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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Terapia das emoções


Somos todos fadados em algum momento de nossas vidas, sofrer a perda de alguém querido. Perdas ocorrem em vários momentos de nossas vidas e se não nos tornarmos resilientes, ficamos pelo caminho.
O livro que terminei de ler e que deixou marcas profundas na minha alma foi o livro da escritora alemã, Nina George - A livraria mágica de Paris, Editora Record. Sucesso em vários países na Europa 
Só o título e a capa já tinham me conquistado quando ele chegou às minhas mãos, aqui na biblioteca. Lendo a sinopse, já me vi fisgada afinal, livros, biblioteca, livraria, magia. Ingredientes que sempre me pega de jeito. Fiquei mais propensa à leitura, ao perceber que ele trata de emoções, relacionamentos, amizades e reencontro do amor na vida de pessoas comuns como eu e você, leitor.
Bingo! Em uma tarde, de bobeira por entre as prateleiras de livros da biblioteca onde trabalho, esse livro praticamente se jogou em meus braços.
Te digo uma coisa caro leitor: Não é uma leitura rápida. Não por ser uma linguagem difícil e rebuscada. Pelo contrário. Os personagens parecem convidar você para sentar-se e narrar acontecimentos de suas vidas que te levam a muita reflexão. A cada capítulo lido, parava e me perdia em pensamentos sobre a vida dos personagens - que ganharam meu carinho, e que muito se assemelha a experiências vividas por mim ou por alguém que conheço. Identificação total!
Meu desejo de mergulhar na leitura de uma história que se passa em Paris - que ainda não conheço mas um dia conhecerei - e percorrer suas ruas, vielas, comércio e conhecer seus habitantes acabou fazendo com que, ao lado de Jean Perdu, livreiro conhecido como "Farmacêutico literário", essa viagem fosse única. Por entre escolhas de livros e escritores que podem contribuir com nosso bem estar e resolução de problemas, uma leitura ímpar.
Ontem, ao término do dia aqui  na biblioteca, encontrava-me tão focada na leitura, que nem vi um funcionário se aproximar. Segundo ele, ficou alguns minutos a me observar. Na realidade, até havia percebido sua presença mas, a história estava grudada em minhas retinas e simplesmente não queria interromper. Coisas de leitor! Alguém aqui já ouviu ou leu a respeito de Biblioterapia? Não?
A Biblioterapia tem como conceito, a terapia por meio da leitura de textos. O personagem principal é exatamente esse terapeuta que diagnostica e prescreve livros aos seus clientes para resolver questões das mais diversas. Eu, particularmente, acredito e já curei muitos conflitos através da leitura e sempre digo: Não é você quem escolhe o livro que deseja ler mas sim, os livros te estudam e se doam para que você, interagindo com suas páginas, encontre a cura para seus males. Portanto caro leitor, creia que ler não é apenas passar os olhos pelas páginas. Ler é uma atividade profunda que mexe com nossas entranhas causando emoções, remexendo aquelas que se encontram muitas vezes adormecidas ou, simplesmente acalmam aquelas que se revoltam e ferem dentro da gente. Quando nos identificamos com determinada leitura, ao término dela, saímos revigorados e prontos para enfrentar qualquer coisa. Já se sentiu assim? Eu já. Várias vezes. Não vou entrar em pormenores da história senão entrego o jogo e perde a graça. Entre as 306 páginas que compõe o livro, você vai se deparar com muita aventura, emoção (de todos os tipos), reflexão sobre a vida, amor e ao término, um Salve à vida afinal, a verdadeira magia está toda contida nela.

" - Aqui, minha cara. Romances para teimosia, livros de não ficção para mudanças no pensamento, poemas para a dignidade. Livros sobre sonhar, sobre morrer, sobre o amor e sobre a vida como artista. Ele deixou aos seus pés baladas místicas, histórias antigas, duras, sobre abismos, quedas , perigos e traições. Em pouco tempo, Anna estava cercada de pilhas de literatura como uma mulher cercada de caixas em uma loja de sapatos." - p.38

"...Sempre queremos conservar o tempo. Conservamos as antigas versões daquelas pessoas que nos deixaram. E também mantemos essas antigas versões de nós mesmos, sob a pele, embaixo das camadas de rugas, experiências e risos. A antiga criança, o antigo amante, a antiga filha." - p.112-113



Sinopse:

Uma história emocionante de amor, de perda, e do poder dos livros. O livreiro parisiense Jean Perdu sabe exatamente que livro cada cliente deve ler para amenizar os sofrimentos da alma. Em seu barco-livraria, ele vende romances como se fossem remédios. Infelizmente, o único sofrimento que não consegue curar é o seu: a desilusão amorosa que o atormenta há 21 anos, desde que a bela Manon partiu enquanto ele dormia. Tudo o que ela deixou foi uma carta — que Perdu não teve coragem de ler. Até um determinado verão — o verão que muda tudo e que leva Monsieur Perdu a abandonar a casa na estreita rue Montagnard e a embarcar numa jornada que o levará ao coração da Provence e de volta ao mundo dos vivos. Sucesso de público e crítica, repleto de momentos deliciosos e salpicado com uma boa dose de aventura, “A livraria mágica de Paris” é uma carta de amor aos livros — perfeito para quem acredita no poder que as histórias têm de influenciar nossas vidas.

Ah! Mais um detalhe: ao final do livro, uma série de receitas da Provence. Eu, amante da boa cozinha, vou em breve experimentar essas gostosuras. E então, gostou? Venha também para essa livraria mágica e saia renovada (o) dessa experiência literária.

Título: A livraria mágica de Paris
Autor: Nina George
Tradução: Petê Rissatti
ISBN:978-8501107619
Editora: Record
Ano: 2016
Paginação: 306

quarta-feira, 22 de março de 2017

Volta - se houver motivo para voltar

Chega de preguiça e vamos retomar as atividades desse blogue que já anda parado há muito tempo. 
Nessa postagem, retomo uma das atividades que mais gosto de desenvolver que é falar sobre os livros que leio. Confesso que nesses dois últimos anos minha cota de leitura caiu drasticamente. Por motivos pessoais, profissionais e por também estar em constante desenvolvimento da escrita no outro blogue Sacudindo as Ideias, andei desleixada com a leitura de meus adorados livros. Mas ainda bem que sempre há tempo de se reatar e voltar para velhos e doces hábitos.
Final de ano passado, mais especificamente no dia 03 de dezembro, a escritora Ana Costa lançou seu livro “Volta – se houver motivo para voltar”, pela editora Scortecci.
Livro de crônicas, todas baseadas em sua própria vivência, Ana divide com nós leitores, suas experiências de vida como quem sentou-se numa mesa de bar ou num café e desenvolve uma conversa calma, deliciosa, com pausas, risadas e alguns momentos de pura emoção. Adentrei em seu universo sentindo-me próxima a ela como se fossemos amigas de longa jornada. Identifiquei-me várias vezes quando narra suas experiências na doença que lhe acometeu há dois anos e que mudou drasticamente sua vida. Profissional da área da saúde, ao sofrer um AVC que lhe trouxe algumas sequelas, Ana viu-se da noite pro dia com sua vida toda bagunçada.  Minha irmã caçula também sofreu AVCs muito jovem e sei o quanto isso a afetou. Sofreu bullying no ambiente de trabalho. Sua vida pessoal também passou por mudanças e todo esse conjunto de situações fizeram a autora dar um tempo em tudo e sair em viagem com o filho, grande companheiro de todas as horas.
Suas crônicas abordam justamente essas experiências que viveu. Aqui e lá fora.
Muitos podem pensar que a autora pesou a mão em sua pena ao escrever traçando linhas deprimentes, sofridas, uma vez que o assunto abordado trás esse sentido. No entanto, Ana discorre em seus textos de uma forma leve, com pitadas de humor da melhor qualidade e outras tantas de  refinada ironia. Tudo na medida certa, faz de seu livro, uma obra deliciosa de se ler.
Como cronista que sou e, como leitora voraz, mergulhei na leitura.
Ao término, saí emocionada. Com a bagagem de vida de nossa escritora que não teve medo de enfrentar seus fantasmas. Ana, anseio pelo próximo. Não demore!

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Uma viagem à Terras dos Encantados


Sonhadora que sou, desde a mais tenra idade, sou movida pela fantasia. Quando pequena, adorava ouvir as histórias que papai contava à noite, após o jantar. Ouvir as contações de meus avós também era prazeroso e isso fomentou meu espírito sempre ávido pelas fantasias. Não poderia ser diferente: tornei-me amante dos livros, profissional deles e pretensa escritora. E por falar em livros, já mergulhei em diversos mundos fantasiosos que varia de O Mágico de Oz, passando por Alice no País das Maravilhas, mais recentemente tornei-me fã de O Senhor dos Anéis, Harry Potter. Vibrei ao ler a brilhante história ainda desconhecida do grande público, A Casa do Escorpião, de Nancy Farmer.
Sou fã de carteirinha da série Once Upon a Time que reuniu todos os personagens que sempre amei em separado. Enfim, sou pela fantasia e pelo fantástico sim!
Toda essa minha introdução, é para apresentar à vocês o livro que estou lendo. Ainda não terminei mas, já amando.

Terras dos Encantados: a jornada do Círculo, de Ana Santana.


Ana, assim como eu, é uma amante da fantasia e construiu uma história cativante com personagens que encantam.


Com uma pegada na distopia e na espiritualidade, a história é sobre Fadas, druidas e humanos numa aventura que começa vagarosamente apresentando os personagens e, com o passar das páginas, ganham velocidade e deixa o leitor numa expectativa pelo final.
Ainda não terminei minha leitura até mesmo porque, estou lendo mais três livros simultaneamente (loucura né?) mas posso desde já garantir que é uma deliciosa viagem à terras encantadas. Para quem curte esse gênero, vale muito a pena conhecer. E um detalhe: é história criada aqui, em nosso país e da melhor qualidade. Venha você também conhecer Terras dos Encantados.
Por enquanto, só tem em formato digital pela Amazon


Sinopse: Nina cresceu nas Terras dos Encantados, sob a pressão de estranha profecia. Alane, um sacerdote druida, ajudou a desenvolver seus dons. Lorena é filha adotiva de cientistas obcecados pela produção da antimatéria. Cética, acreditava apenas no poder da Ciência. Às vésperas de um aniversário de 17 anos que modificará radicalmente suas vidas, conflitos sanguinários ameaçam destruir seus mundos. Nesse redemoinho, os pais de Lorena desaparecem; para salvá-los, ela precisa atravessar as fronteiras entre as duas dimensões. É quando os caminhos de Nina e Lorena se cruzam. Nesse instante, emergem antigos fantasmas do passado. E uma herança sombria leva as jovens a partir em busca do Livro do Futuro. Este misterioso manuscrito pode ser a chave para salvar os dois mundos. Para encontrá-lo, Nina, Lorena e seus aliados deverão não apenas derrotar seres das trevas, mas também as sombras que ameaçam dominar suas próprias almas. E, se vencerem, restará decifrar um último enigma. O Livro do Futuro salvará realmente os Humanos e os Encantados? Ou será apenas mais uma arma nas mãos dos inimigos? Personagens fascinantes compõem essa trama de natureza fantástica e espiritualista, preponderando a presença feminina em cada página. Velhos estereótipos são revistos, principalmente conceitos como herói e vilão. 
Nessa história, nada é o que parece ser.


Ana Santana também tem blog por onde você pode acompanhar seus escritos: Valise de palavras

terça-feira, 20 de setembro de 2016

De volta ao pátio do colégio


Aqui na biblioteca onde trabalho, ela é a queridinha das alunas. Thalita Rebouças, sucesso entre a garotada - em especial as meninas. A escritora mergulha no universo adolescente e expõe os conflitos, disputas, inseguranças que permeiam esse momento da vida de todos. Autora dos sucessos Fala sério que incluem Amiga!, Filha!, Irmão!, além de Traição entre amigas, Tudo por um namorado e outros títulos.
O seu mais recente livro Confissões de uma garota excluída, mal-amada e (um pouco) dramática, é uma aventura prazerosa.
Teanira ou simplesmente Tetê, uma garota cheia de problemas de autoestima que passou por sérios ataques de bullying na escola em que estudava. Moradora da Barra da Tijuca, tem sua vida, de uma hora para outra, de cabeça pra baixo: pai perde emprego, casamento está por um fio e todos se mudam para a casa dos avós em Copacabana para tentar sair da crise econômica. Dividindo o espaço com cinco parentes que brigam o tempo inteiro, ela perde suas referências. No meio de tantas coisas ruins acontecendo, ela se apega a única coisa que sabe fazer bem feito e adora: cozinhar!
Colégio novo, novos colegas mas o medo é antigo e acompanha Tetê em seu primeiro dia de aula.
Nessa sua nova fase de vida, a garota vai encontrar amigos de verdade, muitos mal-entendidos, algumas inimigas contudo, descobre o amor incondicional de seus avós, a fortaleza que a habita e que até então não tinha noção e a possibilidade de conquistas em sua vida. Garota divertida, adorei seus pensamentos, sua dramaticidade afinal, como boa canceriana, sou um tantinho assim dramática também talvez por isso, minha identificação com a personagem de Thalita Rebouças. A autora aborda nessa história um tema muito sério que ocorre nas escolas: a violência de determinados grupos com alguns colegas que "saem" do esteriótipo dito "normal". 
Confesso que dei muitas risadas durante a leitura desse livro assim como me emocionei em vários momentos. Ao todo, são personagens reais e não idealizados. Como trabalho nesse universo teen, reconheci vários tipos e todos são adoráveis e fazem desse livro uma viagem maravilhosa com direito a várias receitas de Tetê. Não vou entrar em maiores detalhes para não estragar a surpresa da história. E então? Vai ficar parada (o) aí ou vai comprar logo seu exemplar para ler e se divertir como eu? Garanto que não vai desgrudar os olhos enquanto a história não terminar. Senti através da leitura que entrei no túnel do tempo e me vi ali, cercada da garotada, vivendo todas as aventuras típicas. Essa é mais uma dica de leitura para você, que assim como eu, não tem preconceitos de leituras. Para mim, o importante é dar de cara com uma boa história!E essa, eu garanto que está muito boa!




Título: Confissões de uma garota excluída, mal-amada e (um pouco) dramática
Autora: Thalita Rebouças
Editora: Arqueiro
ISBN: 978-85-8041-579-7
Ano: 2016
Páginas: 272

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O universo masculino na lente de aumento de Murakami


Amante das letras, busco sempre conhecer a literatura de outras culturas. Já tive o prazer de conhecer autores da Índia, da Colômbia, do Chile, da China, dos países europeus. Mas ainda não tinha lido nenhum autor japonês. Há alguns meses, uma colega indicou veementemente a leitura da obra de Haruki Murakami.
Nascido em Quioto, é um dos mais populares e conceituados escritores no Japão.
Aqui, na biblioteca onde trabalho, temos vários livros dele. No entanto, nenhum tinha me chamado a atenção. Talvez até mesmo por ser bombardeada por tantos títulos chamativos, passou batido.
Ano passado, algumas alunas do ensino médio começaram a procurar a trilogia 1Q84 e sempre elogiavam ao devolver. Aí iniciou a germinação de uma sementinha de curiosidade por sua obra.
De tanto ouvir a colega falar de seus livros, decidi conhecer e optei por começar pelo livro de contos Homens sem mulheres.
Comecei a leitura não tendo muita expectativa. Mansamente fui sendo envolvida por seus personagens. Suas histórias se passam num universo de homens solitários que relembram, encontram ou acabaram de perder suas mulheres. 
Elas, as mulheres, são as grandes protagonistas destas histórias. Elas dão o ritmo e o rumo que cada homem terá. Achei interessante notar que, quase sempre, é mostrado a mulher sendo abandonada por um homem. Quase nunca pensamos nos sentimentos masculinos e no quanto a perda de uma mulher, traumatiza e leva um homem à depressão e ao isolamento.São ao todo sete histórias.
Com uma escrita hábil, Murakami nos surpreende a cada conto.
Eu, particularmente, gostei imensamente de dois contos: Sherazade e Samsa apaixonado. Gostei bastante também de Kino. Sendo que o segundo, Samsa apaixonado, li e reli com maior prazer. 
Ao término da leitura pensei comigo: Uau! Adoraria ter escrito esse conto!
Então é isso pessoal. Se você, assim como eu, ainda não leu nada dele, comece por esse livro de contos. Tenho certeza que irá gostar tanto quanto eu gostei e em breve passará a outro título dele.
E agora? Qual será o próximo livro? Sono ou Dance Dance Dance?



Sinopse:

Murakami é um autor capaz de criar universos próprios, que se desdobram em romances de fôlego e personagens cativantes. Mas ele é também um excelente contista, e sua produção mais recente está reunida neste volume: sete histórias que tratam de relações amorosas e trazem o estilo único do autor. São contos sobre o isolamento e a solidão que permeiam as relações amorosas: homens que perderam uma mulher depois de um relacionamento marcado por mal-entendidos. No entanto, as verdadeiras protagonistas destas histórias — cheias de referências à música, a Kafka, às Mil e uma noites e, no caso do título, a Hemingway — são as mulheres, que misteriosamente invadem a vida dos homens e desaparecem, deixando uma marca inesquecível na vida daqueles que amam.


Título: Homens sem mulheres
Autor: Haruki Murakami
Editora: Objetiva
ISBN:9788579624384
Ano: 2015

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Contos de fadas nunca saem de moda. Uma publicação


E eu quase já ia me esquecendo de falar por aqui, sobre a publicação do livro Descontos de Fadas, organização de Maria Esther Sammarone, Alink Editora. Não é desfeita não. Somente muito trabalho e cansaço me impedindo de escrever por aqui.
Sou até suspeita para falar mas, devo, afinal, sou uma das dezessete pessoas que toparam esse projeto. Foi uma experiência pra lá de feliz em poder fazer uma releitura de um dos contos de fadas já existentes. Textos muito bem escritos, bem diversificados, um visual lindo com ilustrações ricas feitas por Maria Luisa Miranda Mussanet, uma jovem muito talentosa em seus riscados. Não dá para falar mais. Só mesmo lendo e tirando cada um, suas conclusões. Mas o convite está feito: Se desejar, adquira seu exemplar pelo site da editora Alink


Sinopse:Um grupo de dezessete escritores se propôs a repensar os contos de fadas de forma bem-humorada sob a ótica das desilusões, reflexões, neuroses e modos de vida da sociedade moderna. Em diferentes vozes e estilos, aventuras originais ou recriadas, os textos deram novas vidas a princesas, anões, bonecos, sereias, lobos, marinheiros...
Autores:

  • Nanete Neves;
  • Márcia Barbieri;
  • Manuel Filho;
  • Tracy Segal;
  • Rogério Terranova;
  • Maria Esther Sammarone;
  • Mariana Portela;
  • Plínio Camillo;
  • Denise Ranieri;
  • Laura Del Rey;
  • Bia Bernardi;
  • Fernando Rocha;
  • Milton Strassa;
  • Roseli Pedroso;
  • Carlos Davissara;
  • Eder Santin;
  • Gláuber Soares
Segue alguns registros da tarde de lançamento. Foi bom demais!





quinta-feira, 7 de abril de 2016

Mergulho na alma adolescente - Soul love


Converso muito com meus usuários da biblioteca onde trabalho sobre os livros que lemos. Outro dia, almoçando com uma funcionária, ela me falou sobre um livro que - segundo ela, foi um livro que marcou sua adolescência. Curiosa, perguntei qual livro. Ela me respondeu e a conversa parou por ai.
Passado alguns dias, lembrei-me dessa conversa e procurei na internet alguma resenha sobre ele. Se fosse favorável, colocaria ele na lista de compras da biblioteca. O que encontrei foram muitas resenhas falando bem dele. O livro foi comprado e registrado. Ficou lá na vitrine, em exposição, de forma tímida sem ninguém prestar atenção nele.
Até que, sem nada para ler, decidi pegá-lo emprestado e assim, tornou-se minha leitura na hora do almoço.
Essa semana terminei de ler o tal livro e, confesso, agora faço parte dessa leva de leitores que simplesmente se renderam a essa história incrível.
Soul Love: à noite o céu é perfeito, de Lynda Waterhouse.

Jenna, uma adolescente de quinze anos, conquista a gente página por página durante a leitura do livro. Considerada "garota problema da família", ela guarda um segredo e por conta desse segredo, passa a ser hostilizada pelos colegas de escola e pela família que a manda passar uma temporada na casa de sua tia Sarah, na cidade de Netherby.
Lá, ela passará por um período de avaliação, crescimento e perceberá que as coisas não são bem como pensava. Conhecerá pessoas que farão toda a diferença em sua vida e se conscientizará de que seus problemas não são nada perto dos problemas que outras pessoas enfrentam.
Entre essas pessoas, conhece Gabriel, ou Gabe, como costuma ser chamado. Rapaz bonito, admirável enquanto ser humano, tem um passado sofrido, orfão de mãe. Está sempre com sua sombra, a jovem Cleo. Garota, à primeira vista, muito antipática que fará de tudo para separar Jenna de Gabe.
História muito bem escrita, com personagens encantadores, muita música  e final surpreendente. Livro que fala de adolescência e seus conflitos mas que é válido para todas as idades.


Sinopse:Jenna não quer trair os amigos e não revelará o que se esconde por trás de sua expulsão do colégio, assumindo toda a culpa sozinha. Como castigo sua mãe a levou para passar algum tempo com uma tia numa tediosa cidadezinha do interior. É lá que Jenna encontra Gabe, um rapaz autêntico, melancólico e reservado. Completamente diferente de todas as outras pessoas ela conhece. É inevitável: Jenna se apaixona por ele. Será que Gabe é sua alma gêmea? Ele mostra a Jenna a beleza de um céu noturno sem nuvens, escuro, um contraste perfeito para o brilho das estrelas. E, em meio a livros, música, poesia e noites estreladas, o sentimento entre eles se torna cada vez mais forte. Mas Cleo, uma garota antipática que tem uma ligação muito estranha com Gabe, não está gostando nada desse romance. Afinal, ela não quer que ninguém mais saiba o grande segredo de Gabe...

Título: Soul love: à noite o céu é perfeito
Autor: Lynda Waterhouse
Editora: Melhoramentos 
ISBN: 9788506056141
Ano: 2010
Páginação: 207

quinta-feira, 3 de março de 2016

Face emplumada - uma viagem em busca de si mesmo


É um privilégio de poucos, acompanhar o desenrolar do processo criativo de um escritor. Poder observar, mesmo que de longe, os personagens ganhando corpo, tornando-se reais. Melhor ainda, é poder ver esse escritor - antes, tímido, hoje, ousar em seus escritos.
Posso me considerar privilegiada por viver cercada de amigos escritores e usufruir um pouco de suas intimidades e saber sobre o que escrevem antes de todos os seus leitores comprarem o produto final, o livro pronto.
Terminei de ler já faz um tempo, o último livro de Gláuber Soares intitulado Face emplumada, @Link Editora. Ele estava na fila de livros - que cresce a cada dia , aguardando tempo livre para poder escrever sobre minhas leituras. Esse dia chegou.
Primeiro romance de Gláuber, já nos mostra o quanto o autor amadureceu desde sua última publicação, Remédio Forte (2014), aqui já resenhado por mim. Sempre gostei de sua escrita: direta, muitas vezes ácida, urbana. Gosto de me identificar como seus personagens que poderia ser qualquer pessoa com quem  transita nessa nossa louca metrópole chamada de Sampa.

Gostei demais do Guto, personagem central mas, confesso que me encantei com seu Galdino. personagem árido feito seu sertão, misterioso, sábio, trabalhador.

Daltônico, vinte e oito anos, solitário vivendo numa quitinete no centro de São Paulo, sonhador e ao mesmo tempo, um ser humano em busca de si mesmo. Esse é o resumo de toda a história de Guto. Porém, como verdadeiro artesão das palavras e ideias, Gláuber Soares soube, com sensibilidade e maestria, desenvolver uma trama rica em situações que muitas vezes, pode soar como surreais. No entanto, no nosso dia a dia, encontramos situações bem mais bizarras do que o autor expõe no livro. A vida imitando a arte e vice-versa.
Os conflitos que se apresentarão à Guto, durante sua trajetória nos solos semiáridos do nordeste ,mostrarão o quanto a vida pode ser dura, áspera mas, que também nos presenteia com delicadezas e belezas, naturais ou não. O crescimento de Guto enquanto ser humano, é o grande "pulo do gato" que o leitor acompanha passo a passo em uma deliciosa leitura. Ao término de minha leitura, surpreendi-me com um sorriso estampado no rosto e na alma. Meu amigo havia alcançado seu objetivo. Fez uma leitora feliz! E olhe que essa leitora costuma ser exigente!
Ah! Antes que acabe minha pretensa resenha, deixa eu dizer que além de toda a riqueza da história contada, o livro ainda tem um personagem constante na trama: Ziggy Stardust, criação imortalizada pelo David Bowie. Acha pouco ou quer mais? Quer mais? Então passe na primeira boa livraria perto de você e compre já seu exemplar Face emplumada. Gláuber, que venham muitos outros romances do quilate desse!

Essa é minha dica de leitura de hoje.

Sinopse: 
"Gustavo tem vinte e oito anos, é daltônico e vive sozinho numa quitinete na região central de São Paulo. Veio jovem do interior paulista, para estudar e trabalhar. Atualmente é analista financeiro de um banco de investimento, na poderosa avenida Paulista. Amigo da solidão, Guto também tem algo dos heróis desencantados da literatura existencialista de Camus e Sartre: a integridade moral. Sua vida segue sem grandes solavancos, até o dia em que decide viver uma grande aventura: ir de Sampa a Quixadá, no Ceará, atrás de uma garota que nunca conheceu mas não consegue tirar da cabeça. Parte do trajeto ele desbravará de moto. Primeiro romance de Gláuber Soares, Face emplumada narra uma fascinante jornada de autoconhecimento, para bem longe da bolha caótica da civilização. Seguindo um sonho maluco, Guto entrará em contato com as forças poderosas do semiárido nordestino – e por elas será modificado. Uma epifania profana o aguarda no labirinto ensolarado da caatinga. Para povoar essa viagem incomum, o romancista criou uma galeria de personagens inesquecíveis: o cabeleireiro Sandrinho, seu Galdino (o eremita da Fazenda Asa Azul) e sua família, a fisioterapeuta Paula, entre outros. Nessa galeria há espaço até para entidades insólitas, fruto da realidade e da imaginação fértil do protagonista: o roqueiro Ziggy Stardust e a grande coruja branca (rasga-mortalha). Guto é um herói urbano que sente certa ojeriza da metrópole. É um narrador sereno e ponderado, que descreve o mundo à sua volta de maneira objetiva. Mas às vezes delírios e sonhos instáveis assombram essa harmonia, desequilibrando qualquer objetividade. O encontro com as múltiplas formas da natureza áspera − a paisagem seca da caatinga, o preconceito e a hostilidade do mundo rural − será um teste definitivo de caráter e coragem. Teste do qual Guto sairá transfigurado, querendo ou não."

 (texto das orelhas escrito por Nelson de Oliveira)


quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O grande feito da "foca"


Sabe aquela leitura que te remete ao ambiente e personagens da história no qual você, enquanto leitor, passa a fazer parte do mesmo? Livro que te faz sentir aromas, ver paisagens, fazer parte da mesma, conhecer os personagens e tornar-se íntima deles?
E quando esse livro tem como personagem principal o nosso poeta maior Carlos Drummond de Andrade e, aos poucos, você passa a frequentar seu apartamento, comer dos biscoitinhos e tomar seu café ouvindo sua fala mansa de mineirinho? Fala sério, consegui instigar sua curiosidade não foi?
Quer saber que livro é esse e participar dessa intimidade toda com o poeta? Então precisa comprar e ler o livro O poeta e a foca: como uma jovem jornalista conseguiu de Drummond a primeira entrevista para a imprensa, da jornalista Nanete Neves.
Numa linguagem leve, a autora narra sua grande aventura quando, recém formada, trabalhando num jornal pequeno paulistano, recebeu como missão, entrevistar o poeta às portas dele completar 75 anos.
Numa narrativa homérica, Nanete nos pega pela mão e inicia uma viagem com muitos obstáculos para transpor - uma vez que o poeta era arredio a entrevistas, até conseguir chegar a ele e concretizar o grande feito. Um delicioso painel das redações de jornais da época, do Rio de Janeiro na década de 70, um desfilar de outros autores que Nanete contatou para obter informações sobre Drummond e como chegar até ele.
Essa é minha dica de leitura de hoje. Uma leitura para todas as idades e eu super indico aos professores para trabalhar o livro junto das obras de Drummond no Ensino Médio. 
Gostou? Eu simplesmente amei!

Sinopse:

Em 1977, Carlos Drummond de Andrade completava 75 anos sem nunca ter dado uma entrevista. Toda vida ele fugiu de jornalistas. Com toda a grande imprensa à sua procura, só uma jovem repórter de um pequeno jornal paulistano foi recebida por ele - e em seu apartamento, no Rio de Janeiro, aonde nem os amigos tinham acesso. Quase 40 anos depois a escritora e jornalista Nanete Neves resolveu contar essa história no livro O Poeta e a foca. No livro, Nanete Neves conta como foi esse encontro que rendeu matérias em diversos veículos de comunicação e, principalmente, uma doce amizade com o poeta com troca de telefonemas e cartas por vários anos. A autora relata também as conversas com intelectuais que lhe falaram do jeito de ser do Poeta, suas esquisitices, sua visão de mundo e idiossincrasias pessoais, preparando-a para conhecer o mito: Antônio Houaiss, Nélida Piñon, Ferreira Gullar, Affonso, Antônio Callado, Pedro Nava entre outros.


Título: O poeta e a foca
Autor: Nanete Neves
Editora: Pasavento
ISBN:9788568222096
Ano: 2015

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Finalmente apresentada a ele

Terminei de ler o livro de um escritor que ainda não conhecia sua obra. Somente sua fama.
Pois é. Sempre ouvi falar de Charles Bukowski. Mas até então, entre tantos autores para se ler, fui deixando até que chegou às minhas mãos seu livro Mulheres. Terceiro romance publicado em 1978. Como é pocket, resolvi ler.
Como sempre gostei de personagens marginais ou fora do comum, apaixonei-me por Henry Chinaski e suas "Mulheres".
Um verdadeiro retrato da década de setenta. A vida boêmia de Hank, um escritor na casa dos quase sessenta anos e suas aventuras.
Após um período de jejum sexual, Hank inicia uma verdadeira maratona sexual em busca da mulher que o complete. Personagens hilárias passeiam pela vida do autor que, devido a uma certa notoriedade, mesmo sendo feio e velho, ganha fácil todas as mulheres que praticamente se jogam aos seus braços. E ele claro, não se faz de rogado "traçando" todas.
O livro até poderia cair na mesmice por não ter muito a acrescentar afinal, entra capítulo sai capítulo, a história se repete: mulher cruza caminho de Chinaski e logo vai para sua cama fazer mil estripulias sexuais ao lado do insaciável escritor. Muitas delas, verdadeiras junkies viciadas em álcool, bolinhas, maconha e claro, sexo.
O que constatei durante a leitura, é que o escritor (personagem) está fazendo um "estudo" sobre as mulheres para seus escritos. Tanto que algumas delas se reconhece em seus poemas. Ele descaradamente vai conhecendo, analisando, usando e catalogando cada mulher que passa por sua vida. Muitas delas deixam marcas na vida do autor, outras passam de forma meteórica, outras ficam no vai e vem.
Antissocial, não curte muito baladação no sentido de viver em grupos. Ama corrida de cavalos, música clássica, participa de saraus e dá palestra em universidade para ganhar o pão de cada dia. Ossos do ofício que muitas vezes, só bebendo umas pra aguentar. E ele bebe! E muito! E assim, esse personagem totalmente anti-herói vai ganhando nossa simpatia, afinal, qual mulher ainda não conheceu um legítimo representante "Chinaski"? Eu, confesso, já conheci alguns e sei que carisma eles trazem consigo.
Utilizando uma linguagem tida como "chula" por muitos, em minha opinião Bukowski soube escrever com maestria histórias que mostram bem o submundo literário em que seu personagem vivia.
Ao término do último capítulo, acredito que ele possa acrescentar mais uma admiradora sua: eu. Quero agora partir para a leitura de seus outros livros.
Essa é minha dica de leitura de hoje.

Sinopse: 

“Eu tinha cinquenta anos e há quatro não ia pra cama com nenhu­ma mulher.” Este é Henry Chinaski, Hank, escritor, alcoólatra, amante de música clássica, alter ego de Charles Bukowski e protagonista de Mulheres. Mas este não é um livro convencional – nem poderia ser, em se tratando de Bukowski – no qual um homem está à procura de seu verdadeiro amor. Após um período de jejum sexual, sem desejar mulher alguma, Hank conhece Lydia – e April, Lilly, Dee Dee, Mindy, Hilda, Cassie, Sara, Valerie, não importa o nome que ela tenha. Hank entra na vida dessas mulheres, bagunça suas almas, rompe corações, as enlouquece, as faz sofrer. E no fim elas ainda o consideram um bom sujeito. Publicado em 1978, Mulheres, o terceiro romance de Bukowski, é a essência de sua literatura: com o velho Chinaski, ele sintetiza a alma de todos aqueles que se sentem à margem. Escrevendo em prosa, Bukowski poetisa a dureza da vida e nos dá uma pista: “ficção é a vida melhorada”.

Título: Mulheres
Autor: Charles Bukowski
Editora: L&PM
ISBN: 978.85.254.2313-9 
Ano: 2011
Páginas: 320

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Quando uma mentira nasce...



Quem nessa vida não mentiu? Você? Ah mentira!!!
Todo mundo alguma vez já mentiu na vida, em algum momento, em alguma situação. Seja para escapar de algo chato, seja pra driblar a mãe e o pai pra ir naquela baladinha, seja pro namorado, pro marido ou esposa. Seja para o professor, para o chefe. Gentem! Para o chefe! Aliás, esse profissional é um dos que mais lida com a mentira diariamente. Affê!!
Eu mesma não tenho problema algum em confessar que já menti inúmeras vezes. Sem dó na consciência. Pois é!Pois é!Pois é!
Só que com o passar do tempo, com a maturidade e a conscientização do que é certo e do que é errado, a gente vai podando ela - a mentira - de nosso dia a dia.
Mas para algumas pessoas não. Ela torna-se uma aliada, companheira, confidente, uma amiga para todas as horas e lugares. Pessoas assim acabam por se tornar mitômanos e sofrem de Pseudolalia, termo utilizado na psiquiatria. Movidas pela compulsão de mentir, mesmo que sem necessidade. 
O que para muitos é algo sem maiores consequências, para quem é portador desse transtorno, sofre por se ver refém da mentira e suas consequências distanciando as pessoas de si, perdendo empregos, se marginalizando perante a sociedade.
Fiz todo esse discurso, para falar um pouco sobre o livro que terminei de ler. Aliás,minto. Não li, devorei!!!
Oh coisa boa quando a gente se depara com uma ótima história!

O livro foi lançado mês passado, pelo autor Carlos Davissara e se intitula Uma mentira de pernas bem longas.
História infanto juvenil com muito humor, suspense, mistério e uma linda lição de vida para crianças e adultos. Um livro que para mim, não tem faixa etária definida. É leitura para todas as idades.

Carlos se saiu muito bem se arriscando na literatura juvenil. Ao contrário do que se imagina, é muito difícil de se escrever e de convencer. Linguagem dinâmica, leve, personagens verdadeiros. Parece até que fazem parte de sua família. 
Ah! E já ia me esquecendo de falar sobre a qualidade editorial do livro. Sou amante de capas e diagramação de livros. Detesto quando pego um livro e observo uma certa falta de cuidado, conhecimento e carinho para transformar uma bela história, num objeto a ser cobiçado, desejado por ser belo. Esse livro ganha pela estética, pela capa e páginas ilustradas por Ricardo A. O. Paixão, uma fonte utilizada que não cansa a visão...
Olha só como observo tudo num livro hein? Talvez justamente por trabalhar há tantos anos em biblioteca e manuseando tantos livros, adquiri esse olhar mais crítico. O livro passou em todos os testes. 
E então? Gostou? Essa é a dica de leitura de hoje!

Sinopse:


Dizem que a mentira tem pernas curtas, será que é sempre assim? Débora, a menina que protagoniza esta história, descobriu num dia cheio de emoções o quanto essas pernas podem crescer monstruosamente. Aliás, não só as pernas...



Título: Uma mentira de pernas bem longas
Autor: Carlos Davissara
Editora: Penalux
ISBN:978-85-69033-02-8
Ano: 2015
Paginação: 122 p.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Primeiro me deixou sem verbo. Agora, sem fôlego!



Hoje vou falar de um livro que me surpreendeu do começo até sua última frase.
Já conheço o autor e sua escrita e o admiro muito. Conhecia alguns textos dele em revistas literárias e tive o prazer de ler e fazer um texto sobre o primeiro livro publicado Sujeito sem verbo que - fazendo uma trocadilho carinhoso, me deixou sem verbo para expressar o quanto gostei.
Terminei de ler sua mais recente publicação, a novela Os laços da fita.
Quando soube que iria publicar esse livro, não li a respeito mas mesmo assim, como tinha gostado de Sujeito sem verbo, tratei de comprar. Não pude ler de imediato porque estava com outras leituras à frente. Até que, lendo USA Noir (uma coletânea bem extensa mas muito legal), dei um tempo e peguei o livro de Fernando Rocha.
O livro me agradou primeiramente pela beleza estética da capa feita por Ricardo  A. O. Paixão. Sou aficionada em capas de livros! Folheei o livro e gostei da diagramação do texto. Pronto. Me ganhou e iniciei a leitura.
A história gira em torno de uma família esfacelada pela atitude extremada de um deles.
Fernando Rocha consegue passar ao leitor, toda a dor, revolta, tristeza em cada componente familiar.
Emoção nos mais diversos graus e matizes conduz o leitor ao término da novela sentindo ao mesmo tempo um aperto constante no coração e alívio. Literatura que nos faz refletir o cotidiano e o peso que a vida impõe nos corações extremamente sensíveis.
Fiquei comovida porque tive em minha família alguém muito semelhante ao personagem protagonista. Muito comum em todos os tempos.
O autor mais uma vez prova a excelência de sua narrativa. Uma voz que se sobressai entre tantos autores contemporâneos. Vale a pena ler!

Título: Os laços da fita
Autor: Fernando Rocha
Editora: Penalux
ISBN:978-85-66266-99-3
Paginação: 88
Ano: 2014

terça-feira, 24 de março de 2015

Escrever cartas para expurgar fantasmas


A morte é um personagem que nos ronda a vida toda e, hora surge na vizinhança levando conhecidos, desconhecidos, hora acampa em nosso lar e arrasa com o núcleo familiar.
Não tem quem não tenha chorado a partida de um ente querido. Existe famílias que, ao sofrer uma perda inesperada, simplesmente se quebra, racha e não tem mais conserto deixando corações trincados e sangrando para sempre.
É sobre esse tema tão doloroso e tão presente em nossas vidas, que a autora Ava Dellaria discute em seu romance Cartas de amor aos mortos.
Gostei do título logo de cara quando o livro chegou à biblioteca e sua capa também me agradou. Ao ler a sinopse, fiquei curiosa e decidi que seria a primeira pessoa a ler esse livro.
Não me arrependi! A autora consegue nos envolver com sua narrativa e soube criar personagens ricos,  humanos, no qual, reconhecemos vários que convivem conosco no dia a dia. Para mim então, foi como estar convivendo com o mesmo grupo de adolescentes que convivo diariamente aqui no colégio em que trabalho. Os sentimentos de perda, a confusão que se estabelece no íntimo de quem ficou, o vazio que se abre após a morte de alguém. Principalmente se esse alguém for uma jovem linda e cheia de vida. O caos está estabelecido. Reconstruir-se é o que nos resta e a personagem central da trama, Laurel, irmã mais nova de May (a falecida), irá tentar se reerguer após essa perda, através de cartas escritas a vários mortos famosos. Lição que a nova professora passou a toda a classe. Através dessas cartas escritas e não entregues, Laurel  fará uma verdadeira peregrinação e terapia para superar a morte da irmã e seguir sua vida. Chego ao final do livro emocionada por ter acompanhado a personagem nessa viagem. Chego também surpresa com a revelação que se faz ao término. Não conto aqui para não estragar a surpresa de quem for ler mas sem dúvida, é uma história linda, triste, comovente e com uma mensagem de vida muita legal. Leitura perfeita para adolescentes, adultos enfim, para todo leitor sensível. Essa é minha dica de leitura de hoje.

Sinopse: Prestes a começar o ensino médio, Laurel decide mudar de escola para não ter que encarar as pessoas comentando sobre a morte de sua irmã mais velha, May. A rotina no novo colégio não está fácil, e, para completar, a professora de inglês passa uma tarefa nada usual: escrever uma carta para alguém que já morreu. Laurel começa a escrever em seu caderno várias mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Elizabeth Bishop… sem nunca entregá-las à professora. Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky. Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era - encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um - é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho. 

“Uma história brilhante sobre a coragem necessária para continuar vivendo depois que nosso mundo desmorona. Uma celebração comovente do amor, da amizade e da família.”- Laurie Halse Anderson, autora de Fale! 

 “Assim como Kurt, Janis, Amelia e outros que já se foram mas de algum jeito permanecem aqui, Cartas de amor aos mortos deixa uma marca indelével.” - Gayle Forman, autora de Se eu ficar 


Título original: LOVE LETTERS TO THE DEAD
Tradução: Alyne Azuma
Páginas: 344
Lançamento: 20/06/2014
ISBN: 9788565765411
Sel: Seguinte

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Para o amor não existe tempo


Após quarenta e dois dias de descanso absoluto, retorno as atividades de meu adorado cotidiano. Saindo de um jejum necessário, cá estou para falar daquilo que é uma das coisas que mais gosto: ler e comentar por aqui com vocês leitores aquilo que me agradou o paladar literário. Sim, porque só falo daquilo que gosto. O que não gosto passa longe do meu blog.
Terminei de ler no finzinho das férias o livro Amor em dois tempos, de Lívia Garcia-Roza, editora Companhia das Letras.
Em dezembro, perambulando pela livraria Cultura, dei de cara com esse livro que me chamou atenção primeiramente pela capa que achei bem bonita, a seguir pelo título, passeei os olhos pela sinopse e aí, me encantei de vez. Comprei!
Fui fisgada desde a primeira frase da história e apaixonei-me pela personagem principal Vivian, uma senhora beirando os setenta anos que ficando viúva de seu marido Conrado, se vê com a missão de levar suas cinzas para Salvador para espalhar no Farol. Como era da vontade do finado. Acompanhada de sua amiga Hilda, embarcam numa aventura deliciosa.
O que a princípio era para ser uma missão espinhosa, torna-se um descortinar de emoções que pareciam enterradas há muito tempo. Pelo menos para a sonhadora Vivian que reencontra um amigo e antigo amor de infância Laurinho.
Driblando o eterno mal humor de sua amiga Hilda, Vivian se deixa levar pelas emoções da verdadeira paixão que, não importando a idade, surge fazendo sua vida ganhar novo colorido.
A autora Livia Garcia-Roza, nos presenteia com um personagem carismático que nos faz torcer do começo ao fim do livro por sua felicidade e a certeza que o amor é sempre bem vindo não importa a idade.
Um livro que desde já indico a quem deseja uma leitura leve, gostosa mas que aborda questões sérias e importantes na vida de todos. Sem se tornar enfadonho. Prazer garantido!

Sinopse:

Vivian acaba de ficar viúva. Depois de um casamento de décadas com Conrado, ela se vê com a difícil missão de levar as cinzas do marido para a cidade onde ele nasceu: Salvador. Hilda, sua grande amiga, irá acompanhá-la nessa empreitada. Mas ao chegar à capital baiana, as coisas não acontecem conforme o previsto. A escolha de onde espalhar as cinzas se mostra mais complexa do que ela imaginava, Hilda se comporta de um modo cada vez mais esquisito e, como por ironia do destino, Vivian irá reencontrar ali Laurinho, seu amor de infância. A possibilidade de se apaixonar e viver um romance quando já se aproxima dos setenta anos irá trazer uma nova luminosidade para a vida da protagonista, que até então tinha se conformado com um casamento infeliz, a dedicação ao filho único e o refúgio na escrita. Neste Amor em dois tempos, a ficcionista Livia Garcia-Roza nos apresenta mais um romance sensível, com muito humor e pleno de esperança.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Mosaico de rancores

Se formos parar para analisar, a vida de toda pessoa já dá um bom romance. Terminei de ler um livro no qual identifiquei personagens muito bem descritos ali que me remeteu a pessoas reais. Livro esse que há tempos desejava ler e que finalmente no final do ano passado comprei e só agora em férias, consegui ler. 
E li numa tacada única.  Marcia Barbieri, a autora. Mosaico de rancores, o título do livro.

Marcia foi minha companheira do módulo de contos do curso de criação literária que fiz em meados de 2010. Desde lá, já admirava sua escrita. que percebia, já incomodava algumas pessoas. 
Já vou logo avisando: não é literatura de best seller nem Chic Lit. Sua escrita é para os leitores fortes e que admiram um texto denso, que muitas vezes choca pela crueza. Mas (pelo menos para mim), é um puta texto, uma baita história e nos trás grandes personagens que em muitos momentos, nos identificamos. 
E talvez aí, justamente aí, é que incomoda. Vivemos dias em que só é de bom tom nos apresentarmos "felizes", "realizados", "amados", "bonitos".

Os personagens de Marcia Barbieri tomam a via contrária a tudo isso e nos arrota na cara o Lado B de todo ser humano. 
E é justamente isso que me fascina!
Adoro anti-heróis, personagens que mostram sua verdadeira face expondo suas taras, seus medos, suas neuroses, sua humanidade.
E aqui, em Mosaico de rancores eles se expõe de forma arreganhada, sem pudores.
A história nos apresenta um casal que vive entre tapas e beijos e sexo e traições. Maria Luíza e Lúcio.
Ela, uma mulher passional, com traços característicos de esquizofrenia, que sente um ciúme louco do marido no qual, imagina que a trai com todas as mulheres que passam por ele. 
Por conta disso, ou talvez usando isso como uma boa desculpa, sai à rua e trai o marido descaradamente entrando em bares e fazendo sexo com estranhos.
Mais da metade do livro, é narrado sob a ótica pra lá de distorcida de Maria Luíza onde a escritora Marcia usa com maestria metáforas e uma linguagem ferida, ácida, mordaz para representar muito bem a confusão mental e o turbilhão de emoções mal resolvidas da protagonista.
Depois, de determinado ponto do livro até o final surpreendente, a história é vista sob a ótica de Lúcio e aí, a linguagem muda bastante deixando o leitor em dúvida. Quem é o mocinho da história e quem é o vilão?
Quem fantasia a realidade e quem a vive de fato? Ou, pensando melhor, as neuroses de ambos se entrelaçam num verdadeiro "mosaico de rancores" e de emoções nada resolvidas que nos envolve fazendo com que, ao término do livro, percamos o fôlego diante de tantas emoções afloradas.
Mais uma vez repito: não é leitura para qualquer leitor. Só para os mais fortes e que tenham uma visão ampla de literatura. E também que estejam dispostos a vivenciar um passeio numa montanha russa das mais cruéis e fascinantes. Garanto: você sentirá enjoo, vomitará algumas vezes, sentirá nojo, revirará os olhos diante de muitas cenas mas, sem dúvida, não passará por essa história indiferente. Impossível!
Essa é minha dica de leitura para quem deseja um livro fora do comum, uma literatura brasileira das boas! Altamente recomendável as almas fortes e com desejo de coisas novas. E guardem esse nome porque ela já está causando e muito com seu segundo romance ao qual já tenho em mãos mas ainda não li: A Puta.
Tenho certeza que muito em breve, ela será uma autora muito falada e lida por todos.

Sinopse:
Márcia Barbieri é detentora de uma prosa poética, giratória e alucinante. Neste romance, a maior parte da narração é da protagonista Maria Luíza, uma mulher de gênio forte, extremamente passional, cujo ciúme beira à loucura. Estilista, quase não sai do apartamento que divide com o marido Lúcio, um fotógrafo. 
O leitor é arrastado pela visão tortuosa e esquizofrênica de Maria Luíza. No entanto, nos últimos capítulos do livro toda sua narrativa será desmistificada pelo olhar de Lúcio, o qual revelará para o leitor um segredo sobre Maria Luíza, assim como mostrará como ele é sem a lente dessa mulher perversa. 
Mas será que podemos confiar em Lúcio ou ele é tão psicótico quanto a sua mulher? Em qual deles confiar?

Trecho de Mosaico de rancores:

"Vulvas vermelhas recordam a solidão antes do nascimento. Deflorações. O paraíso perdido de Milton. Clitóris na procura incessante do gozo. Línguas bipartidas. Cobras venenosas. Teu pau no meu sexo. Minha boca buscando alento no seu desprezo. Desafetos geram embriões. O amor é violento, afasta vértebras. Meninos estuprando realidades de quatro. A rosa corrompida dos ventos."
"Tateio meu corpo e finjo orgasmos. Clitóris e lábios não são suficientes. Gemidos me calcificam. Pedras em coma submergem. Faço dos meus lençóis o leito frágil do meu rio. Não há graça nem louvor nos meus suicídios diários."

Título: Mosaico de rancores
Autor: Marcia Barbieri
Editora: Terracota
Ano: 2013
Páginas: 200 ISBN: 8562370851

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Na arena da vida, conheci a delicadeza dos hipopótamos


A literatura tem vários objetivos: entreter, informar, emocionar, incomodar, alertar, fazer pensar.
Alguns escritores escolhem um ou dois caminhos e traça sua trajetória literária. Outros (muitos), optam pelo caminho mais fácil - tanto de reconhecimento quanto de vendagem - e abraçam a emoção fácil e vêm seus livros nas gôndolas saírem feito mercadoria em fim de feira: vendendo à rodo como dizia minha avó. Nada contra, acredito que o escritor deva mesmo ser fiel ao que deseja e seguir em frente conquistando o que sonha e sendo feliz além é claro, de fazer seu leitor feliz. Tenho comigo que exista leitores para todos os estilos literários. E existe uma pequena leva de autores que labutam de forma intensa na busca de lapidar seus textos de uma forma toda pessoal não se preocupando em agradar às massas mas sim, aos leitores que como ele, procura algo mais que frases feitas.
É de um desses escritores que quero falar hoje.
O conheci através do curso de criação literária que fiz em 2010. Depois passei a acompanhar seu blog e pouco a pouco conhecer e admirar sua forma de encarar o mundo e expressar-se. Identificação.
Mês passado, dia 22, tive o prazer de ir ao lançamento de seu romance A delicadeza dos hipopótamos. Quando soube do lançamento, já me deslumbrei com o título que me instigou a curiosidade em saber que delicadeza era essa. Lá mesmo, tratei de passar rapidamente os olhos pelo texto. Gosto de manusear livros e a eterna bibliotecária que me habita começou a agir silenciosamente analisando o livro num todo. Capa, diagramação, papel, fonte...fui percorrendo as frases iniciais e já dentro da condução que me levaria para casa, iniciei de fato a leitura.
Mergulhei de cabeça!
Daniel Lopes desenvolve uma trama das mais ricas que li nos últimos tempos. E olha que leio e muito! Como definir seu livro? Fogem-me as palavras para descrever tão bela, instigante, impactante história. Personagens riquíssimos, conflituosos, humanos. 
Ao ler cada capítulo, me vi muitas vezes encurralada pelo que parecia ser real e o que habitava o interior de cada personagem, que fazia parte daquele pedaço de chão chamado Tamar e que fica próximo a lugar algum. Reconheci muitas passagens que habitam meu eu: bonito, feio, medonho, asqueroso e mais uma vez repito: humano! Ao término do último capítulo me peguei triste ao ter de deixar Tamar, seus hipopótamos. Fechei o livro e lá dentro, ficou um pedaço de mim.
Daniel Lopes tem dois livros anteriores: a coletânea de contos O pianista boxeador, título de seu blog e seu primeiro romance A fruta que comprei pela livraria Cultura e estou no aguardo para receber. Não vejo a hora! 
Para quem desejar conhecer um pouco a linguagem do autor, conheça seu blog Pianista Boxeador
Se você é como eu, um(a) leitor(a) que gosta do desafio, da linguagem diferenciada, de histórias instigantes, da emoção refinada mas densa, eu indico A delicadeza dos hipopótamos.

Sinopse:
Poucas obras merecem ocupar um lugar na linha tênue que une os dois pontos de uma antítese, «A Delicadeza dos hipopótamos», sem sombra de dúvidas é uma delas. O lugar, termo que ao mesmo tempo pode ser palpável e subjetivo, dentro da obra é a mistura da místico-mítica aldeia de Tamar, o bar de Mariano e o interior das personagens, principalmente do protagonista Léo. Jovem que ao regressar para seu espaço físico natal desenterra acontecimentos de dentro do âmbito das sensações e sentimentos, estes como já é sabido, acontecem sempre no agora. O foco narrativo desenvolvido por Daniel Lopes e conduzido por seu narrador-personagem é uma belíssima colcha de retalhos que abriga em si presente e passado sem perder o ponto na costura.

Título: A delicadeza dos hipopótamos
Autor: Daniel Lopes
Editora: Terracota
ISBN: 9788583800189
Ano: 2014

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Sob a luz de Lua de Papel


Nessa minha longa vida de leitora, já li praticamente de tudo. Romances épicos, romances açucarados e previsíveis, suspenses, terror, gótico, dramaturgia, biografia, autoajuda, poesia, enfim, passeei por diversos gêneros e estilos literários. E nessa minha caminhada literária li autores geniais, medíocres, mais ou menos e aqueles que simplesmente fechei o livro e mandei embora sem dó nem piedade.
Parto sempre do seguinte pressuposto: se escreveu, é porque deve ter algo que queira transmitir.
E, acredite, na maioria das vezes consigo mesmo compreender o que o autor desejou com seu livro, sua história. E tem mais, gosto de conhecer autores de todas as nacionalidades, gosto de penetrar nos universos que fogem de minha rotina. Já li autores espanhóis, italianos, franceses, tchecos, alemães, ingleses, árabes, holandeses, japoneses, e... pasmem! Brasileiros! Não é incrível isso?
Leio, devoro, degusto autores nacionais de vários estilos e épocas. E cada vez que termino um livro de autor nacional paro e penso: Como temos talentos por aqui!!
Anos atrás, tive o grato prazer de conhecer a obra do excelente escritor Josué Montello e ao ler um de seus últimos livros "Uma sombra na parede", pela primeira vez li um romance entre duas moças: Malu e Ariana.Ao término da leitura, parei e pensei: Que puta romance!

Recentemente compareci a um lançamento de livro que me fez ler saborosamente cada frase que compunha a história. Várias vezes me peguei voltando aos capítulos iniciais ou recapitulando o mesmo pelo puro prazer de novamente me deliciar com a bela escrita.
E anos mais tarde, vejo-me com uma história de amor entre duas moças. Dessa vez as protagonistas são: Alexandra e Raissa.
A primeira, uma jovem interiorana que sonha sair das mediações de sua cidade (Teodoro),e ganhar o mundo. Jovem inexperiente, ingênua.
Raissa, uma jovem urbana, vivida, moderna, escritora .
Dois mundos totalmente diferentes entre si mas que pouco a pouco se mesclam e se alimentam numa vivência que, com certeza, enriquecerá a ambas.
Ambientado hora no mundo universitário onde ambas estudam, nos ambientes GLT que Raissa frequenta, hora no mundo simples da cidade de Teodoro.
Algumas vezes confesso que fiquei muito brava com a personagem Alexandra. Sua paralisia, sua negação da realidade, seu desdém com o povo de sua cidade, tudo isso me irritava. Às vezes me pegava brigando em voz alta com a personagem. Isso significa que os personagens foram muito bem desenhados pela autora e tornaram-se verdadeiras diante do leitor - no caso, eu.
Ao término da leitura, já sentia saudades delas e de suas aventuras e desventuras.
(Foto Pedro Mattos Werneck)

Lua de papel, romance da escritora Lunna Guedes tem uma narrativa delicada, lírica, feminina contrariando todo o esteriótipo de que o amor lésbico tenha de ser caricatural, grotesco, masculinizado.
Acompanhar as descobertas de Alexandra, nos leva enquanto leitor, muitas vezes a fazer descobertas em nós mesmo afinal, sentimentos são sentimentos independente do gênero. A paixão, a atração, o querer bem, o desejar alguém. Lunna é uma escritora que trás em sua escrita uma nostalgia que torna a história uma viagem prazerosa. Detalhe: O livro é artesanal e confeccionado pela própria autora. Durante o lançamento, ela foi terminando o livro diante de cada leitor que ali compareceu - o que deu um toque mais que especial ao evento.
Quer ler um trecho do livro? Vem aqui
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terça-feira, 19 de agosto de 2014

Uma viagem estranhumana através dos livros de Stella Maris Rezende

Como cenário, a cidade do Rio de Janeiro, uma cidadezinha do interior de Minas, pinceladas de Brasília e Torino (Itália).
Junte a esses cenários, o período da ditadura militar no Brasil (1965) e três irmãs gêmeas que carregam o fardo de uma maldição que persegue a família por gerações. Ah! E antes que me esqueça, uma personagem pra lá de especial que tem uma participação importante na trama: a cantora italiana Rita Pavone.
Numa realidade estranhumana onde relógios, telhados, chuva, xícaras e tantos objetos inanimados acompanham a saga das irmãs, a história só poderia ser escrita de uma forma criativa. poética e cativante.
A autora, Stella Maris Rezende dá conta dessa tarefa de forma brilhante apresentando-nos um livro que prende o leitor do começo ao fim do último capítulo.
Stella Maris Rezende, mineira de Dores de Indaiá é Mestre em Literatura Brasileira além de desenhista, cantora, escritora e atriz.
Recebeu os maiores prêmios entre eles: João-de-Barro (1986, 2001 e 2008), Bienal Nestlé (1988), Jabuti (2012) na categoria Melhor Livro Juvenil e Livro do Ano de Ficção. 
Eu, particularmente, iniciei a leitura pelo último livro mas acredito que não tenha perdido nada pois são histórias diferenciadas.
Nos três livros, as personagens são da mesma cidade da autora ou seja, da cidade mineira de Dores de Indaiá. Só isso já dá um toque especial para todas.
Desde que me propus a ler livros infatojuvenis para conhecer melhor esse universo e também para me instrumentalizar a escrever resenhas para o site infantil Moleca-Meleca e Moleque Chiclete, fui adentrando um universo muito rico e conhecendo as diversas facetas narrativas de muitos dos autores.
Me encantei com a narrativa de Stella Maris Rezende! É sem dúvida, um dos melhores livros juvenis que li e olha que já li muitos nesses anos todos. Agora, correr pra comprar os outros dessa trilogia Livro estranhumano e conhecer as outras personagens e suas histórias.
Abaixo, alguns trechos do livro pra vocês conhecerem um pouco da narrativa poética de Stella Maris Rezende:
" A grande mesa de fórmica, na qual todos os professores pousavam livros e pastas, agigantava-se diante das carteiras dos alunos da sala de aula das gêmeas. Era uma mesa leve, embora fosse exageradamente grande. Gostava de todos os alunos daquela sala, mas se detinha nas gêmeas, contemplando-as com afinco."

"A poeira atrás do sofá se interessava pela vida das três irmãs, naquela casa habitada pelo destino do dissabor, da tristeza, do assassinato, da vingança, do fracasso, da anunciada desdita."


"A luz gostou de ver as meninas entrando no ônibus. Se pudesse, iria com elas. De certa forma, foi. De um modo difícil de explicar, não as deixou nunca mais. Uma luz estranhumana. Com toda a certeza, poderia ser apagada, esquecida para sempre. Mas enquanto vivia, resplendia. No entanto, não era só ela que se interessava pelas três irmãs."

Sinopse: 

'As gêmeas da família' conta a história das trigêmeas idênticas Verdança, Azulfé e Rosade. Apenas a voz e a expressão do rosto as distinguem, além das cores das roupas que, por associação, ajudaram a formar os apelidos de cada uma. Por promessa da mãe, até completarem 18 anos de idade, a festiva Maria da Esperança precisa se vestir de verde, a serena Maria da Fé só pode usar azul, e a séria Maria da Caridade tem de se contentar com um figurino exclusivamente cor-de-rosa. Adolescentes dos anos 1960 no interior de Minas Gerais, as três garotas compartilham a frustração de não arranjar namorado e a paixão pela cantora pop italiana Rita Pavone - além de uma suposta maldição que paira há gerações sobre todas as mulheres gêmeas da família. Em As gêmeas da família Stella Maris conta o mirabolante plano das meninas de viajar às escondidas ao Rio de Janeiro para conhecer Rita Pavone em pessoa a partir de originais pontos de vista; objetos inanimados, animais de estimação e até elementos da natureza se alternam no papel de narradores testemunhais das desventuras de Verdança, Azulfé e Rosade. A viagem conduz o trio por uma trajetória de descobertas (de si mesmas, da relação entre elas, da afetividade com a mãe) e de amadurecimento pessoal, tendo como pano de fundo um Brasil recém-mergulhado na ditadura militar.

As Gêmeas da Família fecha a trilogia iniciada com A Mocinha do Mercado 
Central e A Sobrinha do  poeta. 


terça-feira, 12 de agosto de 2014

Vidas provisórias: quantas existem espalhadas por esse mundão - sugestão de leitura


Desde que Edney Silvestre se lançou como escritor, tinha uma certa curiosidade em ler seus livros. Aqui na biblioteca onde trabalho temos todos eles mas até então, não tinha lido nenhum. Sempre estando com um livro ou dois já com a leitura em andamento e assim o tempo foi passando. Até que agora em julho, estando de férias em casa, decidi baixar alguns livros em meu tablet. Foi onde vi o livro Vidas provisórias para baixar grátis.
Iniciei a leitura e gostei bastante de ler no tablet e de conhecer o conteúdo da história. Mas qual não foi minha surpresa ao terminar de ler o que tinha baixado e achar que não tinha baixado tudo. E não tinha mesmo! Retornando das férias peguei o livro na biblioteca e reiniciei a leitura e me envolvi com uma narrativa maravilhosa, personagens que me cativaram.

Sinopse: Expatriados, separados no tempo e na geografia, Paulo e Barbara compartilham, além da experiência do exílio, o estranhamento pela perda de suas identidades, o isolamento e a sensação de interrupção do curso normal de suas vidas. Diferentes motivos os levam ao estrangeiro. Em 1970, Paulo, perseguido pela ditadura militar, é preso, torturado e abandonado sem documentação na fronteira, de onde segue para o Chile e depois para a Suécia. Barbara, com uma identidade falsa, deixa o país para trás em 1991 — durante o governo Collor —, fugindo de um rastro de violência, e se instala nos Estados Unidos como imigrante ilegal. Em seu terceiro romance, Edney Silvestre cria um vigoroso retrato das transformações que ocorreram no país e no mundo nos últimos quarenta anos, com uma trama que viaja pelo Chile, Suécia, Estados Unidos, França e Iraque. O autor se vale, com sensibilidade, de sua experiência de onze anos como correspondente baseado em Nova York para revelar o universo dos imigrantes e, ao mesmo tempo, recriar de forma contundente um Brasil visto a distância

O autor consegue através de sua experiência enquanto jornalista, traçar um painel de um Brasil visto do lado de fora por esses personagens que - de uma hora para outra - se veem arrancados de suas vidas, de suas famílias e jogados num país que não é o seu, uma língua que não dominam, costumes diferentes. mas acima de tudo, o que tortura e oprime não só os personagens mas nós leitores também, é a perda de suas identidades.
Lendo esse livro me peguei várias vezes parando e refletindo em como eu reagiria numa situação semelhante. Não tem como saber. Somente passando por isso é que sentiremos na pele e eu, espero nunca passar por isso. Amei os personagens que são cativantes: Paulo, Bárbara, Sílvio, os demais personagens menores mas tão marcantes quanto os principais.
Leitura excelente e já me deu vontade de ler os demais livros dele: A felicidade não é fácil e Se eu fechar os olhos agora.
Aliás, é esse segundo livro que vou ler pois acabo de ver que os personagens principais são os mesmos que aparecem no livro Vidas Provisórias. Que interessante!
Bom essa é minha dica de leitura de hoje. Para mim foi ótima leitura e espero que vocês gostem também.

domingo, 3 de agosto de 2014

Sujeito sem verbo: narrativa impactante


No mês de julho li um livro que me deixou impactada diante de tamanha beleza e crueza sobre a solidão humana. Se pararmos para analisar a fundo, todos sem exceção, somos solitários. A começar pelo nascimento e finalizando com a morte.
Atravessamos uma vida inteira nos iludindo que a solidão só existe no outro. Nunca em nós. Ledo engano!
E pude comprovar das mais variadas formas, a solidão do cidadão nos belos, crus e tocantes contos do escritor Fernando Rocha. O livro já é uma pérola a começar por seu título que já diz muito: Sujeito sem verbo.
Quando recebi pelo correio esse livro vindo do próprio autor, não imaginava o conteúdo da obra. As vezes prefiro assim. Iniciar minha leitura sem nenhum conhecimento e aos poucos descortinar sua mensagem. 
Contos curtos, ágeis mas que nos entrega um cotidiano ácido, sem colorido, sem brilho, comum.
O mais incrível é nos apercebermos que tudo isso é tão próximo de nosso cotidiano.
A diferença é que muitos de nós conseguimos lidar com isso e levar a vida adiante. Outros já não conseguem e perdem pouco a pouco a vontade de viver ou simplesmente vivem a esmo, sem expectativas, sem sonhos, sem planos. Passam pela vida de forma anônima feito fantasmas, quase transparentes, quase miasmas de si mesmos.
A primeira leitura que fiz foi de uma tacada só. 
A segunda leitura, fui fazendo de forma calma, reflexiva, parando em alguns trechos e me pondo a pensar, questionar.
Mesmo após essa segunda leitura, passei alguns dias digerindo tudo aquilo que me tocou profundamente.
Fernando Rocha mostrou que sabe traduzir em palavras suas idéias com maestria, com segurança. Não desperdiça palavras. É certeiro. 
Mostra também que é um autor sensível que capta as emoções no ar, que é um observador nato da natureza humana e expõe de forma lírica as mazelas da solidão.
Sem dúvida, um dos melhores livros que li esse ano! E olha que esse livro é o primeiro livro de contos do autor. Que venham logo os outros! Abaixo, postarei alguns trechos da obra:

"...As lágrimas há muito não a abandonavam, volta e meia limpavam seus olhos e o espírito, o sentimento de não pertencer a si mesma é que a fazia se dar, e se dar tão facilmente, para receber em troca apenas uma sensação de arrependimento que brincava de esconde-esconde."
(Um toque no vazio)

"...O dia no trabalho fora tedioso como quase sempre, ao entardecer. A hora do retorno se aproximava, antes a organização da sua mesa e um até logo para os companheiros de serviço, mas sem obter grande êxito, ouvia o silêncio como resposta."
(A porta)

"...Chegando ao lar, abro a porta do quarto em busca do conforto oferecido aos mortos pelos caixões. Existo quando desisto de insistir em entender os porquês. Guiada pelo som melancólico de minhas canções favoritas, avisto certa semelhança entre minhas lágrimas e a chuva."
(Testamento)

"...Seu desapego era crescente, já não ligava mais para a boa aparência, despia-se de seu formato original para agora repousar no infinito nada, seu último verbo foi chegar, conjugado na primeira pessoa do singular..."
(Sujeito sem verbo)

Por essas pequenas pitadas já deu pra sacar a força narrativa de Fernando Rocha. Essa é minha dica de leitura do dia. Se deseja ler o livro na integra, procure o livro nas livrarias ou pelo site da Editora Confraria do Vento

Fernando, agradeço profundamente o livro enviado por você tão gentilmente. Agradeço a chance de ter contato com a literatura de excelente qualidade que você faz. 
E, por favor, não pare por aí. Quero muitos outros!

Livro: Sujeito sem verbo
Autor: Fernando Rocha
Editora: Confraria do Vento
ISBN: 978-85-60676-73-6
Ano: 2013