sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Meme Literário de um mês 2011 - Dia 7


Você costuma emprestar ou pegar livros emprestados?

Desde que comecei a trabalhar em biblioteca - e isso já vai pra...caramba! 20 anos?!! - que quase não compro mais livros. Tenho o privilégio de escolher títulos para fazer parte do acervo e, o melhor de tudo, leio em primeira mão! Tem coisa mais gostosa? Pegar o livro novinho cheirando a recém saído da prensa e manusear as páginas virgens de toques. Ser a primeira a desvendar aquele universo de histórias e personagens. As vezes, como agora, bate até uma certa ansiedade por ver tantos títulos chegando e saber que não será a primeira a ler afinal, não dá pra ler tudo de uma vez.
Agora, quanto a emprestar livros meus aos outros, depois de muito prejuízo por nunca mais ver o livro emprestado ou receber de volta mas todo sujo, detonado, rabiscado, só empresto se confiar e conhecer a relação da pessoa com livros. Ou em último caso, leio e dou o livro pra pessoa. Assim fico menos estressada.

Disse agora, porque todo ano fazemos no colégio uma feira do livro onde comparece várias editoras. E no final da feira, fechado e calculado o quanto se vendeu, tiramos uma porcentagem em livros para a biblioteca. E no penúltimo dia fui até a feira e só fui pegando livros e colocando numa caixa que seria enviada pra biblioteca. E escolhi títulos tão legais! Puxa vida como é bom fazer isso!
Esse texto faz parte da blogagem promovida pelo blog Happy Batatinha

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Vai-se o homem. Cria-se a lenda


Sei que no dia de hoje e por um bom tempo muito se falará sobre essa pessoa que nos deixou ontem. Coincidência ou não, justamente ontem a tarde estava aqui na minha mesa de trabalho catalogando dois novos livros que farão parte do nosso acervo e esses dois livros eram justamente sobre ele, Steve Jobs. Ambos escrito por Carmine Gallo: A arte de Steve Jobs e Faça como Steve Jobs, da editora Lua de Papel. No livro Faça como Steve Jobs, o autor nos fala sobre como Jobs se comunicava e como eram suas apresentações no qual ele conseguia transformar uma apresentação em experiências teatrais. Já no livro A arte de Steve Jobs, Gallo (o autor) nos mostra os princípios revolucionários de Jobs que fizeram dele, um líder nato que agradou a muitos mas que também despertou o ódio em tantos outros. De qualquer maneira, o que quero expressar aqui, é que não importa o quanto de defeitos o ser humano Jobs tinha e o quanto ele incomodou com seu jeito agressivo de ser. O que fica após sua morte, é a lenda e sua história que querendo ou não, mudou o cenário mundial no quesito tecnológico e na postura profissional de muitos.

Meme Literário de um mês 2011 - Dia 6


Quem (ou o quê) te inspirou amor por livros?
Conte como foi

É até difícil definir quando ou quem me inspirou o amor pelos livros. Isso é tão remoto mas vamos tentar lembrar. Talvez o primeiro incentivador da leitura tenha sido meu pai. Mesmo sendo ele um simples pedreiro e com seus parcos estudos até a terceira série do antigo primário. Mas mesmo tendo tão pouco estudo, papai gostava muito de ler gibis e sempre que dava, trazia um pra casa e após o jantar, sentava conosco e lia umas histórias pra nosso deleite. naquela época não tínhamos ainda televisão (que benção foi para nós) e assim,nosso passa-tempo era a leitura e contação de histórias ou "causos". Papai era ótimo contador e sempre tinha uma história engraçada de sua infância para relatar. Meus avós também eram ótimos nisso. Já crescida, tive um professor no cursinho que era um amante da literatura brasileira e sua paixão me contagiou. Foi através dele que conheci as obras de Lygia Fagundes Telles e Fernando Sabino. Ao começar a trabalhar numa biblioteca escolar, tive o privilégio de conhecer uma profissional vista por muitos como uma verdadeira megera pois ela era bem rígida. No entanto, foi através dela que despertei de vez para o gosto pela leitura. Ela era extremamente culta e sempre nos finais de tarde dava uma pausa em suas tarefas diárias e vinha conversar com a equipe. Nessas conversas ela sempre falava sobre os escritores que gostava e dos livros prediletos e sempre dizia que nós, bibliotecárias não podíamos deixar de conhecer tais obras. Ítalo Calvino, Saramago, Noah Gordon, James Joyce, Virgínia Wolf,e também os escritores brasileiros que ela tanto amava: Machado de Assis, Josué Montello, Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade entre outros. Esses foram meus mestres e só tenho a agradecer por tudo o que recebi pois hoje além da leitura ser parte de minha vida profissional, ela também é parte fundamental de meu lazer. Tornei-me um ser humano melhor.

Essa postagem faz parte do Meme Literário promovido pelo blog Happy Batatinha

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Meme Literário de um mês 2011 - Dia 5


Você costuma abandonar a leitura de um livro?

(Você está no meio da leitura de um livro, só que está odiando. É chato, sem graça, mal escrito… O que faz? Larga-o na mesma hora ou persiste até o final?)

Quem já não o fez que atire a primeira pedra (risos). Pois é pessoal. Eu também já deixei vários livros largados pelo caminho por não me prenderem a atenção, por achar a história chata, por não me identificar com a maneira da escrita do autor e por aí vai. Exemplos? Vários. Mas posso citar alguns. Na década de oitenta ouvia o pessoal falar demais de um certo autor que ainda não conhecia nada. Seu nome? Paulo Coelho. De tanto ouvir comentários sobre como seus livros eram legais, eram ótimos etc, fiquei curiosa em conhecer um livro dele. Ao chegar na Bienal daquele ano, vi uma movimentação enorme num estande de uma editora e curiosa, me aventurei a saber quem era e lá estava o homem em carne e osso. Acabei por comprar o livro que ele lançava Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei.
Eu também chorei. E não foi de emoção não! Achei o livro chato e me desencantei com o autor. Nunca mais li nada dele. Não quero dizer com isso que não aprecie sua obra e sua importância para a literatura brasileira mas não faz meu estilo de leitura. Tenho diversas amigas que curtem demais seus livros e já tentaram de todas as formas me convencer a ler outros livros dele. Não dá. Não me animo. Outro que também tentei diversas vezes ler e não consegui chegar nem na metade do livro é José Saramago. E tem também o autor italiano Ítalo Calvino que tentei ler e não passei da página cem. As vezes ocorre que não é o momento para determinada leitura então desencano e uma outra hora, se sinto vontade, retomo e termino de ler aquele livro largado pelo caminho.
Esta postagem faz parte da blogagem coletiva promovida pelo blog Happy Batatinha

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Meme Literário de um mês 2011 - Dia 4

Onde você gosta de ler?
(No sofá? Na cama? No ônibus? O lugar onde você costuma ler é o lugar onde você gosta de ler?)

Da mesma forma que o Luciano, também participei recentemente de uma blogagem que abordou essa temática. Mas sem problemas em falar sobre isso. Sou viciada em leitura. Onde estiver e puder ler qualquer coisa, lá estou eu com meus olhinhos nervosos. Ando sempre com livros, então, o local onde mais leio é na condução. Quando venho para o trabalho e pego aquele engarrafamento, aproveito pra ler. Só que ultimamente tenho lido bem pouco pela manhã pois tenho tido muito sono. Aproveito então pra ouvir música e...dormir é claro! E como durmo!
Mas ao sair do colégio onde trabalho, costumo seguir a mesma rotina: colocar meu fone de ouvido, sintonizar num cantor ou grupo que gosto bastante e dá-lhe leitura. Em casa não consigo ler muito pois a casa é bem movimentada e sou sempre interrompida. Isso me irrita muito! Algumas vezes, quando consigo, leio pelo menos um capítulo na cama antes de dormir. Gosto de fazer um chá de cidreira, colocar na minha xícara preferida, me ajeitar na cama cobrindo-me com uma manta bem gostosa e iniciar minha leitura.
Ainda tenho um sonho de bolar um cantinho em minha casa que sirva somente para uma boa leitura. Vamos ver se consigo fazer isso futuramente.

Esse texto faz parte da blogagem coletiva promovida pelo blog Happy Batatinha.


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Rock in Rio - Uma reflexão

Confesso que apesar de gostar e muito de música e curtir demais ir a shows, mantive um certo distanciamento do Rock in Rio. No entanto, não dá pra ficar totalmente a parte desse fusuê todo que foi esse festival. Apesar de achar que de rock teve bem pouco, aceito a diversidade afinal, gosto é gosto é deve ter pra todos. No entanto, o que mais me chamou a atenção e me deixou um pouco decepcionada, foi a postura de determinados artistas que estavam mais preocupados em se expor pessoalmente (fazendo um marketing da pior espécie) do que mostrar talento pra música. Outra coisa que também me deixou pasma, foi a intolerância das pessoas umas com as outras. Sinais dos tempos?! O que anda acontecendo com as pessoas que não conseguem mais conviver sem se atacarem, não respeitando seu próximo? Sei que para muitos, minha atitude e postura pode até parecer coisa ultrapassada mas, vamos combinar: as redes sociais como facebook e twitter se transformaram em ring de ideias e posturas um tanto quanto radicais. Falta respeito, ética e dignidade. Basta obsevar o cenário e verificar os casos de Rafinha Bastos e Cia que anda confundindo alhos com bugalhos e pisando feio na bola. Não é por aí rapaziada! Podemos fazer graça sim mas partir pra ignorância e desrespeitar as pessoas nãó é fazer humor. Na minha velha e amarrotada cartilha isso ainda leva o nome de desrespeito. Vamos rever nossos conceitos! É isso!

Meme Literário de um mês 2011 - Dia 3


Você lê resenhas de livros?

Dando continuidade a blogagem, como parte de minhas funções de bibliotecária, estou sempre navegando por diversos sites e blogs que falam de livros e, claro que leio algumas resenhas. E através dessas resenhas, desperto-me para alguns títulos de livros que se não lesse, jamais me interessariam. Procuro também ler tais resenhas para se ter uma ideia do que o pessoal anda lendo e ver o que está sendo mais procurado. Como aqui na biblioteca também troco sempre impressões com os alunos leitores, fica mais fácil saber o que tem sido lançado,o que tem despertado interesse nas pessoas e quais leituras andam na moda.
Mas tenho algumas ressalvas com relação a essas resenhas afinal, gosto é gosto não se discute mas o que tenho observado, é que existe uma massificação do gênero literário e dificilmente vemos resenhas e discussões sobre outros gêneros e autores - principalmente nacionais. Existe um preconceito em relação aos autores e literatura nacional. E isso não é só impressão não! As pessoas embarcam nas "ondas" best sellers americanas e renegam a excelente literatura brasileira que trás grandes autores e grandes obras para serem degustadas e discutidas. Mas, talvez essa seja apenas a minha opinião pessoal e não desconsidero quem só leia literatura internacional. Pra mim, o importante é ler e absorver o que a leitura tem de melhor. mas seria bom se as pessoas diversificassem suas leituras um pouco. Isso enriquece e muito.

domingo, 2 de outubro de 2011

Meme Literário de um mês 2011 - Dia 2

Qual foi o último livro que leu e qual é o próximo livro que lerá? Fale um pouco sobre eles.
No semestre passado, fui a um lançamento de livro de um amigo de minha irmã na Livraria da Vila, da alameda Lorena. Como a bibliotecária que vive em mim nunca descansa, lá fui eu dar uma olhada nos livros em destaque. Anotei alguns títulos interessantes e entre eles, esse do qual vou falar um pouco.
O livro faz parte da série Estante Policiais Paulistanos da editora Global e se chama As cores do crime, do escritor e jornalista Pedro Cavalcanti.
Sinopse:
Com seu gosto por histórias que envolvem crimes, o autor, que já foi enviado especial em três guerras pela revista Veja, inicia o romance com a frase "Sempre acreditei que a desgraça, como as feras noturnas, só ataca de emboscada", que dá início à arrancada desta história policial passada no bairro da Vila Madalena, na capital de São Paulo. Na pior
hora da madrugada, o narrador recebe um telefonema de Elisa, com quem teve um caso mal resolvido e mal cicatrizado. "Bonitinha, mas ordinária", como toda mulher fatal que se preze, ela apresenta um pedido irrecusável: acompanhá-la na formalidade de reconhecimento do cadáver do marido. Quando se abre o gavetão refrigerado no Instituto Médico Legal, surge a primeira surpresa dessa trama, na qual um grupo de amigos afastados pela vida se reencontra em meio aos ingredientes do gênero, como dinheiro de origem suspeita, desaparecimentos, delegados indecifráveis, e alguns crimes ao vivo e em cores. Tudo isso alimentado por amizades sinceras e, é claro, uma dose insensata de paixão. Tratando-se da Vila Madalena, a mistura de personagens inclui desde mendigos e guardas de rua até frequentadores de padarias, bares de boemia e vernissages onde mecenas são assediados por picaretas e artistas fracassados. Quando entre eles surge um talento de verdade, as coisas começam realmente a se complicar.

Trecho do livro:

"Essa mania pelas cores da Mata Atlântica coincidiu com o meu caso com Elisa e até hoje não consigo separá-los muito bem. Disse o meu caso, mas seria talvez falar do nosso caso, pois todos os quatro caímos ao mesmo tempo na rede do seu encanto. Sobretudo eu e Albano, mas também Miguel e Danilo...

Qualquer um de nós que se aproximasse dela era imediatamente atraído pelo campo gravitacional de seu charme."

O enredo do livro achei bem interessante mas li até o final e terminei o livro com uma sensação de que faltou algo que de momento não soube entender o que. Mas depois, pensando melhor, vi que o que faltou para que a trama deslanchasse bem foi justamente as cores do conflito mais bem trabalhado. Afinal, uma boa história tem que ter um conflito bem desenvolvido. Caso contrário, fica uma coisa morna que não nos toca pra valer. Mas, de qualquer forma, é uma boa leitura. É só não esperar algo mais espetacular.

Próxima leitura:

Por motivos digamos pedagógicos, pretendo iniciar a leitura do livro
Era uma vez minha primeira vez, de Thalita Rebouças, editora Rocco.
Na biblioteca onde trabalho, ela é uma autora do momento, assim como a escritora norte-americana Meg Cabot. As queridinhas das meninas.
De tanto ver as alunas a procura dos livros dela, decidi dar de presente pra minha sobrinha que adora ler. Mas como a temática toca na primeira experiência sexual de uma jovem, decidi dar uma lida antes para ver se está tudo bem. Não pretendo aqui bancar a censora de leitura, muito pelo contrário, sou totalmente contra essa atitude. No entanto me acho no dever de ler e saber como é a história até mesmo para poder sugerir como leitura para outras adolescentes.

sábado, 1 de outubro de 2011

Hoje é dia de Meme Literário!


Que livro que você está lendo?

(Sobre o que é? Onde você está?Você está gostando?)


Conforme o combinado, hoje é dia do Meme Literário de um mês 2011 promovido pelo blog Happy Batatinha. Ando com minhas leituras um pouco lentas e também lendo vários ao mesmo tempo. De vez em quando tenho disso.
Estou lendo o livro O caso Laura, de André Vianco. O livro fala sobre a história de um detetive particular contratado para investigar os encontros que Laura mantém com um homem misterioso. Inicialmente, as gravações das conversas da protagonista com o estranho não revelam nada de espetacular; mas quando o investigador passa a seguir o enigmático sujeito, revelações conduzem a narrativa para o desfecho.

Trecho do livro:

"-Você sempre fez o tipo de pai moderninho. Minhas amigas são acreditavam quando eu contava os papos que a gente tinha. Quando eu contava das vezes que você me tirava do quarto, da frente do computador ou da TV e fazia eu me trocar ecolocar batom e tudo pra ir a uma festa ou baladinha, elas surtavam. Diziam para eu cuidar de você até o fim da minha vida porque pai assim não existe. "

Estou no capítulo 11, página 49. Não tenho ainda uma opinião formada sobre esse livro pois ainda li muito pouco. No entanto, sendo admiradora de André Vianco e já lido seus outros títulos, sei que também será uma boa leitura.

Outro livro que estou lendo, Cada dia mais perto, de Irvin D. Yalom com Gínny Elkin é um livro que leio de forma sofrida. Calma! Já explico: Amo esse autor! Já li seus outros títulos A cura e Schopenhauer, Mentiras no Divã e Quando Nietszche chorou. Sendo um psicanalista, Irvim explora esse universo psicanalítico em suas histórias. Adoro essa temática! Mas, não é uma leitura fácil não. Esse livro comecei a ler num momento muito difícil de minha vida literária. Passava por uma baita crise achando que não conseguiria mais escrever. Bloqueio total. O livro me chamou a atenção justamente por tratar dessa situação:
Ginny era uma jovem escritora criativa e talentosa que enfrentava um sério bloqueio para desenvolver seu trabalho, apresentando um comportamento atormentado e autodepressiativo e submisso. Irvim Dm Yalom, na epoca um jovem psiquiatra e psicoterapeuta apaixonado pela literatura, atendeu Ginny em troca dos registros de cada encontro.

Trecho do livro:

"Dr. Yalom - Para mim, esta foi uma das sessões menos complicadas e menos tangíveis que já tive com Ginny...Por algum tempo ela me falou sobre sua depressão, sobre seu desânimo, sobre o fato de a última sessão ter sido muito ruim e de eu tê-la pressionado a obter algum tipo de resposta que ela não sabia e não podia dar."

"Ginny - Antes de sair de casa, temi que não houvesse nada sobre o que conversar, mas depois pensei que, num passe de mágica, as coisas funcionariam sozinhas...Quando você perguntou sobre minhas metas, eu me dei conta de como me sinto afastada de qualquer interesse em mim mesma."

Estou na página 175 chegando ao desfecho da terapia da personagem e minha também pois confesso que estou fazendo da terapia de Ginny, a minha própria. Talvez por isso mesmo é que esteja tão doída a leitura. Leio, paro, reflito, analiso a situação dela e a minha e tocar em determinadas feridas não e fácil. Mas recomendo sua leitura a todos que se aventurarem a se autoanalisar assim como estou fazendo. É gratificante.

O outro livro que iniciei a leitura e - graças à Deus - é super leve, divertida e apaixonante, é o livro de Tony Bellotto, No buraco. Teo Zanquis é um ex-guitarrista de uma banda de rock brazuca de um único sucesso, há anos extinta, cujos discos só podem ser encontrados em sebos musicais do centrão - de São Paulo, no caso. Sozinho, entocado em sua quitinete ao lado de uma guitarra com as cordas enferrujadas, contando uns trocados que não lhe permitem muito mais do que a sobrevivência biológica, o ex-roqueiro relembra suas hilárias aventuras on the road nos anos 80 e busca nos braços de uma coreana linda, balconista de um daqueles sebos, um pouco de sexo e companhia para enfrentar esses tempos bicudos.

Trecho do livro:
" Se até hoje não posso ver uma mulher sorrindo para mim, imagine naquela epoca, com toda a testosterona saindo pelo ladrão. Ainda mais uma freirinha com cara de quem vai se matar no dia seguinte.
"Eu adoro rock!" - ela disse.
Confessei que nunca tinha visto uma freira que gostasse de rock. Ela afirmou que achava que era a única. E me corrigiu:
"Sou noviça, ainda. Posso tirar uma foto?"

A leitura é hilária. Tony Bellotto tem se revelado um excelente escritor e seus personagens têm um que de nonsense maravilho e ainda assim, nos identificamos muito com eles. Para quem curtiu a geração 80 é uma excelente pedida de leitura.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Outubro iniciando com muita leitura


Mês de outubro começando de uma forma bem legal: participação de um Meme Literário promovido pela Tábata do blog Happy Batatinha.
Fiquei sabendo desse meme através do blog do Luciano e decidi participar afinal, falar sobre livros que li é tudo de bom. Aproveito para convidar a todos que passam por aqui a conhecerem o blog e participar também. Vai ser bem legal. Para maiores informações acessem o blog

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Pequenino exterminador

Sala de estudo cheia. Não tem um lugar vago. Epoca de recuperação na escola e todos aqueles que, ou brincaram durante todo o ano, ou tiveram muita dificuldade, têm uma última chance de conquistar nota para passar de ano. Sons de páginas virando. Olhos nervosos e atentos. Vozes baixas que discutem a matéria estudada. No entanto, no meio dessa pintura escolar, observo uma expressão que difere dos demais. Um par de olhos de um verde intenso plantados feito esmeraldas num rosto repleto de sardas que flutua no ar mirando algo que não consigo captar. Pronto. Minha curiosidade está acionada. O que será que mantém sua atenção? Sigo seu olhar mas não consigo enxergar o alvo dela. Ele sorri...mais um pouco e chega quase a gargalhar. Peço silêncio de minha mesa. Olha-me, engole a risada, respira fundo e finge estudar. E eu, de minha parte, finjo trabalhar mas não consigo pensar em mais nada a não ser descobrir o motivo de seu riso. E fico mentalmente discorrendo sobre os inúmeros motivos dele se dispersar tanto dos estudos. Seria ele uma criança hiperativa? com déficit de atenção? Aos poucos, achando que estou de fato trabalhando, observo pela minha visão periférica que ele voltou a olhar para seu objeto imaginário e começa a mostrar a língua e a fazer caretas. Segurando meu riso pois a cena é muito engraçada, mantenho-me na tocaia só esperando a hora de desvendar esse mistério que - a essas alturas - já me deixa em comixões de tanta curiosidade. Abaixa-se sobre o tampo da mesa e com suas mãozinhas miúdas, percorre um caminho indo a lugar nenhum como se estivesse mexendo com algo ou alguém. Inúmeras vezes recolhe suas mãos e ri. Ri de uma forma guardada só para sí. Paralisado feito uma estátua de sal, permanece assim por alguns minutos e, num lance veloz, com sua caneta, laça algo que pra mim é invisível mas, pela sua expressão de vitória, é algo bem real. Não me aguentando de tanta curiosidade, levanto e vou até ele perguntar o que ele fazia. Com os olhinhos brilhantes revelando seu gosto pela vitória disse:
"Tia, tava só esperando uma aranha que fazia uma teia se distrair pra pegar."
"Ah...uma aranha...e você a pegou?"
"Peguei sim e estraçalhei com ela. Quer ver?" - e mostrando sua mãozinha revelou por entre seus dedos algo indefinido, esmagado e desfigurado que até pouco tempo era uma inofensível aranha. Pobre aranha! Essa atitude do garoto me fez lembrar de quando era criança e tinha um prazer absurdo em jogar sal nas lesmas do jardim de casa e, quando ia ao sítio de meu tio João, jogar sal também nas costas dos pobres sapos que encontrávamos pelo caminho. O prazer que sentia ao ver essas pobres criaturas se contorcendo de dor... pequenas maldades infantis. Voltando a minha realidade falei:
"Certo meu jovem. Mas agora que já matou a pobre aranha, que tal se concentrar nos estudos?"
Com o sorriso mais encantador, pegou seus cadernos e livros e retomou a leitura e lições de casa. Mas de vez em quando, observei que ele desviava seus olhinhos e buscava uma próxima presa.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Meme literário: Como você lê?

Passando pelo blog do Luciano li seu texto sobre sua maneira de ler. Vi que era uma iniciativa pelos seis anos de blog do Fio de Ariadne, da Vanessa e decidi participar também afinal, uma blogagem coletiva além de servir de estímulo para a escrita, serve também de interatividade entre os blogueiros e também para conhecer novos blogs e pessoas. Isso não tem preço mesmo. A ideia lançada pela Vanessa é de saber como você lê. Apesar de parecer algo óbvio, isso é muito interessante pois cada um tem maneiras, estilos e metodologia própria. E aí está a diversão da coisa. Saber um pouco mais sobre cada um através de suas formas de leitura. Topei a parada e falarei um pouco sobre meu modo de ler.
Como alguns já sabem, leitura pra mim é algo vital como beber água, comer, respirar afinal, além de meu lazer, ler faz parte de minha profissão: bibliotecária. Leio de tudo o dia inteiro. Livros que chegam para análise, revistas de todas as áreas principalmente as educacionais. Começarei falando de minha leitura técnica que é a que desempenho praticamente o dia inteiro. Leio os livros que vou catalogar com critérios que vão da descoberta do assunto principal, partindo para assuntos correlacionados. Com os periódicos, indexo artigo por artigo então, leio com atenção e extraio dele assuntos que tenham a ver com eles para ajudar nas buscas dos usuários da biblioteca. No entanto, apesar de uma leitura técnica, as vezes me pego lendo com paixão se me deparo com temas que gosto. Exemplo? Neurociências, psicologia e psicanálise. Curto demais esses assuntos daí, leio com total prazer cada artigo. Mas vamos a minha leitura por puro deleite e prazer. A leitura de livros que escolho para literalmente devorar. É muito interessante. Não tenho problemas para ler no ônibus ou no metrô. Mergulho na leitura e o mundo pode acabar que nada me tira a atenção. Principalmente se a história for instigante. No entanto, em casa tenho sérios problemas para ler pois ela é muito barulhenta. Minha família quer minha atenção o tempo todo e não consigo ficar cinco minutos lendo sem ser interrompida. Tevê ligada com som alto, rádio ligado idem, vizinhos que não falam - GRITAM!!!! - e muito carro que transita em minha rua. Tudo isso mexe com meus nervos e aí a leitura não caminha. Mas de uns tempos pra cá, comecei a me trancar no quarto a noitinha e aviso a família que preciso ler um pouco e que não desejo ser interrompida. Tem dado certo. Pelo menos por meia hora consigo a paz necessária. Coloco algumas almofadas como encosto na cama, me enrolo numa manta leve e quentinha, pego os livros que quero ler, minha agenda e caneta para algumas anotações e assim me dedico à leitura. Esse ano estou um pouco devagar com meus livros pois ando muito atarefada em cuidar de minha irmã que passou por uma cirurgia ortopédica e que está dependente pra tudo e requer sempre nossa atenção. E ela exige nossa atenção. Principalmente a minha. Segundo minha mãe, ela não é minha irmã mas sim minha filha postiça. A que não tive pois nosso relacionamento é muito mais de mãe e filha do que de irmãs.

Ah! Já ia me esquecendo: talvez por conta da profissão, tenho um cuidado pra lá de especial com os livros. Não dobro suas páginas (detesto ver livros assim), não rabisco nem faço anotações e sempre tenho comigo marcadores que a própria biblioteca confecciona para saber onde parei minha leitura. Tenho em minha gaveta uma quantidade absurda
de marcadores que ganho das editoras ou de amigos que sabem que curto isso. Gosto de livros novos. Sentir seu cheiro, manusear, observar a capa e seu projeto gráfico. Não costumo pegar livros mais antigos para ler justamente por conta de minha rinite alérgica. E olha que tenho paixão em manusear livros antigos. Mas essa rinite me impede. No momento estou lendo esses dois livros e estou gostando bastante. Mais pra frente falarei algo sobre eles.
Espero que tenham gostado e que tenham também me conhecido um pouco mais através de meus hábitos de leitura.