terça-feira, 9 de julho de 2013

A busca por nós mesmos


Feriado é bom para descansar em todos os aspectos: sair da rotina, fazer coisas diferentes e ler. Foi exatamente isso que fiz desde sábado quando decidi passar alguns dias na casa de meu irmão. Na viagem de ida já iniciei a leitura de um livro que escolhi entre tantos. Ainda em casa, antes de sair, olhei para meus dois livros começados e resolvi que não levaria nenhum deles pois eram grandes e seria um tanto chato para carregar. Foi onde procurei entre tantos que tenho aqui na estante e optei por um fino que tem me atraído para leitura há um certo tempo: A chave de casa, de Tatiana Salem Levy.
Desde que foi lançado em 2007, chamou-me a atenção mas como sempre tive outros na frente para ler, esse foi ficando na lista de espera. Até que sua vez chegou e simplesmente me deliciei com sua leitura!
Devo dizer desde já que não é uma leitura convencional e, para aqueles que gostam ou estão acostumados a livros "começo, meio e fim", esse não irá agradar. Explico: Tatiana ousou em seu primeiro romance, uma linguagem diferenciada do convencional. Sem dúvida ela correu um certo risco de pôr seu projeto a perder mas como boa jogadora arriscou e acertou na mosca.
Escrito por várias vozes: a narradora, a mãe, o avô. São várias histórias que se desenvolvem partindo ora no passado, ora no presente e algumas vezes nos deixando em dúvida sobre o real e o imaginário da narradora.
Capítulos curtos, concisos, nos pega pelas mãos e nos leva para as ruas de Estambul para a busca e origens de sua família que vieram de tão longe para fixar moradia no Rio de Janeiro. Essa busca da personagem pelo passado de seu avô que se simboliza através da chave da casa que ele lhe deu, também nos faz refletir sobre nosso passado, a vida de nossos descendentes e a nossa própria vida.
Como sou apaixonada por histórias onde as relações humanas são o condutor da narrativa, sem dúvida que fiquei encantada com esse romance.Essa é minha dica de leitura de hoje.

Sinopse:
Passando por temas como a morte da mãe, a relação com um homem violento, viagem, raízes, herança, entre outros, a autora procura tecer um romance de vozes diversas. Neta de judeus da Turquia e filha de comunistas do Brasil, a narradora recebe do avô a chave que abriria a porta da casa de Esmirna, para onde os avós fugiram durante a Inquisição.

Título: A chave de casa
Autora: Tatiana Salem Levy
Editora: Record
Ano: 2007

domingo, 23 de junho de 2013

O balanço foi feito. Agora é só comemorar!


No dia 24 de junho de 1963, as 16h45, brilhei nesse mundo! Desde o dia anterior Ilda já sofria as dores do parto mas, como sempre, fui devagar para nascer. Não tinha pressa pois sabia que brincaria por muito tempo. Típica canceriana, fui uma criança com imaginação de sobra e juízo de menos. Assim os adultos se dirigiam à mim. Não posso queixar de minha infância. Apesar das inúmeras dificuldades financeiras que a família passava, tive uma infância alegre, brinquei muito, de tudo o que se possa imaginar. Pega-pega, amarelinha, queimada, passa anel, casinha com bonecas, bambolê...
E tantas brincadeiras mais que já nem me lembro e que fizeram parte de minha fase de criança.Magricela, sardenta, cabelinhos ralos, exibida, careteira são os inúmeros adjetivos para representar a Roseli criança.
Fui uma adolescente deslumbrada com o mundo que se descortinava diante desses olhos sonhadores. E como sonhei!!! E paquerei também. E me apaixonei muitas vezes também. Até o dia em que ingressei de vez na vida adulta e de lá pra cá muitas coisas mudaram. Outras não.
A vida adulta, suas exigências, suas responsabilidades foram pouco a pouco minando o espírito sonhador e lúdico que tanto me embalou. Os problemas cotidianos, as contas para pagar, as inúmeras decepções foram tomando lugar em meu coração e tornando-me uma pessoa sisuda, fechada, desconfiada. Até o momento em que não mais aguentei e parei com tudo e pensei: foi isso o que sempre quis para sua vida? 
Lembrei-me de quando mais jovem, observava alguns adultos e via a amargura estampada em seus semblantes e vivia dizendo a mim mesma: Não quero me tornar assim. Jamais serei assim! Deus me livre ficar amarga como essa fulana!
E constatei sofridamente que tinha me tornado exatamente como aqueles adultos de meu passado. Isso doeu profundamente. Foi onde constatei que sozinha não sairia desse labirinto emocional em que me perdi.
No ano passado tomei a decisão de procurar um psicanalista e iniciei minha busca por mim mesma. E apesar das constantes crises que ainda passo, tem me ajudado e muito a resgatar aquela Roseli menina sonhadora, leve, alegre que fui um dia. Havia pensado que ela estava morta e enterrada. Ledo engano.
Estava apenas adormecida e sufocada por tantas mágoas, decepções, preocupações que a vida adulta me obrigou a engolir. Ou, engoli deliberadamente estando numa zona de conforto que parecia ser algo seguro.
Também venho passando por uma crise existencial devido a aproximação dos cinquenta anos. Medos dos mais diversos tipos. Não casei, não tive filhos, sei que não terei nem um muito menos o outro. Não deixarei herdeiros para darem continuidade a minha história. Não plantei árvores nem publiquei ainda um livro só meu. Não tenho um carro pra fazer bonito perante a sociedade materialista, não possuo imóvel para mostrar o quanto conquistei na vida. Fiz poucas viagens. Uma só para o exterior. Nunca fui amada de verdade por um homem. Nunca recebi flores, nem mimos de espécie alguma. Nunca comemorei o Dia dos Namorados com alguém. Enfim, para muitos que lerem esse texto desabafo/reflexivo pode pensar: Que merda de vida! Que pessoa mais medíocre! Que coitadinha!
No que respondo de imediato: Pode até ser que seja tudo isso mas essa vida é a única que tive, que conheci logo, é essa que tenho de amar, de cuidar, de dar tratos e respeitar. Afinal, se nem mesmo eu gostar então é reta final para mim. Posso zerar e pedir a conta e sumir no universo pois não farei falta alguma. Mas sei que não é bem assim. Sou rodeada de pessoas que realmente me amam, me respeitam, me querem por perto. E a que mais me ama e me respeita sou euzinha mesmo. E já estou me tratando com mais respeito e carinho. Já me conscientizei que não formarei família nessa vida. Pelo menos não a família convencional. Mas já tenho vários "filhos postiços" que me querem bem demais. A começar por meus sobrinhos queridos que amo demais e sei o quanto eles me amam também. Tenho meus amigos queridos que me suportam e são ponta firme quando o quesito é chorar em seus ombros e também são excelentes quando o tópico é se divertir. São maravilhosos e agradeço diariamente a presença deles em minha vida. Conquistei amigos durante esses anos que não passam apenas as mãos bondosas em minha cabeça quando faço algo que irá me prejudicar. Não! Esses amigos, se preciso for, dão uns cascudos na orelha pra ver se me despertam de minhas inúmeras surtadas emocionais. Confesso que na hora me dá uma raiva que só mas depois, de ânimos acalmados, como os agradeço pelo chacoalhão!
Hoje, ao arredondar 50, olho para trás e observo que não faria um milímetro diferente do que fiz. Sim, mesmo os erros que cometi, os faria novamente pois foi o pacote todo que fizeram minha vida rica. Foram os inúmeros deslizes, tropeços, empurrões, micos que paguei que dão o toque especial a ela. E também não desviaria de nenhuma pessoa que cruzou meu caminho. Todos, sem exceção, tiveram sua cota de importância
No ano passado, quando estava no ápice de minha crise existencial, olhava-me no espelho e me enxergava velha, cheia de rugas, sem viço jovial que tivera na passado. Já me encontrava no fundo do poço.
Hoje, já tenho uma nova percepção de mim mesma. Continuo enxergando as mesmas rugas, manchas, cabelos brancos que a cada dia aumenta mas que continuo bravamente a escondê-los - mas que já tenho trabalhado para assumi-los um dia - meu corpo tem mudado e muito. Mas tenho cuidado com carinho dele. Hoje, com um outro olhar. Não busco mais a perfeição. Busco qualidade de vida. Quero envelhecer com qualidade e para isso tenho de me exercitar. Hoje, sigo para a academia com prazer, com alegria e ao término de cada aula, sinto-me grata.


Não tenho bola de cristal portanto não posso adivinhar meu futuro. Também não sei o prazo de validade quando aspira. Mas não faz mal. Quero viver intensamente cada minuto dessa minha vida restante. Hoje completo um ciclo importante de minha vida e devo seguir em frente. A juventude fica lá para trás onde deve ficar. Contudo, meu espírito jovial permanece aqui comigo até o fim. Sigo contente para o ciclo seguinte consciente de que ele será aquilo que eu desejar que seja. E eu quero que ele seja pleno, alegre, intenso.
Hoje, olho-me no espelho e brindo essa vida que, se não é a melhor, é a mais perfeita que consegui e não devo lamentar aquilo que não foi mas sim, agradecer por todas as conquistas que alcancei.
E faço aqui meu convite: pegue você também um copo de quentão (humm!!! adoro) e venha comemorar comigo! Feliz Dia de São João e...

Feliz Aniversário para mim mesma!

(Imagem retirada do Google Imagem)

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Uma nova era se abre para todos nós

A estupidez humana me comove e me causa uma revolta imensa! Estamos em meados do século XXI e parece que não saímos da Idade Média. Sei que a humanidade tem uma certa lerdeza em dar cada passo rumo a sua evolução. Ou, por outro lado, tenho consciência de que cada passo leva muito, mas muito tempo para acontecer. Das duas uma: ou essa letargia está demorando demais, ou minha ansiedade está em modus crescente.O que tenho observado nessas últimas décadas não só por aqui, em Terras Tupiniquins, mas por todo o planeta, é algo que muito me preocupa. Por mais que um grupo elevado tenta de todas as formas lutar para e pela evolução de todos, em contraponto, tem sempre uma corja mal intencionada que só faz atrasar a tal evolução.
Boa parte de minha vida achei ingenuamente, que todos os brasileiros fossem de boa conduta, boa índole, alegre, honesto, sincero.
Hoje, amargamente reconheço que não. Ainda existe pessoas assim como imaginava mas, por outro lado, vivemos entre seres com uma sombra enegrecida sobre eles que nos impede de crescer, de enxergar a luz. Os últimos acontecimentos provam esse meu pensamento.
De uma hora para outra, como verdadeiros répteis, foram ganhando forma, se fortalecendo sempre na penumbra. De forma aviltante, usam o bom nome de Deus em vão para justificar suas atitudes tão nefastas.
Pessoas que se passam por verdadeiros "Cordeiros de Deus" utilizando de um discurso fascista e altamente perigoso. Para todos! Pessoas que se dizem "Família" mas que na prática fazem os maiores horrores: pedofilia, prostituição infantil, tráfico de entorpecentes...Mas o pior disso tudo é atentar contra os direitos do seu próximo.
Aí o bicho pega!
Tenho absoluta certeza que se Jesus pudesse estar entre nós novamente (coitado! Não é nem louco de inventar isso de novo!), faria um estardalhaço pior do que da vez em frente ao mercado. Passagem essa que todos conhecem tão bem.
Ficaria emputecido diante de tanta arrogância desses pseudo religiosos que batem no peito para julgar e condenar alguém. Todos com telhados de vidro. Façam-me o favor!
Usem da mesma "fé", da mesma força política para realmente fazer cumprir os verdadeiros mandamentos de Cristo: Amai ao teu próximo como a ti mesmo! Faça ao teu semelhante o que gostaria que fizessem com você.Doe seu tempo livre para o serviço voluntariado em hospitais, creches, asilos, façam mutirões para tirar as pessoas da rua. Doe simplesmente seus ombros para ouvir quem necessite. Dispam-se dessa roupagem de orgulho, ostentação e arrogância e voltem a ser os verdadeiros cristãos que Jesus tão bem exemplificou.
Ele sim, foi cristão verdadeiro. Amou a todos sem distinção. Jamais olhou se seu próximo era branco, preto, pardo, ruivo, magro, gordo, ateu, religioso, hetero ou homo. Isso nada significava para ele.
Sei que nem todos os cristãos têm o mesmo pensamento fascista desse senhor Feliciano. Conheço muitos que são verdadeiros exemplos de amor ao próximo.
Mas me dirijo em especial a todos que compactuam desse triste pensamento distorcido que já não tem mais espaço no mundo em que vivemos.
Senhores, desçam desse pedestal ilusório em que construíram e subiram como forma de se acharem superiores aos demais. Os senhores não são nada! Os senhores não são melhores que ninguém! Muito pelo contrário. Estão tremendamente equivocados em suas posturas e pensamentos.Voltem aos bancos de ensino religioso e retomem as leituras e aprendam a interpretá-las da forma correta. Sem preconceitos. Leiam, aprendam, assimilem e retornem à vida aqui fora. O mundo não tem mais lugar para vocês. Não com essas mentalidades tacanhas.Nunca a frase francesa esteve tão em alta e tão verdadeira: Vive la diference! Igualitè! 
Sei que muitos não concordam com minha forma de pensar, nem desejo impô-la mas, é certeza que passamos aqui no planeta por grandes transformações. Principalmente de ordem moral e essa, é a mais difícil, mais sofrida e exigirá muito de todos nós. Portanto pessoas, tenham serenidade mesmo estando no olho do furacão. Busquem sempre a sintonia de pensamentos com o plano maior, higienize seu campo mental. Não embarque na dos que já se encontram desequilibrados. Pondere suas ações, suas palavras, seus pensamentos. Só assim conseguiremos fazer desse, um mundo melhor onde não haja mais discriminação e preconceitos. Pode acreditar, isso não é utopia. É mudança de pensamento e de conduta e isso sim é possível.

domingo, 16 de junho de 2013

Os olhos falam e guardam muitos segredos...

Ontem a noite estava de bobeira em meu quarto após um dia exaustivo quando decidi assistir a um filme em DVD. Tenho vários aqui em minha estante que ainda não assisti. Procurando algo diferente, me deparei com um filme que há tempos tenho aqui e ainda não tinha visto. Pôxa, é de um ator que adoro, que admiro muito então optei por ele. Não me arrependi! Que triller! Que história! Que interpretações! Que direção maravilhosa! E mais uma vez comprovei o talento dele, Ricardo Darín.
O segredo dos seus olhos, filme que teve indicação e premiação do Oscar de melhor filme estrangeiro com direção de Juan José Campanella. Co-produção Espanha e Argentina conta a história baseada no livro La pregunta de sus ojos, de Eduardo Sacheri.

Direção: Juan José Campanella
Elenco: Ricardo Darín, Soledad Villamil, Pablo Rago, Javier Godino, Guillermo Francella
Gênero: Drama policial

Sinopse: Benjamin Esposito (Ricardo Darín) se aposentou recentemente do cargo de oficial de justiça de um tribunal penal. Com bastante tempo livre, ele agora se dedica a escrever um livro. Benjamin usa sua experiência para contar uma história trágica, a qual foi testemunha em 1974. Na época o Departamento de Justiça onde trabalhava foi designado para investigar o estupro e consequente assassinato de uma bela jovem. É desta forma que Benjamin conhece Ricardo Morales (Pablo Rago), marido da falecida, a quem promete ajudar a encontrar o culpado. Para tanto ele conta com a ajuda de Pablo Sandoval (Guillermo Francella), seu grande amigo, e com Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), sua chefe imediata, por quem nutre uma paixão secreta.

O filme prende do início ao fim nos surpreendendo com o final. Um filme policial dos bons em que cada detalhe te faz pensar e te dá pistas que sempre te levam a coisas inexistentes mas que no final tem sua razão de ser. Adoro isso!! Mais uma vez comprovei a superioridade do cinema argentino que tem  nos proporcionado grandes filmes. Na minha opinião, a produção só pecou na caracterização dos personagens mais velhos após passar 25 anos. Mas de resto, é diversão e filme de qualidade com excelente roteiro, direção e interpretações de primeira. Se já assistiu, vale a pena rever. Se ainda não conhece esse filme, assista!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Emoções no tablado

                                                                                                (Foto de João Caldas)

Muitas vezes ao assistirmos filmes, novelas e peças teatrais nos pegamos pensando: como será o dia a dia de um ator? Como se prepara, como se relacionam entre eles? Enfim, o que ocorre nos bastidores?
Foi exatamente o que constatei ontem na pré-estreia da peça Uma vida no teatro. Comédia dramática do autor norte-americano David Mamet que fala justamente das experiências entre atores de gerações diferentes com uma coisa em comum: o amor ao tablado. Com interpretações brilhantes dos atores Francisco Cuoco e Ângelo Paes Leme. Com direção de Alexandre Reinecke, os atores vivem em cena os personagens Robert e John. O primeiro, um sexagenário com um passado de sucesso e cheio das manias. Nele, reflete as vaidades, a arrogância, a carência de alguém que chega a essa idade solitário. John, um jovem ator cheio de energia, disposição para atuar e para ouvir as histórias que o velho ator tem a lhe contar e ensinar. A convivência no palco tanto em cena quanto nos bastidores vai pouco a pouco, trazendo a baila as diferenças, implicâncias, invejas que são comuns não somente no meio artístico mas também na vida de todos. Um universo rico, com atuações brilhantes. Alternando momentos de dramaticidade e comédia, Francisco Cuoco e Ângelo Paes Leme conseguiram emocionar a todos que compareceram ontem ao teatro. Após o término da peça, os atores juntamente com o diretor responderam a perguntas. Momento de descontração e simpatia dos atores e diretor. A temporada começa dia 14 e vai até 04 de agosto no Teatro Vivo SP. Vale muito a pena!

Uma vida no Teatro
Direção Alexandre Reinecke
Com: Francisco Cuoco e Ângelo Paes Leme
Teatro Vivo SP
Endereço: Avenida Doutor Chucri Zaidan, 860 - Morumbi

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Vergonha para a mulher, vergonha para a nação. Abre teu olho!


Vivemos tempos nebulosos e paira uma nuvem negra sobre nossas cabeças. Quem me conhece sabe que não costumo ser pessimista. No entanto, diante de tantos acontecimentos sucessivos que berram contra os verdadeiros "Direitos Humanos", ponho minhas barbichas de molho.
Lutamos tanto no passado para fazer valer nossos direitos. Direito de voto, direito de ir e vir, direito de escolhas, direito à vida.
Contudo, uma gleba de senhores que se autointitulam guardiães da família e bons costumes, tentam nos enfiar goela abaixo leis, normas, regras que são tudo, menos defesa dos tais "Direitos Humanos". Até mesmo porque, eles são os primeiros a violar tais leis. E talvez a mais importante: Liberdade!
Seja ela de escolha, de gênero, de imprensa, enfim, Liberdade. Plena, Irrestrita, Responsável. 
LI-BER-DA-DE.
Nossa sociedade nunca correu tantos riscos de perdê-la como agora. Sinto no ar cheiro de ditadura da pior espécie. Como um réptil, rasteja sutilmente e com seus tentáculos vai pouco a pouco tomando conta de todos os setores importantes que movem um governo.
Corrupção, desrespeito as decisões da justiça, desmandos públicos, manipulação da informação, compra de votos, e agora, mais esse golpe contra nossa democracia: o Estatuto do Nascituro.
Quero deixar aqui bem claro que particularmente sou contra o aborto. No entanto, sou acima de tudo pelo bom senso. Cada caso é um caso e, cada cabeça uma sentença. Mesmo sendo contra o aborto, respeito a mulher que opta por ele. Cada pessoa sabe o que deve fazer de sua vida, de seu corpo.
Outro absurdo criado por esses mesmos senhores: Bolsa-gestante. Chega a ser ofensivo essa bolsa-gestante. O governo devia era investir massivamente na educação de nossos jovens, dar orientação sexual de fato nas escolas e não essa bolsa-consolo para a mulher que for vítima de estupro. É aviltante, lamentável, ofensivo!
Além do mais, a atitude desses senhores é muito mais movida pelas artimanhas políticas e jogo de interesses escusos do que a preocupação em proteger um embrião. Por conta desses tais interesses mundanos e podres, jogam na latrina todos os direitos que a mulher tão brava e duramente conquistou.
Nasci e fui criada numa família onde a religião sempre esteve presente. A primeira e a mais importante lição que recebi foi o respeito pelas pessoas, pelas instituições e por todas as religiões que existem.Mesmo que não compreenda ou não concorde com as ideologias religiosas vigentes, sempre respeitei. Não é o que tenho visto recentemente. Sempre fomos considerados um país laico. Sempre me orgulhei dessa posição. Mas estamos caminhando para uma via pra lá de perigosa: a imposição de uma postura religiosa se mesclando ao que de pior existe na política de um país: o jogo de poderes.
E para quem acompanha a escala histórica, sabemos bem o resultado dessa união.Nossa democracia corre risco de vida sim! E compete a nós, brasileiros, lutar para que isso não ocorra.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

A um passo de meio século

Em breve entrarei para o time das "Cinquentinhas". Isso já tem mexido comigo há pelo menos uns três anos. Pode parecer exagero? Pode ser que sim, pode ser que não. O fato é que passei ilesa pela crise dos vinte, dos trinta e dos quarenta. Mas os cinquenta, confesso que pegou forte. O fato de estar prestes a completar meio século de vida (estão me entendendo?) fez borbulhar uma série de questionamentos que até então tinham passado em branco.
A começar pelo físico que por mais que nos cuidemos, o tempo é inexorável! A genética idem! Não posso me queixar não. Fisicamente estou muito bem. O rosto já mostra as marcas do tempo sinalizando pés de galinha que antes não existia, manchas senis que insistem em se materializar, o famoso bigode chinês que pouco a pouco vai se fincando sem dó nem piedade, olheiras que insistem em me fazer companhia.
Ah! isso sem falar no cabelo que já está praticamente cem por cento branco. Eu é que ainda não tive coragem de assumi-los.Tenho algumas conhecidas que deixaram de se escravizar pelas tinturas. Confesso que tenho a maior admiração pela atitude delas. Mas ainda não me sinto preparada para tal passo. Não sou do tipo "coroa metida a ninfetinha" mas por ter um espírito jovial me visto informalmente. Gosto de um bom jeans, camiseta e tênis. Mas também adoro botar um vestido bem bonito e explorar toda minha feminilidade.
Voltando ao fator "envelhecer", ou se preferirem, amadurecer, percebi que de uns anos pra cá fui ficando de espírito rígido. Logo eu, que sempre tive horror a me tornar uma pessoa amarga diante da vida. De uma hora para outra me vi sendo cópia dessas pessoas de meu passado que tanto me horrorizavam. Parei com tudo! E entrei numa fase de questionar e botar na balança minha vida. E as tais perguntas passaram a pulular me minha cabeça já tão confusa:
"O que fiz de minha vida? O que conquistei em minha vida? Não casei, não plantei árvores, não tive filhos e ainda não escrevi um livro. Tô fodida e mal paga! Estou prestes a completar 50 anos e não tenho ninguém."
PQP piração total! Minha vida virou de cabeça pra baixo ao ponto de procurar ajuda terapêutica senão pirava de vez!
E tenho feito um balanço geral de tudo desde meu nascimento. Além da ajuda da psicanálise que tem me feito muito bem, como leitora voraz que sou, fui em busca de alguns livros que abordem a maturidade e como lidar com ela. Encontrei alguns ótimos que abordam a temática de forma bem legal.
Um que estou com a leitura bem adiantada  é O melhor momento: aproveitando ao máximo toda a sua vida, de Jane Fonda. 
Sinopse: com base nas mais recentes pesquisas científicas e em histórias de vida - incluindo a sua - , Fonda trata de questões relativas a sexo, amor, sociabilidade, espiritualidade, alimentação, atividade física e autoconhecimento na maturidade, mostrando como a fase de transição dos 45 aos 50 anos e, principalmente dos 60 em diante pode ser aquela em que realmente nos tornamos as pessoas ativas, afetuosas e plenas que sempre deveríamos ter sido.
Se espantou com quem escreveu? Eu também! Mas olha, estou adorando cada página desse livro dela.
O balanço que ela faz de sua vida, as crises, as neuroses que a acompanharam por toda sua existência e que ela buscou investigar justamente para ter uma terceira etapa de sua vida com qualidade. E é isso que quero para a minha vida. 

Outro livro que achei bem interessante é A arte de ser leve, de Leila Ferreira. 
Sinopse: Gentileza, bom humor, desaceleração e felicidade são alguns dos temas discutidos de forma inteligente e divertida por Leila Ferreira. ...O livro aponta para o perigo de emagrecermos o corpo, mas ficarmos com obesidade mórbida do espírito. Achei o máximo essa última frase!




E um outro que já está na minha lista de leitura sobre a temática é A arte de envelhecer, de Sherwin B. Nuland.
Sinopse: Médico a quatro décadas, o Dr. Nuland examina o impacto do passar dos anos na mente e no corpo, nas ambições e nos relacionamentos. Unindo a paixão de um cientista pela verdade ao entendimento de um humanista sobre o coração e a alma, o doutor ensina que a velhice não é uma doença, e sim uma arte.


Ainda falarei muito sobre esse tema por aqui mas por hora, deixo essas dicas de leitura. Não é somente para quem já é idoso ou para quem como eu, está prestes a botar os pés nessa fase da vida. São leituras agradáveis que nos orientam para uma qualidade de vida melhor.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Tuiteratura - um jorro de criatividade concisa


No sábado tive o prazer de comparecer a abertura da mostra Tuiteratura no SESC Santo Amaro.
Desde que o Twitter surgiu em 2006, muitas pessoas passaram a utilizar dessa ferramenta para divulgar a literatura. Nanocontos, microcontos, haicais passaram a fazer parte dos que se comunicam por aqui. Giselle Zamboni , agitadora cultural e tuiteira, encantada que ficou com a interatividade existente no Twitter, visualizou e decidiu realizar esse sonho: convidar e contagiar escritores para uma troca de textos literários em até 140 caracteres. O resultado foi tão bom que transformou-se na mostra que saiu da forma virtual para a física. Evento que já extrapola o território nacional e sensibilizou escritores de outros estados e países a participar. Por ser interativo, a mostra está diariamente se transformando e novos autores surgem nas telas da exposição. Visualmente está lindo! Estive presente na abertura e vi o quanto as pessoas se encantaram em ler os poemas e transformar a tela com seus movimentos fazendo surgir novos poemas do nada. Eu, particularmente me senti uma deusa com poderes especiais ao me movimentar e transformar do aparentemente nada, poemas lindos e formas variadas de acordo com os movimentos que fazia. Se você deseja participar ainda dá tempo: 

Tuite seu texto em até 140 caracteres + #Tuiteratura


(Fotos retiradas da página do evento no Facebook)

TUITERATURA - SESC Santo Amaro
Endereço: Rua Amador Bueno, 505 - Santo Amaro
Datas: de 26 de maio a 04 de agosto de 2013
Horários: de terça a sexta, das 10h às 21h / sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h
Entrada: Grátis
Contatos: tuiteratura2013@gmail.com

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Eterno pesar

Um minuto. Apenas um minuto é o suficiente para mudar o curso da vida. Não de uma vida mas, de muitas vidas.
E o que vale uma vida hoje? Qual seu valor de mercado? Um celular? Uma nota de dez, vinte, cem reais? Uma trepada não consentida? Uma opinião diferente da sua? Você ser do time adversário?
Quanto vale uma vida hoje? Quanto ela valia ontem ou no século passado?
Tais questões filosóficas passam rápido por minha mente toda vez que ouço ou leio alguma reportagem desse tipo.
Não sou adoradora da desgraça alheia. Muito pelo contrário, fugo de programas que exploram tragédias pessoais. No entanto, não tem como fugir delas principalmente quando tomam proporções gigantescas como foi o caso da menina Isabella, do empresário esquartejado pela esposa, dos pais que foram mortos pela própria filha e tantos outros casos que não temos por onde escapar. Ouvimos sobre eles em toda parte. Na condução, na fila de banco, no consultório médico, no salão de cabeleireiro através da manicure que ama falar da vida alheia e que, ao narrar os acontecimentos, seus olhos ganham um brilho anormal.
Acho graça ao mesmo tempo que lastimo ver o quanto a vida da maioria das pessoas são pobres e que a desgraça alheia dá um pouco de coloridio às suas desbotadas vidas.
Era muito jovem e ainda não me ligava às coisas da vida adulta quando aconteceu o assassinato de Claudia Lessin Rodrigues. Lembro-me perfeitamente da comoção nacional que foi. E olha que naquela época ainda nem existia a internet! Como em casa meu pai não permitia que assistíssemos essas notícias escabrosas, muita coisa só vim a saber bem mais tarde, já na fase adulta. Por um lado foi boa essa preocupação de meus pais em preservar nossa inocência diante de coisas tão brutais.
Hoje, observa-se uma banalização da violência. As crianças desde a mais tenra idade convivem até com uma certa naturalidade com o bombardeio de tantos acontecimentos violentos que ocorrem em nossa sociedade. Até acham graça e fazem piadas sobre fulano ou sicrano que barbaramente foi assassinado.
Piadinhas infames brotam nas redes sociais toda vez que algo incomum acontece. Pessoas têm verdadeiro prazer em ver fotos de corpos dilacerados, cérebros estourados, membros esquartejados. Vivemos numa sociedade que tem um prazer mórbido por sangue. E nem vampiros a lá Anne Rice somos.
Infelizmente somos piores! E rodei, divaguei por todas essa minhas linhas filosóficas para lamentar mais um infeliz acontecimento que ouvi logo pela manhã: a intolerância movendo um vizinho a cometer duplo homicídio e logo em seguida se matar. Duas vidas exterminadas por não saberem viver em sociedade, não entendendo que o seu direto acaba onde começa o direito do seu próximo. Observem comigo quantas vidas em questão de minutos foram radicalmente mudadas! E não falo apenas dos familiares e amigos que terão de conviver com essa tragédia. Falo também por nós que igualmente somos acertados por esse efeito dominó.
Enfim, mais um caso, mais vidas que se exterminam. Amanhã já será notícia velha.
Mas eu continuarei a lamentar e tomo mais uma vez emprestado o famoso título do autor alemão J. M. Simmel  "Por quantos ainda vamos chorar?"

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Redes sociais e seu (mal)uso


(Imagem retirada do Google Imagem)

Desde que comecei a navegar pela net, isso nos idos de 95/96, comecei a pegar gosto pela interatividade e não parei mais. Fiquei um bom tempo no Orkut, fiz amigos por lá, reforcei outras amizades já existentes e troquei muitas informações. Eu, particularmente, nunca tive problemas com ninguém mas sempre observei pessoas sendo humilhadas, xingadas através de comentários desrespeitosos de pessoas que infelizmente mostram bem o nível em que se encontram.Sou frequentadora assídua do Facebook e sempre foi um prazer passar algumas horas lendo, obtendo informações, rindo de algumas piadas e conhecendo mais pessoas.
Mas confesso que ultimamente tenho saído sempre com um gosto ácido na boca por ver tantas agressões nas publicações. Pessoas que ao que parece, são mal resolvidas, tem sérios problemas de autoestima e com ódio do mundo, utilizam dessa ferramente para atacar a todos. Em dias de futebol é uma miséria. Uma verdadeira arena de romanos. Uma troca infindável de xingamentos e agressões com as pessoas do time adversário. E agora mais recente, a mesma arena serve de pano de fundo para a briga entre evangélicos fundamentalistas x homossexuais ferrenhos.
Sempre fui uma pessoa aberta, sem preconceitos, aberta a ouvir, ponderar, fazer amizades com todo tipo de gente. Nunca me importou sua opção sexual, sua religião, sua conta bancária, seu sobrenome. O que sempre me chamou a atenção numa pessoa é o que ela trás dentro de si. Sua essência humana, sua bagagem de vida e por aí vai. Tanto que tenho amigos de longa data que são gays, evangélicos, espíritas, católicos, umbandistas, bruxos, ateus e até mesmo alguns a toa na vida. Mas que de alguma forma, trazem algo de bom e que por isso mesmo, despertou meu carinho e respeito. Procuro sempre ponderar e me colocar no lugar da pessoa para entender seu procedimento. No entanto tenho cada vez mais me convencido que as pessoas estão expondo sua verdadeira face: a da total falta de educação. Afinal, se sou uma pessoa educada, serei em qualquer lugar, em qualquer situação, com qualquer pessoa. Não é o fato de me esconder por trás de uma tela de computador que posso me dar o direito de se transformar num ser totalmente diferente daquele que sou diariamente em casa, no serviço, nas reuniões sociais. Tenho de ser eu mesma em qualquer lugar. Esse papo de dizer que na net posso tudo é desculpa de quem não se assume por completo. Fazer da página de seu Face um muro de lamentações, ring para malhar amigos, parentes ou ex também é de uma deselegância sem fim. Transformar sua página numa ininterrupta propaganda política, religiosa também cai nessa mesma deselegância afinal, temos de ter em mente que precisamos respeitar a opinião dos outros. Eu, de minha parte, se leio algo e não concordo não perco meu tempo brigando e tentando fazer valer minha opinião. É isso. Opinião cada um tem a sua e o importante é respeitar. Eu tenho as minhas e gosto que respeitem, logo, respeito opiniões alheias. É tão simples e ao mesmo tempo tão difícil das pessoas seguirem essa regrinha. 
Só assim podemos viver em paz seja no dia a dia, na net ou em qualquer lugar.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Lamento

O mundo as vezes me surpreende, noutras me causa cansaço mental. Mas o ser humano, ah! o ser humano! Esse sim me causa cansaço total! E me incluo nessa também. Muitas vezes - e não são poucas - sinto cansaço de mim mesma. De meus constantes erros, enganos, ilusões, defeitos. Não posso dizer que antigamente era bem melhor porque estaria cometendo uma injustiça como o atual momento.
Os problemas existem desde que o homem surgiu nesse planeta. A natureza seguia sua ordem de forma harmoniosa, tranquila. Os animais também seguiam seu ritmo sem maiores problemas.
Até que o ser humano deu o ar de sua graça. Aí descambou tudo! Animalzinho mais descarado, inconformado e destruidor! Jamais surgiu algo assim antes.Onde bota sua mão, destrói. Tudo bem, terá aquele grupo que falará em altos brados: Mas muito se construiu também, olha só a evolução que alcançamos!
Não nego! De jeito nenhum! Reconheço suas obras, seu lado bonito e altruísta. No entanto, a humanidade vive em luta constante entre esses dois lados que a compõe: a bondade e a maldade. E nessa luta incessante, muitas vezes o diabinho tem levado a melhor. Vai me chamar de pessimista? De jeito nenhum! Sou até bem otimista e ainda creio que um dia chegaremos lá. Quando não sei. Mas chegaremos. Só sinto que não viverei para presenciar tal acontecimento. Nasci e morrerei no caos total desse mundão de meu Deus!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Quando um momento de prazer se torna um gozo mortal


Hoje tem texto novo meu no Coletivo Claraboia. Para quem ainda não conhece, esse é um blogue literário que eu e meus amigos do curso de criação literária criamos para divulgar nossos textos. Todo mês tem texto novo de cada componente do grupo. Um ano se passou e já contamos com uma coleção muito boa e de qualidade escrita por todos. Vale a pena entrar e conhecer o blogue.
Hoje, o texto tem uma pegada erótica e algum suspense no ar. E ele faz parte da coletânea de contos portugueses Ocultos Buracos promovido pela Pastelaria Studios, Portugal. Vem conferir!