quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Ídolos fabricados

Navego muito pela Internet. E vejo de um tudo. Às vezes rio, outras vezes choro, me emociono, noutras situações me revolto e outras tantas passo batido pois é puro besteirol, cultura inútil e nada me acrescentará.
Fato recente sobre essa última coisa que falei. Não quero nem me dar ao trabalho de citar o nome da criança pois já fiquei tão de saco cheio de tanto ouvir e ler tiradas no Facebook ou nos sites, que me recuso a engrossar a fila dos que falam.
Mas não dá para passar batido sobre o assunto. Não sobre a figura em si mas sobre a atitude da grande maioria da sociedade que adora uma fofoca de bastidores. Talvez isso seja resquício de nossa colonização. Tudo o que vem de fora mesmo sendo o lixo do lixo gringo, nós idolatramos e rendemos graças, estendemos tapete vermelho e damos a melhor das acolhidas. E isso ocorre com todos os seguimentos culturais. Literatura brasileira por exemplo: sou bibliotecária e amo ler. Leio de tudo ou quase tudo. Procuro não ter preconceitos e estou sempre aberta a conhecer outras culturas através da sua literatura. Mas observo que grande parcela da população brasileira desdenha sem nem mesmo conhecer os autores nacionais. Os contemporâneos então, nem se fale! Houve uma vez, numa conversa entre bibliotecárias em que ouvi a seguinte pérola da boca de uma delas:
" Literatura brasileira? Ah, isso não existe. Todos os autores são trash. Não perco meu tempo lendo eles".
Ao ouvir tal absurdo, respirei fundo, olhei a pessoa em questão, pensei em sua formação (ela se gaba de ser formada pela USP) e perguntei:
"Mas você tentou pelo menos ler algo ou só desenvolveu essa teoria por acompanhar pensamento alheio?"
Acho que a partir daí começou nossa antipatia mútua porque a fulana me fuzilou com seu olhar 43 e me ignorou voltando-se para a colega ao lado. 
Isso se dá também com o cinema nacional que a maioria torce o nariz mas dá bilheteria para qualquer filme Z norte-americano.
Eu simplesmente não entendo! Até aceito a teoria de que gosto não se discute mas as pessoas são incapazes de pensar por si mesma e adotam como verdades absolutas gostos de outras culturas menosprezando o que temos de melhor por aqui.
Enfim, essa é minha opinião. Procuro dar o melhor de mim para a sociedade, sem ficar bradando bandeiras e fazendo discursos chatos. Atitudes. É o que penso. É o que faço. E mais uma vez fico com esse gosto rançoso na boca em ver fatos isolados como o desse garotinho mimado e mal criado vindo em Terras Tupiniquins desfazer desse povo e ainda sair falando mal. Ah moleque! Vá para casa, estudar e aprenda a ser gente. De verdade e não fabricada pela mídia. É isso!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

A ficção nos levando a refletir nossa realidade

Ontem assistindo o capítulo da novela Amor a vida, contatei algo que há muito já sabia: a sociedade realmente é machista! Por mais que as mulheres tentem ou já tentaram mudar isso no passado, a sociedade realmente é machista e ponto! E explico o porque da minha afirmação.
Durante o jantar que Felix deu para reunir toda a família e expôs a ligação entre César e Edith e o fruto dessa ligação que é Jonathan, seu até então suposto filho, quem foi o alvo de toda a revolta? Quem?
O todo poderoso doutor César que tanto mal já fez a toda a família com sua visão preconceituosa e deturpada? É claro que não! Toda a ira da matriarca e de Félix foi despejada em forma de tapas e puxões de cabelo e de impropérios para a ex-garota de programa Edith.
Reparem bem: o todo poderoso doutor César saiu desse jantar sem respingo algum sobre si deixando para trás uma ex-garota de programa e nora apanhando feito cão vadio na rua. Todos ficaram observando e intimamente aprovando a atitude de Pilar.
Aí me pego com o seguinte pensamento: Podem alegar que é só uma novela mas toda novela, todo folhetim reflete o que uma sociedade pensa. E eu, chateada penso com meus botões e depois expressei em palavras com minha irmã: A sociedade continua tão machista quanto há séculos e séculos atrás. A hipocrisia é que dá uma certa maquiagem a coisa e mostra-nos como modernos e evoluídos.
Mas não, ainda vivemos e pensamos como em pleno século 18. Todo o mal que recai no mundo é sempre culpa da mulher. Hoje, batemos tanto em nossos peitos - muitas vezes inflados de silicones - de que temos de combater o machismo mas a grande maioria das mulheres ainda continuam educando e criando seus filhos exatamente como suas avós e tataravós criaram os seus no passado. Mudou apenas a roupagem, o cenário e alguns detalhes aqui e ali mas no fundo, as mulheres ainda criam seus filhos de forma machista. Ao garoto tudo é permitido e bonito. À menina, tudo é feio e nada é permissivo. Garoto dá uma de Don Juan, Ah! Ele desde cedo é um verdadeiro sedutor! Que danado!
A menina ninfetinha põe suas teias de fora e usando short curtinho e mini blusa salientando os peitos, lá vem a sentença: Essa daí desde cedo mostra a que veio! Vulgar que só ela! Uma verdadeira putinha! Ou, como se expressa de forma mais politicamente correto e atual: Essa daí não passa de uma Piriguete!! Vai dar trabalho! Vai envergonhar a família!
E por aí vai os tantos outros comentários que se faz sobre a menina e sobre o menino até chegarem a fase adulta e darem prosseguimento a esse círculo vicioso que chamamos de "Educar".
Não tenho filhos e sei que jamais os terei mas me preocupo com o andar da carroça se as coisas continuarem assim, do mesmo jeito. Mulheres e mães repensem seus pontos de vista, suas convicções e observem se não continuam a reproduzir o que as demais mães do passado fizeram na criação de seus filhos. Enquanto a Mãe/Mulher não mudar a forma de educar seus filhos, a sociedade permanecerá do jeito que está. Ah! E antes que me esqueça, vocês podem estar se perguntado aí do outro lado:
É, a Roseli fala, fala, fala só da mulher. E o homem não tem responsabilidade na educação das crianças?


Minha resposta é Sim e Não. Sim porque nos dias atuais vejo que os homens são mais presentes no convívio e educação dos filhos mas, a mulher ainda é presença marcante e dominante da criação de seus rebentos portanto, volto a dizer que a maior responsável pela formação do caráter e comportamento das crianças, futuros adultos ainda é da mulher.
Ontem mesmo ouvia no noticiário do rádio uma pesquisa que aponta o crescimento de estupros aqui no Brasil. Por que será que de uma hora para outra isso voltou a crescer? Ou será que sempre esteve presente e nós, é que ignorávamos tal fato? Volto a dizer que isso também se deve a essa forma de educar fazendo diferenciações entre os gêneros. O dia em que a educação, criação e formação das crianças e jovens for voltada para a igualdade de responsabilidade e os adultos exemplificarem tal lição a ser ensinada, tenho certeza que as coisas mudarão. Bom, essa é minha visão. Se estou certa ou não eu não sei mas penso que tem uma certa lógica. E você o que pensa sobre essa questão? Quero muito saber. Acho bem válida essa discussão.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

7ª Edição do BookCrossing Blogueiro - de 8 a 16 de novembro



Já estamos a toda separando e preparando a libertação de alguns livros durante a coletiva do7º BookCrossing Blogueiro promovido pelo blog Luz de Luma
Estou numa ansiedade só pois adoro participar dessa blogagem coletiva. Você já participou também? Ainda não? Vem fazer parte dessa galera que tem disseminado leitura por todos os cantos. É um ato social, cidadão, educacional, cultural além de um desapego com os livros. Sei disso pois como toda leitora já fui bem apegada aos livros e hoje desapeguei total. Gosto de ler e depois passar a diante o prazer dessa leitura.
Maiores informações, entre aqui

Minhas participações anteriores:

3ª edição http://sonhosmelodias.blogspot.com.br/2011/11/e-os-livros-seguem-seu-destino.html
5ª edição http://sonhosmelodias.blogspot.com.br/2012/11/finalmente-libertei-um-livro.html
6ª edição 1 http://sonhosmelodias.blogspot.com.br/2013/04/6-bookcrossing-blogueiros-alguns-livros.html
6ª edição 2 http://sonhosmelodias.blogspot.com.br/2013/04/termino-de-mais-uma-aventura-no-6.html


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Uma das pérolas da MPB nos palcos de Osasco

(Imagem retirada do Google)

Quem compareceu terça, dia 22, ao show de João Bosco comemorando seus 40 anos de carreira no Teatro Municipal de Osasco não se arrependeu.
Fiquei particularmente satisfeita em ver aquele teatro lotado de pessoas que curtem uma música brasileira de qualidade. Recentemente cheguei a comentar com algumas pessoas que achava uma pena ver aquele teatro, um pouco abandonado. Sempre fui uma crítica um pouco ferrenha da atuação da Secretaria de Cultura de Osasco. A população é culta e sente falta de uma programação de qualidade naquele município.
Mas voltando um pouco ao show, João chega sozinho, parecendo um pouco acanhado, tímido. Senta-se, pega seu violão e ao iniciar o dedilhado das cordas, a gente já sente que vem coisa boa por aí. Quando ele abre a boca e começa a cantar, nos leva numa viagem sem igual pelos caminhos da melodia, ritmo e as inúmeras brincadeiras que ele faz com sua voz servindo de instrumento de acompanhamento para cada canção sua. O cara é uma orquestra completa!
Eu me emocionei diversas vezes durante o show e observei que não estava sozinha nessa. O ponto alto foi a plateia em peso cantando O Bêbado e a Equilibrista com João acompanhando em seu violão. Foi um momento único! Mas me emocionei e bastante ouvindo-o cantar a canção que compôs com Chico Buarque, intitulada Sinhá. Corsário também mexe bastante comigo, Jade maravilhosa!
Incompatibilidade de gênios, tão atual! Desenho de giz, nossa que beleza! Papel machê, encantadora letra e melodia! Quando o amor acontece, de tirar o fôlego! De frente pro crime, um retrato crú e atual narrado de forma poética!
Enfim, saí do teatro super feliz, com o coração batendo forte e com a emoção a flor da pele de contentamento por mais uma vez ter tido oportunidade de assisti-lo ao vivo.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Esquecer o Natal. Alguém consegue?

Quem tem o vício da leitura costuma ficar em cólicas quando se vê sem livro nenhum para ler nas horas vagas. Costumo sempre carregar um livro para ler na condução e em minha hora de almoço. Semana passada me deparei com o esquecimento de um livro que estou lendo bem na hora de meu almoço.
Cocei a cabeça, pensei... "Ah! Vou dar uma olhada em meu armário pois tenho vários livros que ganhei".
Foi com esse pensamento que fui vasculhar o armário e entre inúmeros livros que tenho, bati os olhos em um que já ganhei há uns anos e estava lá, quietinho aguardando sua vez de ser notado.
Olhei sua capa, li quem era o autor, li a sinopse, conferi quantas páginas tinha (pequeno). Levei-o para um passeio pelo parque após almoçar.
Comecei a leitura de forma despretensiosa, sem esperar muito dele e foi então que comecei a me surpreender.
Em poucas páginas lidas já fui me identificando com várias situações que, acredito, seja comum a todos - ou quase todos - enfrentar o estresse que toma conta da gente no período que precede o Natal.
Acredito que não tenha uma única pessoa que já não tenha pensado em "pular" o Natal. Fugir de toda essa correria de compras, gastos, visitas, pagamentos de serviços prestados o ano inteiro (lixeiro, correio, bombeiros, seguranças de rua etc) que religiosamente batem à sua porta pedindo sua contribuição para a cesta de Natal deles.
Eu particularmente reconheço o trabalho de todos mas confesso que às vésperas dessa data meu saco já está arriado e tenho vontade de piscar e acordar só depois do dia 01.
O livro que li fala justamente disso. Um casal decide passar o Natal num cruzeiro em uma ilha ensolarada curtindo simplesmente o calor, praia e paz, muita paz. Mas não vai ser tão fácil assim como a princípio parecia. As pessoas não se conformam com a decisão deles e tentam de todas as formas sabotar essa viagem. Alguns confessarão uma baita inveja por eles abandonarem toda essa correria de final de ano e se isolarem numa ilha paradisíaca. Outros não se conformarão achando que isso chega a ser uma heresia afinal, onde já se viu boicotar o Natal? Essa data tão festiva e tão religiosa e tão...tão...Tradicional! Absurdo! Eles devem estar loucos!

Sinopse:

O livro conta a história de Nora e Luther Krunk, que planejam fazer um cruzeiro pelo Caribe para fugir do Natal. Escândalo e pasmo gerais, pois moram num bairro chique, onde todo mundo festeja o Natal com todo o brilho que tem a maior festa cristã. Nada de árvores, estresse de shopping lotado, despesas sem controle, cartões com mensagens de paz e felicidade. No lugar da festa, do panetone, do peru ou das luzinhas piscando no quintal, o plano é fazer um cruzeiro ao Caribe e desprezar qualquer emoção natalina que ponha tudo a perder. John Grisham provoca boas gargalhadas no leitor com esta hilariante fábula de Natal para os tempos modernos.

Dei muitas gargalhadas lendo as peripécias de Luther para se desvencilhar de vizinhos abelhudos e patrulheiros da vida alheia. Eu mesma já pensei inúmeras vezes em sumir da cidade nesse período natalino e deixar para trás listas de presentes, filas intermitentes, estresse generalizado em supermercados e shoppings. Mas cadê a coragem de estragar a festa dos outros? Não é mesmo? E assim a gente vai engolindo a seco e passando mais um Natal em família e em comunidade.
Gente, é diversão garantida a leitura desse livro. E uma reflexão também sobre essa correria toda e seus valores. Vem conferir!

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Duas aventuras de tirar o fôlego

Hoje vou falar um pouco sobre um livro que li e gostei muito. Retificando: vou falar de dois mas a história é basicamente a mesma. Explico.
Todos devem conhecer, ter lido ou já ouvido falar da obra de Gaston Leroux O fantasma da ópera. Obra que publicada pela primeira vez em 1910, mais tarde recebeu uma roupagem musical pelas mãos de Andrew Loyd Webber  que fez e ainda faz sucesso no mundo todo.
Conta a história de Erik, o fantasma, que vive no subsolo do Teatro de Ópera onde Cristine Daaé, a jovem e inexperiente bailarina (que mais tarde será cantora), será o alvo de sua paixão proibida. Considerado por muitos como um romance gótico, Leroux nos leva a uma aventura pelos subterrâneos do teatro e nos comove o tempo inteiro.
Simplesmente amo essa história! Tem todos os ingredientes para uma narrativa bem desenvolvida. Tem romance, aventura, suspense. 
É um livro para se pegar e grudar os olhos e só terminar ao finalizar a última palavra do livro.

O outro livro que vou comentar, chama-se O fantasma de Manhattan, de Frederick Forsyth. Escrito como forma de continuação do Fantasma da Ópera, Forsyth famoso por escrever romances de ação e espionagem, conseguiu aqui dar uma sequência lógica e possível. Com certeza Leroux iria gostar dessa continuação. A história se passa em Nova York, ano de 1902.

Sinopse: 
Após desaparecer nas catacumbas parisienses, o Fantasma ressurge nos Estados Unidos. Sob uma identidade inesperada e muito poderosa, novamente seus instintos sombrios afloram em um livro tão bom quanto o original.

Gente! Li esse livro devorando cada frase, casa situação e cada suspense colocado de forma magistral por Forsyth. Arrasou e transformou essa história num grande clássico do horror.
Recomendo aqui que leiam os dois. Tenho certeza que irão gostar tanto quanto eu gostei. Diversão garantida!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Uma obra de tirar o fôlego

Faz tempo que não falo sobre música e já estava sentindo falta. Tenho momentos e músicas para cada instante de minha vida. Quando mais jovem achava música clássica, erudita uma chatice. Pura e total ignorância! Faltava-me ainda uma certa bagagem cultural que fui adquirindo com o passar dos anos. Tive contato, conheci a fundo e mergulhei na MPB, no rock, no instrumental e finalmente comecei a me interessar por música clássica. A princípio achava estranha, dramática mas aos poucos meus ouvidos foram sendo conquistados, minha sensibilidade foi se aguçando e quando menos esperava, estava totalmente apaixonada por esse estilo musical. Passei a comprar CDs de vários compositores: Beethoven, Chopin, Handel, Bach, Verdi,entre tantos virtuoses da música erudita. Mas um em especial me tocou profundamente. Por seu talento absurdo e sem igual. Por seu espírito em constante ebulição, por sua alegria que beirava muitas vezes a histeria e contagia. Ou repudiava. Foi uma pessoa que não tinha medidas em nada e viveu intensamente sua curta mas profícua vida. Falo de Wolfgang Amadeus Mozart. Compositor austríaco que em seus curtos 35 anos deixou um legado musical incrível. Ouço sempre suas composições e tenho uma em especial que, quando comprei sua coleção de CDs, não cansava de ouvir. Principalmente a noite antes de dormir. Fazia-me um bem incrível! Sua obra final Réquiem é de uma força que não vi em outra composição, seja dele ou de outro compositor. E desde a primeira vez que ouvi, fiquei tão impactada que fiquei a repetir, repetir, repetir e repetir. Sabe quando você parece não acreditar que algo tão lindo possa existir? Pois é. Foi o que aconteceu comigo ao ouvir essa obra de Mozart. Isso tudo foi lá atrás já há uns anos mas ainda hoje ela me causa comoção. Ao vivo então é algo para se puxar o lencinho da bolsa pois muitas lágrimas jorram. Emocionante demais!

 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Quando desanda a Educação

Hoje após muito tempo me estressei e gastei minhas energias aguentando pessoas sem nenhum verniz social: vulgo "sem educação".
Semana de grande movimentação aqui na biblioteca. Já comentei com vários colegas de profissão que gosto demais de ver a biblioteca lotada de alunos. Movimentação. Adoro. 
...Mas se tem uma coisa que tenho tolerância zero, essa coisa tem dois nomes: falta de educação e falta de respeito. Que no fundo, vamos combinar, acaba sendo a mesma coisa. Quem tem boa educação de berço jamais faltará com o respeito a quem quer que seja. Concorda?
Hoje, vejo com olhos um tanto entristecido e pessimista o rumo que segue as novas gerações. Não quero aqui cair na generalização mas infelizmente, a grande maioria não recebe a tal da "boa educação" em casa. Muito menos têm o exemplo dos pais. Aliás, pelo que acompanho de perto, a maioria desses jovens mal cruzam com eles em seu dia-a-dia. É claro que não tendo uma convivência harmônica no seio familiar, sendo privados de diálogos com os pais, fica difícil julgar e condená-los.
Trabalho na área educacional desde 1991 e de lá pra cá tenho acompanhado as mudanças que tem ocorrido. Na família e na escola.
Infelizmente as escolas estão perdendo essa batalha pois hoje não contam com a cumplicidade e companheirismo de outrora quando ambas: família e escola falavam a mesma linguagem.
Onde todos desejavam apenas acompanhar e se desdobrar em formar cidadãos preparados para a vida adulta.
Quando digo isso em alguma roda de conversa logo sou rebatida com a seguinte frase:
-Ah! Mas antigamente a mulher ficava em casa e se dedicava a educação dos filhos. Hoje todo mundo trabalha e não tem tempo para isso.
Desculpa gente mas isso não me convence. Conheço pessoas que trabalham o dia inteiro e ao chegar em casa, não medem esforços para dar atenção aos filhos, fazem questão de sentarem-se juntos à mesa para as refeições e demonstram interesse genuíno em saber sobre o dia-a-dia das crianças. Isso é fundamental para a formação de qualquer pessoa! A convivência saudável, o diálogo que a cada dia que passa está se extinguindo dos seios familiares!
Hoje está se perdendo essa característica tão importante. Cada um vive em seu próprio casulo. Cada um tem seu quarto, sua TV, seu computador e assim, fazem suas refeições em horários diferentes mal se cruzando pelos corredores da casa.
-"Ah! Mas eu pago o melhor colégio para meus filhos!"
Tá legal mas...E daí? Acha que só isso basta? Dar o melhor colégio, as melhores roupas, mesada gorda e pronto? Assim já está cumprindo com seu papel de pai e mãe?
Já me jogaram muito na cara o fato de não ter filhos, logo não saber o que falo. Engano meu caro! Convivo muito mais tempo com seus filhos do que vocês, pais que vivem ausentes preocupados com o próprio umbigo. Conheço suas fraquezas, seus medos, inseguranças, paixões e acima de tudo, encaro suas carências diariamente. E olha, confesso que me preocupo em ver estampado nesses olhinhos tão jovens o desencanto pela vida e tudo que se relaciona a ela.
As escolas encontram-se engessadas recebendo tanta interferência dos pais no comando da formação dos seus filhos. Tem-se regras que os pais vivem querendo e muitos exigem mudar para não desagradar seus pimpolhos que não sabem receber um não. "Causa trauma sabe!"
Por outro lado, depois que a educação se transformou numa empresa altamente rentável, não é de bom tom desagradar ao cliente - nesse caso os pais - e correr o risco de perder para a concorrência.
E assim, a parte pedagógica está cada vez mais comprometida e vemos anualmente centenas de jovens se formando sem condições alguma de enfrentar o mercado de trabalho. Vão para os bancos universitários levando na bagagens quilos de imaturidade, mimos excessivos, instabilidade emocional. Resultado?
Jovens adultos sem preparo algum para a vida!
Poderia desenvolver muitas coisas mais por aqui mas tornaria esse texto mais cansativo do que já deve estar. Confesso que me preocupo e muito com toda essa situação e minha confissão vai ainda mais longe: estou cansada dessa área que tanto amei e abracei para mim. Estou decepcionada e desencantada com a Educação em nosso país. Futuramente talvez engrosse a fila dos que desistiram dela. E já pensaram que um dia poderemos acordar e não termos mais quem se preocupe com ela? Não estamos muito longe.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Segredos de menina - eu tive os meus e você?


Como é bom quando terminamos de ler um livro e automaticamente um sorriso se esboça em nossa face!
Acabei de ler o primeiro romance escrito pela cartunista argentina Maitena Burundarena ou simplesmente Maitena, como ficou conhecida desde que escreveu a série Mulheres alteradas.
Já conhecia essa série e me diverti muito lendo eles. E conheci um outro lado da cartunista através desse romance que narra a vida de uma garota de doze anos e sua relação familiar e escolar.
Como se expressou a autora Rosa Montero, "...Com amor e humor Maitena narra a angústia sem angustiar, o excepcional como se fosse normal, em um tom comovente, hilariante, corrosivo e certeiro."
 E concordo com ela. Durante a leitura me peguei dando boas risadas no metrô, no ônibus pois as situações em que a garota protagonista se mete nas maiores enrascadas são bem engraçadas. Mas também me comovi muitas vezes com situações que me lembraram as que vivi em minha pré-adolescência.
Com nuances autobiográficas, Maitena nos leva a uma viagem deliciosa ao lado dessa garota, sua família, seus amigos e consegue nos fazer acompanhar as alegrias, angústias, descobertas de uma menina fazendo sua dolorida passagem para a vida adulta.
Fica aqui a minha dica de leitura.
Sinopse:
Ao mesmo tempo que descobre o mundo, a protagonista de 'Segredos de Menina' descobre a si mesma. Com doze anos, filha de uma família católica numerosa e de direita, vive num bairro de classe média e mudou de colégio quatro vezes em sete anos - e acha difícil que exista um mais chato que o atual. A única coisa que faz sentido em sua vida é ficar o dia todo na rua com os amigos. Enquanto o tempo passa, e ela não é mais tão menina, seguimos seus passos pela movimentada Buenos Aires dos anos setenta, entre a morte de Perón e a Copa do Mundo. A mãe depressiva, o pai ausente, as brigas entre os irmãos, o internato, a primeira vez, a experiência com alucinógenos - tudo vai desenhando o perfil dessa adolescente que se exila por vontade própria de seu colégio, de sua família e até de si mesma.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Não queira entender a paixão. Apenas sinta.

(Foto retirada do blog da Neli Ong Pedro Mariano - A voz! )


A paixão é algo que foge a qualquer explicação lógica. Seja ela entre duas pessoas, por um time, por uma ideologia. Enfim, quando brota no coração de alguém e se esparrama tomando conta de todo o corpo através de arrepios, pulsação acelerada, suor e pupilas dilatadas, meu amigo, como costumam falar nossos manos: Tá dominado! Tá tudo dominado!
Já tive muitas paixões na vida. Umas passageiras que surgiram e sumiram com a mesma velocidade muitas vezes não deixando saudade. Outras foram intensas, passageiras como todas mas deixaram marcas profundas e que são lembradas até hoje ainda com uma ponta dolorida.
E tem aquelas que surgiram, criaram raízes e me acompanham até hoje. Como paixão antiga, às vezes pulsa mais forte, me faz reviver aqueles momentos de grande tesão contudo, na maior parte do tempo hiberna e se mantém de forma morna dentro de mim. Mas está lá, latente, pulsante provando a mim mesma que ela continua viva.
É assim minha paixão pela música e mais precisamente pelo cantor Pedro Mariano. Quem já me acompanha por aqui e me conhece, sabe dessa paixão antiga que começou juntamente com o início da carreira dele.
Lá pelos idos de 1997 se a memória não me falha. E de lá pra cá essa paixão permaneceu em mim. Ouve momentos intensos onde literalmente "soltei a franga" e ouve momentos de águas paradas. Lembro com grande carinho das pessoas que acabei conhecendo por conta da mesma paixão. Algumas nunca mais vi. Perdi totalmente o contato. Seguiram suas vidas, provavelmente sorvendo outras paixões na vida.
Eu também segui a minha conhecendo outros estilos musicais, outros cantores e desenvolvi o gosto pela escrita. Por conta disso e de outras coisas, acabei por me afastar um pouco dos shows e das pessoas que sempre encontrava neles. Mas não sei, toda vez que fico sabendo que Pedro Mariano vai fazer show aqui em São Paulo, meu coração bate diferente. Uma emoção toma conta de mim e, como o adicto, volto ao meu vício por ele e mesmo contra a vontade, compro o ingresso e lá vou eu novamente sorver essa maravilha, me extasiar, me amortecer e botar pra fora toda a emoção que ele me causa. É o único cantor que me faz cantar a plenos pulmões mesmo não tendo a garganta maravilhosa que ele tem. Danço alucinadamente, suo a camisa sem dó nem piedade e ao final do show, saio com um sorriso imenso estampado em meu rosto que reflete bem o meu estado de espírito. Fora o fato de me encontrar com as pessoas maravilhosas que conheci ao longo desses anos de shows. É simplesmente uma catarse!
E desde que soube que ele vai fazer um show onde irá gravar o próximo DVD, entrei em surto. Fiquei obsessiva e só pensava nisso. "Não posso perder! Tenho de comparecer a esse show! Como se disso, dependesse toda a minha vida. Para quem não goza de uma paixão, pode até parecer paranoia de fã. E talvez seja mesmo mas...Ai como é gostoso ter, sofrer dessa ansiedade boa!
E ontem foi uma loucura coletiva compartilhada através do Face. Todas desesperadas pela compra do ingresso que começou a vender cedo pela internet e na bilheteria do teatro. E o mais legal foi ver as que já tinham comprado torcer e ajudar as que não conseguiam efetuar a compra. A alegria de todos depois foi algo comovedor. E agora estamos na próxima etapa de ansiedade aguardando nosso "dia da criança" chegar e descermos no grande playground que será a platéia do teatro para juntos: Pedro/Orquestra/Público brincarmos a grande ciranda da música em nossas almas. Vai ser de arrasar e ficará com certeza na história.
Pelo menos em nossas vidas ela ficará como um capítulo especial. É ver para crer!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Quando ser fruta dá pé!

Hoje pela manhã logo ao ligar meu computador, entre tantas notícias de tragédias, corrupção, espionagem, futebol, dou de cara com a seguinte notícia:

Mulher Pera vira apresentadora e cantora infantil, e quer esquecer o passado sensual: ‘Estou arrependida e envergonhada’ 

Que data é hoje mesmo? 11/09/2013.
Pensei com meus parcos e soltos botões de minha camisa: 11/09 é uma data trágica mesmo!
Data em que aconteceu uma das maiores tragédias da humanidade onde muitas vidas foram ceifadas de forma violenta. E também hoje, fico sabendo que uma das tantas frutas que andam balançando por aí pelas TVs abertas da vida, se transformará na futura babá oficial de nossas crianças!
Meus olhos saltaram da órbita ao ler essa chamada e tive que reler mais vezes para entender que não era primeiro de abril.
Nossa sociedade anda realmente com sérios problemas a resolver! Não sou saudosista - pelo menos não doentia - mas Ai que saudade de minhas babás da infância! Lá atrás nos primórdios da TV, assistia algumas tardes o programa do Pururuca e Torresminho acompanhados de bons e divertidos desenhos da Hanna Barbera. Um pouco mais tarde passei a ver Globo Cor Especial que amava a começar pela musiquinha de abertura. Alguém de vocês se lembram? Cinto de inutilidades, composição de Nelson Motta, Marcos e Paulo Sergio Valle. Só por essa informação sobre quem foram seus compositores já dá pra perceber a diferença dos dias atuais.

“Não existe nada mais antigo / do que caubói que dá cem tiros de uma vez / A vó da gente deve ter saudade / do Zing! Pow! / Do cinto de inutilidades / No nosso mundo tudo é novo e colorido / Não tem lugar pra essa gente que já era / Morcego velho, bang-bang de mentira, vocês já eram / O nosso papo é alegria!”.

Passei boa parte de minha infância cantando essa música. Adorava!
Também assisti a programas na TV Cultura que tinha uma ótima programação infantil como por exemplo, Bambalalão, apresentado por Gigi e Silvana. Esse programa embalou a infância de muita gente!
Vila Sésamo que foi um verdadeiro furor na TV. Delícia de programa com personagens cativantes como Garilbaldo, Beto, Gugu, Funga-Funga.
TV Globinho com a ótima Paula Saldanha que informava e educava as crianças sobre diversos assuntos sérios.
Esses são apenas alguns que cito num universo imenso de bons programas. Com qualidade e respeito a inteligência da criança.
E agora, uma TV que jamais deveria de ter existido pois só tem em sua grade de programação o que de pior existe, sai com essa pérola para as nossas já tão desprestigiadas e sofridas crianças!
Coitadas! Principalmente por terem em sua grande maioria, pais irresponsáveis e desinformados que com certeza utilizarão e bastante dessa nova babá para tomar conta de seus infantes. O que será dessa geração?
Com a educação rolando ladeira abaixo, a TV para reforçar ainda vem com essa "qualidade" de programação e os pais se desviando da sua responsabilidade em educar suas crianças, olha, não que seja pessimista não mas antevejo um futuro nada brilhante para esses futuros adultos. Ou, por outro lado, talvez se dêem bem já que o país incentiva nossos jovens a serem jogadores de futebol, cantores de funk, sertanejo e celebridades relâmpagos. Enfim, por hora, ainda em total estado de choque, só posso lamentar por esse futuro. 
E dá-lhe frutas que a feira está tinindo!

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Quimera

   lustração retirada do Google Imagem)


Pára o mundo que eu quero descer!

As vezes recinto de ler tanto, de me manter informada sobre tudo ou quase tudo.
Saber o que se passa pelo mundo ultimamente não tem sido muito vantajoso. Causa náusea, asco, revolta, tira o sono, dá medo.
Cansa viver!
Viver num mundo tão repleto de injustiças, corrupção, maldade de todo tipo.
Causa tédio!
Viver num mundo em que basta apertar um botão e várias coisas acontecem torna o ser humano preguiçoso, lento, sem viço.
Sempre me considerei uma pessoa urbana. Gosto do movimento, da vida, das facilidades de uma metrópole. No entanto, tenho revisto meus conceitos de vida pois o que tenho presenciado nas grandes cidades me entristece.
Se para me tornar uma cidadã da urbe terei de me despir dos valores que recebi de meus pais e avós e me transformar num ser primitivo sem regras nem respeito ao meu próximo, então me retiro.
Vou me refugiar num paraíso qualquer e passar meus dias pescando.
Jogarei fora tudo o que for supérfluo: eletroeletrônicos, roupas e calçados de grife, deixarei meus cabelos crescerem a vontade e darei fim ao tormento que é todo mês retocar a raiz.
Deixarei que todas as marcas, vincos, rugas, manchas encontrem guarida nesse corpo envelhecido. Não me transformarei numa velha flácida pois meus músculos trabalharão como nunca para conseguir o que preciso para sobreviver.
Voltarei a dormir com as galinhas pois não mais perderei minhas horas de frente à TV e passarei a ter o sono dos justos.
Não saberei mais o que é ter pesadelos. Meus dias serão de puro deleite. Não falarei mal da vida alheia. Até mesmo porque, não terei ninguém por perto a não ser os pássaros, os peixes, os macacos e as estrelas que disputarão com a Lua, minha atenção.
Manterei em meu semblante um sorriso bobo e sincero porque finalmente terei encontrado a paz.
Já bem velhinha, terei uma morte branda, natural. Farei minha passagem recebendo a brisa que entrará pela janela sem vidro e envolverá minha alma já cansada para meu descanso merecido na Terra dos Recompensados. Meus despojos, naturalmente irão se desfazer e minhas moléculas retornarão ao universo para a construção de novos seres, novas vidas. O processo da vida se fará ininterruptamente e voltarei a fazer parte do todo.