora pra assistir. Fica aqui a dica de leitura. E também de filme para quem, assim como eu, não viu.


Sinopse:

“Fale sobre você... Queremos saber o que tem a dizer.” Desde o primeiro momento, quando começou a estudar no colégio Merryweather, Melinda sabia que isso não passava de uma mentira deslavada, uma típica farsa encenada para os calouros. Os poucos amigos que tinha, ela perdeu ou vai perder, acabou isolada e jogada para escanteio. O que não é de admirar, afinal, a garota ligou para a polícia, destruiu a tradicional festinha que os veteranos promovem para comemorar a chegada das férias e, de quebra, mandou vários colegas para a cadeia. E agora ninguém mais quer saber dela, nem ao menos lhe dirigem a palavra (insultos e deboches, sim) ou lhe dedicam alguns minutos de atenção, com duvidosas exceções. Com o passar dos dias, Melinda vai murchando como uma planta sem água e emudece. Está tão só e tão fragilizada que não tem mais forças para reagir. Finalmente encontra abrigo nas aulas de arte, e será por meio de seu projeto artístico que tentará retomar a vida e enfrentar seus demônios: o que, de fato, ocorreu naquela maldita festa? Um romance de estreia extraordinário; uma obra-prima vencedora (e finalista) de inúmeros prêmios sobre uma jovem que opta por calar em vez de dizer a verdade. Fale! encantou tanto leitores quanto educadores, alunos e professores. Um romance transformador, corajoso, capaz de fazer refletir sobre temas fundamentais -- porém espinhosos como o bullying -- do cotidiano dos adolescentes.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Quando por entre estantes e livros se descobre um mundo

Reta final de 2013 e terminei de ler um livro que não figurava na minha lista de futuras leituras mas que me chamou a atenção na livraria Cultura. Primeiro por sua bela capa onde mostra uma jovem entre estantes e inúmeros livros. Segundo pelo título que tem a ver comigo. E terceiro, pela temática da história que me instigou a curiosidade.
Quem me conhece sabe que leio de quase tudo nessa minha vida. Com raríssimas exceções(autoajuda por exemplo), procuro não ter preconceitos. Acho toda leitura válida e de tudo busco algo de positivo.
Sei que algumas pessoas vão torcer o nariz para o livro que li. Paciência. Acredito nos diversos estágios de leitura e muitas vezes necessito de algo mais leve, pura diversão mesmo do que me aprofundar numa literatura mais "cabeça".
Vamos direto ao livro: A Bibliotecária, de Logan Belle. Depois que comprei, li várias resenhas sobre o livro e vi que a maioria comparava esse livro ao 50 tons de cinza, de E. L. James.
Não concordo e explico. 50 tons até tinha tudo para ser uma boa história mas seus personagens são rasos, sem carisma algum. Principalmente aquela jovem recém formada em jornalismo que é a "Anta" em forma de gente. O gostosão nada mais era do que um robô do sexo. Belo, belo, belo e?... Não me cativou em nada!
Pelo menos nessa história, existe um pouco de consistência tanto nos personagens centrais - no caso, a bibliotecária Regina Finch e no seu partner Sebastian Barnes. Fora a bela Biblioteca Pública de Nova York que serve de painel de toda a trama vivida pelos dois. Descrição que me deu vontade de conhecer suas dependências e percorrer seus corredores. Ah! Fora o fato de colocar nós bibliotecárias como pessoas normais, saudáveis e com a sexualidade em dia e bem resolvida e não somente mulheres secas, áridas, sem graça e sem vida sexual como muito pensam e retratam a profissional. Gostei disso e não vejo em absoluto mal algum em a autora retratar a bibliotecária com vontades, tesões e desejos. Mas, é claro que a narrativa não é perfeita. Também não esperava isso então, terminei de ler o livro e não me senti decepcionada. É um bom livro para se ler despretensiosamente, curtir um pouco as cenas de sexo Bondage que diga-se de passagem, não escandaliza (talvez as mais puritanas, sei lá) e se divertir com uma boa história.
Agora, uma reclamação tenho a fazer e é com as editoras: nos últimos livros que tenho lido, tenho encontrado muitos erros de revisão. Não se empregam mais esse profissional nas editoras? O que acontece? Nesse livro mesmo encontrei por diversas vezes erros horríveis de revisão. Record, fique atenta a isso! Respeito aos escritores e aos leitores por favor!
Ah! em tempo: ainda me deliciei pois conheci um pouco mais sobre a Pin-Up Bettie Page que até então tinha somente alguma informação bem escassa sobre ela, sua importância e beleza. Valeu!!

Sinopse:
A jovem Regina Finch acaba de chegar a Manhattan para trabalhar na Biblioteca Pública de Nova York. Mas o que parecia ser a promessa de uma rotina tranquila em meio a clássicos da literatura logo se revela um irresistível jogo de sedução quando ela conhece o envolvente Sebastian Barnes, investidor da instituição e um dos homens mais cobiçados da cidade, que fica obcecado pela beleza da bibliotecária. A até então ingênua Regina se entrega a um crescente e selvagem desejo que parece consumi-la mais a cada dia, uma paixão que despertará na jovem sensações jamais imaginadas.
Ah! Em tempo 2: a editora Record classifica esse livro como ChickLit. Informação errada! É literatura erótica e adulta viu gente! Atenção 2 dona Record!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Replay - quem não gostaria de ter uma segunda chance?

A literatura francesa contemporânea tem ótimos autores. Alguns já mencionei por aqui como Martin Page com seu livro Talvez uma história de amor, Marie Darrieussecq com o ótimo e incômodo Porcarias, Emmanuel Carrère, esse ainda não li mas espero em breve conhecer seus livros. E, um autor que muito tem me agradado pela sua narrativa e temática é Marc Levy.
O primeiro livro que li dele me pegou de primeira: E se fosse verdade que também ficou ótimo na roupagem cinematográfica com Reese Witherspoon e Mark Ruffalo. Após essa leitura quis conhecer outros títulos dele e me encantei com Da próxima vez, em seguida li o maravilhoso Tudo aquilo que nunca foi dito. Após a leitura desse livro virei fã de carteirinha de Marc Levy. E hoje falo um pouco sobre esse último livro que li dele, Replay.

Sinopse:


Tudo que Andrew Stilman queria era uma segunda chance. Após partir o coração da mulher que amava, seu maior desejo era voltar no tempo e consertar os erros, mas isso é impossível – ou, ao menos, era o que ele pensava. Na manhã do dia 9 de julho de 2012, durante sua caminhada matinal às margens do Rio Hudson, o prestigioso repórter Andrew Stilman é violentamente atacado, sem conseguir ver o criminoso. Após sua morte, o inesperado acontece. O jornalista não vê uma luz no fim do túnel, nem muito menos abre os olhos no céu, mas acorda dois meses antes de seu assassinato. Quando acorda, Andrew está de volta ao dia 9 de maio do mesmo ano. Ele vai reviver os dois próximos meses atento a qualquer detalhe que possa ajudá-lo a descobrir quem o agrediu – ou melhor, irá agredi-lo – dois meses depois. Do coração de Nova York até as ruas de Buenos Aires, Andrew vive uma aventura repleta de reviravoltas, enquanto tenta salvar a própria pele e não decepcionar seu grande amor mais uma vez. O protagonista de Replay, best-seller de Marc Levy, além de consertar os erros que cometeu, terá de correr contra o tempo para tentar evitar sua morte e encontrar seus possíveis assassinos.

Desde o primeiro capítulo fui pega pela narrativa de Levy e fui acompanhando o personagem em sua busca pelo seu assassino até o último capítulo. O autor foi muito bom pois não conseguia descobrir quem poderia ter feito isso com Andrew. Personagens que convencem, são carismáticos, até mesmo o chato do colega de redação do jornal onde Andrew trabalha, Freddy Olson nos cativa no decorrer da história. Além do mais, quem não gostaria de ter uma segunda chance de consertar os erros que fez na vida? De pedir perdão aos que machucou, ofendeu? Sem dúvida Levy nos faz refletir sobre essas questões através dos personagens e suas histórias de vida. Enfim, terminei de ler e fiquei com gosto de quero mais. Vamos agora partir para outras histórias de monsieur Levy. Essa é a dica de leitura de hoje.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Esquecer o Natal. Alguém consegue?

Quem tem o vício da leitura costuma ficar em cólicas quando se vê sem livro nenhum para ler nas horas vagas. Costumo sempre carregar um livro para ler na condução e em minha hora de almoço. Semana passada me deparei com o esquecimento de um livro que estou lendo bem na hora de meu almoço.
Cocei a cabeça, pensei... "Ah! Vou dar uma olhada em meu armário pois tenho vários livros que ganhei".
Foi com esse pensamento que fui vasculhar o armário e entre inúmeros livros que tenho, bati os olhos em um que já ganhei há uns anos e estava lá, quietinho aguardando sua vez de ser notado.
Olhei sua capa, li quem era o autor, li a sinopse, conferi quantas páginas tinha (pequeno). Levei-o para um passeio pelo parque após almoçar.
Comecei a leitura de forma despretensiosa, sem esperar muito dele e foi então que comecei a me surpreender.
Em poucas páginas lidas já fui me identificando com várias situações que, acredito, seja comum a todos - ou quase todos - enfrentar o estresse que toma conta da gente no período que precede o Natal.
Acredito que não tenha uma única pessoa que já não tenha pensado em "pular" o Natal. Fugir de toda essa correria de compras, gastos, visitas, pagamentos de serviços prestados o ano inteiro (lixeiro, correio, bombeiros, seguranças de rua etc) que religiosamente batem à sua porta pedindo sua contribuição para a cesta de Natal deles.
Eu particularmente reconheço o trabalho de todos mas confesso que às vésperas dessa data meu saco já está arriado e tenho vontade de piscar e acordar só depois do dia 01.
O livro que li fala justamente disso. Um casal decide passar o Natal num cruzeiro em uma ilha ensolarada curtindo simplesmente o calor, praia e paz, muita paz. Mas não vai ser tão fácil assim como a princípio parecia. As pessoas não se conformam com a decisão deles e tentam de todas as formas sabotar essa viagem. Alguns confessarão uma baita inveja por eles abandonarem toda essa correria de final de ano e se isolarem numa ilha paradisíaca. Outros não se conformarão achando que isso chega a ser uma heresia afinal, onde já se viu boicotar o Natal? Essa data tão festiva e tão religiosa e tão...tão...Tradicional! Absurdo! Eles devem estar loucos!

Sinopse:

O livro conta a história de Nora e Luther Krunk, que planejam fazer um cruzeiro pelo Caribe para fugir do Natal. Escândalo e pasmo gerais, pois moram num bairro chique, onde todo mundo festeja o Natal com todo o brilho que tem a maior festa cristã. Nada de árvores, estresse de shopping lotado, despesas sem controle, cartões com mensagens de paz e felicidade. No lugar da festa, do panetone, do peru ou das luzinhas piscando no quintal, o plano é fazer um cruzeiro ao Caribe e desprezar qualquer emoção natalina que ponha tudo a perder. John Grisham provoca boas gargalhadas no leitor com esta hilariante fábula de Natal para os tempos modernos.

Dei muitas gargalhadas lendo as peripécias de Luther para se desvencilhar de vizinhos abelhudos e patrulheiros da vida alheia. Eu mesma já pensei inúmeras vezes em sumir da cidade nesse período natalino e deixar para trás listas de presentes, filas intermitentes, estresse generalizado em supermercados e shoppings. Mas cadê a coragem de estragar a festa dos outros? Não é mesmo? E assim a gente vai engolindo a seco e passando mais um Natal em família e em comunidade.
Gente, é diversão garantida a leitura desse livro. E uma reflexão também sobre essa correria toda e seus valores. Vem conferir!

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Duas aventuras de tirar o fôlego

Hoje vou falar um pouco sobre um livro que li e gostei muito. Retificando: vou falar de dois mas a história é basicamente a mesma. Explico.
Todos devem conhecer, ter lido ou já ouvido falar da obra de Gaston Leroux O fantasma da ópera. Obra que publicada pela primeira vez em 1910, mais tarde recebeu uma roupagem musical pelas mãos de Andrew Loyd Webber  que fez e ainda faz sucesso no mundo todo.
Conta a história de Erik, o fantasma, que vive no subsolo do Teatro de Ópera onde Cristine Daaé, a jovem e inexperiente bailarina (que mais tarde será cantora), será o alvo de sua paixão proibida. Considerado por muitos como um romance gótico, Leroux nos leva a uma aventura pelos subterrâneos do teatro e nos comove o tempo inteiro.
Simplesmente amo essa história! Tem todos os ingredientes para uma narrativa bem desenvolvida. Tem romance, aventura, suspense. 
É um livro para se pegar e grudar os olhos e só terminar ao finalizar a última palavra do livro.

O outro livro que vou comentar, chama-se O fantasma de Manhattan, de Frederick Forsyth. Escrito como forma de continuação do Fantasma da Ópera, Forsyth famoso por escrever romances de ação e espionagem, conseguiu aqui dar uma sequência lógica e possível. Com certeza Leroux iria gostar dessa continuação. A história se passa em Nova York, ano de 1902.

Sinopse: 
Após desaparecer nas catacumbas parisienses, o Fantasma ressurge nos Estados Unidos. Sob uma identidade inesperada e muito poderosa, novamente seus instintos sombrios afloram em um livro tão bom quanto o original.

Gente! Li esse livro devorando cada frase, casa situação e cada suspense colocado de forma magistral por Forsyth. Arrasou e transformou essa história num grande clássico do horror.
Recomendo aqui que leiam os dois. Tenho certeza que irão gostar tanto quanto eu gostei. Diversão garantida!

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Segredos de menina - eu tive os meus e você?


Como é bom quando terminamos de ler um livro e automaticamente um sorriso se esboça em nossa face!
Acabei de ler o primeiro romance escrito pela cartunista argentina Maitena Burundarena ou simplesmente Maitena, como ficou conhecida desde que escreveu a série Mulheres alteradas.
Já conhecia essa série e me diverti muito lendo eles. E conheci um outro lado da cartunista através desse romance que narra a vida de uma garota de doze anos e sua relação familiar e escolar.
Como se expressou a autora Rosa Montero, "...Com amor e humor Maitena narra a angústia sem angustiar, o excepcional como se fosse normal, em um tom comovente, hilariante, corrosivo e certeiro."
 E concordo com ela. Durante a leitura me peguei dando boas risadas no metrô, no ônibus pois as situações em que a garota protagonista se mete nas maiores enrascadas são bem engraçadas. Mas também me comovi muitas vezes com situações que me lembraram as que vivi em minha pré-adolescência.
Com nuances autobiográficas, Maitena nos leva a uma viagem deliciosa ao lado dessa garota, sua família, seus amigos e consegue nos fazer acompanhar as alegrias, angústias, descobertas de uma menina fazendo sua dolorida passagem para a vida adulta.
Fica aqui a minha dica de leitura.
Sinopse:
Ao mesmo tempo que descobre o mundo, a protagonista de 'Segredos de Menina' descobre a si mesma. Com doze anos, filha de uma família católica numerosa e de direita, vive num bairro de classe média e mudou de colégio quatro vezes em sete anos - e acha difícil que exista um mais chato que o atual. A única coisa que faz sentido em sua vida é ficar o dia todo na rua com os amigos. Enquanto o tempo passa, e ela não é mais tão menina, seguimos seus passos pela movimentada Buenos Aires dos anos setenta, entre a morte de Perón e a Copa do Mundo. A mãe depressiva, o pai ausente, as brigas entre os irmãos, o internato, a primeira vez, a experiência com alucinógenos - tudo vai desenhando o perfil dessa adolescente que se exila por vontade própria de seu colégio, de sua família e até de si mesma.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Mergulhei nesse oceano e cheguei ao final do caminho


Emocionante! Foi a palavra que me veio à cabeça assim que terminei o último capítulo do novo livro do autor britânico Neil Gaiman, O Oceano no Fim do Caminho. Sendo fã desse autor desde que li pela primeira vez Sandman, e de lá para cá só alegria e muita emoção ao ler seus livros: Os filhos de Anansi, Belas maldições, Stardust, Coraline.

Quando soube de seu mais recente lançamento, não via a hora do livro chegar à biblioteca. Queria ser a primeira a ler. E fui. E amei! E vibrei! E sofri todas as agruras do personagem principal. Isso é o que chamo de boa, brava, estupenda literatura. A que nos pega pelas mãos e nos proporciona aventuras jamais vividas no mundo real. E que mesmo no mundo da fantasia nos obriga a reflexões profundas sobre nosso ser, nossa conduta, nossa existência. Não falarei mais para não estragar a leitura. Só digo que mais uma vez, Gaiman me surpreendeu e me fez muito feliz. É a dica de leitura de hoje.


Sinopse: 
Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino. Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Solo. Um mergulho intenso na história da MPB através da ótica de Cesar Camargo Mariano

O prazer de uma boa leitura, de acompanhar um bom enredo, com narrativa que te seduza, saber de vidas que você até conheceu superficialmente através das mídias. Essa confissão consentida que o autor que se autobiografa nos faz sentir próximos dele e de sua vida. Por essas e outras que gosto de ler biografias. E essa que já aguardava ler há algum tempo me fez viajar por um Brasil que não conheci, num período em que pessoas talentosas envolvidas com as artes no geral - em especial a música - se envolviam por amor e não pelos cinco minutos de exposição e celebridade como é tão comum hoje.
Através do livro Solo: memórias, de Cesar Camargo Mariano, pude conhecer mais a fundo o que já tinha certo conhecimento ao ler a outra biografada que teve uma ligação estreita com ele, Elis Regina. Mas, ao contrário do livro Furacão Elis, de Regina Echeverria, nesse livro de Cesar, tive momentos de leitura em que tive a nítida impressão que o próprio estava sentado à minha frente tomando uma dose de Whisky em plena Baiuca, e tranquila e sem pressa, me contava sua vida de músico desde sua entrada precoce no cenário musical até os dias atuais. Vivi através da leitura, momentos importantíssimos de nosso panorama musical e pude ter o privilégio de conhecer e saber um pouquinho mais sobre figuras ilustres da noite carioca e paulistana.
Saber como surgiu a ideia e a realização com todos os seus percalços do famoso e inesquecível Falso Brilhante, ficar a par das inúmeras dificuldades e da insegurança para se realizar um sonho quase impossível de gravar um disco de Elis e Tom Jobim e depois saber o passo a passo da gravação até chegar a reta final desse trabalho que hoje é considerado um dos melhores e mais bonito do mundo, não tem preço!

Sou fã assumida de toda essa família: Cesar, Elis e Filhos que hoje continuam a disseminar o talento herdado: Pedro Mariano e Maria Rita.
Cresci ouvindo Elis e curtindo sua obra. Senti imensamente sua partida antes mesmo de eu debutar em shows. Lamento até hoje. Na década de noventa conheci por acaso seu filho Pedro, até então um desconhecido de todos e me encantei com sua bela voz e Swing no palco. Tive o privilégio de assistir ao show de Cesar acompanhado do excelente guitarrista e violonista Romero Lubambo no Sesc Vila Mariana e me apaixonei pela música instrumental que até então, conhecia bem pouco.
Enfim, poderia ficar aqui desfiando muita coisa que li, constatei, conheci, relembrei como por exemplo, a homenagem que seus filhos fizeram em pleno palco quando fez sessenta anos. Estava presente nesse show e ler essa passagem me remeteu a essa noite memorável e emocionante. Foi linda demais!!
Espero que minhas divagações acerca desse livro tenha despertado em vocês a vontade de ler. Vale e muito a pena e você termina o livro se sentindo amiga íntima desse nosso grande maestro, arranjador e músico do mais alto quilate. Cesar, obrigada por nos abrir suas portas e janelas e nos convidar a entrar! Fechei o livro e já sinto saudades. 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Livros que me acompanharam nas férias

Na postagem anterior falei de minhas férias e dos passeios que fiz. Sempre que viajo carrego comigo alguns livros para me distrair na viagem. Dessa vez não foi diferente. Por indicação de meu amigo que viajou para o Rio comigo, comprei o livro Delta de Vênus, de Anaïs Nin, da editora L&PM. É interessante. Sempre tive vontade de ler sua obra mas sempre adiava. Acho que chegou a hora, comprei e levei comigo.
Discípula das descobertas freudianas, a autora aplicou nesses textos a delicadeza de estilo que lhe era característica e a pungência sexual que experimentou na sua própria vida. Em seus contos, inúmeras prostitutas, jovens curiosas, mulheres maduras que decidem se libertar e buscam aventuras sexuais, homens que têm desejos dos mais bizarros se esbarram numa Paris efervescente mas que já dá mostra de uma certa decadência.
Gostei muito da narrativa de Anaïs Nin. Delicada, algumas vezes poética, feminina mas que descreve muito bem as cenas eróticas sem cair na vulgaridade. Está certo que não é uma leitura para qualquer leitor. Se você for de mente fechada e tiver certo conservadorismo com relação a cenas de sexo, pode esquecer essa autora. Agora, se for um leitor(a) de mente aberta e gostar de ler e adentrar o universo sexual que, vamos combinar, faz parte da natureza humana, aí sim você terá uma leitura prazerosa, de bom gosto e muito bem escrita.
Alguns contos são bem curtos, outros se arrastam um pouco e trazem muitos personagens. Algumas vezes confesso que me cansei um pouco mas, fazendo um balanço geral do livro, gostei bastante. Para quem achou 50 tons de cinza tudo de bom, recomendo ler essa autora para conhecer de fato uma ótima literatura erótica.
Outro livro que comprei no aeroporto de Natal enquanto aguardava o voo de retorno e que me surpreendeu bastante foi As mulheres de terça-feira, da escritora alemã Monika Peetz, editora Casa da Palavra.
O livro já me agradou pela capa e ao ler a sinopse, me ganhou de vez.
A história fala sobre uma emocionante viagem de transformação e amizade pelo caminho de Santiago.

Sinopse: Judith encontra o diário de seu falecido marido sobre uma peregrinação inacabada a Santiago de Compostela. Ela e as quatro amigas se unem para completar a jornada – sem saber o que as espera. O guia de viagem prometia: “A cada passo, uma resposta.” Mas o que aconteceu com as amigas foi o oposto: novas dúvidas surgiam conforme cumpriam o percurso, fazendo-as se ques­tionarem sobre a vida que levam e as escolhas que fizeram. Kiki, Judith, Estelle, Eva e Caroline se despediram de suas ro­tinas e famílias para se depararem com um caminho livre, um horizonte amplo e um cenário deslumbrante. Algumas bolhas nos pés, muitas horas para refletir sobre si mesmas e aventuras no decorrer do caminho serão responsáveis por trazer a paz de espírito de que precisavam – e fazer com que tomem as decisões que elas nunca tiveram coragem de tomar. Li esse livro numa tacada só sem perder o fôlego e me envolvi com as personagens e seus conflitos de uma forma intensa. Ri e chorei junto delas e saí da leitura com um sentimento muito bom no peito. É dessas leituras que marcam presença e você se apega e se apaixona pelas mulheres da história. Amei! fica aqui mais uma excelente dica de leitura.

terça-feira, 9 de julho de 2013

A busca por nós mesmos


Feriado é bom para descansar em todos os aspectos: sair da rotina, fazer coisas diferentes e ler. Foi exatamente isso que fiz desde sábado quando decidi passar alguns dias na casa de meu irmão. Na viagem de ida já iniciei a leitura de um livro que escolhi entre tantos. Ainda em casa, antes de sair, olhei para meus dois livros começados e resolvi que não levaria nenhum deles pois eram grandes e seria um tanto chato para carregar. Foi onde procurei entre tantos que tenho aqui na estante e optei por um fino que tem me atraído para leitura há um certo tempo: A chave de casa, de Tatiana Salem Levy.
Desde que foi lançado em 2007, chamou-me a atenção mas como sempre tive outros na frente para ler, esse foi ficando na lista de espera. Até que sua vez chegou e simplesmente me deliciei com sua leitura!
Devo dizer desde já que não é uma leitura convencional e, para aqueles que gostam ou estão acostumados a livros "começo, meio e fim", esse não irá agradar. Explico: Tatiana ousou em seu primeiro romance, uma linguagem diferenciada do convencional. Sem dúvida ela correu um certo risco de pôr seu projeto a perder mas como boa jogadora arriscou e acertou na mosca.
Escrito por várias vozes: a narradora, a mãe, o avô. São várias histórias que se desenvolvem partindo ora no passado, ora no presente e algumas vezes nos deixando em dúvida sobre o real e o imaginário da narradora.
Capítulos curtos, concisos, nos pega pelas mãos e nos leva para as ruas de Estambul para a busca e origens de sua família que vieram de tão longe para fixar moradia no Rio de Janeiro. Essa busca da personagem pelo passado de seu avô que se simboliza através da chave da casa que ele lhe deu, também nos faz refletir sobre nosso passado, a vida de nossos descendentes e a nossa própria vida.
Como sou apaixonada por histórias onde as relações humanas são o condutor da narrativa, sem dúvida que fiquei encantada com esse romance.Essa é minha dica de leitura de hoje.

Sinopse:
Passando por temas como a morte da mãe, a relação com um homem violento, viagem, raízes, herança, entre outros, a autora procura tecer um romance de vozes diversas. Neta de judeus da Turquia e filha de comunistas do Brasil, a narradora recebe do avô a chave que abriria a porta da casa de Esmirna, para onde os avós fugiram durante a Inquisição.

Título: A chave de casa
Autora: Tatiana Salem Levy
Editora: Record
Ano: 2007

quarta-feira, 5 de junho de 2013

A um passo de meio século

Em breve entrarei para o time das "Cinquentinhas". Isso já tem mexido comigo há pelo menos uns três anos. Pode parecer exagero? Pode ser que sim, pode ser que não. O fato é que passei ilesa pela crise dos vinte, dos trinta e dos quarenta. Mas os cinquenta, confesso que pegou forte. O fato de estar prestes a completar meio século de vida (estão me entendendo?) fez borbulhar uma série de questionamentos que até então tinham passado em branco.
A começar pelo físico que por mais que nos cuidemos, o tempo é inexorável! A genética idem! Não posso me queixar não. Fisicamente estou muito bem. O rosto já mostra as marcas do tempo sinalizando pés de galinha que antes não existia, manchas senis que insistem em se materializar, o famoso bigode chinês que pouco a pouco vai se fincando sem dó nem piedade, olheiras que insistem em me fazer companhia.
Ah! isso sem falar no cabelo que já está praticamente cem por cento branco. Eu é que ainda não tive coragem de assumi-los.Tenho algumas conhecidas que deixaram de se escravizar pelas tinturas. Confesso que tenho a maior admiração pela atitude delas. Mas ainda não me sinto preparada para tal passo. Não sou do tipo "coroa metida a ninfetinha" mas por ter um espírito jovial me visto informalmente. Gosto de um bom jeans, camiseta e tênis. Mas também adoro botar um vestido bem bonito e explorar toda minha feminilidade.
Voltando ao fator "envelhecer", ou se preferirem, amadurecer, percebi que de uns anos pra cá fui ficando de espírito rígido. Logo eu, que sempre tive horror a me tornar uma pessoa amarga diante da vida. De uma hora para outra me vi sendo cópia dessas pessoas de meu passado que tanto me horrorizavam. Parei com tudo! E entrei numa fase de questionar e botar na balança minha vida. E as tais perguntas passaram a pulular me minha cabeça já tão confusa:
"O que fiz de minha vida? O que conquistei em minha vida? Não casei, não plantei árvores, não tive filhos e ainda não escrevi um livro. Tô fodida e mal paga! Estou prestes a completar 50 anos e não tenho ninguém."
PQP piração total! Minha vida virou de cabeça pra baixo ao ponto de procurar ajuda terapêutica senão pirava de vez!
E tenho feito um balanço geral de tudo desde meu nascimento. Além da ajuda da psicanálise que tem me feito muito bem, como leitora voraz que sou, fui em busca de alguns livros que abordem a maturidade e como lidar com ela. Encontrei alguns ótimos que abordam a temática de forma bem legal.
Um que estou com a leitura bem adiantada  é O melhor momento: aproveitando ao máximo toda a sua vida, de Jane Fonda. 
Sinopse: com base nas mais recentes pesquisas científicas e em histórias de vida - incluindo a sua - , Fonda trata de questões relativas a sexo, amor, sociabilidade, espiritualidade, alimentação, atividade física e autoconhecimento na maturidade, mostrando como a fase de transição dos 45 aos 50 anos e, principalmente dos 60 em diante pode ser aquela em que realmente nos tornamos as pessoas ativas, afetuosas e plenas que sempre deveríamos ter sido.
Se espantou com quem escreveu? Eu também! Mas olha, estou adorando cada página desse livro dela.
O balanço que ela faz de sua vida, as crises, as neuroses que a acompanharam por toda sua existência e que ela buscou investigar justamente para ter uma terceira etapa de sua vida com qualidade. E é isso que quero para a minha vida. 

Outro livro que achei bem interessante é A arte de ser leve, de Leila Ferreira. 
Sinopse: Gentileza, bom humor, desaceleração e felicidade são alguns dos temas discutidos de forma inteligente e divertida por Leila Ferreira. ...O livro aponta para o perigo de emagrecermos o corpo, mas ficarmos com obesidade mórbida do espírito. Achei o máximo essa última frase!




E um outro que já está na minha lista de leitura sobre a temática é A arte de envelhecer, de Sherwin B. Nuland.
Sinopse: Médico a quatro décadas, o Dr. Nuland examina o impacto do passar dos anos na mente e no corpo, nas ambições e nos relacionamentos. Unindo a paixão de um cientista pela verdade ao entendimento de um humanista sobre o coração e a alma, o doutor ensina que a velhice não é uma doença, e sim uma arte.


Ainda falarei muito sobre esse tema por aqui mas por hora, deixo essas dicas de leitura. Não é somente para quem já é idoso ou para quem como eu, está prestes a botar os pés nessa fase da vida. São leituras agradáveis que nos orientam para uma qualidade de vida melhor.

domingo, 10 de março de 2013

As primeiras luzes da manhã - um carinho na alma!


Uma situação vivida por muitas e porque não dizer por todas as mulheres casadas há um certo tempo. A rotina que se estabelece entre o casal, a vida corrida e seus inúmeros compromissos. A acomodação dos sentimentos que levam tantas pessoas, e nisso falo não somente da condição feminina, mas do homem também, a ficarem insatisfeitos com suas vidas.
O livro As primeiras luzes da manhã, do autor italiano Fabio Volo trata dessa temática. Tendo como personagem principal que conduz toda a trama, uma mulher, o autor consegue traduzir de forma espetacular a alma feminina. Suas fantasias, seus medos, suas frustrações, seus sonhos de menina que pouco a pouco vão abaixo por conta de uma vida a dois extremamente solitária.
Elena, uma mulher próxima dos quarenta anos, casada com Paolo, um homem pacato, apagado, calado. Profissional, vive uma vida cheia de acontecimentos na empresa, mas que ao chegar em sua casa, entendia-se profundamente com a falta de diálogo, falta de companheirismo, falta de tesão entre ela e seu marido. Duas vidas que se desbotaram pelo tempo e que hoje, tal convivência passa a sufocá-la.
Num diálogo interno,o livro vai montando um quebra-cabeça através de capítulos curtos que representam as páginas desse diário e o dia a dia da mulher que chega a um tal ponto de insatisfação que a leva a sair de sua paralisia diante da vida e sai em busca de si própria e seu autoconhecimento emocional.
É interessante como alguns livros não te chamam a atenção de imediato. É o caso desse. Com uma capa que passa desapercebida, em outras ocasiões nem prestei maiores atenções nele.

No entanto, lendo um artigo sobre esse escritor na revista Comunità Italiana, fiquei curiosa em conhecer sua obra. Considerado atualmente como um dos melhores escritores italianos, Fabio, além de escrever, é ator, diretor de TV e de rádio. A leitura é envolvente e acabei lendo ele no intervalo que levo de manhã para o trabalho e ao retornar para casa a noite. Em outras palavras, é impossível largar! Ah! E tem mais: já que estamos na onda de literatura erótica, esse aqui dá de 10 a 0 na trilogia 50 tons de cinza. É um erotismo de bom gosto, muito bem escrito e verossímil. É minha dica de leitura!