quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Uma obra de tirar o fôlego

Faz tempo que não falo sobre música e já estava sentindo falta. Tenho momentos e músicas para cada instante de minha vida. Quando mais jovem achava música clássica, erudita uma chatice. Pura e total ignorância! Faltava-me ainda uma certa bagagem cultural que fui adquirindo com o passar dos anos. Tive contato, conheci a fundo e mergulhei na MPB, no rock, no instrumental e finalmente comecei a me interessar por música clássica. A princípio achava estranha, dramática mas aos poucos meus ouvidos foram sendo conquistados, minha sensibilidade foi se aguçando e quando menos esperava, estava totalmente apaixonada por esse estilo musical. Passei a comprar CDs de vários compositores: Beethoven, Chopin, Handel, Bach, Verdi,entre tantos virtuoses da música erudita. Mas um em especial me tocou profundamente. Por seu talento absurdo e sem igual. Por seu espírito em constante ebulição, por sua alegria que beirava muitas vezes a histeria e contagia. Ou repudiava. Foi uma pessoa que não tinha medidas em nada e viveu intensamente sua curta mas profícua vida. Falo de Wolfgang Amadeus Mozart. Compositor austríaco que em seus curtos 35 anos deixou um legado musical incrível. Ouço sempre suas composições e tenho uma em especial que, quando comprei sua coleção de CDs, não cansava de ouvir. Principalmente a noite antes de dormir. Fazia-me um bem incrível! Sua obra final Réquiem é de uma força que não vi em outra composição, seja dele ou de outro compositor. E desde a primeira vez que ouvi, fiquei tão impactada que fiquei a repetir, repetir, repetir e repetir. Sabe quando você parece não acreditar que algo tão lindo possa existir? Pois é. Foi o que aconteceu comigo ao ouvir essa obra de Mozart. Isso tudo foi lá atrás já há uns anos mas ainda hoje ela me causa comoção. Ao vivo então é algo para se puxar o lencinho da bolsa pois muitas lágrimas jorram. Emocionante demais!

 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Quando desanda a Educação

Hoje após muito tempo me estressei e gastei minhas energias aguentando pessoas sem nenhum verniz social: vulgo "sem educação".
Semana de grande movimentação aqui na biblioteca. Já comentei com vários colegas de profissão que gosto demais de ver a biblioteca lotada de alunos. Movimentação. Adoro. 
...Mas se tem uma coisa que tenho tolerância zero, essa coisa tem dois nomes: falta de educação e falta de respeito. Que no fundo, vamos combinar, acaba sendo a mesma coisa. Quem tem boa educação de berço jamais faltará com o respeito a quem quer que seja. Concorda?
Hoje, vejo com olhos um tanto entristecido e pessimista o rumo que segue as novas gerações. Não quero aqui cair na generalização mas infelizmente, a grande maioria não recebe a tal da "boa educação" em casa. Muito menos têm o exemplo dos pais. Aliás, pelo que acompanho de perto, a maioria desses jovens mal cruzam com eles em seu dia-a-dia. É claro que não tendo uma convivência harmônica no seio familiar, sendo privados de diálogos com os pais, fica difícil julgar e condená-los.
Trabalho na área educacional desde 1991 e de lá pra cá tenho acompanhado as mudanças que tem ocorrido. Na família e na escola.
Infelizmente as escolas estão perdendo essa batalha pois hoje não contam com a cumplicidade e companheirismo de outrora quando ambas: família e escola falavam a mesma linguagem.
Onde todos desejavam apenas acompanhar e se desdobrar em formar cidadãos preparados para a vida adulta.
Quando digo isso em alguma roda de conversa logo sou rebatida com a seguinte frase:
-Ah! Mas antigamente a mulher ficava em casa e se dedicava a educação dos filhos. Hoje todo mundo trabalha e não tem tempo para isso.
Desculpa gente mas isso não me convence. Conheço pessoas que trabalham o dia inteiro e ao chegar em casa, não medem esforços para dar atenção aos filhos, fazem questão de sentarem-se juntos à mesa para as refeições e demonstram interesse genuíno em saber sobre o dia-a-dia das crianças. Isso é fundamental para a formação de qualquer pessoa! A convivência saudável, o diálogo que a cada dia que passa está se extinguindo dos seios familiares!
Hoje está se perdendo essa característica tão importante. Cada um vive em seu próprio casulo. Cada um tem seu quarto, sua TV, seu computador e assim, fazem suas refeições em horários diferentes mal se cruzando pelos corredores da casa.
-"Ah! Mas eu pago o melhor colégio para meus filhos!"
Tá legal mas...E daí? Acha que só isso basta? Dar o melhor colégio, as melhores roupas, mesada gorda e pronto? Assim já está cumprindo com seu papel de pai e mãe?
Já me jogaram muito na cara o fato de não ter filhos, logo não saber o que falo. Engano meu caro! Convivo muito mais tempo com seus filhos do que vocês, pais que vivem ausentes preocupados com o próprio umbigo. Conheço suas fraquezas, seus medos, inseguranças, paixões e acima de tudo, encaro suas carências diariamente. E olha, confesso que me preocupo em ver estampado nesses olhinhos tão jovens o desencanto pela vida e tudo que se relaciona a ela.
As escolas encontram-se engessadas recebendo tanta interferência dos pais no comando da formação dos seus filhos. Tem-se regras que os pais vivem querendo e muitos exigem mudar para não desagradar seus pimpolhos que não sabem receber um não. "Causa trauma sabe!"
Por outro lado, depois que a educação se transformou numa empresa altamente rentável, não é de bom tom desagradar ao cliente - nesse caso os pais - e correr o risco de perder para a concorrência.
E assim, a parte pedagógica está cada vez mais comprometida e vemos anualmente centenas de jovens se formando sem condições alguma de enfrentar o mercado de trabalho. Vão para os bancos universitários levando na bagagens quilos de imaturidade, mimos excessivos, instabilidade emocional. Resultado?
Jovens adultos sem preparo algum para a vida!
Poderia desenvolver muitas coisas mais por aqui mas tornaria esse texto mais cansativo do que já deve estar. Confesso que me preocupo e muito com toda essa situação e minha confissão vai ainda mais longe: estou cansada dessa área que tanto amei e abracei para mim. Estou decepcionada e desencantada com a Educação em nosso país. Futuramente talvez engrosse a fila dos que desistiram dela. E já pensaram que um dia poderemos acordar e não termos mais quem se preocupe com ela? Não estamos muito longe.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Segredos de menina - eu tive os meus e você?


Como é bom quando terminamos de ler um livro e automaticamente um sorriso se esboça em nossa face!
Acabei de ler o primeiro romance escrito pela cartunista argentina Maitena Burundarena ou simplesmente Maitena, como ficou conhecida desde que escreveu a série Mulheres alteradas.
Já conhecia essa série e me diverti muito lendo eles. E conheci um outro lado da cartunista através desse romance que narra a vida de uma garota de doze anos e sua relação familiar e escolar.
Como se expressou a autora Rosa Montero, "...Com amor e humor Maitena narra a angústia sem angustiar, o excepcional como se fosse normal, em um tom comovente, hilariante, corrosivo e certeiro."
 E concordo com ela. Durante a leitura me peguei dando boas risadas no metrô, no ônibus pois as situações em que a garota protagonista se mete nas maiores enrascadas são bem engraçadas. Mas também me comovi muitas vezes com situações que me lembraram as que vivi em minha pré-adolescência.
Com nuances autobiográficas, Maitena nos leva a uma viagem deliciosa ao lado dessa garota, sua família, seus amigos e consegue nos fazer acompanhar as alegrias, angústias, descobertas de uma menina fazendo sua dolorida passagem para a vida adulta.
Fica aqui a minha dica de leitura.
Sinopse:
Ao mesmo tempo que descobre o mundo, a protagonista de 'Segredos de Menina' descobre a si mesma. Com doze anos, filha de uma família católica numerosa e de direita, vive num bairro de classe média e mudou de colégio quatro vezes em sete anos - e acha difícil que exista um mais chato que o atual. A única coisa que faz sentido em sua vida é ficar o dia todo na rua com os amigos. Enquanto o tempo passa, e ela não é mais tão menina, seguimos seus passos pela movimentada Buenos Aires dos anos setenta, entre a morte de Perón e a Copa do Mundo. A mãe depressiva, o pai ausente, as brigas entre os irmãos, o internato, a primeira vez, a experiência com alucinógenos - tudo vai desenhando o perfil dessa adolescente que se exila por vontade própria de seu colégio, de sua família e até de si mesma.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Não queira entender a paixão. Apenas sinta.

(Foto retirada do blog da Neli Ong Pedro Mariano - A voz! )


A paixão é algo que foge a qualquer explicação lógica. Seja ela entre duas pessoas, por um time, por uma ideologia. Enfim, quando brota no coração de alguém e se esparrama tomando conta de todo o corpo através de arrepios, pulsação acelerada, suor e pupilas dilatadas, meu amigo, como costumam falar nossos manos: Tá dominado! Tá tudo dominado!
Já tive muitas paixões na vida. Umas passageiras que surgiram e sumiram com a mesma velocidade muitas vezes não deixando saudade. Outras foram intensas, passageiras como todas mas deixaram marcas profundas e que são lembradas até hoje ainda com uma ponta dolorida.
E tem aquelas que surgiram, criaram raízes e me acompanham até hoje. Como paixão antiga, às vezes pulsa mais forte, me faz reviver aqueles momentos de grande tesão contudo, na maior parte do tempo hiberna e se mantém de forma morna dentro de mim. Mas está lá, latente, pulsante provando a mim mesma que ela continua viva.
É assim minha paixão pela música e mais precisamente pelo cantor Pedro Mariano. Quem já me acompanha por aqui e me conhece, sabe dessa paixão antiga que começou juntamente com o início da carreira dele.
Lá pelos idos de 1997 se a memória não me falha. E de lá pra cá essa paixão permaneceu em mim. Ouve momentos intensos onde literalmente "soltei a franga" e ouve momentos de águas paradas. Lembro com grande carinho das pessoas que acabei conhecendo por conta da mesma paixão. Algumas nunca mais vi. Perdi totalmente o contato. Seguiram suas vidas, provavelmente sorvendo outras paixões na vida.
Eu também segui a minha conhecendo outros estilos musicais, outros cantores e desenvolvi o gosto pela escrita. Por conta disso e de outras coisas, acabei por me afastar um pouco dos shows e das pessoas que sempre encontrava neles. Mas não sei, toda vez que fico sabendo que Pedro Mariano vai fazer show aqui em São Paulo, meu coração bate diferente. Uma emoção toma conta de mim e, como o adicto, volto ao meu vício por ele e mesmo contra a vontade, compro o ingresso e lá vou eu novamente sorver essa maravilha, me extasiar, me amortecer e botar pra fora toda a emoção que ele me causa. É o único cantor que me faz cantar a plenos pulmões mesmo não tendo a garganta maravilhosa que ele tem. Danço alucinadamente, suo a camisa sem dó nem piedade e ao final do show, saio com um sorriso imenso estampado em meu rosto que reflete bem o meu estado de espírito. Fora o fato de me encontrar com as pessoas maravilhosas que conheci ao longo desses anos de shows. É simplesmente uma catarse!
E desde que soube que ele vai fazer um show onde irá gravar o próximo DVD, entrei em surto. Fiquei obsessiva e só pensava nisso. "Não posso perder! Tenho de comparecer a esse show! Como se disso, dependesse toda a minha vida. Para quem não goza de uma paixão, pode até parecer paranoia de fã. E talvez seja mesmo mas...Ai como é gostoso ter, sofrer dessa ansiedade boa!
E ontem foi uma loucura coletiva compartilhada através do Face. Todas desesperadas pela compra do ingresso que começou a vender cedo pela internet e na bilheteria do teatro. E o mais legal foi ver as que já tinham comprado torcer e ajudar as que não conseguiam efetuar a compra. A alegria de todos depois foi algo comovedor. E agora estamos na próxima etapa de ansiedade aguardando nosso "dia da criança" chegar e descermos no grande playground que será a platéia do teatro para juntos: Pedro/Orquestra/Público brincarmos a grande ciranda da música em nossas almas. Vai ser de arrasar e ficará com certeza na história.
Pelo menos em nossas vidas ela ficará como um capítulo especial. É ver para crer!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Quando ser fruta dá pé!

Hoje pela manhã logo ao ligar meu computador, entre tantas notícias de tragédias, corrupção, espionagem, futebol, dou de cara com a seguinte notícia:

Mulher Pera vira apresentadora e cantora infantil, e quer esquecer o passado sensual: ‘Estou arrependida e envergonhada’ 

Que data é hoje mesmo? 11/09/2013.
Pensei com meus parcos e soltos botões de minha camisa: 11/09 é uma data trágica mesmo!
Data em que aconteceu uma das maiores tragédias da humanidade onde muitas vidas foram ceifadas de forma violenta. E também hoje, fico sabendo que uma das tantas frutas que andam balançando por aí pelas TVs abertas da vida, se transformará na futura babá oficial de nossas crianças!
Meus olhos saltaram da órbita ao ler essa chamada e tive que reler mais vezes para entender que não era primeiro de abril.
Nossa sociedade anda realmente com sérios problemas a resolver! Não sou saudosista - pelo menos não doentia - mas Ai que saudade de minhas babás da infância! Lá atrás nos primórdios da TV, assistia algumas tardes o programa do Pururuca e Torresminho acompanhados de bons e divertidos desenhos da Hanna Barbera. Um pouco mais tarde passei a ver Globo Cor Especial que amava a começar pela musiquinha de abertura. Alguém de vocês se lembram? Cinto de inutilidades, composição de Nelson Motta, Marcos e Paulo Sergio Valle. Só por essa informação sobre quem foram seus compositores já dá pra perceber a diferença dos dias atuais.

“Não existe nada mais antigo / do que caubói que dá cem tiros de uma vez / A vó da gente deve ter saudade / do Zing! Pow! / Do cinto de inutilidades / No nosso mundo tudo é novo e colorido / Não tem lugar pra essa gente que já era / Morcego velho, bang-bang de mentira, vocês já eram / O nosso papo é alegria!”.

Passei boa parte de minha infância cantando essa música. Adorava!
Também assisti a programas na TV Cultura que tinha uma ótima programação infantil como por exemplo, Bambalalão, apresentado por Gigi e Silvana. Esse programa embalou a infância de muita gente!
Vila Sésamo que foi um verdadeiro furor na TV. Delícia de programa com personagens cativantes como Garilbaldo, Beto, Gugu, Funga-Funga.
TV Globinho com a ótima Paula Saldanha que informava e educava as crianças sobre diversos assuntos sérios.
Esses são apenas alguns que cito num universo imenso de bons programas. Com qualidade e respeito a inteligência da criança.
E agora, uma TV que jamais deveria de ter existido pois só tem em sua grade de programação o que de pior existe, sai com essa pérola para as nossas já tão desprestigiadas e sofridas crianças!
Coitadas! Principalmente por terem em sua grande maioria, pais irresponsáveis e desinformados que com certeza utilizarão e bastante dessa nova babá para tomar conta de seus infantes. O que será dessa geração?
Com a educação rolando ladeira abaixo, a TV para reforçar ainda vem com essa "qualidade" de programação e os pais se desviando da sua responsabilidade em educar suas crianças, olha, não que seja pessimista não mas antevejo um futuro nada brilhante para esses futuros adultos. Ou, por outro lado, talvez se dêem bem já que o país incentiva nossos jovens a serem jogadores de futebol, cantores de funk, sertanejo e celebridades relâmpagos. Enfim, por hora, ainda em total estado de choque, só posso lamentar por esse futuro. 
E dá-lhe frutas que a feira está tinindo!

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Quimera

   lustração retirada do Google Imagem)


Pára o mundo que eu quero descer!

As vezes recinto de ler tanto, de me manter informada sobre tudo ou quase tudo.
Saber o que se passa pelo mundo ultimamente não tem sido muito vantajoso. Causa náusea, asco, revolta, tira o sono, dá medo.
Cansa viver!
Viver num mundo tão repleto de injustiças, corrupção, maldade de todo tipo.
Causa tédio!
Viver num mundo em que basta apertar um botão e várias coisas acontecem torna o ser humano preguiçoso, lento, sem viço.
Sempre me considerei uma pessoa urbana. Gosto do movimento, da vida, das facilidades de uma metrópole. No entanto, tenho revisto meus conceitos de vida pois o que tenho presenciado nas grandes cidades me entristece.
Se para me tornar uma cidadã da urbe terei de me despir dos valores que recebi de meus pais e avós e me transformar num ser primitivo sem regras nem respeito ao meu próximo, então me retiro.
Vou me refugiar num paraíso qualquer e passar meus dias pescando.
Jogarei fora tudo o que for supérfluo: eletroeletrônicos, roupas e calçados de grife, deixarei meus cabelos crescerem a vontade e darei fim ao tormento que é todo mês retocar a raiz.
Deixarei que todas as marcas, vincos, rugas, manchas encontrem guarida nesse corpo envelhecido. Não me transformarei numa velha flácida pois meus músculos trabalharão como nunca para conseguir o que preciso para sobreviver.
Voltarei a dormir com as galinhas pois não mais perderei minhas horas de frente à TV e passarei a ter o sono dos justos.
Não saberei mais o que é ter pesadelos. Meus dias serão de puro deleite. Não falarei mal da vida alheia. Até mesmo porque, não terei ninguém por perto a não ser os pássaros, os peixes, os macacos e as estrelas que disputarão com a Lua, minha atenção.
Manterei em meu semblante um sorriso bobo e sincero porque finalmente terei encontrado a paz.
Já bem velhinha, terei uma morte branda, natural. Farei minha passagem recebendo a brisa que entrará pela janela sem vidro e envolverá minha alma já cansada para meu descanso merecido na Terra dos Recompensados. Meus despojos, naturalmente irão se desfazer e minhas moléculas retornarão ao universo para a construção de novos seres, novas vidas. O processo da vida se fará ininterruptamente e voltarei a fazer parte do todo.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Mergulhei nesse oceano e cheguei ao final do caminho


Emocionante! Foi a palavra que me veio à cabeça assim que terminei o último capítulo do novo livro do autor britânico Neil Gaiman, O Oceano no Fim do Caminho. Sendo fã desse autor desde que li pela primeira vez Sandman, e de lá para cá só alegria e muita emoção ao ler seus livros: Os filhos de Anansi, Belas maldições, Stardust, Coraline.

Quando soube de seu mais recente lançamento, não via a hora do livro chegar à biblioteca. Queria ser a primeira a ler. E fui. E amei! E vibrei! E sofri todas as agruras do personagem principal. Isso é o que chamo de boa, brava, estupenda literatura. A que nos pega pelas mãos e nos proporciona aventuras jamais vividas no mundo real. E que mesmo no mundo da fantasia nos obriga a reflexões profundas sobre nosso ser, nossa conduta, nossa existência. Não falarei mais para não estragar a leitura. Só digo que mais uma vez, Gaiman me surpreendeu e me fez muito feliz. É a dica de leitura de hoje.


Sinopse: 
Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino. Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Solo. Um mergulho intenso na história da MPB através da ótica de Cesar Camargo Mariano

O prazer de uma boa leitura, de acompanhar um bom enredo, com narrativa que te seduza, saber de vidas que você até conheceu superficialmente através das mídias. Essa confissão consentida que o autor que se autobiografa nos faz sentir próximos dele e de sua vida. Por essas e outras que gosto de ler biografias. E essa que já aguardava ler há algum tempo me fez viajar por um Brasil que não conheci, num período em que pessoas talentosas envolvidas com as artes no geral - em especial a música - se envolviam por amor e não pelos cinco minutos de exposição e celebridade como é tão comum hoje.
Através do livro Solo: memórias, de Cesar Camargo Mariano, pude conhecer mais a fundo o que já tinha certo conhecimento ao ler a outra biografada que teve uma ligação estreita com ele, Elis Regina. Mas, ao contrário do livro Furacão Elis, de Regina Echeverria, nesse livro de Cesar, tive momentos de leitura em que tive a nítida impressão que o próprio estava sentado à minha frente tomando uma dose de Whisky em plena Baiuca, e tranquila e sem pressa, me contava sua vida de músico desde sua entrada precoce no cenário musical até os dias atuais. Vivi através da leitura, momentos importantíssimos de nosso panorama musical e pude ter o privilégio de conhecer e saber um pouquinho mais sobre figuras ilustres da noite carioca e paulistana.
Saber como surgiu a ideia e a realização com todos os seus percalços do famoso e inesquecível Falso Brilhante, ficar a par das inúmeras dificuldades e da insegurança para se realizar um sonho quase impossível de gravar um disco de Elis e Tom Jobim e depois saber o passo a passo da gravação até chegar a reta final desse trabalho que hoje é considerado um dos melhores e mais bonito do mundo, não tem preço!

Sou fã assumida de toda essa família: Cesar, Elis e Filhos que hoje continuam a disseminar o talento herdado: Pedro Mariano e Maria Rita.
Cresci ouvindo Elis e curtindo sua obra. Senti imensamente sua partida antes mesmo de eu debutar em shows. Lamento até hoje. Na década de noventa conheci por acaso seu filho Pedro, até então um desconhecido de todos e me encantei com sua bela voz e Swing no palco. Tive o privilégio de assistir ao show de Cesar acompanhado do excelente guitarrista e violonista Romero Lubambo no Sesc Vila Mariana e me apaixonei pela música instrumental que até então, conhecia bem pouco.
Enfim, poderia ficar aqui desfiando muita coisa que li, constatei, conheci, relembrei como por exemplo, a homenagem que seus filhos fizeram em pleno palco quando fez sessenta anos. Estava presente nesse show e ler essa passagem me remeteu a essa noite memorável e emocionante. Foi linda demais!!
Espero que minhas divagações acerca desse livro tenha despertado em vocês a vontade de ler. Vale e muito a pena e você termina o livro se sentindo amiga íntima desse nosso grande maestro, arranjador e músico do mais alto quilate. Cesar, obrigada por nos abrir suas portas e janelas e nos convidar a entrar! Fechei o livro e já sinto saudades. 

sábado, 17 de agosto de 2013

Podia ter sido pior!

(Imagem retirada do Google Imagem)

Hoje, por volta das dez da manhã, saí com minha irmã cadeirante. Atravessava uma pracinha quando uma coisa louca aconteceu. Vimos um carro dar ré, bater num outro estacionado e ainda atropelar uma senhora com um carrinho da Yakult que estava quase chegando à calçada. O barulho foi grande e o susto maior ainda. Fomos nos aproximando, eu e minha irmã e mais alguns vizinhos que ouviram o barulho e saíram de suas casas para ver o que tinha acontecido. Mas a surpresa maior ainda estava vir: qual não foi o susto, ao abrir a porta do carro que causou toda a bagunça, sair um menino de seus dez ou onze anos no máximo. Olhinhos arregalados, pálido feito um defunto. Olhava para o amassado do carro dele, olhava para o amassado do carro estacionado e olhava o carrinho da Yakult e para a senhora que o dirigia assustada tanto quanto ele.Um dos vizinhos, conhecido meu que saiu para ver o que acontecia, perguntou para o garoto: "Menino, você estava no carro sozinho? Você dirigia ele? Ou você estava tentando roubar o carro?"
O garoto, muito assustado e com medo visível, tremia e com muito custo respondeu que o carro era de seu pai e que ele tinha saído um pouco e tinha deixado ele no carro esperando.
Na hora em que vi o ocorrido, fiquei com muita raiva e indignada de ver uma criança dirigindo um carro e causando todo esse alvoroço e prejuízo. No entanto, conforme fui observando o menino e vendo que o mesmo estava em estado de choque, confesso que fiquei literalmente emputecida com o dito pai.
Como um adulto deixa uma criança dentro do carro sozinha e ainda com a chave na ignição? Fala sério! É pedir para o pior acontecer! Observo ultimamente que os adultos têm tido atitudes infantiloides e que por conta disso, muitas pequenas ou grandes tragédias surgem diariamente.
O estrago no carro foi grande. Aliás, nos dois carros. Não pude constatar mas devido ao solavanco do carro durante a ré e a batida podem ter causado ferimentos no menino afinal, para ajudar ainda mais, ele não usava cinto de segurança.
Quem vai pagar por todo o prejuízo? O menino? O paí? Que pelo estado do carro velho, não deve pagar seguro do carro nem ter dinheiro suficiente para arcar com os gastos de tudo?
O jovem deve ter aprendido uma dura lição da pior maneira. Com certeza vai levar além de uma baita bronca, uma boa surra pela atitude impensada. O final de semana de uma certa família vai ser bem amarga.
Mas, mais uma vez  digo: Pais, tenham mais responsabilidade, mais maturidade e bom senso quando sair com uma criança. Já vimos vários casos em que deixar uma criança dentro do carro sozinha deu em tragédia das grandes: morte da mesma. No fundo, a grande vítima disso tudo foi sem dúvida o menino que até agora não me sai da cabeça a lembrança de sua expressão pra lá de assustada com tudo o que aconteceu.
É a vida mais uma vez mostrando que supera a arte com seus acontecimentos bizarros e estúpidos.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Som que te faz viajar!

Lendo o livro Solo: memórias, de César Camargo Mariano, cheguei ao episódio em que fala sobre essa canção. Delirei!
Divido com vocês. Músicos de alta qualidade. Sinto orgulho de saber que o Brasil tem músicos tão bons. Vale a pena ouvir!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Livros que me acompanharam nas férias

Na postagem anterior falei de minhas férias e dos passeios que fiz. Sempre que viajo carrego comigo alguns livros para me distrair na viagem. Dessa vez não foi diferente. Por indicação de meu amigo que viajou para o Rio comigo, comprei o livro Delta de Vênus, de Anaïs Nin, da editora L&PM. É interessante. Sempre tive vontade de ler sua obra mas sempre adiava. Acho que chegou a hora, comprei e levei comigo.
Discípula das descobertas freudianas, a autora aplicou nesses textos a delicadeza de estilo que lhe era característica e a pungência sexual que experimentou na sua própria vida. Em seus contos, inúmeras prostitutas, jovens curiosas, mulheres maduras que decidem se libertar e buscam aventuras sexuais, homens que têm desejos dos mais bizarros se esbarram numa Paris efervescente mas que já dá mostra de uma certa decadência.
Gostei muito da narrativa de Anaïs Nin. Delicada, algumas vezes poética, feminina mas que descreve muito bem as cenas eróticas sem cair na vulgaridade. Está certo que não é uma leitura para qualquer leitor. Se você for de mente fechada e tiver certo conservadorismo com relação a cenas de sexo, pode esquecer essa autora. Agora, se for um leitor(a) de mente aberta e gostar de ler e adentrar o universo sexual que, vamos combinar, faz parte da natureza humana, aí sim você terá uma leitura prazerosa, de bom gosto e muito bem escrita.
Alguns contos são bem curtos, outros se arrastam um pouco e trazem muitos personagens. Algumas vezes confesso que me cansei um pouco mas, fazendo um balanço geral do livro, gostei bastante. Para quem achou 50 tons de cinza tudo de bom, recomendo ler essa autora para conhecer de fato uma ótima literatura erótica.
Outro livro que comprei no aeroporto de Natal enquanto aguardava o voo de retorno e que me surpreendeu bastante foi As mulheres de terça-feira, da escritora alemã Monika Peetz, editora Casa da Palavra.
O livro já me agradou pela capa e ao ler a sinopse, me ganhou de vez.
A história fala sobre uma emocionante viagem de transformação e amizade pelo caminho de Santiago.

Sinopse: Judith encontra o diário de seu falecido marido sobre uma peregrinação inacabada a Santiago de Compostela. Ela e as quatro amigas se unem para completar a jornada – sem saber o que as espera. O guia de viagem prometia: “A cada passo, uma resposta.” Mas o que aconteceu com as amigas foi o oposto: novas dúvidas surgiam conforme cumpriam o percurso, fazendo-as se ques­tionarem sobre a vida que levam e as escolhas que fizeram. Kiki, Judith, Estelle, Eva e Caroline se despediram de suas ro­tinas e famílias para se depararem com um caminho livre, um horizonte amplo e um cenário deslumbrante. Algumas bolhas nos pés, muitas horas para refletir sobre si mesmas e aventuras no decorrer do caminho serão responsáveis por trazer a paz de espírito de que precisavam – e fazer com que tomem as decisões que elas nunca tiveram coragem de tomar. Li esse livro numa tacada só sem perder o fôlego e me envolvi com as personagens e seus conflitos de uma forma intensa. Ri e chorei junto delas e saí da leitura com um sentimento muito bom no peito. É dessas leituras que marcam presença e você se apega e se apaixona pelas mulheres da história. Amei! fica aqui mais uma excelente dica de leitura.

Viajar é se enriquecer e voltar energizada


Andei um pouco sumida daqui mas foi por uma boa causa: férias!!!
E como as férias devem ser, viajei. E falarei um pouco sobre o que vi, conheci, admirei. Várias vezes me peguei lembrando da Flavia Mariano, do blogue Viagem para Mulheres devido as várias dicas que li por lá. Aliás, blogue altamente recomendado com dicas bem legais e úteis para quem deseja viajar.
Desde o início do ano já tinha a ideia de viajar sozinha para o Nordeste. Em especial, Natal (RN). Não sei porque mas tinha uma queda natural em conhecer pois toda vez que via fotos, era por ela que meu coração batia um compasso diferenciado. Decisão tomada, resolvi também optar por uma viagem mais econômica afinal, ninguém anda nadando em dinheiro. Eu aliás, nem nadar sei. Como já ouvi várias pessoas falarem muito bem dos hotéis do SESC, lá fui eu pesquisar. E acabei por optar pela hospedagem no SESC Enseada Hotel, na praia de Ponta Negra, Natal. Continuei com minhas pesquisas e fui em busca de avaliação de pessoas que já haviam se hospedado lá. A grande maioria das avaliações eram favoráveis. Viagem já decidida, paga com antecedência e sacramentada, já me encontrava tranquila aguardando julho chegar para viajar. Mas no meio do caminho surgiu um convite de viagem para o Rio de Janeiro.
Logo eu que por longos anos fui avessa ao Rio, desde 2010, quando viajei sozinha para lá, caí de encantos por ela. Retornei no carnaval desse ano e aceitei o convite para passar uma semana em julho. É interessante como muitas vezes, a companhia faz toda a diferença numa viagem. Viajei com um amigo/irmão que combina em tudo comigo. Já fizemos outras viagens juntos e sempre nos saímos muito bem nelas. Nossa sintonia é contínua e nossos gostos semelhantes. Já viajamos juntos para a Serra Gaúcha, Curitiba, Portugal, Buenos Aires e agora Rio de Janeiro. Quando disse que foi uma viagem diferente das demais que fiz, foi porque dessa vez descobrimos um outro Rio que não se restringe as praias. Que são lindas sem dúvida mas sabemos que o Rio tem outras belezas que muitas vezes passa desapercebida. Fizemos um tour cultural e exploramos o centro do Rio. Quantas belezas descobrimos e conhecemos nessa nossa exploração! Nos hospedamos na Lapa num hotel simples mas muito agradável. E de lá fizemos uma varredura por todo o centro conhecendo igrejas (aliás algumas muito lindas em restauro e outras já restauradas), fiz a visita guiada na Biblioteca Nacional que, apesar de toda crise pela qual passa, continua bela e imponente. Visitamos também o Real Gabinete Português de Leitura, o Arquivo Nacional , o Jardim Botânico.
Conhecemos também a Livraria Cultura Cine Vitória que é um charme, o Cine Odeon com sua cafeteria.
Também nos deparamos com pessoas ímpares, agradáveis que nos contaram muitas histórias sobre o passado da cidade do Rio de Janeiro.
Praia?
Só no sábado pra não dizer que não tínhamos ido. Mas retornamos para São Paulo satisfeitos com tudo o que vimos e aprendemos nessa viagem. Essa bagagem é que nos enriquece e nos dá vontade de voltar e descobrir mais. Voltei renovada!