sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Me arranjem uma passagem só de ida para Marte!


"O Ministério da Saúde adverte: Poluição Sonora faz mal a saúde"

Quando ouvia esse tipo de advertência, até ria. Pensava com meus botôes: Ah! Isso é coisa de velho. Lá em casa, entre meus familiares mais velhos, eles viviam reclamando de TV, rádio e toca-disco num volume alto. Meu tio vivia implicando comigo: Abaixa esse som! Onde já se viu ouvir música nessa altura! Vai ficar surda menina!
Achava tão sacal! O que eu xingava esse meu tio em pensamento não está escrito em nenhum gibi, muito menos na bíblia.
Há duas semanas que tenho pago minhas dívidas com o Divino e talvez também com o "Não Nominável".
Como alguns já sabem, trabalho numa biblioteca escolar donde já se deduz que: Silêncio é a moeda corrente. Doce ilusão!!!!!!!!
Imaginem: semana de recuperação, biblioteca bombando de tantos alunos desesperados para estudar, faltando inclusive, mesas para acomodar mais alunos. Nesse período, eles costumam ficar agitados, desesperados mesmo precisando de notas para não serem reprovados. Muito bem! na rua debaixo, o trânsito é bem apertado e em determinados horários formam-se filas duplas e então...Meu Deussssss! O barulho aumenta com tantas buzinas iradas! Some a isso tudo uma maldita britadeira estourando concreto dia e noite sem parar. Ah! Sem me esquecer do ar condicionado que é mais barulhento que turbina de avião.Tudo isso ao mesmo tempo e sem dar trégua para seus ouvidos. E tem mais: esse colégio está próximo da avenida Paulista. Preciso falar mais alguma coisa? Preciso! Estou chegando ao final de semana pra lá de estressada!!! Nunca imaginei que o barulho constante fizesse tanto mal a saúde física e mental. Estou aprendendo isso na prática. Tenho chegado ao final do dia cansada, sem energia, irritada e com muita, mas muita dor de cabeça. Socorro! Será que nos cafundós do espaço sideral muito além da Via Láctea ou no mais profundo do oceano encontrarei silêncio? Alguém pode me ajudar? Heim? Não?
Então estou perdida!
O mundo moderno tem nos ofertado muitas coisas boas mas em contrapartida, tem trazido grandes prejuízos e o barulho, sem dúvida é um deles. 
Acho que até o final do ano vou fazer minha reserva para Marte. Será que ainda consigo?

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Uma química e tanto!


Final de julho fui ao Reserva Cultural assistir um filme com um amigo. Estava em cartaz entre outros, o filme de Wood Allen Para Roma Com Amor e na sala ao lado estava em cartaz o filme do diretor francês Christophe Honoré Les bien-aimés - que no Brasil recebeu o título Os Bem Amados. Antes de decidir assistir a esse filme, li a crítica sobre ele e elas eram favoráveis. Como eu e meu amigo curtimos filmes franceses, embarcamos deixando para outro dia o filme de Wood Allen que também gostamos bastante. Elenco de primeira (Catherine Deneuve, Chiara Mastroiani, Louis Garrel e até mesmo uma participação especial de Milos Forman) nos apontava que havíamos escolhido o filme certo para assistir.
Que decepção!
O filme até que começa bem, a história nos fisga a atenção mas no decorrer do filme, ele simplesmente desanda e aí perde toda a graça inicial. Foi muito difícil ficar até o final do filme. Quase dormi e meu amigo não parava de olhar o relógio. Lá pelas tantas até perguntei se ele gostaria de sair mas foi bravamente heroico e disse que não costumava sair antes. Mesmo que o filme fosse uma bomba. Como aquele. Confesso que saí bem decepcionada pois gosto demais de filmes franceses.
Mas ontem, lavei a alma indo no mesmo Reserva Cultural assistir ao filme Os Intocáveis (Les Intochables), de Erci Toledano e Olivier Lacache. Com François Cluzet e Omar Sy nos papeis principais, formam uma dupla que deu uma grande e deliciosa química. Leia mais sobre o filme
Amei o filme do começo ao fim, dei muitas risadas e mesmo que o filme aborde dramas bem distintos dos personagens, nos transmite uma energia pra lá de boa afinal, de coisas pesadas, dramas densos e tristeza, a realidade já está bem abastecida. Concordam? Ah! Já ia me esquecendo: E a trilha sonora então gentem? Maravilhosa!!! Voltei para casa leve, feliz e com a sensação de que realmente La vie c'est très beau!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Vergonha que não passa


Nunca fui de me ligar a política e seus percalços. Na epoca em que estudava, sempre discutia de forma amigável com um professor de sociologia que amava política. Tínhamos altas discussões pois nunca tive simpatia pelo partido PT e ele era apaixonado e ativista desse partido. Sempre tive comigo que os coligados eram muito radicais em suas posturas e como não radicalizo em nada, procurava distância. Até mesmo porque, sempre detestei discutir temas polêmicos tais como religião, futebol, política. Cada qual sempre quer ter sua razão na frente e eu prefiro ter a minha e ponto. A cada dia que passa, fico mais e mais incomodada pois pressinto um ar de déjà vu no ar. E é um péssimo e fétido ar, esse, que permeia todo o pais durante essa campanha eleitoral. O partido dos trabalhadores, nunca teve chance no poder. E na primeira chance, bota tudo a perder e o pior, o grosso da população não se dá conta do que se passa. Corrupção, desrespeito pelo povo que os colocou no poder, irresponsabilidade e tantas sandices que tem transformado o país - como já dizia nosso poeta Cazuza -  num puteiro. O pior de tudo é que não somente o PT mas os demais partidos também se encontram na mesma linha de raciocínio: vamos vender a alma ao Diabo e ver no que dá. E isso, infelizmente inclui os políticos ditos "evangélicos". Esses então, já venderam suas almas faz é tempo! Não digo aqui que estou generalizando e botando todos no mesmo saco. No entanto, está cada dia mais difícil acreditar na palavra de um político. Difícil salvar algum! Se vivêssemos na epoca de Dante e ele voltasse a sonhar, encontraria o inferno lotado de políticos nossos enchendo seus falsos bolsos de merda achando que estão angariando moedas de ouro. Se bobeasse, Dante Alighieri nem teria a chance de adentrar o Inferno devido ao excesso de lotação. Muitos safados, corruptos, ladrões do colarinho branco estariam disputando a tapa, um micro espaço naquele solo quente. E se o nosso poeta maior já ficou escandalizado com o que presenciou lá, em Florença, imagine ele vivenciando o que nós atualmente vemos na cara dura pela TV? É... o tempo passa, algumas coisas evoluem no entanto, nossa política continua cada dia mais retrógrada e confesso que ando muito envergonhada com o quadro que vejo. Onde iremos parar? Tenho até medo de pensar. Não sou pessimista mas com o andar dessa carruagem, sei não.

Por enquanto não me conquistou

Segunda-feira, logo ao chegar ao serviço, vi na minha mesa a revista Veja dessa semana. Peguei para dar uma lida e fui até a reportagem de capa que é sobre o livro Cinquenta tons de cinza, da autora E. L. James. Como já estou quase no final do livro e já tracei minhas impressões, quis saber o que as mulheres andam achando desse livro. Não sou puritana mas também não sou pervertida. Encaro o sexo como algo natural mas confesso que tem certas coisas que me incomodaram bastante nesse livro. Por exemplo: a postura da mocinha me soou um tanto inverossívil. Pôxa! Parem para pensar, uma jovem recém saída da universidade,antenada com o mundo ao seu redor, inteligente e...topeira?! Parece uma anta (que o animal me perdoe a comparação) no quesito sexo. Está certo que ainda existam virgens mas acredito que a grande maioria tem acesso a informações e até uma curiosidade natural em saber sobre o assunto. Então, para mim, essa personagem não me convenceu. Christian Grey, o "mocinho" da história também não me convenceu. Seu lá...talvez por jamais ter topado com um espécie desses me cause uma certa dificuldade em assimilar sua personalidade. Até sei que pode existir homens assim mas, de qualquer maneira, enquanto personagem literário, não me convenceu. A narrativa da autora até que nos prende a atenção só que, a cada término de capítulo, fico sempre com a sensação de que perdi ou que não captei algo. Talvez isso se deva ao fato de ler muito e minhas leituras serem bem diversificadas . Isso me torna uma leitora mais exigente. Todo esse auê em torno do livro acaba por me passar a sensação de propaganda enganosa afinal, se a temática que tanto propagam é a sexual, já li livros bem mais calientes e que me envolveram muito mais. Há uns anos atrás, li um livro que, confesso, me pegou pra caramba nesse quesito - Amorquia, de André Carneiro. Na epoca, a visão que o livro me passou do sexo naquela sociedade, me chocou um pouco. No entanto, anos mais tarde ao reler o livro, encarei de forma diferente e gostei demais do livro. Outro que também li e gostei bastante foi Aritmética, de Fernanda Young.Talvez até por não ter essa visão meio que "Sabrina" que o livro de E. L. James me passa e sim, uma visão mais dura e realista do ato. Enfim, não vou deixar de sugerir a leitura do livro do momento por eu pessoalmente não ter me encantado com ele. Tenho comigo que todo livro tem seu leitor portanto, quem estiver a fim de ler Cinquenta tons de cinza, sinta-se a vontade. Adentre o mundo encantado do sexo com Anastasia mas tenha consciência de que não vai fechar o livro e topar logo de cara com um Christian Grey cruzando seu caminho. A vida real dificilmente te ofertará esse brinde, rsrs. Desculpem! Não resisti a essa piadinha infâme no final!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A Bela e a Fera


Hoje pela manhã enquanto vinha na condução, me veio a cabeça a canção de Rita Lee "Mulher é um bicho esquisito/Todo mês sangra...E pensei com meus botões do uniforme: Sangra, desanda, chora, entra em depressão, fica irritadiça e coitada das pessoas que convivem com ela! tenho um grande amigo meu, que me conhece tão bem, mas tão bem, que já sabe quando estou "naqueles dias". Segundo ele, até meu olhar muda e costuma sempre dizer: Meda amiga! Meda!!! 

No passado cheguei até a fazer tratamento para amenizar a tal da TPM. Costumava ser bem punk as coisas nessa fase. Melhorei mas parece que,com o passar dos anos, as crises vão se modificando. Antes, ficava irada, irritada. Hoje em dia costumo ficar melancólica, depressiva e choro por qualquer coisa feito uma boba. Credo! Um horror! Logo eu que detesto choro, detesto aguentar pessoas choronas, agora sou a própria. Ontem, passei um dia pra lá de chato porque estava nessa situação. De hora em hora, me vinha a tal da vontade absurda de chorar. E lá ia eu me ocupar com pensamentos alegres pra ver se conseguia afugentar a tristeza que insistia em se manifestar. No final do dia, ao sair do trabalho decidi que precisava urgentemente de um "agrado". Sabem o que fiz? Me mandei para um shopping e resolvi fazer compras! Faz um tempinho que já vinha ensaiando de repor minhas lingeries e não deu outra. Pensei: quer agrado melhor do que comprar lingeries novas? E lá fui eu para minha loja preferida! Fiz a festa. Minha e da vendedora que abriu um sorriso de lado a lado ao se despedir de mim na porta. A louca que vos fala foi só pegando e dizendo: Quero essa! Quero essa! E mais essa! E essa outra também e...
Saí carregada de sacolas e com muitas calcinhas e soutiens novinhos, lindinhos e confortáveis! Ai que alegria!!!!
E hoje, acordei leve, feliz, cheia de energia. Será a compra das lingeries? Será o próprio ato da compra? Será a TPM que se foi sem deixar rastros?


  (Imagens retiradas do Google Imagem)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Emoções sempre em pauta

                                                       (Imagem Shutterstock retirada do Google Imagem)


Já tem um tempo que me interesso por tudo relacionado a neurociência e afins. Gosto demais de ler livros que falem sobre psicanálise, psicologia e tudo o que se relaciona ao funcionamento do cérebro. E isso inclui as emoções e sentimentos. Já li vários livros de Irvin D. Yalom, psiquiatra que se tornou famoso por seus inúmeros livros que se tornaram best seller em todo o mundo. Li Quando Nietzsche chorou e confesso que foi um divisor de águas em minhas leituras. Naquele momento, passava por um período emocional bem complicado e ele foi uma verdadeira terapia para mim. Com muitas crises, choros, momentos de raiva, euforia e reflexão. Foi uma leitura muito difícil. Quase desisti de terminar a leitura várias vezes mas, por algum motivo, pegava de novo e seguia arduamente nos capítulos. Depois li A cura de Schopenhauer, Mentiras no Divã. Com o livro Cada dia mais perto ocorreu algo similar ao Quando Nietzsche chorou. Fazia um curso de criação literária e, de repente, me vi totalmente bloqueada em meus escritos. Pirei! Numa bela tarde entre as estantes de livros da biblioteca onde trabalho, meus olhos bateram direto na lombada desse livro. Peguei, li sua sinopse e decidi ler. Foi a mesma sensação, emoção e sofrimento do outro livro. Mas da mesma forma, serviu de terapia mais uma vez e me ajudou muito a entender minhas emoções daquele momento e consegui superar minha paralisia literária.Aqui na biblioteca onde trabalho, temos a assinatura da revista Mente & Cérebro. Fica aqui a dica para quem gosta da temática. Uma excelente revista! Na edição especial "Como o cérebro interpreta o mundo" v.3, trata do tema relacionamento: a arte do encontro. Indexei todos os artigos pois é cada um melhor que o outro. Tem artigo falando da mente da mãe com a chegada do bebê, artigo falando sobre preconceito e autoestima na relação amor e amizade, riscos de contato pela internet. Mas o artigo que mais me tocou foi "A dor da exclusão". O autor Kipling D. Williams fala a partir de uma situação que ele próprio viveu e que a partir dali, decidiu desenvolver suas pesquisas. Nesse artigo ele fala do quanto a rejeição nos causa sensações de dor física.

Achei muito interessante esse artigo pois todos nós carregamos experiências desde a primeira infância e temos todas elas registradas em nosso inconsciente sob forma de mal estar físico, muitas vezes febre, dores abdominais, dores no coração, na coluna e por ai vai.Quantos males que sofremos não começa na alma não é mesmo? E agravando por falta de cuidados, materializa-se no físico desestruturando nosso organismo. Eu mesma vivo sendo vítima de meu descuido emocional. Tenho consciência de que preciso cuidar de vários pontos dele mas, como a maioria das pessoas, vou protelando. Mas querem saber da última? Já estou assuntando alguns profissionais para futura terapia de psicanálise. Acredito cada vez mais que todos precisamos desse contato e orientações de um profissional afinal, tem coisas que por mais que tentemos resolver sozinhos, não conseguimos e assim nos mantemos patinando nso mesmos erros, causando os mesmos males ao nosso emocional e aos que convivem conosco. Eu já estou fazendo a minha parte. E você? Já fez ou faz terapia? Se interessa pelo assunto? Fala pra mim!

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Cenas de meu diário - Blogagem Coletiva




18/05/1977 – Sexta-feira
Diário lindinho! Hoje passei um dia maravilhoso! Não vai acreditar! Fomos todos juntos e a pé até o Ginásio que fica próximo ao Clube de Golfe. Cê sabe né! É longe pacas mas a caminhada foi tão legal! Fomos conversando o tempo todo. Eu, a Eli, a Cida, o Celsinho, o Mauro, a Débora, a Sandrinha e sua irmã Soninha e outras pessoas que nos acompanharam. Conversamos  sobre tudo: cinema ( combinamos de ir todos juntos ao lançamento do Saturday Nighit Fever. Nem acredito que vou ver o Travolta de pertinho no cinema!!!), falamos das provas que se aproximam, falamos de nossa formatura (se é que ela vai sair né?), falamos de nossos paqueras etc, etc, etc. Diárinho, um dia te falo sobre os etc mais detalhadamente ok?
Lá no ginásio, o auê foi total. Torcemos feito doidas para nosso time de handebol. Não deu outra: ganhamos com folga do time adversário. Estou até um pouco sem voz de tanto que gritamos e cantamos. A tarde estava quente, mas mesmo assim, teve uma hora em que sai para dar uma volta e acabei na cozinha do ginásio. A copeira de lá foi tão legal  que ao terminar de passar um café, ofereceu pra mim e pra Eli. Tomamos de gosto. Cê sabe que amo café. Puxei a vó Maria.
Ah! Novidade!!!!! Minha tia já está dando acabamento para minha jardineira azul. Está linda de doer! Vou estrear ela no churrasco de formatura. Ah vou!
Ah! Novidade 2 – Minha mãe finalmente cedeu e vai comprar aquela sandália plataforma de cortiça pra mim. Sabe aquele com tiras coloridas que desde que vi na vitrine não esqueci mais?
Então nem precisa falar né? Vou usar ele no churrasco também. Vai ficar top com a jardineira.
18/05/1985
Amigão! Quanto tempo que não apareço pra te contar as novidades não é? Desculpa essa sua insana amiga mas tem acontecido tantas coisas em minha vida que não tem dado tempo de parar e registrar. Mas vamos lá que hoje, além de tempo tenho disposição pra te contar.
Cara! Cê num tem noção: fui em janeiro ao Rock in Rio! Foi tudoooooo!! Loucura geral, gente bonita pra caralho, vi o Queen com o Freddie Mercury novamente. Sim! Novamente! Te contei não! Sorry! Em 1981 no estádio do Morumbi fui ver os rapazes dessa banda de pertinho. Foi meu batismo em shows. Demais!!!! Vi o Cazuza! Deus! Que homem lindo, louco e charmoso! Além é claro de talento a dar de pau. Depois que deixamos as dependências do Rock in Rio, seguimos juntos para Cabo frio e depois Parati. Ah! Fui também aos shows do Ultraje a Rigor e RPM. Deus!!!! O Paulo Ricardo é tudooooooo!!!! OH homem lindio!!!

   18/05/1998
Oi querido diário! Não me esqueci de você não viu? Essa minha vida de adulta responsável está acabando comigo. Casada, mãe de dois filhos, advogada estagiando numa multinacional e ainda por cima no último ano de faculdade com poucos meses para a apresentação de meu TCC está simplesmente me deixando louca!! O Zé Carlos vive reclamando comigo que não sou mais a mesma de antes. Ando sempre cansada quando ele deseja fazer sexo comigo. Chuto ele pro lado e digo: Zé, me erra porque tô um caco! Outra hora a gente brinca. Não aguento mover um músculo que seja.
Ele vive me ameaçando que qualquer hora encontra lá fora o que não tem recebido aqui dentro de nosso ninho de amor. Pode diário? Onze anos de casados e ele ainda chama nosso quarto de ninho de amor. Pra mim ultimamente não passa do quarto do desapego: onde entro, largo meu corpo no colchão e apago geral me desapegando por algumas horas de toda pressão e preocupação que tenho durante as horas acordada.


  18/05/2008
Querido diário passou-se muitos anos desde nosso último encontro. Muitas águas rolaram por debaixo da ponte. Lembra do Zé? Meu marido? Pois é amiguinho, desmaridei. Cansou de meu eterno cansaço e encontrou nos braços de uma ninfeta ardida e cheia de amor pra dar o que tanto procurava em nosso “ninho de amor”. Sofri um pouco, é claro, mas já não estava assim tão envolvida por ele. Passou logo. Ganhei promoção, depois prestei concurso e hoje sou juíza. Evolui não acha? Sabe, as vezes acho que não. Minha vida deu uma guinada brava.
Conheci o Durval, meu atual companheiro. Ele é um administrador dos bons! Homem mais velho que eu mas de um coração maravilhoso! Além do mais, faz um sexo como ninguém. Se achava nossas brincadeiras na cama na época do Zé uma coisa boa, é porque ainda não tinha conhecido o verdadeiro sexo. O Durval me apresentou a um mundo excepcional. Mas isso te conto em detalhes uma outra hora. Meus filhos cresceram e hoje não precisam mais de mim na cola deles. São independentes Graças a Deus! Finalmente conheci Paris diário querido!! Durval me confidenciou que quando a gente se aposentar, quer se mudar para lá. Pode isso?


18/05/2009
Querido diário socorro!!! O que faço de minha vida? Descobri que Durval, o homem que diz que me ama pro resto de nossas vidas tem amantes! Sim! Você entendeu bem! Falei no plural mesmo! Amantessssssssssss! O filho da puta dá mais que chuchu na serra. Cata mil mulheres por aí. O cretino tem várias páginas em sites de relacionamentos e diz que tem um casamento aberto. Quando joguei na cara dele que sabia de tudo, ele sorriu e disse: que bom! Nossa vida vai ficar bem melhor assim, as claras. Querida, não me importo que você tenha seus casinhos por aí também. Isso dá uma arejada em nossa relação. Conhecer outras pessoas e voltar para casa consciente de que fizemos a escolha do parceiro certo. O que faço com ele? Dou um tiro na cabeça, jogo seu corpo no mar, sorrio e saio a cata de um amante e me satisfaço como ele ou peço o divórcio e vou viver o resto de minha vida solitária e amarga? Me ajuda!!!


 18/05/2012
Olá velho, cansaço e querido diário! Estou estranha hoje. Acabo de chegar do cemitério. Enterrei hoje o Durval. Lembra-se dele? Pois é, continuamos juntos por todos esses anos. Hoje, quando seu corpo desceu à sepultura, me dei conta de que realmente ele foi o homem de minha vida. Alegre, culto, homem de negócios dos bons! Onde chegava conquistava amigos e admiradores. E admiradoras também. Mas quer saber? Me orgulho dele ter me escolhido para ser sua companheira até o fim. Coitado! Sofreu muito desde que soube que tinha câncer. Mas aguentou bravamente os tratamentos e suas reações. No último dia de vida antes de entrar em coma, pegou minhas mãos entre as suas e me confidenciou que se sentia muito grato a Deus por levá-lo primeiro. Disse que não saberia viver sem mim se eu fosse antes. Disse que tinha certeza que ficaria bem e que seguiria minha vida com tranquilidade. Confessou que sempre teve um misto de orgulho e inveja de minha força interior. Ele tinha razão. Sou forte feito rocha e segurei em frente. Mas quer saber? Vou sentir muita falta dessa companheirão.


Esse é um texto literário que mescla cenas verídicas com ficção que faz parte da Blogagem Coletiva promovida pela Alê Lemos do blog Diários de Bordo

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Blogagem Coletiva 6ª Fase: Ressonâncias


 Mais uma vez participo da Blogagem Coletiva Amor Aos Pedaços promovida pelas blogueiras Rute, Rosélia, Regina e Luma Rosa. Infelizmente não pude participar de todas as etapas devido ao tempo escasso. Mas todos que participei, tive imenso prazer além de conhecer outras blogueiras. A troca e o conhecimento é muito gratificante. A temática então, nem se fala afinal, quem nessa vida já não se encantou, desencantou, voltou a ter esperança, se questionou, se reintegrou e obteve ressonâncias dessas experiências na vida? E isso se reflete em todos os campos da vida: amoroso, profissional, pessoal, espiritual. Hoje, abordarei a Ressonância. Não tenho ainda bem claro sobre o que falarei. Mas como costumo fazer sempre: abro meu coração, minha mente e haja dedinhos nervosos para registrar tudo o que se passa em minha cabeça.


1ª Fase - Encantamento

Sou movida por ele. Se deixar algum dia de me encantar seja lá com o que for, pode ter a certeza que em pouco tempo morro. Aliás, qualquer pessoa morre aos poucos se o encantamento deixar de existir em sua vida. É ele que nos move, nos faz os olhos brilharem, ilumina nosso espírito. Me encanto com o dia amanhecendo de mansinho, trazendo o calor do Sol a nos brindar mais um dia de vida. O casal de beija-flor que toda manhã aparece em meu jardim colhendo o pólen das flores é outro momento que me encanta.

2ª Fase - Desencantamento

Algumas atitudes do ser humano me desencantam. Por mais que tente me precaver. Uma das coisas que me desencanta é a falta de sinceridade das pessoas. Sei que não sou um poço de virtudes na face da Terra mas, se tem uma coisa que sou, é sincera. Quando me relaciono com uma pessoa me entrego por completo e sou transparente em minhas ações, falas, atitudes. No entanto, observo pela minha vivência, que não é o caso da maioria das pessoas. E quando falo em relacionamento, aqui englobo todo tipo de relacionamento: familiar, amizades, profissional e, claro, namoro/ficante/amante/casamento/rolo e afins.

3ª Fase - Esperança

Essa é outra que me acompanha desde que me entendo por gente. Se não houver esperança, seja lá do que for, de que vale a vida? Já observaram pessoas que vivem sem esperança na vida? São criaturas/zumbis. Não expressam emoções, não sorriem, trazem em seus semblantes uma máscara mortuária o tempo todo. Chega a dar agonia ficar muito tempo ao lado delas. Por isso, tenho esperança de um país melhor mesmo que o panorama atual vá contra esse meu pensamento. O mesmo pensamento tenho para com o planeta e o ser humano. Tenho esperança de que um dia, seremos uma verdadeira raça pensante,que governará esse planeta para um mundo melhor. Utopia? Pode ser mas, tenho esperança.

4ª Fase - Questionamento

O tempo inteiro. Algumas vezes chego a ter um cansaço mental absurdo de tanto que me questiono sobre as mais diversas situações. Seja no trabalho, seja em casa, seja entre os amigos e minhas tarefas. Isso é bom. Não reclamo não. mas confessoq ue as vezes me sinto esgotada de tanto pensar e matutar sobre os assuntos. Mas antes isso do que ser uma ameba como tantas pessoas que vivem por aí. Aliás, não vivem. Passam.

5ª Fase - Reintegração

Se formos sábios, nos reintegraremos sempre. Podem perceber que as pessoas que são desajustadas, de alguma forma, se negam a se reintegrar na sociedade. Seja na própria família que é o primeiro núcleo social a que pertencemos. Seja na escola, na universidade, na empresa. Pessoas que têm uma grande dificuldade em se reintegrar sofre por dentro a dor de não se sentir pertencendo a nada e a lugar nenhum. E sofre também a discriminação das demais pessoas que a cercam e não conseguem entender sua conduta. procuro sempre, na medida do possível, me reintegrar, me reajustar para poder viver bem e ser compreendida. Nem sempre obtenho sucesso mas, isso também faz parte do grande jogo da vida.

6ª Fase - Ressonâncias

Finalmente a palavra que reuni todas as demais descritas acima. Somos o conjunto de todas essas atitudes. E claro, todas elas ressoam de acordo com as nossas ações. Se passo uma vida amando, tendo um olhar manso para o próximo, se busco na medida do possível ter uma boa conduta de vida e ter bons valores, é claro que isso se propagará em tudo na minha vida. Sei também que nem sempre isso vale. Se assim o fosse, pessoas do e de bem, jamais sofreriam. Jamais perderiam seu amores. Jamais seriam enganados ou sofreriam qualquer tipo de violência. No entanto, essas mesmas pessoas que trazem em si valores do bem, se forjam de uma força descomunal para superar as adversidades da vida. E, assim como o bambu, se vergam diante da ventania e tempestade, mas jamais se quebram. É o que hoje conhecemos pelo nome de resiliência. O poder de se reestruturar e se refazer sempre.

Para terminar, deixo aqui meus agradecimentos as Rs maravilhosas que criaram e me convidaram a participar dessa blogagem coletiva: Rute, Roselia, Luma e Regina (Membro Honorário). Meu muito obrigada pelo convite a troca de experiência e vivência que todas temos. E obrigada também pelas novas amizades que fazemos ao participar dessas blogagens coletivas. Até a próxima!
 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Novo texto meu no Coletivo Claraboia

Numa biblioteca, a censura pode ser exercida das mais variadas formas: censurando o próprio livro retirando-o do acervo corrente e fazendo ele “dormir” por tempo indeterminado; impedindo que certas classes frequentem a biblioteca e usufruam de seus serviços. E nisso incluem classe social, determinadas tribos e até mesmo a forma de se vestirem. Leia mais

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Resgatando um talento esquecido

'Vai, abandona a morte em vida em que hoje estas
Ao lugar onde essa angustia se desfaz
E o veneno e a solidão mudam de cor
Vai indo amor
Vai recupera a paz perdida e as ilusões,
não espera vir a vida às tuas mãos
Faz em fera a flor ferida e vai lutar
Pro amor voltar
Vai faz de um corpo de mulher estrada e sol
Te faz aman...te Faz meu peito errante
Acreditar que amanheceu
Vai corpo inteiro mergulhar no teu amor
Nesse momen...to vai ser teu momento
O mundo inteiro vai ser teu, teu, teu
'


No final de semana, fazendo a faxina dos CDs, tive um adorável encontro com o passado. Passado esse, diga-se de passagem, que não vivi. Pelo menos não intensamente como os adultos. Afinal, quando esse cantor fez sucesso, ainda era criança e nem me dava conta do mundo que me rodeava.
Como minha casa sempre foi muito musical pois meus pais sempre gostaram de música, tive a grata formação musical com boas músicas. Lá em casa sempre circularam boleros, cantores da MPB de primeiro quilate como Nelson Gonçalves, Angela Maria, Noel Rosa, Pixinguinha, Elisete Cardoso, Elis Regina. E, na epoca em que era criança, em meados de 68/76, ouvia muito os cantores que estouravam nas rádios: Roberto Carlos, aliás, assistia sempre os programas da tarde com ele e os demais cantores da Jovem Guarda. Era apaixonada pelo belo príncipe Ronnie Von! Mas, tem um cantor/compositor que ouvia muito e que, mesmo não entendendo muito o auê em torno dele, amava ouvir suas canções. E amava sua voz! Vim a saber sobre ele bem mais tarde, quando já adulta. Sua vida, suas demais canções, sua perseguição e exílio no exterior durante a ditadura militar. Estão me acompanhando o raciocínio no texto? Leram a frase primeira que inicia? Reconhece de quem é? Não? Você não é dessa epoca? Sem problemas.
Fiz toda essa vasta introdução para falar de um compositor e cantor que amo: Taiguara. Hoje em dia, quando falo sobre ele, muitas pessoas fazem cara de interrogação pois nunca ouviram falar. Natural já que ele foi uma das grandes vítimas da ditadura militar nos anos 60/70. Como muitos, foi relegado ao esquecimento. Mas seu talento, sua voz, sua sensibilidade se mantiveram intactos para muitos que o conheceram. Ao limpar o CD que tenho com seus grandes sucessos, coloquei para rodar e voltei no tempo ouvindo suas belas canções de amor. Ao colocar o outro CD que tenho, já pude vislumbrar um outro Taiguara. Passei a conhecer o cantor dos grandes festivais e seu lado mais politizado. O que o levou a perseguição da ditadura militar. Muito interessante vasculhar e procurar saber como as coisas funcionavam realmente naquele período negro em que o país mergulhou. E agora a pouco, voltando do almoço e entrando no Face, me deparei com uma postagem do escritor Ricardo Ramos Filho justamente falando de Taiguara. Me bateu um saudosismo bom e uma vontade absurda de falar dele. Não deu outra, fui até o Youtube, pesquisei sobre ele e veio vários vídeos com suas canções. Por isso, me deu uma vontade louca em compartilhar com vocês por aqui um vídeo e falar um pouco desse talentoso compositor que partiu tão jovem. É minha forma de homenageá-lo e resgatar um pouco da boa música brasileira que anda tão em falta nas rádios.



terça-feira, 28 de agosto de 2012

Chuva, cai!!!!!!!!

Nunca ansiei tanto por uma chuva como nos últimos dias. Mais do que aguentar a sinusite, a rinite e demais "ites" atacadas, meu interior anda ressequido. É impressionante como o clima influi em nosso humor e disposição. Tenho dormido mal, atravessado os dias de forma incômoda, sentindo muita sede. E o que dizer do pó que se acumula por conta da poluição? Daí, por conta desse ar seco e poluído, comecei a ter alergia cutânea. Por trabalhar numa biblioteca e mexer muito com papéis, minhas mãos se ressecam com facilidade. Tenho sempre de passar creme hidratante nelas caso contrário, dá a sensação de que vai rasgar a qualquer momento. Tenho coçado energicamente as mãos, braços, olhos. A noite, é minha barriga que coça. Um inferno! Outro dia, li na internet que os dermatologistas estão alertando as pessoas para que nesse tempo seco, hidratem o corpo com mais frequência devido as coceiras. Aí pensei com meus "coções": É isso então! Não estou sarnenta. A culpa é do tempo seco. Ufa! Estou salva! E dá-lhe óleos e cremes hidratantes pelo corpo todo. AInda bem que gosto desses cuidados com o corpo. Não tem nada melhor do que chegar em casa após um dia de trabalho e poluição e cair debaixo d'água se lavando e passando óleo pelo corpo. E após o banho, besuntar ele todo com cremes hidratantes que amaciam e perfumam nossa pele.É um carinho que todas nós merecemos. E agora, quase 18h, olho pela janela e vejo que talvez chova. Abro um tímido sorriso e agradeço por essa benção da natureza. Precisamos de chuva! Fecho todas as janelas e encerro mais um dia de trabalho.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Confissão


Encontro-me inquieta. Após uma tomada de decisão que a princípio me pareceu sensata, eis que me pego em chamas. Ardo por dentro com tua ausência. Agora mesmo, olhando pela janela, percebo que a tarde cai pelos prédios banhando-os de cinza. Assim como se encontra meu interior. As chamas que mencionei acima queimam tudo o que pensei ter construído ao seu lado. Mas a realidade, servindo de combustível, vai pouco a pouco me queimando por dentro e destruindo todo meu castelo de ilusões. Você com certeza não entendeu minha atitude e deve estar até agora maldizendo a hora em que me conheceu. Deve pensar o quanto sou desajustada emocionalmente, o quanto imatura ainda me encontro. E sabe o que mais? Nem posso tirar sua razão. Mas vamos combinar: você também não é fácil não! Fecha-se em copas quando a questão é sentimento. Nunca soube de fato quem é. Nunca soube de fato o que sentia ou pensava quando ao meu lado. Sempre sisudo, sempre fugiu de se abrir e expor-se emocionalmente. Talvez fosse também uma estratégia de defesa. Não sei o que passou na vida. Acho que não aprendeu a amar, ou, se ama, não aprendeu a demonstrar. Ou, em última hipótese, se amou, demonstrou, sofreu. E hoje, por uma questão de sobrevivência, cala-se.

Eu, já o contrário de você, me apaixonei inúmeras vezes na vida, amei também e não tive problemas em demonstrar. Quebrei a cara. Chorei, berrei, amaldiçoei. Lavei minh’alma e com o tempo, me reergui pronta para uma nova experiência. Sei lá, na minha concepção de vida, isso faz parte da nossa vivência, faz parte do romance de vida que escrevo. Não quero deixar uma página em branco por isso não descarto tais experiências. Também não estou afirmando aqui que, por ser assim, sou melhor que você. Não meu querido! Não mesmo! Aprendi muito com você. Acredite! Da mesma forma que espero que tenha aprendido algo de bom comigo. Conviver é isso. Troca de experiências, vivências...É assim que crescemos. Por isso o ser humano vive em grupos. Para nos aperfeiçoarmos.

Rio sozinha olhando para fora. O céu continua cada vez mais cinza. Acho que vai chover.

Meu Deus! Olha só eu bancando a filósofa de boteco! Meu riso continua sem parar passando do riso de Monalisa para uma gargalhada escrachada que chama a atenção de todos por perto. Rio tanto, que meus olhos se enchem d’água transformando-se num risochoro sem fim.

As pessoas me olham com o canto do olho, fazem sinais umas para as outras e pouco a pouco, saem de perto. É constrangedor, eu sei. Mas não consigo parar. Rio e choro ao mesmo tempo. E sua imagem continua nítida à minha frente. Sério, enigmático. Nunca sei o que se passa por sua cabeça. Nunca saberei. Isso, agora eu sei. No meio de toda essa catarse em que me encontro, vem a minha mente um livro que li há tempos e que muito me emocionou. Um livro da escritora portuguesa Inês Pedrosa. E nunca, seu título se encaixou tão bem quanto agora:

Fazes-me falta.