segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Mergulhei nesse oceano e cheguei ao final do caminho


Emocionante! Foi a palavra que me veio à cabeça assim que terminei o último capítulo do novo livro do autor britânico Neil Gaiman, O Oceano no Fim do Caminho. Sendo fã desse autor desde que li pela primeira vez Sandman, e de lá para cá só alegria e muita emoção ao ler seus livros: Os filhos de Anansi, Belas maldições, Stardust, Coraline.

Quando soube de seu mais recente lançamento, não via a hora do livro chegar à biblioteca. Queria ser a primeira a ler. E fui. E amei! E vibrei! E sofri todas as agruras do personagem principal. Isso é o que chamo de boa, brava, estupenda literatura. A que nos pega pelas mãos e nos proporciona aventuras jamais vividas no mundo real. E que mesmo no mundo da fantasia nos obriga a reflexões profundas sobre nosso ser, nossa conduta, nossa existência. Não falarei mais para não estragar a leitura. Só digo que mais uma vez, Gaiman me surpreendeu e me fez muito feliz. É a dica de leitura de hoje.


Sinopse: 
Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino. Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Solo. Um mergulho intenso na história da MPB através da ótica de Cesar Camargo Mariano

O prazer de uma boa leitura, de acompanhar um bom enredo, com narrativa que te seduza, saber de vidas que você até conheceu superficialmente através das mídias. Essa confissão consentida que o autor que se autobiografa nos faz sentir próximos dele e de sua vida. Por essas e outras que gosto de ler biografias. E essa que já aguardava ler há algum tempo me fez viajar por um Brasil que não conheci, num período em que pessoas talentosas envolvidas com as artes no geral - em especial a música - se envolviam por amor e não pelos cinco minutos de exposição e celebridade como é tão comum hoje.
Através do livro Solo: memórias, de Cesar Camargo Mariano, pude conhecer mais a fundo o que já tinha certo conhecimento ao ler a outra biografada que teve uma ligação estreita com ele, Elis Regina. Mas, ao contrário do livro Furacão Elis, de Regina Echeverria, nesse livro de Cesar, tive momentos de leitura em que tive a nítida impressão que o próprio estava sentado à minha frente tomando uma dose de Whisky em plena Baiuca, e tranquila e sem pressa, me contava sua vida de músico desde sua entrada precoce no cenário musical até os dias atuais. Vivi através da leitura, momentos importantíssimos de nosso panorama musical e pude ter o privilégio de conhecer e saber um pouquinho mais sobre figuras ilustres da noite carioca e paulistana.
Saber como surgiu a ideia e a realização com todos os seus percalços do famoso e inesquecível Falso Brilhante, ficar a par das inúmeras dificuldades e da insegurança para se realizar um sonho quase impossível de gravar um disco de Elis e Tom Jobim e depois saber o passo a passo da gravação até chegar a reta final desse trabalho que hoje é considerado um dos melhores e mais bonito do mundo, não tem preço!

Sou fã assumida de toda essa família: Cesar, Elis e Filhos que hoje continuam a disseminar o talento herdado: Pedro Mariano e Maria Rita.
Cresci ouvindo Elis e curtindo sua obra. Senti imensamente sua partida antes mesmo de eu debutar em shows. Lamento até hoje. Na década de noventa conheci por acaso seu filho Pedro, até então um desconhecido de todos e me encantei com sua bela voz e Swing no palco. Tive o privilégio de assistir ao show de Cesar acompanhado do excelente guitarrista e violonista Romero Lubambo no Sesc Vila Mariana e me apaixonei pela música instrumental que até então, conhecia bem pouco.
Enfim, poderia ficar aqui desfiando muita coisa que li, constatei, conheci, relembrei como por exemplo, a homenagem que seus filhos fizeram em pleno palco quando fez sessenta anos. Estava presente nesse show e ler essa passagem me remeteu a essa noite memorável e emocionante. Foi linda demais!!
Espero que minhas divagações acerca desse livro tenha despertado em vocês a vontade de ler. Vale e muito a pena e você termina o livro se sentindo amiga íntima desse nosso grande maestro, arranjador e músico do mais alto quilate. Cesar, obrigada por nos abrir suas portas e janelas e nos convidar a entrar! Fechei o livro e já sinto saudades. 

sábado, 17 de agosto de 2013

Podia ter sido pior!

(Imagem retirada do Google Imagem)

Hoje, por volta das dez da manhã, saí com minha irmã cadeirante. Atravessava uma pracinha quando uma coisa louca aconteceu. Vimos um carro dar ré, bater num outro estacionado e ainda atropelar uma senhora com um carrinho da Yakult que estava quase chegando à calçada. O barulho foi grande e o susto maior ainda. Fomos nos aproximando, eu e minha irmã e mais alguns vizinhos que ouviram o barulho e saíram de suas casas para ver o que tinha acontecido. Mas a surpresa maior ainda estava vir: qual não foi o susto, ao abrir a porta do carro que causou toda a bagunça, sair um menino de seus dez ou onze anos no máximo. Olhinhos arregalados, pálido feito um defunto. Olhava para o amassado do carro dele, olhava para o amassado do carro estacionado e olhava o carrinho da Yakult e para a senhora que o dirigia assustada tanto quanto ele.Um dos vizinhos, conhecido meu que saiu para ver o que acontecia, perguntou para o garoto: "Menino, você estava no carro sozinho? Você dirigia ele? Ou você estava tentando roubar o carro?"
O garoto, muito assustado e com medo visível, tremia e com muito custo respondeu que o carro era de seu pai e que ele tinha saído um pouco e tinha deixado ele no carro esperando.
Na hora em que vi o ocorrido, fiquei com muita raiva e indignada de ver uma criança dirigindo um carro e causando todo esse alvoroço e prejuízo. No entanto, conforme fui observando o menino e vendo que o mesmo estava em estado de choque, confesso que fiquei literalmente emputecida com o dito pai.
Como um adulto deixa uma criança dentro do carro sozinha e ainda com a chave na ignição? Fala sério! É pedir para o pior acontecer! Observo ultimamente que os adultos têm tido atitudes infantiloides e que por conta disso, muitas pequenas ou grandes tragédias surgem diariamente.
O estrago no carro foi grande. Aliás, nos dois carros. Não pude constatar mas devido ao solavanco do carro durante a ré e a batida podem ter causado ferimentos no menino afinal, para ajudar ainda mais, ele não usava cinto de segurança.
Quem vai pagar por todo o prejuízo? O menino? O paí? Que pelo estado do carro velho, não deve pagar seguro do carro nem ter dinheiro suficiente para arcar com os gastos de tudo?
O jovem deve ter aprendido uma dura lição da pior maneira. Com certeza vai levar além de uma baita bronca, uma boa surra pela atitude impensada. O final de semana de uma certa família vai ser bem amarga.
Mas, mais uma vez  digo: Pais, tenham mais responsabilidade, mais maturidade e bom senso quando sair com uma criança. Já vimos vários casos em que deixar uma criança dentro do carro sozinha deu em tragédia das grandes: morte da mesma. No fundo, a grande vítima disso tudo foi sem dúvida o menino que até agora não me sai da cabeça a lembrança de sua expressão pra lá de assustada com tudo o que aconteceu.
É a vida mais uma vez mostrando que supera a arte com seus acontecimentos bizarros e estúpidos.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Som que te faz viajar!

Lendo o livro Solo: memórias, de César Camargo Mariano, cheguei ao episódio em que fala sobre essa canção. Delirei!
Divido com vocês. Músicos de alta qualidade. Sinto orgulho de saber que o Brasil tem músicos tão bons. Vale a pena ouvir!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Livros que me acompanharam nas férias

Na postagem anterior falei de minhas férias e dos passeios que fiz. Sempre que viajo carrego comigo alguns livros para me distrair na viagem. Dessa vez não foi diferente. Por indicação de meu amigo que viajou para o Rio comigo, comprei o livro Delta de Vênus, de Anaïs Nin, da editora L&PM. É interessante. Sempre tive vontade de ler sua obra mas sempre adiava. Acho que chegou a hora, comprei e levei comigo.
Discípula das descobertas freudianas, a autora aplicou nesses textos a delicadeza de estilo que lhe era característica e a pungência sexual que experimentou na sua própria vida. Em seus contos, inúmeras prostitutas, jovens curiosas, mulheres maduras que decidem se libertar e buscam aventuras sexuais, homens que têm desejos dos mais bizarros se esbarram numa Paris efervescente mas que já dá mostra de uma certa decadência.
Gostei muito da narrativa de Anaïs Nin. Delicada, algumas vezes poética, feminina mas que descreve muito bem as cenas eróticas sem cair na vulgaridade. Está certo que não é uma leitura para qualquer leitor. Se você for de mente fechada e tiver certo conservadorismo com relação a cenas de sexo, pode esquecer essa autora. Agora, se for um leitor(a) de mente aberta e gostar de ler e adentrar o universo sexual que, vamos combinar, faz parte da natureza humana, aí sim você terá uma leitura prazerosa, de bom gosto e muito bem escrita.
Alguns contos são bem curtos, outros se arrastam um pouco e trazem muitos personagens. Algumas vezes confesso que me cansei um pouco mas, fazendo um balanço geral do livro, gostei bastante. Para quem achou 50 tons de cinza tudo de bom, recomendo ler essa autora para conhecer de fato uma ótima literatura erótica.
Outro livro que comprei no aeroporto de Natal enquanto aguardava o voo de retorno e que me surpreendeu bastante foi As mulheres de terça-feira, da escritora alemã Monika Peetz, editora Casa da Palavra.
O livro já me agradou pela capa e ao ler a sinopse, me ganhou de vez.
A história fala sobre uma emocionante viagem de transformação e amizade pelo caminho de Santiago.

Sinopse: Judith encontra o diário de seu falecido marido sobre uma peregrinação inacabada a Santiago de Compostela. Ela e as quatro amigas se unem para completar a jornada – sem saber o que as espera. O guia de viagem prometia: “A cada passo, uma resposta.” Mas o que aconteceu com as amigas foi o oposto: novas dúvidas surgiam conforme cumpriam o percurso, fazendo-as se ques­tionarem sobre a vida que levam e as escolhas que fizeram. Kiki, Judith, Estelle, Eva e Caroline se despediram de suas ro­tinas e famílias para se depararem com um caminho livre, um horizonte amplo e um cenário deslumbrante. Algumas bolhas nos pés, muitas horas para refletir sobre si mesmas e aventuras no decorrer do caminho serão responsáveis por trazer a paz de espírito de que precisavam – e fazer com que tomem as decisões que elas nunca tiveram coragem de tomar. Li esse livro numa tacada só sem perder o fôlego e me envolvi com as personagens e seus conflitos de uma forma intensa. Ri e chorei junto delas e saí da leitura com um sentimento muito bom no peito. É dessas leituras que marcam presença e você se apega e se apaixona pelas mulheres da história. Amei! fica aqui mais uma excelente dica de leitura.

Viajar é se enriquecer e voltar energizada


Andei um pouco sumida daqui mas foi por uma boa causa: férias!!!
E como as férias devem ser, viajei. E falarei um pouco sobre o que vi, conheci, admirei. Várias vezes me peguei lembrando da Flavia Mariano, do blogue Viagem para Mulheres devido as várias dicas que li por lá. Aliás, blogue altamente recomendado com dicas bem legais e úteis para quem deseja viajar.
Desde o início do ano já tinha a ideia de viajar sozinha para o Nordeste. Em especial, Natal (RN). Não sei porque mas tinha uma queda natural em conhecer pois toda vez que via fotos, era por ela que meu coração batia um compasso diferenciado. Decisão tomada, resolvi também optar por uma viagem mais econômica afinal, ninguém anda nadando em dinheiro. Eu aliás, nem nadar sei. Como já ouvi várias pessoas falarem muito bem dos hotéis do SESC, lá fui eu pesquisar. E acabei por optar pela hospedagem no SESC Enseada Hotel, na praia de Ponta Negra, Natal. Continuei com minhas pesquisas e fui em busca de avaliação de pessoas que já haviam se hospedado lá. A grande maioria das avaliações eram favoráveis. Viagem já decidida, paga com antecedência e sacramentada, já me encontrava tranquila aguardando julho chegar para viajar. Mas no meio do caminho surgiu um convite de viagem para o Rio de Janeiro.
Logo eu que por longos anos fui avessa ao Rio, desde 2010, quando viajei sozinha para lá, caí de encantos por ela. Retornei no carnaval desse ano e aceitei o convite para passar uma semana em julho. É interessante como muitas vezes, a companhia faz toda a diferença numa viagem. Viajei com um amigo/irmão que combina em tudo comigo. Já fizemos outras viagens juntos e sempre nos saímos muito bem nelas. Nossa sintonia é contínua e nossos gostos semelhantes. Já viajamos juntos para a Serra Gaúcha, Curitiba, Portugal, Buenos Aires e agora Rio de Janeiro. Quando disse que foi uma viagem diferente das demais que fiz, foi porque dessa vez descobrimos um outro Rio que não se restringe as praias. Que são lindas sem dúvida mas sabemos que o Rio tem outras belezas que muitas vezes passa desapercebida. Fizemos um tour cultural e exploramos o centro do Rio. Quantas belezas descobrimos e conhecemos nessa nossa exploração! Nos hospedamos na Lapa num hotel simples mas muito agradável. E de lá fizemos uma varredura por todo o centro conhecendo igrejas (aliás algumas muito lindas em restauro e outras já restauradas), fiz a visita guiada na Biblioteca Nacional que, apesar de toda crise pela qual passa, continua bela e imponente. Visitamos também o Real Gabinete Português de Leitura, o Arquivo Nacional , o Jardim Botânico.
Conhecemos também a Livraria Cultura Cine Vitória que é um charme, o Cine Odeon com sua cafeteria.
Também nos deparamos com pessoas ímpares, agradáveis que nos contaram muitas histórias sobre o passado da cidade do Rio de Janeiro.
Praia?
Só no sábado pra não dizer que não tínhamos ido. Mas retornamos para São Paulo satisfeitos com tudo o que vimos e aprendemos nessa viagem. Essa bagagem é que nos enriquece e nos dá vontade de voltar e descobrir mais. Voltei renovada!

terça-feira, 9 de julho de 2013

A busca por nós mesmos


Feriado é bom para descansar em todos os aspectos: sair da rotina, fazer coisas diferentes e ler. Foi exatamente isso que fiz desde sábado quando decidi passar alguns dias na casa de meu irmão. Na viagem de ida já iniciei a leitura de um livro que escolhi entre tantos. Ainda em casa, antes de sair, olhei para meus dois livros começados e resolvi que não levaria nenhum deles pois eram grandes e seria um tanto chato para carregar. Foi onde procurei entre tantos que tenho aqui na estante e optei por um fino que tem me atraído para leitura há um certo tempo: A chave de casa, de Tatiana Salem Levy.
Desde que foi lançado em 2007, chamou-me a atenção mas como sempre tive outros na frente para ler, esse foi ficando na lista de espera. Até que sua vez chegou e simplesmente me deliciei com sua leitura!
Devo dizer desde já que não é uma leitura convencional e, para aqueles que gostam ou estão acostumados a livros "começo, meio e fim", esse não irá agradar. Explico: Tatiana ousou em seu primeiro romance, uma linguagem diferenciada do convencional. Sem dúvida ela correu um certo risco de pôr seu projeto a perder mas como boa jogadora arriscou e acertou na mosca.
Escrito por várias vozes: a narradora, a mãe, o avô. São várias histórias que se desenvolvem partindo ora no passado, ora no presente e algumas vezes nos deixando em dúvida sobre o real e o imaginário da narradora.
Capítulos curtos, concisos, nos pega pelas mãos e nos leva para as ruas de Estambul para a busca e origens de sua família que vieram de tão longe para fixar moradia no Rio de Janeiro. Essa busca da personagem pelo passado de seu avô que se simboliza através da chave da casa que ele lhe deu, também nos faz refletir sobre nosso passado, a vida de nossos descendentes e a nossa própria vida.
Como sou apaixonada por histórias onde as relações humanas são o condutor da narrativa, sem dúvida que fiquei encantada com esse romance.Essa é minha dica de leitura de hoje.

Sinopse:
Passando por temas como a morte da mãe, a relação com um homem violento, viagem, raízes, herança, entre outros, a autora procura tecer um romance de vozes diversas. Neta de judeus da Turquia e filha de comunistas do Brasil, a narradora recebe do avô a chave que abriria a porta da casa de Esmirna, para onde os avós fugiram durante a Inquisição.

Título: A chave de casa
Autora: Tatiana Salem Levy
Editora: Record
Ano: 2007

domingo, 23 de junho de 2013

O balanço foi feito. Agora é só comemorar!


No dia 24 de junho de 1963, as 16h45, brilhei nesse mundo! Desde o dia anterior Ilda já sofria as dores do parto mas, como sempre, fui devagar para nascer. Não tinha pressa pois sabia que brincaria por muito tempo. Típica canceriana, fui uma criança com imaginação de sobra e juízo de menos. Assim os adultos se dirigiam à mim. Não posso queixar de minha infância. Apesar das inúmeras dificuldades financeiras que a família passava, tive uma infância alegre, brinquei muito, de tudo o que se possa imaginar. Pega-pega, amarelinha, queimada, passa anel, casinha com bonecas, bambolê...
E tantas brincadeiras mais que já nem me lembro e que fizeram parte de minha fase de criança.Magricela, sardenta, cabelinhos ralos, exibida, careteira são os inúmeros adjetivos para representar a Roseli criança.
Fui uma adolescente deslumbrada com o mundo que se descortinava diante desses olhos sonhadores. E como sonhei!!! E paquerei também. E me apaixonei muitas vezes também. Até o dia em que ingressei de vez na vida adulta e de lá pra cá muitas coisas mudaram. Outras não.
A vida adulta, suas exigências, suas responsabilidades foram pouco a pouco minando o espírito sonhador e lúdico que tanto me embalou. Os problemas cotidianos, as contas para pagar, as inúmeras decepções foram tomando lugar em meu coração e tornando-me uma pessoa sisuda, fechada, desconfiada. Até o momento em que não mais aguentei e parei com tudo e pensei: foi isso o que sempre quis para sua vida? 
Lembrei-me de quando mais jovem, observava alguns adultos e via a amargura estampada em seus semblantes e vivia dizendo a mim mesma: Não quero me tornar assim. Jamais serei assim! Deus me livre ficar amarga como essa fulana!
E constatei sofridamente que tinha me tornado exatamente como aqueles adultos de meu passado. Isso doeu profundamente. Foi onde constatei que sozinha não sairia desse labirinto emocional em que me perdi.
No ano passado tomei a decisão de procurar um psicanalista e iniciei minha busca por mim mesma. E apesar das constantes crises que ainda passo, tem me ajudado e muito a resgatar aquela Roseli menina sonhadora, leve, alegre que fui um dia. Havia pensado que ela estava morta e enterrada. Ledo engano.
Estava apenas adormecida e sufocada por tantas mágoas, decepções, preocupações que a vida adulta me obrigou a engolir. Ou, engoli deliberadamente estando numa zona de conforto que parecia ser algo seguro.
Também venho passando por uma crise existencial devido a aproximação dos cinquenta anos. Medos dos mais diversos tipos. Não casei, não tive filhos, sei que não terei nem um muito menos o outro. Não deixarei herdeiros para darem continuidade a minha história. Não plantei árvores nem publiquei ainda um livro só meu. Não tenho um carro pra fazer bonito perante a sociedade materialista, não possuo imóvel para mostrar o quanto conquistei na vida. Fiz poucas viagens. Uma só para o exterior. Nunca fui amada de verdade por um homem. Nunca recebi flores, nem mimos de espécie alguma. Nunca comemorei o Dia dos Namorados com alguém. Enfim, para muitos que lerem esse texto desabafo/reflexivo pode pensar: Que merda de vida! Que pessoa mais medíocre! Que coitadinha!
No que respondo de imediato: Pode até ser que seja tudo isso mas essa vida é a única que tive, que conheci logo, é essa que tenho de amar, de cuidar, de dar tratos e respeitar. Afinal, se nem mesmo eu gostar então é reta final para mim. Posso zerar e pedir a conta e sumir no universo pois não farei falta alguma. Mas sei que não é bem assim. Sou rodeada de pessoas que realmente me amam, me respeitam, me querem por perto. E a que mais me ama e me respeita sou euzinha mesmo. E já estou me tratando com mais respeito e carinho. Já me conscientizei que não formarei família nessa vida. Pelo menos não a família convencional. Mas já tenho vários "filhos postiços" que me querem bem demais. A começar por meus sobrinhos queridos que amo demais e sei o quanto eles me amam também. Tenho meus amigos queridos que me suportam e são ponta firme quando o quesito é chorar em seus ombros e também são excelentes quando o tópico é se divertir. São maravilhosos e agradeço diariamente a presença deles em minha vida. Conquistei amigos durante esses anos que não passam apenas as mãos bondosas em minha cabeça quando faço algo que irá me prejudicar. Não! Esses amigos, se preciso for, dão uns cascudos na orelha pra ver se me despertam de minhas inúmeras surtadas emocionais. Confesso que na hora me dá uma raiva que só mas depois, de ânimos acalmados, como os agradeço pelo chacoalhão!
Hoje, ao arredondar 50, olho para trás e observo que não faria um milímetro diferente do que fiz. Sim, mesmo os erros que cometi, os faria novamente pois foi o pacote todo que fizeram minha vida rica. Foram os inúmeros deslizes, tropeços, empurrões, micos que paguei que dão o toque especial a ela. E também não desviaria de nenhuma pessoa que cruzou meu caminho. Todos, sem exceção, tiveram sua cota de importância
No ano passado, quando estava no ápice de minha crise existencial, olhava-me no espelho e me enxergava velha, cheia de rugas, sem viço jovial que tivera na passado. Já me encontrava no fundo do poço.
Hoje, já tenho uma nova percepção de mim mesma. Continuo enxergando as mesmas rugas, manchas, cabelos brancos que a cada dia aumenta mas que continuo bravamente a escondê-los - mas que já tenho trabalhado para assumi-los um dia - meu corpo tem mudado e muito. Mas tenho cuidado com carinho dele. Hoje, com um outro olhar. Não busco mais a perfeição. Busco qualidade de vida. Quero envelhecer com qualidade e para isso tenho de me exercitar. Hoje, sigo para a academia com prazer, com alegria e ao término de cada aula, sinto-me grata.


Não tenho bola de cristal portanto não posso adivinhar meu futuro. Também não sei o prazo de validade quando aspira. Mas não faz mal. Quero viver intensamente cada minuto dessa minha vida restante. Hoje completo um ciclo importante de minha vida e devo seguir em frente. A juventude fica lá para trás onde deve ficar. Contudo, meu espírito jovial permanece aqui comigo até o fim. Sigo contente para o ciclo seguinte consciente de que ele será aquilo que eu desejar que seja. E eu quero que ele seja pleno, alegre, intenso.
Hoje, olho-me no espelho e brindo essa vida que, se não é a melhor, é a mais perfeita que consegui e não devo lamentar aquilo que não foi mas sim, agradecer por todas as conquistas que alcancei.
E faço aqui meu convite: pegue você também um copo de quentão (humm!!! adoro) e venha comemorar comigo! Feliz Dia de São João e...

Feliz Aniversário para mim mesma!

(Imagem retirada do Google Imagem)

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Uma nova era se abre para todos nós

A estupidez humana me comove e me causa uma revolta imensa! Estamos em meados do século XXI e parece que não saímos da Idade Média. Sei que a humanidade tem uma certa lerdeza em dar cada passo rumo a sua evolução. Ou, por outro lado, tenho consciência de que cada passo leva muito, mas muito tempo para acontecer. Das duas uma: ou essa letargia está demorando demais, ou minha ansiedade está em modus crescente.O que tenho observado nessas últimas décadas não só por aqui, em Terras Tupiniquins, mas por todo o planeta, é algo que muito me preocupa. Por mais que um grupo elevado tenta de todas as formas lutar para e pela evolução de todos, em contraponto, tem sempre uma corja mal intencionada que só faz atrasar a tal evolução.
Boa parte de minha vida achei ingenuamente, que todos os brasileiros fossem de boa conduta, boa índole, alegre, honesto, sincero.
Hoje, amargamente reconheço que não. Ainda existe pessoas assim como imaginava mas, por outro lado, vivemos entre seres com uma sombra enegrecida sobre eles que nos impede de crescer, de enxergar a luz. Os últimos acontecimentos provam esse meu pensamento.
De uma hora para outra, como verdadeiros répteis, foram ganhando forma, se fortalecendo sempre na penumbra. De forma aviltante, usam o bom nome de Deus em vão para justificar suas atitudes tão nefastas.
Pessoas que se passam por verdadeiros "Cordeiros de Deus" utilizando de um discurso fascista e altamente perigoso. Para todos! Pessoas que se dizem "Família" mas que na prática fazem os maiores horrores: pedofilia, prostituição infantil, tráfico de entorpecentes...Mas o pior disso tudo é atentar contra os direitos do seu próximo.
Aí o bicho pega!
Tenho absoluta certeza que se Jesus pudesse estar entre nós novamente (coitado! Não é nem louco de inventar isso de novo!), faria um estardalhaço pior do que da vez em frente ao mercado. Passagem essa que todos conhecem tão bem.
Ficaria emputecido diante de tanta arrogância desses pseudo religiosos que batem no peito para julgar e condenar alguém. Todos com telhados de vidro. Façam-me o favor!
Usem da mesma "fé", da mesma força política para realmente fazer cumprir os verdadeiros mandamentos de Cristo: Amai ao teu próximo como a ti mesmo! Faça ao teu semelhante o que gostaria que fizessem com você.Doe seu tempo livre para o serviço voluntariado em hospitais, creches, asilos, façam mutirões para tirar as pessoas da rua. Doe simplesmente seus ombros para ouvir quem necessite. Dispam-se dessa roupagem de orgulho, ostentação e arrogância e voltem a ser os verdadeiros cristãos que Jesus tão bem exemplificou.
Ele sim, foi cristão verdadeiro. Amou a todos sem distinção. Jamais olhou se seu próximo era branco, preto, pardo, ruivo, magro, gordo, ateu, religioso, hetero ou homo. Isso nada significava para ele.
Sei que nem todos os cristãos têm o mesmo pensamento fascista desse senhor Feliciano. Conheço muitos que são verdadeiros exemplos de amor ao próximo.
Mas me dirijo em especial a todos que compactuam desse triste pensamento distorcido que já não tem mais espaço no mundo em que vivemos.
Senhores, desçam desse pedestal ilusório em que construíram e subiram como forma de se acharem superiores aos demais. Os senhores não são nada! Os senhores não são melhores que ninguém! Muito pelo contrário. Estão tremendamente equivocados em suas posturas e pensamentos.Voltem aos bancos de ensino religioso e retomem as leituras e aprendam a interpretá-las da forma correta. Sem preconceitos. Leiam, aprendam, assimilem e retornem à vida aqui fora. O mundo não tem mais lugar para vocês. Não com essas mentalidades tacanhas.Nunca a frase francesa esteve tão em alta e tão verdadeira: Vive la diference! Igualitè! 
Sei que muitos não concordam com minha forma de pensar, nem desejo impô-la mas, é certeza que passamos aqui no planeta por grandes transformações. Principalmente de ordem moral e essa, é a mais difícil, mais sofrida e exigirá muito de todos nós. Portanto pessoas, tenham serenidade mesmo estando no olho do furacão. Busquem sempre a sintonia de pensamentos com o plano maior, higienize seu campo mental. Não embarque na dos que já se encontram desequilibrados. Pondere suas ações, suas palavras, seus pensamentos. Só assim conseguiremos fazer desse, um mundo melhor onde não haja mais discriminação e preconceitos. Pode acreditar, isso não é utopia. É mudança de pensamento e de conduta e isso sim é possível.

domingo, 16 de junho de 2013

Os olhos falam e guardam muitos segredos...

Ontem a noite estava de bobeira em meu quarto após um dia exaustivo quando decidi assistir a um filme em DVD. Tenho vários aqui em minha estante que ainda não assisti. Procurando algo diferente, me deparei com um filme que há tempos tenho aqui e ainda não tinha visto. Pôxa, é de um ator que adoro, que admiro muito então optei por ele. Não me arrependi! Que triller! Que história! Que interpretações! Que direção maravilhosa! E mais uma vez comprovei o talento dele, Ricardo Darín.
O segredo dos seus olhos, filme que teve indicação e premiação do Oscar de melhor filme estrangeiro com direção de Juan José Campanella. Co-produção Espanha e Argentina conta a história baseada no livro La pregunta de sus ojos, de Eduardo Sacheri.

Direção: Juan José Campanella
Elenco: Ricardo Darín, Soledad Villamil, Pablo Rago, Javier Godino, Guillermo Francella
Gênero: Drama policial

Sinopse: Benjamin Esposito (Ricardo Darín) se aposentou recentemente do cargo de oficial de justiça de um tribunal penal. Com bastante tempo livre, ele agora se dedica a escrever um livro. Benjamin usa sua experiência para contar uma história trágica, a qual foi testemunha em 1974. Na época o Departamento de Justiça onde trabalhava foi designado para investigar o estupro e consequente assassinato de uma bela jovem. É desta forma que Benjamin conhece Ricardo Morales (Pablo Rago), marido da falecida, a quem promete ajudar a encontrar o culpado. Para tanto ele conta com a ajuda de Pablo Sandoval (Guillermo Francella), seu grande amigo, e com Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), sua chefe imediata, por quem nutre uma paixão secreta.

O filme prende do início ao fim nos surpreendendo com o final. Um filme policial dos bons em que cada detalhe te faz pensar e te dá pistas que sempre te levam a coisas inexistentes mas que no final tem sua razão de ser. Adoro isso!! Mais uma vez comprovei a superioridade do cinema argentino que tem  nos proporcionado grandes filmes. Na minha opinião, a produção só pecou na caracterização dos personagens mais velhos após passar 25 anos. Mas de resto, é diversão e filme de qualidade com excelente roteiro, direção e interpretações de primeira. Se já assistiu, vale a pena rever. Se ainda não conhece esse filme, assista!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Emoções no tablado

                                                                                                (Foto de João Caldas)

Muitas vezes ao assistirmos filmes, novelas e peças teatrais nos pegamos pensando: como será o dia a dia de um ator? Como se prepara, como se relacionam entre eles? Enfim, o que ocorre nos bastidores?
Foi exatamente o que constatei ontem na pré-estreia da peça Uma vida no teatro. Comédia dramática do autor norte-americano David Mamet que fala justamente das experiências entre atores de gerações diferentes com uma coisa em comum: o amor ao tablado. Com interpretações brilhantes dos atores Francisco Cuoco e Ângelo Paes Leme. Com direção de Alexandre Reinecke, os atores vivem em cena os personagens Robert e John. O primeiro, um sexagenário com um passado de sucesso e cheio das manias. Nele, reflete as vaidades, a arrogância, a carência de alguém que chega a essa idade solitário. John, um jovem ator cheio de energia, disposição para atuar e para ouvir as histórias que o velho ator tem a lhe contar e ensinar. A convivência no palco tanto em cena quanto nos bastidores vai pouco a pouco, trazendo a baila as diferenças, implicâncias, invejas que são comuns não somente no meio artístico mas também na vida de todos. Um universo rico, com atuações brilhantes. Alternando momentos de dramaticidade e comédia, Francisco Cuoco e Ângelo Paes Leme conseguiram emocionar a todos que compareceram ontem ao teatro. Após o término da peça, os atores juntamente com o diretor responderam a perguntas. Momento de descontração e simpatia dos atores e diretor. A temporada começa dia 14 e vai até 04 de agosto no Teatro Vivo SP. Vale muito a pena!

Uma vida no Teatro
Direção Alexandre Reinecke
Com: Francisco Cuoco e Ângelo Paes Leme
Teatro Vivo SP
Endereço: Avenida Doutor Chucri Zaidan, 860 - Morumbi

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Vergonha para a mulher, vergonha para a nação. Abre teu olho!


Vivemos tempos nebulosos e paira uma nuvem negra sobre nossas cabeças. Quem me conhece sabe que não costumo ser pessimista. No entanto, diante de tantos acontecimentos sucessivos que berram contra os verdadeiros "Direitos Humanos", ponho minhas barbichas de molho.
Lutamos tanto no passado para fazer valer nossos direitos. Direito de voto, direito de ir e vir, direito de escolhas, direito à vida.
Contudo, uma gleba de senhores que se autointitulam guardiães da família e bons costumes, tentam nos enfiar goela abaixo leis, normas, regras que são tudo, menos defesa dos tais "Direitos Humanos". Até mesmo porque, eles são os primeiros a violar tais leis. E talvez a mais importante: Liberdade!
Seja ela de escolha, de gênero, de imprensa, enfim, Liberdade. Plena, Irrestrita, Responsável. 
LI-BER-DA-DE.
Nossa sociedade nunca correu tantos riscos de perdê-la como agora. Sinto no ar cheiro de ditadura da pior espécie. Como um réptil, rasteja sutilmente e com seus tentáculos vai pouco a pouco tomando conta de todos os setores importantes que movem um governo.
Corrupção, desrespeito as decisões da justiça, desmandos públicos, manipulação da informação, compra de votos, e agora, mais esse golpe contra nossa democracia: o Estatuto do Nascituro.
Quero deixar aqui bem claro que particularmente sou contra o aborto. No entanto, sou acima de tudo pelo bom senso. Cada caso é um caso e, cada cabeça uma sentença. Mesmo sendo contra o aborto, respeito a mulher que opta por ele. Cada pessoa sabe o que deve fazer de sua vida, de seu corpo.
Outro absurdo criado por esses mesmos senhores: Bolsa-gestante. Chega a ser ofensivo essa bolsa-gestante. O governo devia era investir massivamente na educação de nossos jovens, dar orientação sexual de fato nas escolas e não essa bolsa-consolo para a mulher que for vítima de estupro. É aviltante, lamentável, ofensivo!
Além do mais, a atitude desses senhores é muito mais movida pelas artimanhas políticas e jogo de interesses escusos do que a preocupação em proteger um embrião. Por conta desses tais interesses mundanos e podres, jogam na latrina todos os direitos que a mulher tão brava e duramente conquistou.
Nasci e fui criada numa família onde a religião sempre esteve presente. A primeira e a mais importante lição que recebi foi o respeito pelas pessoas, pelas instituições e por todas as religiões que existem.Mesmo que não compreenda ou não concorde com as ideologias religiosas vigentes, sempre respeitei. Não é o que tenho visto recentemente. Sempre fomos considerados um país laico. Sempre me orgulhei dessa posição. Mas estamos caminhando para uma via pra lá de perigosa: a imposição de uma postura religiosa se mesclando ao que de pior existe na política de um país: o jogo de poderes.
E para quem acompanha a escala histórica, sabemos bem o resultado dessa união.Nossa democracia corre risco de vida sim! E compete a nós, brasileiros, lutar para que isso não ocorra.