terça-feira, 17 de junho de 2008

Personagem principal

Como estou sempre as voltas com a leitura, me lembrei de alguns títulos em que o tema principal é o próprio livro. Objeto sempre envolto em suspense e mistério, aqui o livro se torna a grande vedete e envolve o leitor do começo ao fim de cada história.
O primeiro livro que vou comentar é O Clube Dumas, de Arturo Pérez-Reverte, Editora Martins Fontes.
Sinopse: Um livro pode ser investigado policialmente como se faz com um crime, utilizando suas páginas, seu papel, suas gravuras e marcas de impressão como pistas? E isso num apaixonante percurso de três séculos? Lucas Corso, mercenário da bibliofilia, caçador de livros para terceiros, deve encontrar a resposta a essa pergunta quando recebe de um cliente uma dupla missão: autentificar um manuscrito de Os Três Mosqueteiros e decifrar o enigma de um estranho livro, queimado em 1667 juntamente com o homem que o imprimira. A investigação arrasta Corso, e com ele inevitavelmente o leitor, a uma perigosa busca que levará dos arquivos do Santo Ofício aos livros condenados, dos empoeirados sebos às mais seletas bibliotecas dos colecionadores internacionais. Com ingredientes do romance clássico seriado, os contos policiais e de mistério, esse livro foi construído com excepcional talento narrativo e é impossível deixar de ler até o final.
O segundo a ser comentado é Edições Perigosas, de John Dunning, Editora Companhia das Letras.
Sinopse: Cliff Janeway é um tira muito peculiar. Concilia a violenta tarefa diária de caçar assassinos sanguinários com o refinado hobby de colecionador de livros raros. Eis que livros e crimes convergem no caso do assassinato cruento de um humilde mascate de livros. Janeway se move em várias frentes - encara um assassino astucioso e capaz de reduzir suas vítimas ao estado de hambúrguer malpassado; comenta Mark Twain, Faulkner e até Stephen King, do ponto de vista de um livreiro, e redescobre o amor, sob a forma de uma misteriosa figura feminina. O autor, a exemplo de seu personagem Janeway, é bibliófilo profissional. Conhece a fundo os meandros do mercado livreiro mas o que ele possui de mais precioso, do ponto de vista literário, é um assombroso poder narrativo, capaz de transformar letras em imagens vibrantes e o papel do livro em tela de cinema.
Os próximos livros a comentar são do mesmo autor. Impressões e Provas, nessa história o tira Clif Janeway no auge de sua carreira, se cansa e decide sair e dedicar-se a sua outra paixão: os livros raros. Mas nem por isso ele se livra de situações complicadas. Aos poucos surgem cadáveres entre pilhas de livros. O pivô dos crimes é O Corvo, de Edgar Allan Poe, uma edição raríssima pela qual alguém estaria disposto a abrir mão de um convidativo e disputadíssimo punhado de dólares. E outro alguém a despachar uma fila de colecionadores para o além, por motivos que só podem ser vasculhados na lixeira da alma humana. O fato, comprovável logo nos primeiros parágrafos, é que Janeway voltou com tudo, tão ético, romântico e esquentado quanto antes, só que mais maduro.
A seguir, tem uma nova história com o carismático personagem Cliff Janeway de volta.
Em A promessa do livreiro, Janeway recebe a visita de uma velha senhora que lhe pede algo impossível - recuperar uma coleção de obras raras do famoso explorador inglês Richard Burton, que havia pertencido ao avô dela e que fora roubada oitenta anos antes. Para provar que está dizendo a verdade, ela entrega a Janeway uma primeira edição de Burton autografada. Dias depois, uma mulher é assassinada por causa do livro. Furioso, Janeway decide ir fundo na investigação e deixa a cidade de Denver para caçar dois livreiros vigaristas em Baltimore. Outras três pessoas parecem estar ligadas ao crime - um brutamontes sem sobrenome e um ganhador do prêmio Pulitzer, além de uma bela advogada que inspira Cliff Janeway a pentear o cabelo. Durante a investigação, ele se depara com respostas de um enigma ainda maior - por que Richard Burton esteve durante três meses no interior dos Estados Unidos, pouco antes da Guerra Civil? Seria ele um espião?
Saiu na Imprensa: Estado de Minas / Data: 28/1/2006Promessa de bom suspense
Clara Arreguy
Para quem gosta de livros e de romances policiais, A promessa do livreiro une o que há de melhor: um enredo bem bolado e um tema fascinante. Escrito por um, especialista, John Dunning (que, além de premiado romancista policial, é colecionador de livros raros), aproveita a experiência do autor para levar o leitor a um mergulho no assunto. Na trama, colecionadores, herdeiros e comerciantes de raridades literárias se digladiam em torno do legado de ninguém menos que o explorador inglês sir Richard Burton (descobridor da nascente do Rio Nilo, no século 19), que, entre suas viagens, inclusive pelo Brasil, passou alguns meses nos Estados Unidos, onde teria feito amizade com um anônimo, desconhecido pela história oficial.
Outro livro muito bom de se ler é A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, Editora Suma de Letras
Sinopse: A sombra do vento é uma narrativa de ritmo eletrizante, escrita em uma prosa ora poética, ora irônica. O enredo mistura gêneros como o romance de aventuras de Alexandre Dumas, a novela gótica de Edgar Allan Poe e os folhetins amorosos de Victor Hugo. Ambientado na Barcelona franquista da primeira metade do século XX, entre os últimos raios de luz do modernismo e as trevas do pós-guerra, o romance de Zafón é uma obra sedutora, comovente e impossível de largar. Tudo começa em Barcelona, em 1945. Daniel Sempere está completando 11 anos. Ao ver o filho triste por não conseguir mais se lembrar do rosto da mãe já morta, seu pai lhe dá um presente inesquecível; em uma madrugada fantasmagórica, leva-o a um misterioso lugar no coração do centro histórico da cidade, o Cemitério dos Livros Esquecidos. O lugar, conhecido de poucos barceloneses, é uma biblioteca secreta e labiríntica que funciona como depósito para obras abandonadas pelo mundo, à espera de que alguém as descubra. É lá que Daniel encontra um exemplar de 'A Sombra do Vento', do também barcelonês Julián Carax. O livro desperta no jovem e sensível Daniel um enorme fascínio por aquele autor desconhecido e sua obra, que ele descobre ser vasta. Obcecado, Daniel começa então uma busca pelos outros livros de Carax e, para sua surpresa, descobre que alguém vem queimando sistematicamente todos os exemplares de todos os livros que o autor já escreveu.

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