sexta-feira, 13 de abril de 2012

Arrepios de dar gosto


Literatura fantástica, de terror e suspense sempre me agradou. Livros como Frankeinstein de Mary Shelley, O Médico e o Monstro de Robert Louis Stevenson, Histórias Extraordinárias de Edgar Allan Poe são grandes clássicos que me emocionaram quando li. Mas confesso que não conhecia os autores nacionais que escrevem esse gênero. Uma falha imperdoável mas que agora, pouco a pouco estou ficando quites com todos. Há alguns anos li o primeiro livro de André Vianco, O Senhor da Chuva e virei fã. A seguir li Os Sete, O Sétimo, e me encantei com seus personagens vampiros numa época em que ainda não estava na moda e que chegaram ao topo com Crepúsculo de Stephanie Mayer. Recentemente li os livros de Martha Argel. O primeiro lido foi Relações de Sangue. Li numa tacada só. História ágil, personagens cativantes que me fizeram ficar fã dessa autora. A seguir li O Livro dos Contos Enfeitiçados. Gostei bastante. Nesse meio tempo fiquei sabendo de outra autora Giulia Monn, que escreve esse gênero e fiquei curiosa pra conhecer sua obra. Outro dia chegou em nossa biblioteca o livro A Dama-Morcega: narrativas de terror fantástico. A-DO-REI!!
Sua escrita ágil, elegante me prendeu até a última letra do último conto. E em especial, o conto que dá o título ao livro e o conto que encerra o livro Pé-de-Moleque em Dezembro. Um arraso de texto!
Fica aqui então minhas sugestões de leitura pra quem gosta do gênero, para quem ainda não conhece e pra aqueles que dizem não gostar mas que espicham os olhos para esses livros nas prateleiras das livrarias.

sábado, 7 de abril de 2012

Renovar. Renascer. Páscoa

A vida moderna que segue à risca os ditames do consumo faz com que a sociedade saia descontroladamente pelas lojas e supermercados em busca de ovos e mais ovos de Páscoa. O coelho anda cada ano mais valorizado no mercado e as pessoas se esquecem de seu real significado: Renovação!
E tal renovação não significa ir aos shoppings da vida e gastar, gastar e gastar rios de dinheiro que a maioria não tem em mercadorias desnecessárias que trarão para cada um, um sentimento de prazer instantâneo e, em seguida, cair no esquecimento. As próprias crianças de hoje não sabem qual o símbolo do coelho a não ser a do prazer em comer ovos de chocolate. Mais um pecado capital que todos cometem diariamente: a gula. A gula pelo doce, pela comida, pelo consumo de roupas de grife, todo tipo de tecnologia e...espera qual era a simbologia da Páscoa mesmo? Ah, sim!. Renovação!
Paremos pra pensar um pouco em nossa conduta de vida. O que estamos plantando? Qual nossa mensagem no dia a dia para todos que nos rodeiam? Que imagem estamos passando? Renovar é refletir nossas ações em família, no trabalho, na escola, na condução e por aí vai. Vamos parar um pouco essa nossa roda gigante da vida e ver como estamos nos saindo nela. Está certo que a diversão é salutar. Mas só ela basta? Quais nossas responsabilidades com a comunidade em que vivemos, qual a mensagem que passamos ao nosso próximo?
É essa reflexão que deixo para todos. Da minha parte, tento me renovar a todo instante. Renovar minhas ações, meus planos de vida, minha vida interior. Quero, desejo e aspiro ser uma pessoa melhor a cada dia. Acredito que é pra isso que estamos todos por aqui. Essa é minha mensagem de Feliz Páscoa para todos.
Comer guloseimas ao lado de nossos familiares e amigos é bom? Sem dúvida! Mas não vamos nos esquecer do alimento da alma. Essa, não pode morrer de inanição.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Mais um texto no Coletivo Claraboia


Mais um texto meu no Coletivo Claraboia.
As vezes somos pegos de surpresa diante de uma notícia ruim. Impossível prever nossa reação. Esse conto fala sobre essa situação em que somente quando passamos, é que sabemos nossa atitude diante delas. espero vocês por lá para ler na íntegra.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Amor aos pedaços - Blogagem Coletiva


Sempre gostei de participar de blogagens coletivas. Ainda mais quando o assunto me interessa.
Fiquei sabendo dessa blogagem com um certo atraso afinal, é a segunda etapa dela. Mas mesmo assim me empolguei em participar.
A Luma do blog Luz de Luma está promovendo o seguinte tema: Amor aos Pedaços. A primeira faze dessa blogagem o tema abordado foi "Encantamento".
Pelo que pude ver foi um tremendo sucesso. E agora, para a segunda fase o tema é "Desencanto" e quem participar deverá postar no dia 15/04. Já estou desde já trabalhando meus neurônios para escrever sobre o tema. Estou amando! E aproveito pra convidar a todos a participar. Para saber mais acesse aqui
Vem!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Um pouco de poesia no ar


Quando estudava e fazia o fundamental II, nas aulas de português não conseguia entender o porque que se estudar poesia. Achava tão chato! Não via utilidade para isso. É claro que também não tive uma verdadeira aula sobre poesia e a professora nem se aprofundou no tema mostrando vários autores e suas obras. Na minha infanto ignorância, achava que toda poesia se resumia apenas em versos do tipo "Batatinha quando nasce / se esparrama pelo chão / menininha quando dorme / põe a mão no coração".
Os anos se passaram e acumulei e formei minha bagagem cultural. Mas foi somente há bem pouco tempo que passei a me aproximar, sentir e compreender a poesia e sua riqueza literária. Conheci algumas obras de Carlos Drummond de Andrade, Adélia Prado, Mario Quintana, Ferreira Gullar. Cheguei a ler os sonetos de Shakespeare. Lindos! Recentemente descobri os poemas lindos de Florbela Espanca e Fernando Pessoa. Confesso que esses dois me fizeram enxergar com outros olhos a poesia. Aos poucos fui me despindo do preconceito que tinha com relação a esse gênero literário. Hoje após alguns anos de intensa leitura, após um módulo de poesia com o excelente professor e poeta Edson Cruz e da constante troca de figurinhas com o poeta Ricardo Dias que tem me mostrado e ensinado os caminhos do poema e de sua construção, posso dizer de boca cheia que gosto, aprecio e admiro a obra em si e seus escritores. E confesso que sinto uma pitada de inveja branca daqueles que conseguem escrever belos, criativos e sensíveis poemas. Não consigo. Não tenho esse talento. Mas não me desespero por isso não. Prefiro ficar na arquibancada e curtir os diversos talentos que estão espalhados por aí. No mundo todo temos grandes poetas e grandes obras. E como é bom ler um poema e compreender sua essência, sua métrica, seu ritmo! E hoje, comemorando-se o Dia Nacional da Poesia, não poderia deixar passar em branco essa data. Deixo aqui minha homenagem a todos os poetas vivos e aos que já se imortalizaram pela obra deixada. Parabéns poetas por deixar nosso mundo mais lindo, mais lírico, mais artístico com suas sensibilidades à flor da pele. Abaixo alguns exemplos de poemas que compõem a riqueza do gênero.



Ternura


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.

Vinícius de MoraesSem vista

Singular, sentir não sentindo
ou sentimento inexpresso
de si mesmo, em vaso coberto
de resina e lótus e sons.

Nem viajar nem estar quedo
em lugar algum do mundo, só
o não saber que afinal se sabe
e, mais sabido, mais se ignora.
(Carlos Drummond de Andrade)

O Amor

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..

Fernando Pessoa

segunda-feira, 12 de março de 2012

12 de março - Dia do Bibliotecário Parabéns!!!

(Imagem retirada do Google Imagem)

Hoje é um dia especial para mim e tantos outros profissionais que abraçaram a Biblioteconomia com dedicação, respeito, amor e seriedade. Amo trabalhar em uma biblioteca, amo os livros, a palavra e a informação. Mas nada disso teria razão de existir se não fosse o ser humano. Esse sim é motivo de minha dedicação à profissão. Sem o material humano, as bibliotecas, centros de informação, centros culturais e afins não teriam porque existir. Por isso deixo aqui minha homenagem a todos os profissionais que mesmo diante de tanta desconsideração e falta de infra estrutura para se trabalhar, não perdem o brilho nem a vontade de executar suas tarefas. Parabéns Bibliotecários! Aproveite o dia pois hoje é para se comemorar, cantar, dançar e informar! Sim! Informar a todos que comparecerem à biblioteca que nós existimos e estamos aqui para o que der e vier.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Condição Mulher

(Imagem retirada do Google Imagem)

Muito se fala. A mídia aproveita pra fazer suas campanhas divulgando e enaltecendo a mulher. No entanto, apesar de tudo, não me sinto lisonjeada por todo esse carnaval. Afinal, no dia a dia continuamos sendo agredidas, desrespeitadas, relegadas nas mínimas atitudes que passam batidas pela grande maioria. Até mesmo pela própria mulher. As coisas se banalizaram tanto que mesmo diante de tanta pancadaria, já nos anestesiamos e não sentimos mais nada. A própria mulher se deixou levar pelas circunstâncias e hoje se deixa vender como frutas comestíveis: melancias, peras, uvas, enfim, um pomar inteiro de mulheres pra se degustar. Não quero dizer com isso que estou generalizando. Não mesmo. Apesar de parecer um quadro ruim da mulher contemporânea, tenho consciência de que muitas são exemplos a serem seguidos devido às suas atuações elogiáveis no campo artístico, político, empresarial, educacional etc.
Mas o que observo é que infelizmente essas mulheres são minoria. Para a grande massa, ainda é mais vantajoso se deixar vender por um "bom casamento", um bom"amante" que possa lhe proporcionar um presente e quiça, um futuro seguro recebendo jóias, bens materiais, e diversos mimos que a façam se sentir valorizada. E para tanto, se prestam a maus tratos, a violência doméstica e sexual. São as "escravas sexuais" modernas que desfilam ao lado de seus machos alfas sempre com um sorriso no rosto e os peitos à mostra rebolando e posando para flashs da mídia populesca que vive de escândalos alheios quase sempre envolvendo mulheres lindas.
Mas, deixando esse lado negro de lado e voltando um pouco os holofotes para aquelas que fazem a diferença, vemos mulheres maravilhosas fazendo história e deixando um legado rico para a humanidade. No campo científico tivemos grandes mulheres que, contrariando a lei vigente em seu tempo, quebraram tabus, e mostraram ao mundo seu brilhantismo.
No passado distante, Hypatia (375-415AD), filósofa e matemática - alguém já ouviu ou se lembra dela? -, e das filósofas clássicas Aspásia de Mileto, Axiothea de Philesea. Mais recente Simone de Beauvoir, Marie Curie que revolucionou no campo da radioatividade , Mayana Zatz, no presente com suas pesquisas em genética humana. No campo das artes então temos inúmeras mulheres entre elas posso citar sem pestanejar: Fernanda Montenegro, nossa grande dama do teatro brasileiro que é um exemplo de atriz, de mãe, de mulher, de cidadã. Marília Gabriela que sempre com seriedade e respeito à profissão que abraçou, entrevista pessoas dos mais variados campos. E como é bom vê-la no ar!
Poderia desfiar aqui centenas e centenas de linhas falando das mulheres que fazem a diferença. E, pensando bem, essa minoria daria muitas páginas. Logo, não é tão pequena assim a lista das que nos dá orgulho de ter nascido mulher.
Volto a dizer que não tenho muito pra comemorar no dia de hoje. Até mesmo porque já ouvi - que me desculpem os ouvidos sensíveis - muita merda da boca de alguns homens logo pela manhã. Mas não me abato não. Sei meu valor, sei do que sou capaz e também sei que dou de dez a zero em muito homem que bate no peito e se diz macho. Também não sou do tipo feminista radical que sai arrebentando tudo e desqualificando os homens. Sou pela lei do equilíbrio e respeito sempre. Prefiro comemorar o fato de estar viva, com saúde, ativa e que, ao contrário de enaltecer minha condição de mulher, prefiro comemorar o fato de ser mais um ser humano lutando para fazer esse mundo algo melhor. Minha contribuição é pequena, quase invisível mas sei que faço a diferença no dia a dia de muitas pessoas que conseguem ver meu potencial humano.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Dia de arrumação


Apesar desse calor que nos acomete por esses dias, no Coletivo Claraboia, chove torrencialmente. Logo, diante de tanto aguaceiro, nada como uma boa arrumação. Na alma. Convido a todos para ler mais um texto meu no blog literário Coletivo Claraboia

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Uma premiação merecida!

Há um certo tempo escrevi sobre um livro juvenil que li e gostei demais. Da história, das ilustrações riquíssimas, de tudo. A postagem é essa
Hoje, ao saber do resultado da premiação do Oscar, fiquei bem satisfeita que o filme dirigido por Martin Scorsese baseado justamente nesse livro, tenha levado cinco premiações. Merecidamente. Não que tenha assistido ao filme. Ainda vou vê-lo. Mas, como gostei tanto da história e sei da habilidade e talento de Scorsese como diretor, pensei: Vai dar premiação com certeza.

O amor sempre está na moda

Nesse final de semana peguei um livro que comprei em janeiro e se encontrava na lista de leitura. Como havia acabado de ler um livro denso denso, tenso e me emocionou muito, decidi que devia pegar agora um livro bem leve. E olhando os livros que tenho em minha estante decidi por esse e acreditem, foi a melhor escolha que fiz.
Amor fora de hora, de Katarina Mazetti, da editora Lua de Papel foi uma leitura super rápida, divertida e me emocionou. Não como o livro Marina, mas, uma emoção leve e alegre.
Nunca tinha lido nada dessa autora e até fiquei meio em dúvida se ia gostar ou não dele quando comprei. Mas, como sempre, acertei em cheio! Uma história de amor sem rebuscamento, sem forçar nas cores. Uma história de amor que poderia perfeitamente ser a minha história - até mesmo porque a personagem principal é bibliotecária como eu - poderia ser a sua ou a de qualquer mulher. Não tem grandes reviravoltas, nem grandes performances dos personagens. São pessoas comuns feito nós, na vida real. Sem glamour, a história de amor entre Desirée e Benny começa de uma forma e num local no mínimo, inusitado: um cemitério.
Desirée perdeu seu marido e com frequência visita seu túmulo e reflete por algum tempo sempre amaldiçoando sua traição por morrer e deixá-la sozinha.
Benny perdeu sua mãe e, assim como Desirée, visita periodicamente o túmulo dela e reflete o quanto ela lhe faz falta.
Ela, uma típica mulher urbana. Bibliotecária, culta, refinada, reside num apartamento elegante, clean e cercada por livros, sua grande paixão.
Ele, um homem rústico, cuida da fazenda desde que sua mãe faleceu. Sozinho, trabalha duramente para mantê-la funcionando. Leva uma vida simples, com hábitos mais simples ainda.
Mas, apesar de diferenças culturais tão grandes e distintas, uma grande paixão surge entre os dois. Vivenciar as experiências, os desencontros, as brigas desses dois me fez dar boas risadas e ao término do livro, fiquei com uma sensação muito boa. Por isso, deixo aqui como sugestão. Leia sem esperar uma grande história e se surpreenderá afinal, o bonito dela é justamente a falta de pretensão talvez da escritora que apenas quis escrever uma história de amor nos dias de hoje. E isso, ela cumpriu bem!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Momento teen

(Imagem tirada do Google Imagem)

- Luca! Você me pertence! - gritou Juju pulando no pescoço do jovem.
- Ei! Pára com isso menina! Que eu não pertenço nem a mim mesmo! - disse retirando os braços enlaçados da garota que o olhava espantada.
O brilho do olhar de Juju apagou-se como se tivessem desligado o desjuntor de seu ser.
- Puxa!... pensei que gostasse de mim tanto quanto eu de você Luca...- falou de forma quase inaudita.
- Guria! Gosto. E muito...mas por favor, esse negócio de pertencer fala sério! Não sou mercadoria muito menos objeto pra pertencer a quem quer que seja. Aprenda isso e leve com você: ninguém pertence a ninguém. Se gostamos de alguém, optamos por ficar com ela. Não porque pertencemos a ela. Entende? O carinho, o amor não deve ser corrente que prenda as pessoas. Muito pelo contrário. O amor deve libertar...li isso em algum lugar. Não me lembro onde.
- Também, tinha de me apaixonar por um nerd que vive lendo livros! Dá nisso né? Filosofa o tempo todo.
- Tá reclamando procura um atleta bonitão, cheio de músculo e zero de cérebro. Garanto que nunca mais vai ouvir tiradas filosóficas. E falando isso foi caminhando em direção ao portão da escola onde estudavam deixando para trás, uma Juju sem reação.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Descoberta


(Imagem retirada do blog Bonecas e Bonecas)
Somos uma formação complexa de sentimentos, emoções, entraves, traumas e tantos outros bichos que habitam nosso interior. As vezes, passamos uma vida inteira sem nos depararmos com tais seres. Ou devo chamá-los de fantasmas? Não sei. O que sei, é que de uns anos pra cá, coisas que nunca havia me incomodado passaram a me incomodar. E hoje aconteceu algo, no mínimo, inusitado. Uma pessoa abordou determinado assunto e de repente, Páh!
Sabe quando algo dentro de sí destrava, explode, vem à tona? Me senti uma matrioshka, vendo sair de dentro de mim uma persona que até então desconhecia. Nunca havia me sentido assim antes e confesso que fiquei bem mal. De imediato, lágrimas inundaram meus olhos e já não conseguia me controlar. As pessoas que me rodeavam ficaram sem entender o que havia acontecido pra que eu chorasse tanto. Como uma representante fiel do que é ser adulta, achei que estava pagando o maior mico chorando daquela forma. No entanto, depois que lavei literalmente a alma, percebi o quanto nós "adultos" nos violentamos e causamos mal a nós mesmos. Quando crianças, não temos esse dispositivo de censura. Se estamos magoados, feridos, tristes, abrimos o berreiro e depois, em pouco tempo, já estamos renovamos e brincando e... finito. Passou.
Adulto não. Listamos uma série de coisas e procedimentos que não ficam bem se fizermos. E é justamente quando começam nossos problemas. Deixamos de chorar porque não pega bem. É sinal de fraqueza. Não xingamos porque também não é de bom tom, muito menos civilizado. Engolimos mais sapos e pouco a pouco vamos transformando nosso interior num verdadeiro pântano lodoso e escuro. O pior é deixar os outros assustados com nosso comportamento. E, posso estar enganada, mas acho que assustei a pessoa que destravou isso em mim. Não o culpo por isso. Talvez deva até agradecer por ter me dado esse "empurrãozinho" para que assim possa domesticar esse meu lado. Talvez, antes de mais nada, deva conhecer melhor essa minha "entidade", assuntá-la, ganhar sua confiança, compreendê-la e, na medida do possível, viver em harmonia com ela. Afinal, não tem como fatiar e retirar de nós algo que faz parte de nosso ser. O jeito é aprender a conviver em paz.
Difícil!!!!!
Mas como já diz a letra de Claudio Zoli: Viver é bom demais! E disso não abro mão.