quinta-feira, 3 de março de 2016

Face emplumada - uma viagem em busca de si mesmo


É um privilégio de poucos, acompanhar o desenrolar do processo criativo de um escritor. Poder observar, mesmo que de longe, os personagens ganhando corpo, tornando-se reais. Melhor ainda, é poder ver esse escritor - antes, tímido, hoje, ousar em seus escritos.
Posso me considerar privilegiada por viver cercada de amigos escritores e usufruir um pouco de suas intimidades e saber sobre o que escrevem antes de todos os seus leitores comprarem o produto final, o livro pronto.
Terminei de ler já faz um tempo, o último livro de Gláuber Soares intitulado Face emplumada, @Link Editora. Ele estava na fila de livros - que cresce a cada dia , aguardando tempo livre para poder escrever sobre minhas leituras. Esse dia chegou.
Primeiro romance de Gláuber, já nos mostra o quanto o autor amadureceu desde sua última publicação, Remédio Forte (2014), aqui já resenhado por mim. Sempre gostei de sua escrita: direta, muitas vezes ácida, urbana. Gosto de me identificar como seus personagens que poderia ser qualquer pessoa com quem  transita nessa nossa louca metrópole chamada de Sampa.

Gostei demais do Guto, personagem central mas, confesso que me encantei com seu Galdino. personagem árido feito seu sertão, misterioso, sábio, trabalhador.

Daltônico, vinte e oito anos, solitário vivendo numa quitinete no centro de São Paulo, sonhador e ao mesmo tempo, um ser humano em busca de si mesmo. Esse é o resumo de toda a história de Guto. Porém, como verdadeiro artesão das palavras e ideias, Gláuber Soares soube, com sensibilidade e maestria, desenvolver uma trama rica em situações que muitas vezes, pode soar como surreais. No entanto, no nosso dia a dia, encontramos situações bem mais bizarras do que o autor expõe no livro. A vida imitando a arte e vice-versa.
Os conflitos que se apresentarão à Guto, durante sua trajetória nos solos semiáridos do nordeste ,mostrarão o quanto a vida pode ser dura, áspera mas, que também nos presenteia com delicadezas e belezas, naturais ou não. O crescimento de Guto enquanto ser humano, é o grande "pulo do gato" que o leitor acompanha passo a passo em uma deliciosa leitura. Ao término de minha leitura, surpreendi-me com um sorriso estampado no rosto e na alma. Meu amigo havia alcançado seu objetivo. Fez uma leitora feliz! E olhe que essa leitora costuma ser exigente!
Ah! Antes que acabe minha pretensa resenha, deixa eu dizer que além de toda a riqueza da história contada, o livro ainda tem um personagem constante na trama: Ziggy Stardust, criação imortalizada pelo David Bowie. Acha pouco ou quer mais? Quer mais? Então passe na primeira boa livraria perto de você e compre já seu exemplar Face emplumada. Gláuber, que venham muitos outros romances do quilate desse!

Essa é minha dica de leitura de hoje.

Sinopse: 
"Gustavo tem vinte e oito anos, é daltônico e vive sozinho numa quitinete na região central de São Paulo. Veio jovem do interior paulista, para estudar e trabalhar. Atualmente é analista financeiro de um banco de investimento, na poderosa avenida Paulista. Amigo da solidão, Guto também tem algo dos heróis desencantados da literatura existencialista de Camus e Sartre: a integridade moral. Sua vida segue sem grandes solavancos, até o dia em que decide viver uma grande aventura: ir de Sampa a Quixadá, no Ceará, atrás de uma garota que nunca conheceu mas não consegue tirar da cabeça. Parte do trajeto ele desbravará de moto. Primeiro romance de Gláuber Soares, Face emplumada narra uma fascinante jornada de autoconhecimento, para bem longe da bolha caótica da civilização. Seguindo um sonho maluco, Guto entrará em contato com as forças poderosas do semiárido nordestino – e por elas será modificado. Uma epifania profana o aguarda no labirinto ensolarado da caatinga. Para povoar essa viagem incomum, o romancista criou uma galeria de personagens inesquecíveis: o cabeleireiro Sandrinho, seu Galdino (o eremita da Fazenda Asa Azul) e sua família, a fisioterapeuta Paula, entre outros. Nessa galeria há espaço até para entidades insólitas, fruto da realidade e da imaginação fértil do protagonista: o roqueiro Ziggy Stardust e a grande coruja branca (rasga-mortalha). Guto é um herói urbano que sente certa ojeriza da metrópole. É um narrador sereno e ponderado, que descreve o mundo à sua volta de maneira objetiva. Mas às vezes delírios e sonhos instáveis assombram essa harmonia, desequilibrando qualquer objetividade. O encontro com as múltiplas formas da natureza áspera − a paisagem seca da caatinga, o preconceito e a hostilidade do mundo rural − será um teste definitivo de caráter e coragem. Teste do qual Guto sairá transfigurado, querendo ou não."

 (texto das orelhas escrito por Nelson de Oliveira)


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Vinte anos sem sua presença


Hoje, logo ao chegar ao trabalho, ligar meu computador e ver as novas do dia, deparei-me com uma reportagem sobre Caio Fernando Abreu. Foi mandada por um amigo que também nutre admiração por esse escritor que tanto me agrada. Lendo a reportagem, vi que hoje, 25 de fevereiro, completa vinte anos de sua morte prematura.
Prematura em todos os sentidos. Morrer aos quarenta e sete anos, é cedo demais. Assim como foi cedo demais calar a voz de alguém que tinha tanto ainda por dizer, tanto por escrever. E se ainda estivesse vivo, quanta matéria bruta para ser lapidada por ele e transformada em contos, crônicas, quem sabe até um romance!
Caio deixou toda uma geração órfã quando partiu. Mas, assim como Fênix, ressurge no cenário literário cada vez mais forte. Principalmente nas redes sociais. As novas gerações estão conhecendo e admirando os escritos atuais, humanos, urbanos que ele deixou. Ao meu ver, não tem como não gostar, não se sensibilizar afinal, Caio fala sobre os conflitos humanos tão comum à todos. Natural que haja uma identificação de imediato. Se você ainda não conhece a obra de Caio Fernando Abreu, hoje é um bom dia para conhecer. Tem muita coisa dele a disposição.
No site LeLivros, você tem acesso a vários livros dele como Morangos mofados, Onde andará Dulce Veiga, Os dragões não conhecem o paraíso, e outros. Vale a pena conhecer. E você? Já conhece a obra dele? Diz para mim.
Enquanto isso, convido a todos para ler minha homenagem que escrevi no meu blog Sacudindo as ideias. Aquela puta amizade que foi sem nunca ter sido

Te espero por lá. 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Tomada (que fôlego!) - novo trabalho, novo show


Sábado foi um dia muito aguardado por mim por poder mais uma vez apreciar um show de Filipe Catto. Trabalho novo intitulado Tomada, que já estou ouvindo desde que foi lançado. Tem sido meu companheiro de viagem diária de casa para o trabalho e vice versa pelo Spotify .

Para quem não conhece ainda, é um site de músicas maravilhoso que pode baixar no computador, tablet ou smartphone e curtir todo tipo de música. Propaganda feita sem levar nada em troca, voltemos ao show.
Nesse seu novo trabalho, Filipe adicionou uma pegada rock and roll que enriqueceu mais seu repertório e interpretação. Estava curiosa para vê-lo no palco.
Não me decepcionei. Muito pelo contrário, amei cada gesto, cada expressão, cada entonação de sua potente e bela voz.
                                                                                                                  (CD Tomada - 2015)
Senti que Filipe está amadurecido no palco, mais seguro e se sentindo em casa com seu público. Aliás, falando em público, gostei de ver uma coisa: nos outros shows que fui, sua maioria era de jovens na casa dos vinte, trinta anos e na sua maioria, mulheres. Sábado, percebi uma diversidade no público. Muitos fãs mais idosos que descobriram nele, um jovem cantor, um potencial com muita qualidade. E como estávamos órfãos de cantores desse naipe, é claro que o adotamos. Infelizmente, o que se ouve nas rádios é muito cantor fabricado que quando ao vivo, mostram o quanto são fracos. Filipe Catto não. Apesar de jovem, trás um bagagem musical enorme, referenciais de qualidade, entende de música como poucos, tem sensibilidade de sobra. Tudo isso faz uma grande diferença. Fora o fato de se expressar muito bem. Enfim, confirmei que esse novo trabalho já é um grande sucesso em sua carreira. Canções escolhidas com esmero de quem conhece o que é bom, parcerias ricas. Outro ponto forte do show foi a escolha de seus músicos. Integração total, talentos à altura.
O guitarrista Fabá Jimenez arrasa em diversos solos, a baixista Ana Karina Sebastião manda muito bem inclusive como backing vocal, Lucas Vargas nos teclados e Michelle Abul na bateria completam o time de primeira fazendo desse show algo inesquecível para seus fãs.
Em muitos momentos do show, foi visível a emoção querendo literalmente sair pela boca do cantor. No entanto, Filipe manteve-se firme comandando o espetáculo com a segurança de quem sabe e ama o que faz: cantar. E como canta!E encanta! Sai do show sabendo que virei outras e outras vezes.

Fotos gentilmente cedidas pelo Fã Clube Filipe Catto/Jonas Tucci







quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O grande feito da "foca"


Sabe aquela leitura que te remete ao ambiente e personagens da história no qual você, enquanto leitor, passa a fazer parte do mesmo? Livro que te faz sentir aromas, ver paisagens, fazer parte da mesma, conhecer os personagens e tornar-se íntima deles?
E quando esse livro tem como personagem principal o nosso poeta maior Carlos Drummond de Andrade e, aos poucos, você passa a frequentar seu apartamento, comer dos biscoitinhos e tomar seu café ouvindo sua fala mansa de mineirinho? Fala sério, consegui instigar sua curiosidade não foi?
Quer saber que livro é esse e participar dessa intimidade toda com o poeta? Então precisa comprar e ler o livro O poeta e a foca: como uma jovem jornalista conseguiu de Drummond a primeira entrevista para a imprensa, da jornalista Nanete Neves.
Numa linguagem leve, a autora narra sua grande aventura quando, recém formada, trabalhando num jornal pequeno paulistano, recebeu como missão, entrevistar o poeta às portas dele completar 75 anos.
Numa narrativa homérica, Nanete nos pega pela mão e inicia uma viagem com muitos obstáculos para transpor - uma vez que o poeta era arredio a entrevistas, até conseguir chegar a ele e concretizar o grande feito. Um delicioso painel das redações de jornais da época, do Rio de Janeiro na década de 70, um desfilar de outros autores que Nanete contatou para obter informações sobre Drummond e como chegar até ele.
Essa é minha dica de leitura de hoje. Uma leitura para todas as idades e eu super indico aos professores para trabalhar o livro junto das obras de Drummond no Ensino Médio. 
Gostou? Eu simplesmente amei!

Sinopse:

Em 1977, Carlos Drummond de Andrade completava 75 anos sem nunca ter dado uma entrevista. Toda vida ele fugiu de jornalistas. Com toda a grande imprensa à sua procura, só uma jovem repórter de um pequeno jornal paulistano foi recebida por ele - e em seu apartamento, no Rio de Janeiro, aonde nem os amigos tinham acesso. Quase 40 anos depois a escritora e jornalista Nanete Neves resolveu contar essa história no livro O Poeta e a foca. No livro, Nanete Neves conta como foi esse encontro que rendeu matérias em diversos veículos de comunicação e, principalmente, uma doce amizade com o poeta com troca de telefonemas e cartas por vários anos. A autora relata também as conversas com intelectuais que lhe falaram do jeito de ser do Poeta, suas esquisitices, sua visão de mundo e idiossincrasias pessoais, preparando-a para conhecer o mito: Antônio Houaiss, Nélida Piñon, Ferreira Gullar, Affonso, Antônio Callado, Pedro Nava entre outros.


Título: O poeta e a foca
Autor: Nanete Neves
Editora: Pasavento
ISBN:9788568222096
Ano: 2015

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Finalmente apresentada a ele

Terminei de ler o livro de um escritor que ainda não conhecia sua obra. Somente sua fama.
Pois é. Sempre ouvi falar de Charles Bukowski. Mas até então, entre tantos autores para se ler, fui deixando até que chegou às minhas mãos seu livro Mulheres. Terceiro romance publicado em 1978. Como é pocket, resolvi ler.
Como sempre gostei de personagens marginais ou fora do comum, apaixonei-me por Henry Chinaski e suas "Mulheres".
Um verdadeiro retrato da década de setenta. A vida boêmia de Hank, um escritor na casa dos quase sessenta anos e suas aventuras.
Após um período de jejum sexual, Hank inicia uma verdadeira maratona sexual em busca da mulher que o complete. Personagens hilárias passeiam pela vida do autor que, devido a uma certa notoriedade, mesmo sendo feio e velho, ganha fácil todas as mulheres que praticamente se jogam aos seus braços. E ele claro, não se faz de rogado "traçando" todas.
O livro até poderia cair na mesmice por não ter muito a acrescentar afinal, entra capítulo sai capítulo, a história se repete: mulher cruza caminho de Chinaski e logo vai para sua cama fazer mil estripulias sexuais ao lado do insaciável escritor. Muitas delas, verdadeiras junkies viciadas em álcool, bolinhas, maconha e claro, sexo.
O que constatei durante a leitura, é que o escritor (personagem) está fazendo um "estudo" sobre as mulheres para seus escritos. Tanto que algumas delas se reconhece em seus poemas. Ele descaradamente vai conhecendo, analisando, usando e catalogando cada mulher que passa por sua vida. Muitas delas deixam marcas na vida do autor, outras passam de forma meteórica, outras ficam no vai e vem.
Antissocial, não curte muito baladação no sentido de viver em grupos. Ama corrida de cavalos, música clássica, participa de saraus e dá palestra em universidade para ganhar o pão de cada dia. Ossos do ofício que muitas vezes, só bebendo umas pra aguentar. E ele bebe! E muito! E assim, esse personagem totalmente anti-herói vai ganhando nossa simpatia, afinal, qual mulher ainda não conheceu um legítimo representante "Chinaski"? Eu, confesso, já conheci alguns e sei que carisma eles trazem consigo.
Utilizando uma linguagem tida como "chula" por muitos, em minha opinião Bukowski soube escrever com maestria histórias que mostram bem o submundo literário em que seu personagem vivia.
Ao término do último capítulo, acredito que ele possa acrescentar mais uma admiradora sua: eu. Quero agora partir para a leitura de seus outros livros.
Essa é minha dica de leitura de hoje.

Sinopse: 

“Eu tinha cinquenta anos e há quatro não ia pra cama com nenhu­ma mulher.” Este é Henry Chinaski, Hank, escritor, alcoólatra, amante de música clássica, alter ego de Charles Bukowski e protagonista de Mulheres. Mas este não é um livro convencional – nem poderia ser, em se tratando de Bukowski – no qual um homem está à procura de seu verdadeiro amor. Após um período de jejum sexual, sem desejar mulher alguma, Hank conhece Lydia – e April, Lilly, Dee Dee, Mindy, Hilda, Cassie, Sara, Valerie, não importa o nome que ela tenha. Hank entra na vida dessas mulheres, bagunça suas almas, rompe corações, as enlouquece, as faz sofrer. E no fim elas ainda o consideram um bom sujeito. Publicado em 1978, Mulheres, o terceiro romance de Bukowski, é a essência de sua literatura: com o velho Chinaski, ele sintetiza a alma de todos aqueles que se sentem à margem. Escrevendo em prosa, Bukowski poetisa a dureza da vida e nos dá uma pista: “ficção é a vida melhorada”.

Título: Mulheres
Autor: Charles Bukowski
Editora: L&PM
ISBN: 978.85.254.2313-9 
Ano: 2011
Páginas: 320

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Revista Plural

Matando saudades dessas paragens após um prolongado distanciamento. Hoje divulgo a última edição da revista Plural. Nesse mês, homenageando o autor Rubem Alves com participação de vários autores entre eles, eu, com um texto evocando lembranças da infância. Venha conhecer a revista. Está linda que só! Para ler



sexta-feira, 15 de maio de 2015

Quando uma mentira nasce...



Quem nessa vida não mentiu? Você? Ah mentira!!!
Todo mundo alguma vez já mentiu na vida, em algum momento, em alguma situação. Seja para escapar de algo chato, seja pra driblar a mãe e o pai pra ir naquela baladinha, seja pro namorado, pro marido ou esposa. Seja para o professor, para o chefe. Gentem! Para o chefe! Aliás, esse profissional é um dos que mais lida com a mentira diariamente. Affê!!
Eu mesma não tenho problema algum em confessar que já menti inúmeras vezes. Sem dó na consciência. Pois é!Pois é!Pois é!
Só que com o passar do tempo, com a maturidade e a conscientização do que é certo e do que é errado, a gente vai podando ela - a mentira - de nosso dia a dia.
Mas para algumas pessoas não. Ela torna-se uma aliada, companheira, confidente, uma amiga para todas as horas e lugares. Pessoas assim acabam por se tornar mitômanos e sofrem de Pseudolalia, termo utilizado na psiquiatria. Movidas pela compulsão de mentir, mesmo que sem necessidade. 
O que para muitos é algo sem maiores consequências, para quem é portador desse transtorno, sofre por se ver refém da mentira e suas consequências distanciando as pessoas de si, perdendo empregos, se marginalizando perante a sociedade.
Fiz todo esse discurso, para falar um pouco sobre o livro que terminei de ler. Aliás,minto. Não li, devorei!!!
Oh coisa boa quando a gente se depara com uma ótima história!

O livro foi lançado mês passado, pelo autor Carlos Davissara e se intitula Uma mentira de pernas bem longas.
História infanto juvenil com muito humor, suspense, mistério e uma linda lição de vida para crianças e adultos. Um livro que para mim, não tem faixa etária definida. É leitura para todas as idades.

Carlos se saiu muito bem se arriscando na literatura juvenil. Ao contrário do que se imagina, é muito difícil de se escrever e de convencer. Linguagem dinâmica, leve, personagens verdadeiros. Parece até que fazem parte de sua família. 
Ah! E já ia me esquecendo de falar sobre a qualidade editorial do livro. Sou amante de capas e diagramação de livros. Detesto quando pego um livro e observo uma certa falta de cuidado, conhecimento e carinho para transformar uma bela história, num objeto a ser cobiçado, desejado por ser belo. Esse livro ganha pela estética, pela capa e páginas ilustradas por Ricardo A. O. Paixão, uma fonte utilizada que não cansa a visão...
Olha só como observo tudo num livro hein? Talvez justamente por trabalhar há tantos anos em biblioteca e manuseando tantos livros, adquiri esse olhar mais crítico. O livro passou em todos os testes. 
E então? Gostou? Essa é a dica de leitura de hoje!

Sinopse:


Dizem que a mentira tem pernas curtas, será que é sempre assim? Débora, a menina que protagoniza esta história, descobriu num dia cheio de emoções o quanto essas pernas podem crescer monstruosamente. Aliás, não só as pernas...



Título: Uma mentira de pernas bem longas
Autor: Carlos Davissara
Editora: Penalux
ISBN:978-85-69033-02-8
Ano: 2015
Paginação: 122 p.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Primeiro me deixou sem verbo. Agora, sem fôlego!



Hoje vou falar de um livro que me surpreendeu do começo até sua última frase.
Já conheço o autor e sua escrita e o admiro muito. Conhecia alguns textos dele em revistas literárias e tive o prazer de ler e fazer um texto sobre o primeiro livro publicado Sujeito sem verbo que - fazendo uma trocadilho carinhoso, me deixou sem verbo para expressar o quanto gostei.
Terminei de ler sua mais recente publicação, a novela Os laços da fita.
Quando soube que iria publicar esse livro, não li a respeito mas mesmo assim, como tinha gostado de Sujeito sem verbo, tratei de comprar. Não pude ler de imediato porque estava com outras leituras à frente. Até que, lendo USA Noir (uma coletânea bem extensa mas muito legal), dei um tempo e peguei o livro de Fernando Rocha.
O livro me agradou primeiramente pela beleza estética da capa feita por Ricardo  A. O. Paixão. Sou aficionada em capas de livros! Folheei o livro e gostei da diagramação do texto. Pronto. Me ganhou e iniciei a leitura.
A história gira em torno de uma família esfacelada pela atitude extremada de um deles.
Fernando Rocha consegue passar ao leitor, toda a dor, revolta, tristeza em cada componente familiar.
Emoção nos mais diversos graus e matizes conduz o leitor ao término da novela sentindo ao mesmo tempo um aperto constante no coração e alívio. Literatura que nos faz refletir o cotidiano e o peso que a vida impõe nos corações extremamente sensíveis.
Fiquei comovida porque tive em minha família alguém muito semelhante ao personagem protagonista. Muito comum em todos os tempos.
O autor mais uma vez prova a excelência de sua narrativa. Uma voz que se sobressai entre tantos autores contemporâneos. Vale a pena ler!

Título: Os laços da fita
Autor: Fernando Rocha
Editora: Penalux
ISBN:978-85-66266-99-3
Paginação: 88
Ano: 2014

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Leitura no Vagão em ritmo de espera para os livros





Calma gente, eu explico: Não é Natal mas até parece. Utilizei de uma caixa de cesta de natal da empresa para acomodar os livros que doei para o Projeto Leitura no Vagão. Selecionei a dedo, livros de qualidade, de autores variados para que seja encontrado e lido nos vagões de metrô de São Paulo. Simplesmente amei essa ideia!! Eu e o Fernando estamos ainda combinando nosso encontro porque nossos horários estão complicados. Mas, a gente chega a um acordo. Eu quero muito doar os livros. Ele, por sua vez, está ansioso para tê-los em mãos. Logo mais a gente se resolve. Mais uma vez, missão cumprida Luma!! Grata por poder participar dessa roda de livros libertados. E já estou separando para enviar para outro Estado, mais uma leva de livros. Depois posto por aqui. Espero que tenham gostado! Até a próxima edição de Bookcrossing Blogueiro!!

quinta-feira, 16 de abril de 2015

10ª Edição Bookcrossing Blogueiro - Vamos libertar mais livros?


Para esse evento de abril fiquei pensando, pensando como faria minhas libertações dos livros...
Queria muito fazer diferente do que simplesmente deixá-los em bancos de praças públicas etc.
Até que chegou a mim através das redes sociais, um projeto que me agradou muito até mesmo porque, utilizo transportes públicos e adoro ver as pessoas envolvidas em suas leituras durante o trajeto. Eu mesma, ando sempre com um livro nas mãos e sempre que posso - e não durmo -, leio um livro. Isso faz o trajeto ficar mais leve, divertido, menos estressante e ainda ganho em conhecimento e cultura.
Apesar de ainda se pregar aos quatro cantos que o brasileiro não lê, discordo. Também não sou ingênua de achar que a população está culta, evoluída e que ler, passou a ser item de primeira necessidade em todas as famílias. Estamos ainda bem longe disso. No entanto, eu que circulo bastante, observo cada vez mais pessoas absorvidas na leitura em metrôs, ônibus, trem, em pontos de ônibus, nas cafeterias e praças públicas.
Ainda temos um longo caminho a percorrer. O hábito - ou melhor dizendo - o prazer da leitura ainda é uma ação tímida numa sociedade que não teve a cultura de ler desde cedo.
O país também é imenso e sei que saindo do eixo Rio/São Paulo e regiões do sul, o resto do país ainda se encontra envolta numa bruma de semi-analfabetismo e descaso total com a educação, a leitura e cultura no geral. Temos um trabalho hercúleo pela frente para mudar esse quadro.
Mas, como boa formiguinha que sou, vou trabalhando aos poucos, devagar e sempre e junto de pessoas com o mesmo pensamento e ideal, vamos fazendo o diferencial.

Voltando ao projeto nos transportes, conheci através das redes sociais, Luis Fernando Tremonti, um jovem  de 26 anos que abraçou a causa de divulgar e incentivar a leitura nos transportes públicos dando o nome a seu projeto de Leitura no Vagão. 
Segundo ele, já estava cansado de ver pessoas entretidas com o celular ao invés de ler um bom livro. E, após ouvir de amigos que gostavam de ler mas nunca tinham tempo, veio-lhe a ideia de criar esse projeto. Pouco a pouco ganha adeptos e colaboradores nessa sua tarefa e hoje, podemos dizer que já é um sucesso. Gostei tanto que entrei em contato com ele, expliquei o Bookcrossing Blogueiro e ele adorou a ideia.
Em minha casa tenho livros variados, em ótimo estado e prontinho para seguir sua vida útil nos vagões esperando seu novo dono para ser acariciado, manuseado e lido.
Ainda não marquei dele vir a minha casa para pegar os livros mas assim que marcar sua visita, tirarei fotos para registrar esse encontro. Amando! Amando!Amando!
Para quem desejar conhecer o Fernando e seu projeto, ele tem página no Face e no Twitter 

Para quem aportou por aqui e não entendeu nada, o Bookcrossing Blogueiro foi criado nos moldes do Bookcrossing, um conceito que surgiu nos Estados Unidos, que nada mais é do que deixar livros em praças públicas especificando que ele não está perdido mas sim "libertado" e quem achar, pegue-o, leia e deixe novamente para ser encontrado por outra pessoa e assim, o livro vai de mão em mão sendo livro e cumprindo com sua missão. A blogueira Luma, do blog Luz de Luma, deu a arrancada no Bookcrossimg Blogueiro e hoje, já na sua 10ª edição, é um sucesso no Brasil e fora dele comparticipações de blogueiros em vários estados e países.
Além da alegria em incentivar a leitura, existe a possibilidade de conhecer pessoas com o mesmo raciocínio e vontade de fazer o diferencial.
Gostou da ideia? Quer colaborar? Dá uma olhada abaixo e veja o que pode ser feito:

  • Para participar basta ter um ou mais livros que queira libertar;
  • Escreva um bilhete especificando sua participação e dizendo que ele não se encontra perdido:
  • Escolha um local público e protegido para deixá-lo;
  • Pode também procurar os postos oficiais ;
  • Se tiver um blog, faça uma divulgação do evento, se desejar, poste fotos e fale dos livros libertados;
  • Quem não tiver blog mas mesmo assim desejar participar, publique nas redes sociaisdo evento ou em sua própria página;
  • Página do evento 10ª edição Bookcrossing Blogueiro  ;
  • Escolha um banner para sua divulgação 
E então? Gostou? Vamos participar e tornar a vida de alguém mais alegre com uma boa leitura? Vou adorar ver sua participação. Desapegue, deixe os livros correr mundo e tornar o universo das pessoas mais rico.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Abril chega lembrando que tem Bookcrossing Blogueiro


O tempo passa, o tempo voaaa... E não é que Abril chega nos lembrando de que é agora que acontece mais um evento que adoro participar: Bookcrossing Blogueiro?

Para quem ainda não conhece, esse evento lançado por Luma, do blogue Luz de Luma, yes party promove uma blogagem coletiva para libertar livros em áreas públicas. Já participo há um bom tempo e adoro essa iniciativa que incentiva a leitura. Uma atividade que além de tudo, torna-se uma ciranda de conhecimento entre blogueiros participantes. Muito legal mesmo!
Para quem ainda não conhece, veja os procedimentos:

  • Para participar do Bookcrossing Blogueiro, separe um ou mais livros;
  • Escreva uma dedicatória ou bilhete explicando que o livro não está perdido mas sim, libertado e que, quem o encontrar, leia e liberte-o novamente;
  • Escolher um local público e protegido para deixar o livro;
  • Também pode procurar os Pontos Oficiais do Bookcrossing;
  • Se desejar, faça uma postagem em seu blogue contando qual livro libertou e se quiser, faça uma resenha sobre o livro;
  • Quem não tiver blogue pode participar através das redes sociais, publicando na página do evento ou na própria página
  • Página do evento no Facebook 10ª edição Bookcrossing Blogueiro  ;
  • Para divulgar em seu blogue, escolha um banner
Então é isso. Venha fazer parte dessa brincadeira séria, divertida e cultural. Vamos espalhar livros, leitura e vontade de mudar o cenário em que vivemos. Vamos interagir, conhecer novos blogueiros, reencontrar antigos parceiros e conhecer os livros libertados por aí. Será mais um evento memorável!
Desde já, olhando para minhas estantes no intuito de escolher livros bem legais.

terça-feira, 24 de março de 2015

Escrever cartas para expurgar fantasmas


A morte é um personagem que nos ronda a vida toda e, hora surge na vizinhança levando conhecidos, desconhecidos, hora acampa em nosso lar e arrasa com o núcleo familiar.
Não tem quem não tenha chorado a partida de um ente querido. Existe famílias que, ao sofrer uma perda inesperada, simplesmente se quebra, racha e não tem mais conserto deixando corações trincados e sangrando para sempre.
É sobre esse tema tão doloroso e tão presente em nossas vidas, que a autora Ava Dellaria discute em seu romance Cartas de amor aos mortos.
Gostei do título logo de cara quando o livro chegou à biblioteca e sua capa também me agradou. Ao ler a sinopse, fiquei curiosa e decidi que seria a primeira pessoa a ler esse livro.
Não me arrependi! A autora consegue nos envolver com sua narrativa e soube criar personagens ricos,  humanos, no qual, reconhecemos vários que convivem conosco no dia a dia. Para mim então, foi como estar convivendo com o mesmo grupo de adolescentes que convivo diariamente aqui no colégio em que trabalho. Os sentimentos de perda, a confusão que se estabelece no íntimo de quem ficou, o vazio que se abre após a morte de alguém. Principalmente se esse alguém for uma jovem linda e cheia de vida. O caos está estabelecido. Reconstruir-se é o que nos resta e a personagem central da trama, Laurel, irmã mais nova de May (a falecida), irá tentar se reerguer após essa perda, através de cartas escritas a vários mortos famosos. Lição que a nova professora passou a toda a classe. Através dessas cartas escritas e não entregues, Laurel  fará uma verdadeira peregrinação e terapia para superar a morte da irmã e seguir sua vida. Chego ao final do livro emocionada por ter acompanhado a personagem nessa viagem. Chego também surpresa com a revelação que se faz ao término. Não conto aqui para não estragar a surpresa de quem for ler mas sem dúvida, é uma história linda, triste, comovente e com uma mensagem de vida muita legal. Leitura perfeita para adolescentes, adultos enfim, para todo leitor sensível. Essa é minha dica de leitura de hoje.

Sinopse: Prestes a começar o ensino médio, Laurel decide mudar de escola para não ter que encarar as pessoas comentando sobre a morte de sua irmã mais velha, May. A rotina no novo colégio não está fácil, e, para completar, a professora de inglês passa uma tarefa nada usual: escrever uma carta para alguém que já morreu. Laurel começa a escrever em seu caderno várias mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Elizabeth Bishop… sem nunca entregá-las à professora. Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky. Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era - encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um - é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho. 

“Uma história brilhante sobre a coragem necessária para continuar vivendo depois que nosso mundo desmorona. Uma celebração comovente do amor, da amizade e da família.”- Laurie Halse Anderson, autora de Fale! 

 “Assim como Kurt, Janis, Amelia e outros que já se foram mas de algum jeito permanecem aqui, Cartas de amor aos mortos deixa uma marca indelével.” - Gayle Forman, autora de Se eu ficar 


Título original: LOVE LETTERS TO THE DEAD
Tradução: Alyne Azuma
Páginas: 344
Lançamento: 20/06/2014
ISBN: 9788565765411
Sel: Seguinte