terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O segredo de Lisa Miller - Blogagem coletiva


Acabava de tomar o metrô e seguia um pouco sem rumo pensando no que faria agora. Mulher de traços delicados, beleza clássica, corpo muito bem delineado pela natureza. Lisa sabia de seus atributos mas procurava sempre adotar novo visual, nova roupagem a cada mudança de vida que fazia.
E olha que não foram poucas!


Olhando pela janela, agora que o trem saíra para a superfície, observava a paisagem urbana com seus inúmeros prédios, elevados, parques. Despedia-se, pois naquela semana mesmo embarcaria para outra cidade. Aliás, para outro país. Daria um tempo fora para apagar seus vestígios. Em breve iria se despir desse personagem que criou: uma bibliotecária. Trabalhou por dois anos na biblioteca pública e lá, fez amizades, rolou até um breve namoro, trabalhou exemplarmente. Iria deixar saudades. Gostava disso!
Por todos os lugares que passou e adotou identidades diferenciadas, Lisa soube deixar marcas boas em todas as pessoas que conheceu. Foi assim em Fortaleza, em Cuiabá, em Montes Claros, no Rio de Janeiro e agora em São Paulo. Isso só por aqui, no Brasil. Sua procedência, ela guarda a sete chaves. Nem a si mesma confessa. Só assim para se proteger. Já passou por Genebra, Bélgica, Croácia, Portugal.
Agora planejava seguir para o Canadá. Tiraria umas férias de tudo. Seria uma pessoa "normal". Tentaria ser uma turista entre tantos. Dormiria até tarde, tomaria seu café da manhã no hotel Georgian Court. Já decidirá ficar por lá, em Vancouver. Faria todos os programas turísticos. Após se restabelecer dessa última parada em São Paulo, traçaria sua nova meta e planos. Talvez ficasse ruiva. Já foi loira de cabelos longos, loira de cabelos curtíssimos, já teve olhos azuis, olhos verdes e violeta. Já foi punk e frequentava inferninhos e por último, foi uma bibliotecária de cabelos médios castanhos, vestia-se clássica e usava maquiagem nude. Talvez agora adotasse o visual Gilda. Sorri ao pensar nisso. O futuro lhe reserva muitas coisas boas, muitas experiências e acima de tudo, muita justiça a ser feita.
Essa história ainda está muito longe de terminar.

Esse texto faz parte da blogagem coletiva O segredo de Lisa Miller promovido por Patricia Gallis do blog Café entre amigos

PS: O início desse texto peguei como gancho, o final desse meu outro conto que postei no blog Coletivo Claraboia e também faz parte de um projeto meu de romance. Acho que ainda consigo terminar.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Uma estrela de brilho diferente

Este texto faz parte da blogagem coletiva Era uma vez... promovida pela Irene do blog 


Era uma vez, num reino muito, mas muito distante. Eu diria até anos luz distante da Terra, vivia uma menininha aparentando uns dez anos que sonhava acordada. E seu sonho não batia com as promessas e planos que seus pais, o rei Ontário e a rainha DaLua tinham para ela. Planejavam num futuro breve, assim que a menina menstruasse, um casamento maravilhoso com o príncipe SemTempo, filho do rei da Cova Rasa, MuitoTempo e da rainha SempreCorrendo. Segundo seus pais, o príncipe era um excelente partido e a união dos dois seria de muito lucro e bons negócios para ambos os reinos. Mas, a infante Estrelinha PénoChão não pensava como eles e sonhava algo para seu futuro bem diferente dos seus pais. Nada de passar sua juventude em salto alto equilibrando sua coroa de nobreza. Menina muito antenada com tudo o que acontecia no Universo, se entusiasmava com as aventuras do grupo GreenPeace do planeta Terra que fica no Sistema Solar. 
Estrelinha vivia conectada em seu aparelho multifuncional que interligava seu mundo a todo o resto do Universo. Estava encantada com tudo que vinha presenciando e aprendendo. Mesmo tendo pouca idade (114 sonhos), Estrelinha já tinha consciência de que viver somente de sonhos não valia a pena. Ao contrário dos demais habitantes do reino de seu pai, a menina já sabia que sonhos sem realizações concretas se esvaem no ar por isso, queria muito sair do seu mundinho e partir para esse tal desconhecido planeta Terra e se juntar a esse grupo para lutar por causas que ela compreendia serem justas. Não tinha nenhuma intenção de se transformar em uma enfadonha futura rainha do lar feito sua mãe. Aquilo não era vida para ela! Assim pensava cada vez que olhava para a figura triste e cansada de sua pobre rica mãe.  
Estrelinha almejava transformar sua vida numa grande e ininterrupta aventura não só pelo planeta Terra, mas por outros mundos também e ajudar a acabar com as injustiças que imperam neles. A menina tinha alma de guerreira! Desde que captara imagens dos ativistas do GreenPeace sendo presos pelos russos, a menina não parava de pensar na situação, na causa e nas pessoas que foram presas. Ela queria muito fazer parte dessa turma. E como boa sonhadora de nascença que era já bolava uns sonhos bem mirabolantes para concretizar. Com sua cabecinha ágil, traçava estratégias de fuga de seu planeta e de como chegar até a Terra. Sua mente tornara-se uma usina constante de esquemas, planos de rotas e fuga. É claro que sentiria muita falta de sua família, de seu reino e de seu povo. Mas sabia que seu destino já estava traçado para ser uma cidadã do Universo e para tanto, necessário se fazia despir-se de todo apego. 
Um dia retornaria. Mas isso meus amiguinhos, já será outra história a se contar. E tudo termina como começou: Era uma vez... 



quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Retorno das trevas


Esse texto faz parte da blogagem coletiva "Momentos de Inspiração 19ª edição" promovida por Irene Moreira M@myrene
Que tal participar também?



Era um momento especial para a jovem Celina. Retornando de uma viagem pela escuridão total, sentia-se debutando na vida e tudo de belo que ela oferecia. Aprendera a ler e até chegou a exercer tal atividade até aquele dia fatídico. Tinha em seu quarto, uma pequena biblioteca de livros infantis que outrora possibilitara viagens pelo mundo da fantasia. Agora, aos quinze anos, após um longo percurso de recuperação, voltara para a vida na luz. Emergira de sua condição de cegueira total ocasionada por um acidente e por um trauma em ver sua mãe morrer em seus braços. Foram anos de tratamento médico e psicológico pois além de perder a visão, a pequena Celina emudeceu. Simplesmente se apagou para a vida. Recolhera-se em seu mundinho interior como forma de se proteger da dureza que era a vida. Armando, seu pai que a acompanhou em todos os momentos cruciantes, mantinha a fé de que a garota superaria tal trauma. Em seu período trevoso, diariamente lia para ela várias histórias que pudessem estimular seu retorno. Pollyana, Fronteiras do Universo, O incrível livro de hipnotismo de Molly Moon, A invenção de Hugo Cabret, Jogos vorazes e tantos outros livros de aventura foram narrados com emoção e carinho pelo pai zeloso. Pouco a pouco, a menina foi tomando gosto pela vida e sutilmente, um brilho foi se acendendo naqueles olhinhos embaçados pela dor. Na semana passada, Celina acordou enxergando luzes em seu leito. Mas ainda não expressava nada. A enfermeira que cuida da menina percebendo esse fato, chamou de imediato seu Armando que largou tudo na empresa para ver sua filha retornando.
A menina já começa timidamente a falar algumas frases um pouco desconexas e, hoje pela manhã, seu Armando pegou-a pelas mãos e disse:
- Filha, venha comigo até o jardim pois tenho um presente para você.
No belo jardim da residência, havia um banco repleto de livros. A jovem deu alguns passos trôpegos, tímidos e se aproximou. Sentou na beira do banco e olhos de forma interrogativa para o pai.
- Celina, como você já gostava de ler quando pequenina, ao saber que sua visão voltou, a primeira coisa que me veio a mente foi correr para uma livraria e comprar muitos livros que, tenho certeza, vão agradar você. Pode pegar. São todos seus.
- Olha querida, vou te deixar a sós para que se deleite com o presente. Fique a vontade com eles. São todos seus e aproveite para tomar um pouco de sol que te fará bem.
Dizendo isso, aproximou-se e depositou um beijo amoroso na testa da menina e saiu.
Já se passaram duas horas e meia e Celina ainda se encontra lá no banco, passando seus olhinhos ávidos pelas páginas dos livros. Até já esboçou alguns tímidos sorrisos diante do que conseguiu ler.

A vida parece voltar ao lar dos Benedetti.


Últimos livros libertados - 7ª edição BookCrossing Blogueiro

Bom dia pessoal! Estou atrasada para postar meus últimos livros libertados no BookCrossing Blogueiro. Final de semana agitado com muitas atividades em família dá nisso. Fiquei sem tempo de fazer minhas postagens. Fora o fato de ter tirado foto de um dos livros no celular e ter descarregado no pc do trabalho.
Mas aqui estão os livros: Marley & Eu deixei ele na mesa da área de alimentação do Shopping Frei Caneca após degustar um temaki delicioso no Gendai. Humm!!! Tudibão!


Agora esse último livro, resolvi fazer uma libertação pra lá de especial. Esse livro libertei via correio e mandei ele para outro Estado. Encaminhei para uma pessoa muito querida de todos pois sabia de sua vontade em ler a biografia desse grande homem que foi Martin Luther King. Tenho certeza que será lido e depois libertado para que outras pessoas possam também ter a chance de ler.
Sem mais delongas, encaminhei o livro para a Luma, do blog
Luz de Luma, yes party! que está promovendo essa iniciativa tão legal.
Luma se o livro ainda não chegou, aguarde que é por esses dia. Desejo uma excelente leitura!
E assim pessoal, termina minha participação nessa 7ª edição do BookCrossing Blogueiro. Mais uma vez fiquei bem satisfeita com o movimento e aos poucos vou visitando todos os blogues que fizeram parte da grande e deliciosa brincadeira de libertar livros. E já estou me preparando para a próxima edição.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Replay - quem não gostaria de ter uma segunda chance?

A literatura francesa contemporânea tem ótimos autores. Alguns já mencionei por aqui como Martin Page com seu livro Talvez uma história de amor, Marie Darrieussecq com o ótimo e incômodo Porcarias, Emmanuel Carrère, esse ainda não li mas espero em breve conhecer seus livros. E, um autor que muito tem me agradado pela sua narrativa e temática é Marc Levy.
O primeiro livro que li dele me pegou de primeira: E se fosse verdade que também ficou ótimo na roupagem cinematográfica com Reese Witherspoon e Mark Ruffalo. Após essa leitura quis conhecer outros títulos dele e me encantei com Da próxima vez, em seguida li o maravilhoso Tudo aquilo que nunca foi dito. Após a leitura desse livro virei fã de carteirinha de Marc Levy. E hoje falo um pouco sobre esse último livro que li dele, Replay.

Sinopse:


Tudo que Andrew Stilman queria era uma segunda chance. Após partir o coração da mulher que amava, seu maior desejo era voltar no tempo e consertar os erros, mas isso é impossível – ou, ao menos, era o que ele pensava. Na manhã do dia 9 de julho de 2012, durante sua caminhada matinal às margens do Rio Hudson, o prestigioso repórter Andrew Stilman é violentamente atacado, sem conseguir ver o criminoso. Após sua morte, o inesperado acontece. O jornalista não vê uma luz no fim do túnel, nem muito menos abre os olhos no céu, mas acorda dois meses antes de seu assassinato. Quando acorda, Andrew está de volta ao dia 9 de maio do mesmo ano. Ele vai reviver os dois próximos meses atento a qualquer detalhe que possa ajudá-lo a descobrir quem o agrediu – ou melhor, irá agredi-lo – dois meses depois. Do coração de Nova York até as ruas de Buenos Aires, Andrew vive uma aventura repleta de reviravoltas, enquanto tenta salvar a própria pele e não decepcionar seu grande amor mais uma vez. O protagonista de Replay, best-seller de Marc Levy, além de consertar os erros que cometeu, terá de correr contra o tempo para tentar evitar sua morte e encontrar seus possíveis assassinos.

Desde o primeiro capítulo fui pega pela narrativa de Levy e fui acompanhando o personagem em sua busca pelo seu assassino até o último capítulo. O autor foi muito bom pois não conseguia descobrir quem poderia ter feito isso com Andrew. Personagens que convencem, são carismáticos, até mesmo o chato do colega de redação do jornal onde Andrew trabalha, Freddy Olson nos cativa no decorrer da história. Além do mais, quem não gostaria de ter uma segunda chance de consertar os erros que fez na vida? De pedir perdão aos que machucou, ofendeu? Sem dúvida Levy nos faz refletir sobre essas questões através dos personagens e suas histórias de vida. Enfim, terminei de ler e fiquei com gosto de quero mais. Vamos agora partir para outras histórias de monsieur Levy. Essa é a dica de leitura de hoje.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Livros libertados - 7ª Edição do BookCrossing Blogueiro

Demorei um pouco para libertar alguns livros por pura falta de oportunidade. Já estava ficando agoniada. Mas ontem a noite, depois de minha aula de pilates, no ônibus decidi que deixaria um deles por lá. O Universo estava conspirando comigo. Tirei foto dele no banco e fiquei de deixar ali mesmo ao desembarcar. Um rapaz de seus vinte anos ou até menos, sentou-se ao meu lado e conversava com a suposta namorada pelo celular. Ficou a viagem toda conversando. Quando me levantei para descer, deixei o livro ali. O jovem quando viu me chamou e ia entregando o livro para mim. Eu disse: Não é mais meu. Libertei ele. Dá uma lida na carta dentro. Ele abriu, leu e a carinha que fez de alegria foi ímpar. Pena que não deu para registrar em foto. Já estava para descer do ônibus. Vi ele falando do livro para a namorada e quando desci, pela janela ele me fez sinal de positivo e sorriu.
Sorri de volta e dei tchau. Cheguei em casa muito satisfeita com essa libertação. Vi que o livro vai ser lido e bem aproveitado. Parte da missão cumprida.
Hoje, decidi libertar mais um. Primeiro pensei em deixá-lo no Parque Mario Covas aqui na Avenida Paulista. Mas de última hora resolvi que não. Agora, quando saí para almoçar, lembrei-me de um restaurante que sempre almoço e já ouvi as moças que lá trabalham falarem dos livros que leem. Pensei: É aqui mesmo que vou deixar esse livro. Como queria muito tirar uma foto dele, perguntei para uma das donas se ela conhecia esse projeto BookCrossing. Ela me falou que já tinha ouvido falar. 
Então pedi permissão para deixar o livro por lá. Ela ficou contente e disse que já sabia para quem passar esse livro. Sua funcionária que ama leitura. Pedi para ela ler a cartinha dentro e depois passar adiante o livro. Ela adorou!
Saí mais uma vez satisfeita em deixar o livro que li e tanto gostei em boas mãos. Durante a semana libertarei mais alguns.
Esse texto faz parte da blogagem coletiva BookCrossing Blogueiro promovido pela Luma do blog Luz de Luma. Interessou-se em participar? Ainda dá tempo. Leia mais e participe!

Não mantenha os livros presos nas estantes sufocados, solitários, sem vida. Livros só têm significado se folheados, aí sim, seus personagens ganham vida e te mostram suas histórias.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

7º BookCrossing Blogueiro: começa hoje!!

Hoje é a data de largada para a libertação de livros promovida pela blogagem coletiva BookCrossing Blogueiro capitaneada por Luma do blog Luz de Luma. Oh coisa boa deixar esses livros por aí passando por mãos diversas e levando possibilidades de mais e mais pessoas terem acesso a leitura.
Separei quatro livros por enquanto. Digo por enquanto porque sempre me empolgo e acabo escolhendo mais um título ou dois para participar. Não sei se todos sabem mas sou bibliotecária escolar e sempre ganho muitos livros. Alguns leio, outros já li, outros não fazem meu estilo de leitura mas sempre guardo em meu armário pois sei que sempre encontrarei leitores para eles. Vivo distribuindo livros para crianças da própria família, conhecidos e essa iniciativa da Luma faz com que apliquemos o desapego de nossos livros e libertemos eles para pessoas desconhecidas. Muito legal mesmo! Alguns livros que vou libertar:

Sinopse:
"Eu tenho um sonho." A frase ecoou, forte e eletrizante, entre as milhares de pessoas reunidas no Memorial Lincon naquela manhã de agosto de 1963,em Washington, para ouvir a voz dedicada de Martin Luther King Jr. A manifestação iria constituir um marco na luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, coroando a vida do grande líder pacifista norte-americano, cuja a saga é contada neste livro de Chisty Whitman.
Sinopse:
Um assassinato dentro do Louvre, em Paris, traz à tona uma sinistra conspiração para revelar um segredo que foi protegido por uma sociedade secreta desde os tempos de Jesus Cristo. Mesclando os ingredientes de uma envolvente história de suspense com informações sobre obras de arte, "O Código Da Vinci" prende o
leitor da primeira à última página.






Sinopse: 
O que acontece quando recém-casados resolvem comprar um cão neurótico para testar sua capacidade de criar um filho? "Marley & Eu - Vida e Amor ao Lado do Pior Cão do Mundo" reúne as histórias de adaptação de um casal ao comportamento canino. Esta é uma jornada ao mesmo tempo humana e canina que os amantes de cães adorarão viver                                                







Sinopse:
Dedé não se conformava: tinha que ler Os Lusíadas, de Camões, justo durante as férias! Adeus, viagem de veleiro com o pai... Desesperado, pede ajuda a Teto, universitário que costumava lhe dar aular particulares. Para unir o útil ao agradável, Walmyr, o pai de Dedé, convida Teto a continuar as aulas a bordo. E resolve refazer a rota de Vasco da Gama, na história aventura contada nos versos de Os Lusíadas. Para Teto, havia um estímulo a mais: estar perto de Catarina, prima de Dedé. Será que desta vez ele vence a timidez? Descubra navegando também nesse mar de História, literatura e emoção.

Esse texto faz parte da blogagem coletiva e você pode acompanhar por aqui.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Ídolos fabricados

Navego muito pela Internet. E vejo de um tudo. Às vezes rio, outras vezes choro, me emociono, noutras situações me revolto e outras tantas passo batido pois é puro besteirol, cultura inútil e nada me acrescentará.
Fato recente sobre essa última coisa que falei. Não quero nem me dar ao trabalho de citar o nome da criança pois já fiquei tão de saco cheio de tanto ouvir e ler tiradas no Facebook ou nos sites, que me recuso a engrossar a fila dos que falam.
Mas não dá para passar batido sobre o assunto. Não sobre a figura em si mas sobre a atitude da grande maioria da sociedade que adora uma fofoca de bastidores. Talvez isso seja resquício de nossa colonização. Tudo o que vem de fora mesmo sendo o lixo do lixo gringo, nós idolatramos e rendemos graças, estendemos tapete vermelho e damos a melhor das acolhidas. E isso ocorre com todos os seguimentos culturais. Literatura brasileira por exemplo: sou bibliotecária e amo ler. Leio de tudo ou quase tudo. Procuro não ter preconceitos e estou sempre aberta a conhecer outras culturas através da sua literatura. Mas observo que grande parcela da população brasileira desdenha sem nem mesmo conhecer os autores nacionais. Os contemporâneos então, nem se fale! Houve uma vez, numa conversa entre bibliotecárias em que ouvi a seguinte pérola da boca de uma delas:
" Literatura brasileira? Ah, isso não existe. Todos os autores são trash. Não perco meu tempo lendo eles".
Ao ouvir tal absurdo, respirei fundo, olhei a pessoa em questão, pensei em sua formação (ela se gaba de ser formada pela USP) e perguntei:
"Mas você tentou pelo menos ler algo ou só desenvolveu essa teoria por acompanhar pensamento alheio?"
Acho que a partir daí começou nossa antipatia mútua porque a fulana me fuzilou com seu olhar 43 e me ignorou voltando-se para a colega ao lado. 
Isso se dá também com o cinema nacional que a maioria torce o nariz mas dá bilheteria para qualquer filme Z norte-americano.
Eu simplesmente não entendo! Até aceito a teoria de que gosto não se discute mas as pessoas são incapazes de pensar por si mesma e adotam como verdades absolutas gostos de outras culturas menosprezando o que temos de melhor por aqui.
Enfim, essa é minha opinião. Procuro dar o melhor de mim para a sociedade, sem ficar bradando bandeiras e fazendo discursos chatos. Atitudes. É o que penso. É o que faço. E mais uma vez fico com esse gosto rançoso na boca em ver fatos isolados como o desse garotinho mimado e mal criado vindo em Terras Tupiniquins desfazer desse povo e ainda sair falando mal. Ah moleque! Vá para casa, estudar e aprenda a ser gente. De verdade e não fabricada pela mídia. É isso!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

A ficção nos levando a refletir nossa realidade

Ontem assistindo o capítulo da novela Amor a vida, contatei algo que há muito já sabia: a sociedade realmente é machista! Por mais que as mulheres tentem ou já tentaram mudar isso no passado, a sociedade realmente é machista e ponto! E explico o porque da minha afirmação.
Durante o jantar que Felix deu para reunir toda a família e expôs a ligação entre César e Edith e o fruto dessa ligação que é Jonathan, seu até então suposto filho, quem foi o alvo de toda a revolta? Quem?
O todo poderoso doutor César que tanto mal já fez a toda a família com sua visão preconceituosa e deturpada? É claro que não! Toda a ira da matriarca e de Félix foi despejada em forma de tapas e puxões de cabelo e de impropérios para a ex-garota de programa Edith.
Reparem bem: o todo poderoso doutor César saiu desse jantar sem respingo algum sobre si deixando para trás uma ex-garota de programa e nora apanhando feito cão vadio na rua. Todos ficaram observando e intimamente aprovando a atitude de Pilar.
Aí me pego com o seguinte pensamento: Podem alegar que é só uma novela mas toda novela, todo folhetim reflete o que uma sociedade pensa. E eu, chateada penso com meus botões e depois expressei em palavras com minha irmã: A sociedade continua tão machista quanto há séculos e séculos atrás. A hipocrisia é que dá uma certa maquiagem a coisa e mostra-nos como modernos e evoluídos.
Mas não, ainda vivemos e pensamos como em pleno século 18. Todo o mal que recai no mundo é sempre culpa da mulher. Hoje, batemos tanto em nossos peitos - muitas vezes inflados de silicones - de que temos de combater o machismo mas a grande maioria das mulheres ainda continuam educando e criando seus filhos exatamente como suas avós e tataravós criaram os seus no passado. Mudou apenas a roupagem, o cenário e alguns detalhes aqui e ali mas no fundo, as mulheres ainda criam seus filhos de forma machista. Ao garoto tudo é permitido e bonito. À menina, tudo é feio e nada é permissivo. Garoto dá uma de Don Juan, Ah! Ele desde cedo é um verdadeiro sedutor! Que danado!
A menina ninfetinha põe suas teias de fora e usando short curtinho e mini blusa salientando os peitos, lá vem a sentença: Essa daí desde cedo mostra a que veio! Vulgar que só ela! Uma verdadeira putinha! Ou, como se expressa de forma mais politicamente correto e atual: Essa daí não passa de uma Piriguete!! Vai dar trabalho! Vai envergonhar a família!
E por aí vai os tantos outros comentários que se faz sobre a menina e sobre o menino até chegarem a fase adulta e darem prosseguimento a esse círculo vicioso que chamamos de "Educar".
Não tenho filhos e sei que jamais os terei mas me preocupo com o andar da carroça se as coisas continuarem assim, do mesmo jeito. Mulheres e mães repensem seus pontos de vista, suas convicções e observem se não continuam a reproduzir o que as demais mães do passado fizeram na criação de seus filhos. Enquanto a Mãe/Mulher não mudar a forma de educar seus filhos, a sociedade permanecerá do jeito que está. Ah! E antes que me esqueça, vocês podem estar se perguntado aí do outro lado:
É, a Roseli fala, fala, fala só da mulher. E o homem não tem responsabilidade na educação das crianças?


Minha resposta é Sim e Não. Sim porque nos dias atuais vejo que os homens são mais presentes no convívio e educação dos filhos mas, a mulher ainda é presença marcante e dominante da criação de seus rebentos portanto, volto a dizer que a maior responsável pela formação do caráter e comportamento das crianças, futuros adultos ainda é da mulher.
Ontem mesmo ouvia no noticiário do rádio uma pesquisa que aponta o crescimento de estupros aqui no Brasil. Por que será que de uma hora para outra isso voltou a crescer? Ou será que sempre esteve presente e nós, é que ignorávamos tal fato? Volto a dizer que isso também se deve a essa forma de educar fazendo diferenciações entre os gêneros. O dia em que a educação, criação e formação das crianças e jovens for voltada para a igualdade de responsabilidade e os adultos exemplificarem tal lição a ser ensinada, tenho certeza que as coisas mudarão. Bom, essa é minha visão. Se estou certa ou não eu não sei mas penso que tem uma certa lógica. E você o que pensa sobre essa questão? Quero muito saber. Acho bem válida essa discussão.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

7ª Edição do BookCrossing Blogueiro - de 8 a 16 de novembro



Já estamos a toda separando e preparando a libertação de alguns livros durante a coletiva do7º BookCrossing Blogueiro promovido pelo blog Luz de Luma
Estou numa ansiedade só pois adoro participar dessa blogagem coletiva. Você já participou também? Ainda não? Vem fazer parte dessa galera que tem disseminado leitura por todos os cantos. É um ato social, cidadão, educacional, cultural além de um desapego com os livros. Sei disso pois como toda leitora já fui bem apegada aos livros e hoje desapeguei total. Gosto de ler e depois passar a diante o prazer dessa leitura.
Maiores informações, entre aqui

Minhas participações anteriores:

3ª edição http://sonhosmelodias.blogspot.com.br/2011/11/e-os-livros-seguem-seu-destino.html
5ª edição http://sonhosmelodias.blogspot.com.br/2012/11/finalmente-libertei-um-livro.html
6ª edição 1 http://sonhosmelodias.blogspot.com.br/2013/04/6-bookcrossing-blogueiros-alguns-livros.html
6ª edição 2 http://sonhosmelodias.blogspot.com.br/2013/04/termino-de-mais-uma-aventura-no-6.html


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Uma das pérolas da MPB nos palcos de Osasco

(Imagem retirada do Google)

Quem compareceu terça, dia 22, ao show de João Bosco comemorando seus 40 anos de carreira no Teatro Municipal de Osasco não se arrependeu.
Fiquei particularmente satisfeita em ver aquele teatro lotado de pessoas que curtem uma música brasileira de qualidade. Recentemente cheguei a comentar com algumas pessoas que achava uma pena ver aquele teatro, um pouco abandonado. Sempre fui uma crítica um pouco ferrenha da atuação da Secretaria de Cultura de Osasco. A população é culta e sente falta de uma programação de qualidade naquele município.
Mas voltando um pouco ao show, João chega sozinho, parecendo um pouco acanhado, tímido. Senta-se, pega seu violão e ao iniciar o dedilhado das cordas, a gente já sente que vem coisa boa por aí. Quando ele abre a boca e começa a cantar, nos leva numa viagem sem igual pelos caminhos da melodia, ritmo e as inúmeras brincadeiras que ele faz com sua voz servindo de instrumento de acompanhamento para cada canção sua. O cara é uma orquestra completa!
Eu me emocionei diversas vezes durante o show e observei que não estava sozinha nessa. O ponto alto foi a plateia em peso cantando O Bêbado e a Equilibrista com João acompanhando em seu violão. Foi um momento único! Mas me emocionei e bastante ouvindo-o cantar a canção que compôs com Chico Buarque, intitulada Sinhá. Corsário também mexe bastante comigo, Jade maravilhosa!
Incompatibilidade de gênios, tão atual! Desenho de giz, nossa que beleza! Papel machê, encantadora letra e melodia! Quando o amor acontece, de tirar o fôlego! De frente pro crime, um retrato crú e atual narrado de forma poética!
Enfim, saí do teatro super feliz, com o coração batendo forte e com a emoção a flor da pele de contentamento por mais uma vez ter tido oportunidade de assisti-lo ao vivo.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Esquecer o Natal. Alguém consegue?

Quem tem o vício da leitura costuma ficar em cólicas quando se vê sem livro nenhum para ler nas horas vagas. Costumo sempre carregar um livro para ler na condução e em minha hora de almoço. Semana passada me deparei com o esquecimento de um livro que estou lendo bem na hora de meu almoço.
Cocei a cabeça, pensei... "Ah! Vou dar uma olhada em meu armário pois tenho vários livros que ganhei".
Foi com esse pensamento que fui vasculhar o armário e entre inúmeros livros que tenho, bati os olhos em um que já ganhei há uns anos e estava lá, quietinho aguardando sua vez de ser notado.
Olhei sua capa, li quem era o autor, li a sinopse, conferi quantas páginas tinha (pequeno). Levei-o para um passeio pelo parque após almoçar.
Comecei a leitura de forma despretensiosa, sem esperar muito dele e foi então que comecei a me surpreender.
Em poucas páginas lidas já fui me identificando com várias situações que, acredito, seja comum a todos - ou quase todos - enfrentar o estresse que toma conta da gente no período que precede o Natal.
Acredito que não tenha uma única pessoa que já não tenha pensado em "pular" o Natal. Fugir de toda essa correria de compras, gastos, visitas, pagamentos de serviços prestados o ano inteiro (lixeiro, correio, bombeiros, seguranças de rua etc) que religiosamente batem à sua porta pedindo sua contribuição para a cesta de Natal deles.
Eu particularmente reconheço o trabalho de todos mas confesso que às vésperas dessa data meu saco já está arriado e tenho vontade de piscar e acordar só depois do dia 01.
O livro que li fala justamente disso. Um casal decide passar o Natal num cruzeiro em uma ilha ensolarada curtindo simplesmente o calor, praia e paz, muita paz. Mas não vai ser tão fácil assim como a princípio parecia. As pessoas não se conformam com a decisão deles e tentam de todas as formas sabotar essa viagem. Alguns confessarão uma baita inveja por eles abandonarem toda essa correria de final de ano e se isolarem numa ilha paradisíaca. Outros não se conformarão achando que isso chega a ser uma heresia afinal, onde já se viu boicotar o Natal? Essa data tão festiva e tão religiosa e tão...tão...Tradicional! Absurdo! Eles devem estar loucos!

Sinopse:

O livro conta a história de Nora e Luther Krunk, que planejam fazer um cruzeiro pelo Caribe para fugir do Natal. Escândalo e pasmo gerais, pois moram num bairro chique, onde todo mundo festeja o Natal com todo o brilho que tem a maior festa cristã. Nada de árvores, estresse de shopping lotado, despesas sem controle, cartões com mensagens de paz e felicidade. No lugar da festa, do panetone, do peru ou das luzinhas piscando no quintal, o plano é fazer um cruzeiro ao Caribe e desprezar qualquer emoção natalina que ponha tudo a perder. John Grisham provoca boas gargalhadas no leitor com esta hilariante fábula de Natal para os tempos modernos.

Dei muitas gargalhadas lendo as peripécias de Luther para se desvencilhar de vizinhos abelhudos e patrulheiros da vida alheia. Eu mesma já pensei inúmeras vezes em sumir da cidade nesse período natalino e deixar para trás listas de presentes, filas intermitentes, estresse generalizado em supermercados e shoppings. Mas cadê a coragem de estragar a festa dos outros? Não é mesmo? E assim a gente vai engolindo a seco e passando mais um Natal em família e em comunidade.
Gente, é diversão garantida a leitura desse livro. E uma reflexão também sobre essa correria toda e seus valores. Vem conferir!