
Ainda falando um pouco mais sobre o assunto, sei o quanto a mulher ascendeu na sociedade desde o final do século 19 e adentrou o século 20 dando passos largos em suas conquistas. Não nego a evolução de sua condição e como sempre gosto de associar o assunto a livros, deixo aqui uma sugestão de leitura que é simplesmente deliciosa! Essa autora tem o dom de nos remeter a um tempo que não conhecemos mas que vivenciamos ao ler seus livros.
Indico aqui o livro Anjos Caídos, de Tracy Chevalier, editora Bertrand Brasil.
Sinopse:
Anjos Caídos é o segundo romance da autora do bestseller Moça com Brinco de Pérola a chegar no Brasil. É uma história sobre amizades de infância, descoberta do sexo e fragilidade humana, além de abordar a mudança de um país, a luta das mulheres pelo voto e o questionamento de crenças arraigadas. Janeiro de 1901, um dia após o falecimento da rainha Vitória: duas famílias visitam túmulos vizinhos, num elegante cemitério londrino. Uma das sepulturas é adornada com uma sentimental estátua de anjo; a outra, com um jarro primoroso. A família Waterhouse, apegada às tradições vitorianas, reverencia a falecida rainha; já os Coleman buscam uma sociedade mais moderna. Para desconforto de ambas as famílias, elas passam a se relacionar quando suas filhas ficam amigas por trás das lápides. E, pior, amigas também do filho do coveiro, um garoto que está sempre sujo de terra. As meninas vão crescendo, e o novo século se firma, com os carros substituindo os cavalos no transporte e a eletricidade suplantando a iluminação a gás - o país surge das sombras dos opressivos valores vitorianos para o dourado verão eduardiano. É então que a linda e frustrada sra. Coleman busca mais liberdade, com conseqüências desastrosas, e a vida dos Coleman e dos Waterhouse sofre uma irremediável mudança. Um romance denso, escrito de forma excepcional.
Só para se ter uma ideia da história, o que serve de pano de fundo para os personagens centrais, é o início do movimento sufragista que surge na Inglaterra.
...O envolvimento na causa sufragista tira a personagem Kitty Coleman da mórbida melancolia em que caiu após abortar um filho adulterino. A escritora recria o espírito da época sem preocupar-se com a exatidão, causa de falência de muitos romances históricos. Emily Pankhurst, que fundou em 1.903 na Inglaterra o movimento pelo voto feminino chamado União Social e Política das Mulheres, tem uma participação breve e muda. Caroline Black, outra personagem de destaque, não teve suas falas repetidas tal como deixadas em seus escritos. A cena do cavalo
pisoteando Kitty Coleman no curso d'uma passeata é adaptação d'um fato real ocorrido já no reinado de Jorge V.
(Trecho retirado de uma excelente resenha de Ricardo de Mattos sobre o livro no blog Digestivo Cultural ) e vale a pena ler na integra.