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quarta-feira, 23 de março de 2016

O quarto de Jack (Room)



Após um jejum de cinema, ontem a noite fui assistir ao filme O quarto de Jack. Ganhei um ingresso cortesia no Reserva Cultural e lá fui eu, escolher um filme. Sou obrigada a reconhecer que atirei no escuro e acertei em cheio. Sem saber ao certo do que se tratava, assisti o filme, descortinando todo o mistério junto do garoto Jack.

Belamente interpretado por Jacob Tremblay, fui acompanhando o personagem em suas descobertas além das paredes do quarto que habita ao lado de sua mãe chamada de Ma (Brie Larson).

Baseado na obra de Emma Donoghue (Room) com roteiro dela mesma,dirigido pelo cineasta irlandês Lenny Abrahamson,  a história fala da jovem Joy que, aos dezessete anos voltando da escola, é abordada por um homem e seu cão pedindo ajuda. Em seguida, é sequestrada e mantida em cativeiro num quarto por sete anos.
A trama se inicia com o menino, fruto de vários estupros sofridos, acorda lembrando a mãe que completa cinco anos e já não é mais uma criança. O desenrolar da história, para muitos pode parecer monótona, sem grandes acontecimentos.
No entanto, o diretor conseguiu passar exatamente o que deve acontecer com quem vive em um cativeiro dentro de uns poucos metros quadrados. Vamos combinar que não se tem muito mesmo o que fazer. A tensão, preocupação com sua própria segurança e de seu filho estão sempre presentes em cada expressão e olhar da jovem mãe.
O ator mirim, dá um banho de interpretação no decorrer do filme emocionando a todos várias vezes.
Como há muito tempo não assistia a um bom filme, saí do cinema me sentindo recompensada e satisfeita pela escolha que fiz. Um filme que recomendo a todos. Sem dúvida, um filme merecedor doa prêmios ganhos pois foi um filme de interpretação e não de efeitos especiais. Desses confesso, já estou saturada e sentia saudade do bom e velho cinema. Room, fez jus à ele!

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Mil vezes boa noite


A sétima arte é uma de minhas grandes paixões e infelizmente devido a tantos compromissos, ando um pouco afastada dela.
Mas ontem, fiquei quite com ela por conta de uma indicação de um colega de trabalho que é outro fissurado em cinema.
Saí mais cedo do trabalho e tinha uma folga de duas horas e pouco para fazer minha aula de Pilates.
Pensei: o que fazer nesse meio tempo? Shopping? Ah, estou um tanto saturada desse ambiente. Então, conversando com ele, me indicou esse filme para assistir. E fui.
Saí da sala com uma única palavra na cabeça: Impactante!
Pessoas saíram da sala chorando, inclusive homens, coisa rara de se ver.
Saí tão impactada que acabei esquecendo de ir para a aula de Pilates. Andei sem rumo pela rua Augusta, subi até a Avenida Paulista, andei mais um pouco, precisava de ar, sentia-me sufocada.
As imagens e as emoções que o filme desencadeou em mim foram absurdas. Parece exagero?
Acredito que não. 
"Mil vezes boa noite", de Erik Poppe, com a magistral interpretação da dama do cinema francês contemporâneo Juliette Binoche veio para arrasar com o mais gélido coração. E detalhe: não é um filme piegas. Muito pelo contrário.
A história conta o drama de uma fotojornalista Rebecca (Juliette Binoche) entre continuar arriscando sua vida registrando cenas que ganham o mundo através dos grandes jornais ou voltar para sua família e levar uma vida digamos, com menos adrenalina.
Parece simples? Pois não é!
O filme começa de forma como já disse no início, impactante: a fotojornalista acompanha um suposto enterro de uma moça nos confins de Cabul. Num campo árido, uma cova e várias mulheres ao redor choram e oram pela "morta". Rebecca vai registrando tudo o que vê até a hora em que resolve tirar várias fotos da morta e, de repente, sua lenta capta os olhos da moça se abrindo. Pá! Primeiro impacto.
Em minutos, desce uma escada e a moça sobe da cova. Segue para uma casa onde o ritual continua e o que se vê: a mesma moça se despede das demais enquanto veste um colete repleto de dinamites. É uma mulher-bomba!
Rebecca pergunta se pode acompanhá-la até próximo de onde ela irá detonar.
Ao descer do carro se afasta um pouco mas volta-se para registrar o fato. Com a explosão, ela é atiçada longe, fica desacordada por alguns instantes, volta a si e, vendo toda a tragédia, procura sua câmera para registrar tudo até que desaba ferida.
O retorno para casa coloca Rebecca num outro tipo de conflito: voltar a ter uma vida comum em família. A dúvida que se estabelece em seu íntimo é abandonar sua paixão pela profissão afinal, ela é tida como uma das melhores fotógrafas de zona de guerra ou salvar seu casamento.
Casada com um biólogo (Nicolaj Coster-Wandau, conhecido por trabalhar em Game of. Thrones), se vê pressionada por ele e sua filha mais velha (Lauryn Canny) a largar tudo.
Decide ficar e retomar sua vida doméstica. O que, em pouco tempo percebe que é terrível. Num diálogo, ela diz: não nasci para levar uma vida normal.
O diretor e roteirista aproveita sua experiência de fotógrafo de zona de guerra (idos dos anos 80) e, através de sua musa Binoche, expõe a rotina desse profissional nos momentos de conflitos. As cenas são belíssimas! De uma força brutal.
Com poucos diálogos, o filme consegue passar para nós, expectadores, toda a história e é uma verdadeira homenagem a todos os profissionais que colocam suas vidas em risco por uma boa cobertura. Detalhe: o filme conta com um personagem interpretado por ninguém menos que Larry Mullen Jr., o baterista do U2. Um papel pequeno mas de qualquer forma marcante.
É mole ou quer mais?
Essa é minha dica de hoje. Vale muito a pena assistir!

 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Apenas uma chance - Um conto de fadas contemporâneo

Semana passada ainda me encontrava de bobeira em pleno final de férias. Passeando pela Avenida Paulista, dando um tempo entre a entrega de DVDs na locadora 2001 e  minha aula de Pilates, decidi pegar um cineminha. Por questão de horário, acabei desembocando na galeria do Conjunto Nacional e lá, no cine Livraria Cultura, se encontrava em cartaz dois filmes. Um deles já assisti e até comentei por aqui. Trata-se do filme O Grande Hotel Budapeste. O outro, nunca tinha ouvido ou lido qualquer coisa sobre ele. 
No entanto, como o horário dava certinho para mim, paguei e entrei. A sessão até já havia começado.
Literalmente no escuro sobre a história, fui me deixando levar e não é que me pegou de jeito e ao término do filme me encontrava totalmente feliz pela escolha?
A trilha sonora é muito bonita, a atuação dos atores é muito boa e, como gosto de assistir a filmes que fujam da paisagem americana que já me cansou, adorei conhecer um pouco do subúrbio do Reino Unido.

A incrível história de Paul Potts (James Corden), tímido vendedor que surpreendeu o Reino Unido ao interpretar impecavelmente uma ária de ópera no programa Britain's Got Talent. O vídeo de sua primeira apresentação somou milhões de visualizações no Youtube e o cantor tornou-se uma estrela do dia para a noite.
Acompanhar a trajetória um tanto tumultuada dele, ver o quanto foi vítima de bullying na escola e no bairro em que morava vai desencadeando um forte sentimento de solidariedade com esse rapaz talentoso.
Com direção de David Frankel, o filme prende a atenção do começo ao fim. Só depois de saír do cinema e chegar em casa é que fui - como diz a garotada: Puxar a capivara - do filme e vi que foi baseado em fatos reais. Achei mais legal ainda! É a dica de cinema do dia. Se ainda não assistiu vá que é diversão garantida!

terça-feira, 15 de julho de 2014

O último amor de Mr. Morgan - um filme delicado

Hoje tive uma consulta odontológica e teria uma aula de pilates. Nesse meio tempo resolvi almoçar, depois me aventurei pelas compras e mesmo assim sobrava um tempo livre de quase três horas. O que fazer? - pensei comigo.
Tive a brilhante idéia de pegar um cinema pois além de passar as horas, me divertiria com a sétima arte que tanto amo.
Fui a uma sala do Reserva Cultural que sempre passa ótimos filmes, na sua maioria europeus.
Pelo horário optei pelo filme O último amor de Mr. Morgan. Filme em co-produção da Bélgica/Alemanha/França/EUA. Direção de Sandra Nettelbeck, com Michael Caine, Joan Alexander, Clémence Poésy, Justin Kirk e Gillian Anderson.

Sinopse: Por mais que more em Paris há bastante tempo, Matthew Morgan (Michael Caine) não conhece a língua local. Muito graças à sua esposa, Joan (Jane Alexander), que sempre foi sua intérprete pelas ruas da capital francesa. Entretanto, Joan faleceu há três anos e, desde então, Matthew vive triste e solitário, ocupando seu tempo com aulas de inglês ocasionais. Um dia, ele é ajudado no ônibus por Pauline (Clémence Poésy), uma simpática professora de dança. Não demora muito para que eles se tornem amigos, já que ela lembra a esposa de Matthew e ele lembra o pai de Pauline. Entretanto, tudo muda quando a tristeza fala mais alto e Matthew tenta o suicídio.

Apesar de algumas críticas que li, gostei demais desse filme. Boa história mostrando a depressão do homem idoso após a morte de sua companheira de uma vida inteira ao qual dedicou todo o seu amor. A difícil retomada da rotina, sua solidão, sua família - filhos distantes que moram nos EUA - e que não mantém uma relação muito boa. O nascimento de uma bonita relação. Não falarei mais para não tirar o gosto de ver pessoalmente. Vá! Michael Caine brilhante em mais um papel. Vale a pena!


sexta-feira, 11 de julho de 2014

O prazer de ir ao cinema resgatado - O grande hotel Budapeste

Hoje a tarde fui ao cinema assistir ao filme O Grande Hotel Budapeste, direção de Wes Anderson e que conta com nomes de peso em seu elenco: Ralph Fiennes, Tony Revolori, Jeff Goldblum, Willen Dafoe, Edward Norton, Harvey Keitel, Jude Law, Léa Seydoux, 
Tilda Swinton, Bill Murray e o excelente F. Murray Abraham.
Fui depois que uma pessoa amiga no Face super indicou. Já tinha lido algo sobre ele e então decidi ir.
Não me arrependi! Muito pelo contrário. Fui no escuro sem saber direito sua história nem quem trabalhava nele. Adoro quando sou surpreendida dessa forma positiva. Saí do cinema como há muito tempo não saía: totalmente satisfeita e ainda com a certeza que os excelentes trabalhos ainda existem.
Trabalho primoroso onde roteiro, direção e atuação são brilhantes. Sem exagero. Ralph Finnes dá um show de interpretação assim como F. Murray Abraham e até mesmo grandes nomes que fizeram pequenas aparições e que abrilhantaram a trama com suas presenças. É a dica de hoje. Não percam!

Sinopse:
No período entre as duas guerras mundiais, o famoso gerente de um hotel europeu conhece um jovem empregado e os dois tornam-se melhores amigos. Entre as aventuras vividas pelos dois, constam o roubo de um famoso quadro do Renascimento, a batalha pela grande fortuna de uma família e as transformações históricas durante a primeira metade do século XX.






sexta-feira, 8 de junho de 2012

Delicado, comovente. Belo

Outro dia fui ao cinema assistir a um filme com minha amiga Sandra. Ficamos em dúvida em qual assistir afinal tinha alguns bem interessantes. Mas acabamos por optar por esse que tinha no elenco o ator Ricardo Darín que gostamos bastante. Já assisti com ele o filme Um conto chinês (delicioso) e Os Abutres (um soco no estômago mas maravilhoso). Virei fã. Após assistir a mais esse filme em que ele atua, saí com a certeza de que gosto demais mesmo desse ator e que me encanto cada vez mais com as produções argentinas. Belo filme, ótimos atores, excelente história. Teve algumas coisinhas do roteiro que não gostei muito mas nada tira a beleza do filme. Taí uma ótima sugestão.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Férias e minhas sugestões de cinema: Vamos lá?

Frases para Orkut
Pois é pessoal, a fissura pelas férias era tanta que nem me dei ao trabalho de postar por aqui. Fiquei alguns dias no total ostracismo que é muito bom, mas agora é mão na massa. Darei aqui algumas sugestões de leitura e de programação cultural para quem estiver em São Paulo como eu. Como nestas férias não programei nada de viagem, ficarei em São Paulo e curtirei o que a cidade tem de melhor que são as atividades culturais.
Andei pesquisando sobre cinema e como gosto de filmes europeus, vi que ainda dá tempo de assistir alguns filmes que se encontram ainda em cartaz da mostra francesa e que você pode conferir no Espaço Unibanco de Cinema, na rua Augusta, 1475.

Um dos que assistirei e desde já recomendo: Cópia fiel, do diretor Abbas Kiarostami com Juliette Binoche, William Shimell e outros.

Outro destaque: Meia noite em Paris, de Woody Allen. Bom, só por ser dele já quero assistir. Passando-se em Paris então, já me convenceu. Ainda por cima, algumas pessoas que conheço já foram e falaram super bemdo filme. Então, já está programado. Esse não posso perder mesmo!
Com Owen Wilson, Kurt Fuller, Marion Cotillard e outros.

Mais um que quero muito assistir: Minhas tardes com Margueritte, de Jean Becker, com o maravilhoso Gérard Depardieu e Gisele Casadesus. Bom, também sou fã ardorosa desse ator francês e isso já se torna mais que suficiente para assistir o filme. A temática também me seduz: a amizade. Logo, é uma excelente pedida.

Outro que parece imperdível : Potiche, do diretor François Ozon. Com a maravilhosa e eternamente bela Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Fabrice Luchini e Karin Viard. Bom, com esse elenco primoroso, não dá para perder. Acredito que seja diversão na certa. Cinema de qualidade é sempre bem vindo. E então? Vamos ao cinema?

terça-feira, 5 de abril de 2011

Poesia - do começo ao fim


Houve uma época em minha vida em que o cinema esteve bem presente. No entanto, nos últimos anos, tenho ido cada vez menos ao cinema. Não que tenha deixado de gostar mas sim por ter aberto o leque de opções culturais e acabei indo mais para o lado da música e teatro. Tem também o fato dos filmes surgidos no mercado não me atrairem muito. Americano demais, blockbuster demais. No cinema, aprecio muito a linguagem, a arte mesmo e não apenas pancadaria e efeitos especiais. Pra mim cinema tem que ter atuação, expressividade, roteiro de qualidade. Imagem poética. E nesse domingo tive uma grata surpresa ao encontrar todos esses ingredientes num único fime: Poetry ou Poesia, do cineasta coreano Lee Chang-Dong. Trazendo como interprete principal a dama do cinema coreano Yoon Jeong-Hee que emocionou a platéia do começo ao fim da película. O filme foi vencedor de melhor roteiro do festival de Cannes 2010 e tem uma história simples e complexa como tudo na vida. Sinopse: Mija (Yoon Jeong-hee) é uma avó que já passou dos seus 60 anos e agora procura coisas com que se ocupar. Ela se matricula em um curso de poesia. Estuda aplicadamente, mas não consegue escrever. Quando seu professor diz que há muito a se versar sobre uma mera maçã, por exemplo, Mija passa minutos observando uma, antes de descascá-la meio desapontada com a inspiração que não vem. A realidade tratará de dar à senhora material para sentir... A avó descobre que o neto que ela sustenta abusou sexualmente, com outros amigos de escola, de uma menina que acaba de se suicidar. Mija precisa juntar dinheiro para calar a mãe - dizem os pais dos outros garotos - mas o que ela ganha cuidando de um velho sequelado por um derrame não é suficiente. E as más notícias estão só começando.
Saí do cinema de alma lavada pois há muito não me emocionava tanto com um filme. Ainda está em cartaz no Reserva Cultural, na av. Paulista. É minha dica de filme para quem como eu, curte a boa arte no cinema.