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terça-feira, 20 de setembro de 2016

De volta ao pátio do colégio


Aqui na biblioteca onde trabalho, ela é a queridinha das alunas. Thalita Rebouças, sucesso entre a garotada - em especial as meninas. A escritora mergulha no universo adolescente e expõe os conflitos, disputas, inseguranças que permeiam esse momento da vida de todos. Autora dos sucessos Fala sério que incluem Amiga!, Filha!, Irmão!, além de Traição entre amigas, Tudo por um namorado e outros títulos.
O seu mais recente livro Confissões de uma garota excluída, mal-amada e (um pouco) dramática, é uma aventura prazerosa.
Teanira ou simplesmente Tetê, uma garota cheia de problemas de autoestima que passou por sérios ataques de bullying na escola em que estudava. Moradora da Barra da Tijuca, tem sua vida, de uma hora para outra, de cabeça pra baixo: pai perde emprego, casamento está por um fio e todos se mudam para a casa dos avós em Copacabana para tentar sair da crise econômica. Dividindo o espaço com cinco parentes que brigam o tempo inteiro, ela perde suas referências. No meio de tantas coisas ruins acontecendo, ela se apega a única coisa que sabe fazer bem feito e adora: cozinhar!
Colégio novo, novos colegas mas o medo é antigo e acompanha Tetê em seu primeiro dia de aula.
Nessa sua nova fase de vida, a garota vai encontrar amigos de verdade, muitos mal-entendidos, algumas inimigas contudo, descobre o amor incondicional de seus avós, a fortaleza que a habita e que até então não tinha noção e a possibilidade de conquistas em sua vida. Garota divertida, adorei seus pensamentos, sua dramaticidade afinal, como boa canceriana, sou um tantinho assim dramática também talvez por isso, minha identificação com a personagem de Thalita Rebouças. A autora aborda nessa história um tema muito sério que ocorre nas escolas: a violência de determinados grupos com alguns colegas que "saem" do esteriótipo dito "normal". 
Confesso que dei muitas risadas durante a leitura desse livro assim como me emocionei em vários momentos. Ao todo, são personagens reais e não idealizados. Como trabalho nesse universo teen, reconheci vários tipos e todos são adoráveis e fazem desse livro uma viagem maravilhosa com direito a várias receitas de Tetê. Não vou entrar em maiores detalhes para não estragar a surpresa da história. E então? Vai ficar parada (o) aí ou vai comprar logo seu exemplar para ler e se divertir como eu? Garanto que não vai desgrudar os olhos enquanto a história não terminar. Senti através da leitura que entrei no túnel do tempo e me vi ali, cercada da garotada, vivendo todas as aventuras típicas. Essa é mais uma dica de leitura para você, que assim como eu, não tem preconceitos de leituras. Para mim, o importante é dar de cara com uma boa história!E essa, eu garanto que está muito boa!




Título: Confissões de uma garota excluída, mal-amada e (um pouco) dramática
Autora: Thalita Rebouças
Editora: Arqueiro
ISBN: 978-85-8041-579-7
Ano: 2016
Páginas: 272

quinta-feira, 3 de março de 2016

Face emplumada - uma viagem em busca de si mesmo


É um privilégio de poucos, acompanhar o desenrolar do processo criativo de um escritor. Poder observar, mesmo que de longe, os personagens ganhando corpo, tornando-se reais. Melhor ainda, é poder ver esse escritor - antes, tímido, hoje, ousar em seus escritos.
Posso me considerar privilegiada por viver cercada de amigos escritores e usufruir um pouco de suas intimidades e saber sobre o que escrevem antes de todos os seus leitores comprarem o produto final, o livro pronto.
Terminei de ler já faz um tempo, o último livro de Gláuber Soares intitulado Face emplumada, @Link Editora. Ele estava na fila de livros - que cresce a cada dia , aguardando tempo livre para poder escrever sobre minhas leituras. Esse dia chegou.
Primeiro romance de Gláuber, já nos mostra o quanto o autor amadureceu desde sua última publicação, Remédio Forte (2014), aqui já resenhado por mim. Sempre gostei de sua escrita: direta, muitas vezes ácida, urbana. Gosto de me identificar como seus personagens que poderia ser qualquer pessoa com quem  transita nessa nossa louca metrópole chamada de Sampa.

Gostei demais do Guto, personagem central mas, confesso que me encantei com seu Galdino. personagem árido feito seu sertão, misterioso, sábio, trabalhador.

Daltônico, vinte e oito anos, solitário vivendo numa quitinete no centro de São Paulo, sonhador e ao mesmo tempo, um ser humano em busca de si mesmo. Esse é o resumo de toda a história de Guto. Porém, como verdadeiro artesão das palavras e ideias, Gláuber Soares soube, com sensibilidade e maestria, desenvolver uma trama rica em situações que muitas vezes, pode soar como surreais. No entanto, no nosso dia a dia, encontramos situações bem mais bizarras do que o autor expõe no livro. A vida imitando a arte e vice-versa.
Os conflitos que se apresentarão à Guto, durante sua trajetória nos solos semiáridos do nordeste ,mostrarão o quanto a vida pode ser dura, áspera mas, que também nos presenteia com delicadezas e belezas, naturais ou não. O crescimento de Guto enquanto ser humano, é o grande "pulo do gato" que o leitor acompanha passo a passo em uma deliciosa leitura. Ao término de minha leitura, surpreendi-me com um sorriso estampado no rosto e na alma. Meu amigo havia alcançado seu objetivo. Fez uma leitora feliz! E olhe que essa leitora costuma ser exigente!
Ah! Antes que acabe minha pretensa resenha, deixa eu dizer que além de toda a riqueza da história contada, o livro ainda tem um personagem constante na trama: Ziggy Stardust, criação imortalizada pelo David Bowie. Acha pouco ou quer mais? Quer mais? Então passe na primeira boa livraria perto de você e compre já seu exemplar Face emplumada. Gláuber, que venham muitos outros romances do quilate desse!

Essa é minha dica de leitura de hoje.

Sinopse: 
"Gustavo tem vinte e oito anos, é daltônico e vive sozinho numa quitinete na região central de São Paulo. Veio jovem do interior paulista, para estudar e trabalhar. Atualmente é analista financeiro de um banco de investimento, na poderosa avenida Paulista. Amigo da solidão, Guto também tem algo dos heróis desencantados da literatura existencialista de Camus e Sartre: a integridade moral. Sua vida segue sem grandes solavancos, até o dia em que decide viver uma grande aventura: ir de Sampa a Quixadá, no Ceará, atrás de uma garota que nunca conheceu mas não consegue tirar da cabeça. Parte do trajeto ele desbravará de moto. Primeiro romance de Gláuber Soares, Face emplumada narra uma fascinante jornada de autoconhecimento, para bem longe da bolha caótica da civilização. Seguindo um sonho maluco, Guto entrará em contato com as forças poderosas do semiárido nordestino – e por elas será modificado. Uma epifania profana o aguarda no labirinto ensolarado da caatinga. Para povoar essa viagem incomum, o romancista criou uma galeria de personagens inesquecíveis: o cabeleireiro Sandrinho, seu Galdino (o eremita da Fazenda Asa Azul) e sua família, a fisioterapeuta Paula, entre outros. Nessa galeria há espaço até para entidades insólitas, fruto da realidade e da imaginação fértil do protagonista: o roqueiro Ziggy Stardust e a grande coruja branca (rasga-mortalha). Guto é um herói urbano que sente certa ojeriza da metrópole. É um narrador sereno e ponderado, que descreve o mundo à sua volta de maneira objetiva. Mas às vezes delírios e sonhos instáveis assombram essa harmonia, desequilibrando qualquer objetividade. O encontro com as múltiplas formas da natureza áspera − a paisagem seca da caatinga, o preconceito e a hostilidade do mundo rural − será um teste definitivo de caráter e coragem. Teste do qual Guto sairá transfigurado, querendo ou não."

 (texto das orelhas escrito por Nelson de Oliveira)


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Vinte anos sem sua presença


Hoje, logo ao chegar ao trabalho, ligar meu computador e ver as novas do dia, deparei-me com uma reportagem sobre Caio Fernando Abreu. Foi mandada por um amigo que também nutre admiração por esse escritor que tanto me agrada. Lendo a reportagem, vi que hoje, 25 de fevereiro, completa vinte anos de sua morte prematura.
Prematura em todos os sentidos. Morrer aos quarenta e sete anos, é cedo demais. Assim como foi cedo demais calar a voz de alguém que tinha tanto ainda por dizer, tanto por escrever. E se ainda estivesse vivo, quanta matéria bruta para ser lapidada por ele e transformada em contos, crônicas, quem sabe até um romance!
Caio deixou toda uma geração órfã quando partiu. Mas, assim como Fênix, ressurge no cenário literário cada vez mais forte. Principalmente nas redes sociais. As novas gerações estão conhecendo e admirando os escritos atuais, humanos, urbanos que ele deixou. Ao meu ver, não tem como não gostar, não se sensibilizar afinal, Caio fala sobre os conflitos humanos tão comum à todos. Natural que haja uma identificação de imediato. Se você ainda não conhece a obra de Caio Fernando Abreu, hoje é um bom dia para conhecer. Tem muita coisa dele a disposição.
No site LeLivros, você tem acesso a vários livros dele como Morangos mofados, Onde andará Dulce Veiga, Os dragões não conhecem o paraíso, e outros. Vale a pena conhecer. E você? Já conhece a obra dele? Diz para mim.
Enquanto isso, convido a todos para ler minha homenagem que escrevi no meu blog Sacudindo as ideias. Aquela puta amizade que foi sem nunca ter sido

Te espero por lá. 

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Quando uma mentira nasce...



Quem nessa vida não mentiu? Você? Ah mentira!!!
Todo mundo alguma vez já mentiu na vida, em algum momento, em alguma situação. Seja para escapar de algo chato, seja pra driblar a mãe e o pai pra ir naquela baladinha, seja pro namorado, pro marido ou esposa. Seja para o professor, para o chefe. Gentem! Para o chefe! Aliás, esse profissional é um dos que mais lida com a mentira diariamente. Affê!!
Eu mesma não tenho problema algum em confessar que já menti inúmeras vezes. Sem dó na consciência. Pois é!Pois é!Pois é!
Só que com o passar do tempo, com a maturidade e a conscientização do que é certo e do que é errado, a gente vai podando ela - a mentira - de nosso dia a dia.
Mas para algumas pessoas não. Ela torna-se uma aliada, companheira, confidente, uma amiga para todas as horas e lugares. Pessoas assim acabam por se tornar mitômanos e sofrem de Pseudolalia, termo utilizado na psiquiatria. Movidas pela compulsão de mentir, mesmo que sem necessidade. 
O que para muitos é algo sem maiores consequências, para quem é portador desse transtorno, sofre por se ver refém da mentira e suas consequências distanciando as pessoas de si, perdendo empregos, se marginalizando perante a sociedade.
Fiz todo esse discurso, para falar um pouco sobre o livro que terminei de ler. Aliás,minto. Não li, devorei!!!
Oh coisa boa quando a gente se depara com uma ótima história!

O livro foi lançado mês passado, pelo autor Carlos Davissara e se intitula Uma mentira de pernas bem longas.
História infanto juvenil com muito humor, suspense, mistério e uma linda lição de vida para crianças e adultos. Um livro que para mim, não tem faixa etária definida. É leitura para todas as idades.

Carlos se saiu muito bem se arriscando na literatura juvenil. Ao contrário do que se imagina, é muito difícil de se escrever e de convencer. Linguagem dinâmica, leve, personagens verdadeiros. Parece até que fazem parte de sua família. 
Ah! E já ia me esquecendo de falar sobre a qualidade editorial do livro. Sou amante de capas e diagramação de livros. Detesto quando pego um livro e observo uma certa falta de cuidado, conhecimento e carinho para transformar uma bela história, num objeto a ser cobiçado, desejado por ser belo. Esse livro ganha pela estética, pela capa e páginas ilustradas por Ricardo A. O. Paixão, uma fonte utilizada que não cansa a visão...
Olha só como observo tudo num livro hein? Talvez justamente por trabalhar há tantos anos em biblioteca e manuseando tantos livros, adquiri esse olhar mais crítico. O livro passou em todos os testes. 
E então? Gostou? Essa é a dica de leitura de hoje!

Sinopse:


Dizem que a mentira tem pernas curtas, será que é sempre assim? Débora, a menina que protagoniza esta história, descobriu num dia cheio de emoções o quanto essas pernas podem crescer monstruosamente. Aliás, não só as pernas...



Título: Uma mentira de pernas bem longas
Autor: Carlos Davissara
Editora: Penalux
ISBN:978-85-69033-02-8
Ano: 2015
Paginação: 122 p.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Primeiro me deixou sem verbo. Agora, sem fôlego!



Hoje vou falar de um livro que me surpreendeu do começo até sua última frase.
Já conheço o autor e sua escrita e o admiro muito. Conhecia alguns textos dele em revistas literárias e tive o prazer de ler e fazer um texto sobre o primeiro livro publicado Sujeito sem verbo que - fazendo uma trocadilho carinhoso, me deixou sem verbo para expressar o quanto gostei.
Terminei de ler sua mais recente publicação, a novela Os laços da fita.
Quando soube que iria publicar esse livro, não li a respeito mas mesmo assim, como tinha gostado de Sujeito sem verbo, tratei de comprar. Não pude ler de imediato porque estava com outras leituras à frente. Até que, lendo USA Noir (uma coletânea bem extensa mas muito legal), dei um tempo e peguei o livro de Fernando Rocha.
O livro me agradou primeiramente pela beleza estética da capa feita por Ricardo  A. O. Paixão. Sou aficionada em capas de livros! Folheei o livro e gostei da diagramação do texto. Pronto. Me ganhou e iniciei a leitura.
A história gira em torno de uma família esfacelada pela atitude extremada de um deles.
Fernando Rocha consegue passar ao leitor, toda a dor, revolta, tristeza em cada componente familiar.
Emoção nos mais diversos graus e matizes conduz o leitor ao término da novela sentindo ao mesmo tempo um aperto constante no coração e alívio. Literatura que nos faz refletir o cotidiano e o peso que a vida impõe nos corações extremamente sensíveis.
Fiquei comovida porque tive em minha família alguém muito semelhante ao personagem protagonista. Muito comum em todos os tempos.
O autor mais uma vez prova a excelência de sua narrativa. Uma voz que se sobressai entre tantos autores contemporâneos. Vale a pena ler!

Título: Os laços da fita
Autor: Fernando Rocha
Editora: Penalux
ISBN:978-85-66266-99-3
Paginação: 88
Ano: 2014

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Na arena da vida, conheci a delicadeza dos hipopótamos


A literatura tem vários objetivos: entreter, informar, emocionar, incomodar, alertar, fazer pensar.
Alguns escritores escolhem um ou dois caminhos e traça sua trajetória literária. Outros (muitos), optam pelo caminho mais fácil - tanto de reconhecimento quanto de vendagem - e abraçam a emoção fácil e vêm seus livros nas gôndolas saírem feito mercadoria em fim de feira: vendendo à rodo como dizia minha avó. Nada contra, acredito que o escritor deva mesmo ser fiel ao que deseja e seguir em frente conquistando o que sonha e sendo feliz além é claro, de fazer seu leitor feliz. Tenho comigo que exista leitores para todos os estilos literários. E existe uma pequena leva de autores que labutam de forma intensa na busca de lapidar seus textos de uma forma toda pessoal não se preocupando em agradar às massas mas sim, aos leitores que como ele, procura algo mais que frases feitas.
É de um desses escritores que quero falar hoje.
O conheci através do curso de criação literária que fiz em 2010. Depois passei a acompanhar seu blog e pouco a pouco conhecer e admirar sua forma de encarar o mundo e expressar-se. Identificação.
Mês passado, dia 22, tive o prazer de ir ao lançamento de seu romance A delicadeza dos hipopótamos. Quando soube do lançamento, já me deslumbrei com o título que me instigou a curiosidade em saber que delicadeza era essa. Lá mesmo, tratei de passar rapidamente os olhos pelo texto. Gosto de manusear livros e a eterna bibliotecária que me habita começou a agir silenciosamente analisando o livro num todo. Capa, diagramação, papel, fonte...fui percorrendo as frases iniciais e já dentro da condução que me levaria para casa, iniciei de fato a leitura.
Mergulhei de cabeça!
Daniel Lopes desenvolve uma trama das mais ricas que li nos últimos tempos. E olha que leio e muito! Como definir seu livro? Fogem-me as palavras para descrever tão bela, instigante, impactante história. Personagens riquíssimos, conflituosos, humanos. 
Ao ler cada capítulo, me vi muitas vezes encurralada pelo que parecia ser real e o que habitava o interior de cada personagem, que fazia parte daquele pedaço de chão chamado Tamar e que fica próximo a lugar algum. Reconheci muitas passagens que habitam meu eu: bonito, feio, medonho, asqueroso e mais uma vez repito: humano! Ao término do último capítulo me peguei triste ao ter de deixar Tamar, seus hipopótamos. Fechei o livro e lá dentro, ficou um pedaço de mim.
Daniel Lopes tem dois livros anteriores: a coletânea de contos O pianista boxeador, título de seu blog e seu primeiro romance A fruta que comprei pela livraria Cultura e estou no aguardo para receber. Não vejo a hora! 
Para quem desejar conhecer um pouco a linguagem do autor, conheça seu blog Pianista Boxeador
Se você é como eu, um(a) leitor(a) que gosta do desafio, da linguagem diferenciada, de histórias instigantes, da emoção refinada mas densa, eu indico A delicadeza dos hipopótamos.

Sinopse:
Poucas obras merecem ocupar um lugar na linha tênue que une os dois pontos de uma antítese, «A Delicadeza dos hipopótamos», sem sombra de dúvidas é uma delas. O lugar, termo que ao mesmo tempo pode ser palpável e subjetivo, dentro da obra é a mistura da místico-mítica aldeia de Tamar, o bar de Mariano e o interior das personagens, principalmente do protagonista Léo. Jovem que ao regressar para seu espaço físico natal desenterra acontecimentos de dentro do âmbito das sensações e sentimentos, estes como já é sabido, acontecem sempre no agora. O foco narrativo desenvolvido por Daniel Lopes e conduzido por seu narrador-personagem é uma belíssima colcha de retalhos que abriga em si presente e passado sem perder o ponto na costura.

Título: A delicadeza dos hipopótamos
Autor: Daniel Lopes
Editora: Terracota
ISBN: 9788583800189
Ano: 2014

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Vidas provisórias: quantas existem espalhadas por esse mundão - sugestão de leitura


Desde que Edney Silvestre se lançou como escritor, tinha uma certa curiosidade em ler seus livros. Aqui na biblioteca onde trabalho temos todos eles mas até então, não tinha lido nenhum. Sempre estando com um livro ou dois já com a leitura em andamento e assim o tempo foi passando. Até que agora em julho, estando de férias em casa, decidi baixar alguns livros em meu tablet. Foi onde vi o livro Vidas provisórias para baixar grátis.
Iniciei a leitura e gostei bastante de ler no tablet e de conhecer o conteúdo da história. Mas qual não foi minha surpresa ao terminar de ler o que tinha baixado e achar que não tinha baixado tudo. E não tinha mesmo! Retornando das férias peguei o livro na biblioteca e reiniciei a leitura e me envolvi com uma narrativa maravilhosa, personagens que me cativaram.

Sinopse: Expatriados, separados no tempo e na geografia, Paulo e Barbara compartilham, além da experiência do exílio, o estranhamento pela perda de suas identidades, o isolamento e a sensação de interrupção do curso normal de suas vidas. Diferentes motivos os levam ao estrangeiro. Em 1970, Paulo, perseguido pela ditadura militar, é preso, torturado e abandonado sem documentação na fronteira, de onde segue para o Chile e depois para a Suécia. Barbara, com uma identidade falsa, deixa o país para trás em 1991 — durante o governo Collor —, fugindo de um rastro de violência, e se instala nos Estados Unidos como imigrante ilegal. Em seu terceiro romance, Edney Silvestre cria um vigoroso retrato das transformações que ocorreram no país e no mundo nos últimos quarenta anos, com uma trama que viaja pelo Chile, Suécia, Estados Unidos, França e Iraque. O autor se vale, com sensibilidade, de sua experiência de onze anos como correspondente baseado em Nova York para revelar o universo dos imigrantes e, ao mesmo tempo, recriar de forma contundente um Brasil visto a distância

O autor consegue através de sua experiência enquanto jornalista, traçar um painel de um Brasil visto do lado de fora por esses personagens que - de uma hora para outra - se veem arrancados de suas vidas, de suas famílias e jogados num país que não é o seu, uma língua que não dominam, costumes diferentes. mas acima de tudo, o que tortura e oprime não só os personagens mas nós leitores também, é a perda de suas identidades.
Lendo esse livro me peguei várias vezes parando e refletindo em como eu reagiria numa situação semelhante. Não tem como saber. Somente passando por isso é que sentiremos na pele e eu, espero nunca passar por isso. Amei os personagens que são cativantes: Paulo, Bárbara, Sílvio, os demais personagens menores mas tão marcantes quanto os principais.
Leitura excelente e já me deu vontade de ler os demais livros dele: A felicidade não é fácil e Se eu fechar os olhos agora.
Aliás, é esse segundo livro que vou ler pois acabo de ver que os personagens principais são os mesmos que aparecem no livro Vidas Provisórias. Que interessante!
Bom essa é minha dica de leitura de hoje. Para mim foi ótima leitura e espero que vocês gostem também.

domingo, 3 de agosto de 2014

Sujeito sem verbo: narrativa impactante


No mês de julho li um livro que me deixou impactada diante de tamanha beleza e crueza sobre a solidão humana. Se pararmos para analisar a fundo, todos sem exceção, somos solitários. A começar pelo nascimento e finalizando com a morte.
Atravessamos uma vida inteira nos iludindo que a solidão só existe no outro. Nunca em nós. Ledo engano!
E pude comprovar das mais variadas formas, a solidão do cidadão nos belos, crus e tocantes contos do escritor Fernando Rocha. O livro já é uma pérola a começar por seu título que já diz muito: Sujeito sem verbo.
Quando recebi pelo correio esse livro vindo do próprio autor, não imaginava o conteúdo da obra. As vezes prefiro assim. Iniciar minha leitura sem nenhum conhecimento e aos poucos descortinar sua mensagem. 
Contos curtos, ágeis mas que nos entrega um cotidiano ácido, sem colorido, sem brilho, comum.
O mais incrível é nos apercebermos que tudo isso é tão próximo de nosso cotidiano.
A diferença é que muitos de nós conseguimos lidar com isso e levar a vida adiante. Outros já não conseguem e perdem pouco a pouco a vontade de viver ou simplesmente vivem a esmo, sem expectativas, sem sonhos, sem planos. Passam pela vida de forma anônima feito fantasmas, quase transparentes, quase miasmas de si mesmos.
A primeira leitura que fiz foi de uma tacada só. 
A segunda leitura, fui fazendo de forma calma, reflexiva, parando em alguns trechos e me pondo a pensar, questionar.
Mesmo após essa segunda leitura, passei alguns dias digerindo tudo aquilo que me tocou profundamente.
Fernando Rocha mostrou que sabe traduzir em palavras suas idéias com maestria, com segurança. Não desperdiça palavras. É certeiro. 
Mostra também que é um autor sensível que capta as emoções no ar, que é um observador nato da natureza humana e expõe de forma lírica as mazelas da solidão.
Sem dúvida, um dos melhores livros que li esse ano! E olha que esse livro é o primeiro livro de contos do autor. Que venham logo os outros! Abaixo, postarei alguns trechos da obra:

"...As lágrimas há muito não a abandonavam, volta e meia limpavam seus olhos e o espírito, o sentimento de não pertencer a si mesma é que a fazia se dar, e se dar tão facilmente, para receber em troca apenas uma sensação de arrependimento que brincava de esconde-esconde."
(Um toque no vazio)

"...O dia no trabalho fora tedioso como quase sempre, ao entardecer. A hora do retorno se aproximava, antes a organização da sua mesa e um até logo para os companheiros de serviço, mas sem obter grande êxito, ouvia o silêncio como resposta."
(A porta)

"...Chegando ao lar, abro a porta do quarto em busca do conforto oferecido aos mortos pelos caixões. Existo quando desisto de insistir em entender os porquês. Guiada pelo som melancólico de minhas canções favoritas, avisto certa semelhança entre minhas lágrimas e a chuva."
(Testamento)

"...Seu desapego era crescente, já não ligava mais para a boa aparência, despia-se de seu formato original para agora repousar no infinito nada, seu último verbo foi chegar, conjugado na primeira pessoa do singular..."
(Sujeito sem verbo)

Por essas pequenas pitadas já deu pra sacar a força narrativa de Fernando Rocha. Essa é minha dica de leitura do dia. Se deseja ler o livro na integra, procure o livro nas livrarias ou pelo site da Editora Confraria do Vento

Fernando, agradeço profundamente o livro enviado por você tão gentilmente. Agradeço a chance de ter contato com a literatura de excelente qualidade que você faz. 
E, por favor, não pare por aí. Quero muitos outros!

Livro: Sujeito sem verbo
Autor: Fernando Rocha
Editora: Confraria do Vento
ISBN: 978-85-60676-73-6
Ano: 2013

domingo, 22 de junho de 2014

Plural - espaço para o escritor contemporâneo

Para quem gosta de ler revistas literárias, aqui vai uma dica muito legal. Revista Plural. Nela podemos adentrar diversos universos literários. Artigos,contos, crônicas, poemas. Na edição de maio, faço uma participação com um conto meu. É minha segunda participação. O que me deixa muito orgulhosa pois estou ao lado de uma galera pra lá de talentosa. Venha conhecer!






Breve histórico

Revista Literária Plural - é uma revista literária que promove o encontro entre artistas e arteiros – que visa partir do objeto singular (o autor) para alcançar o objeto plural (o leitor)como se fossem sementes espalhadas pelo chão em plena primavera… Logo, é como acreditar que cada olhar é um pássaro a espalhar o singular que parte de seus autores, fundadores, residentes e colaboradores e suas “escrivinhações”: poemas, contos, artigos, crônicas, resenhas e cartas…

 A história 
Essa é a segunda vez que Lunna Guedes se aventura pela arte de produzir uma revista alternativa – partindo do formato artesanal –, sempre com o objetivo de fazer desse elemento impresso ou virtual uma espécie de território de convívio comum para as letras.

 Na primeira ocasião, a Revista Perspectivas foi criada para ser breve – quatro edições apenas onde muitos elementos se embrenharam a partir da proposta – remover o individuo de sua condição de conforto através de uma escrita aguda, pouco silenciosa.

Em seguida, surgiu o projeto Mostra Plural que teve quatro publicações no ano de 2012. Tudo em caráter experimental, sem idéias prontas ou formatos definidos. Em 2013 o projeto passou a ser apenas Plural – mas o caráter experimental permaneceu...
A revista conta hoje com colunistas fixos: Ana Claudia Marques, Luciana Nepomuceno, Raquel Stanick, Suzana Guimarães, Tatiana Kielberman, Tha Lopes… Além das participações de escritores sempre interessados em fazer desse cenário um horizonte para os olhos.
 Se desejar pode acompanhar a revista através do blog Plural

quarta-feira, 5 de março de 2014

Na dúvida sobre o que ler? Remédio forte!


Em 2010 tive o prazer em fazer o curso Prática de Criação Literária promovido pela Editora Terracota juntamente com a Universidade Cruzeiro do Sul.
Foi sem dúvida, um divisor de águas em minha vida literária. Sempre gostei de escrever mas tinha um certo acanhamento em mostrar meus escritos aos outros. Era um misto de timidez, ciúmes e medo do que poderiam pensar sobre o que escrevo. Mas fazer esse curso me deu uma abertura para ousar mais, conhecer os diversos gêneros literários além, é claro, de aprender a lapidar um texto. Seja ele um conto, uma crônica, um poema ou um romance. Estou longe de ser uma exímia escritora mas hoje sou bem melhor do que em 2010. Toda essa introdução, foi pra falar um pouco sobre um de meus colegas de curso que já, naquela época de curso demonstrava seu potencial literário.
Dia 22 passado, fui ao lançamento de seu primeiro livro de contos e como passei esses dias de Carnaval de repouso por conta de minha queda, aproveitei para ler o livro Remédio Forte, de Gláuber Soares.
Passei uma tarde inteira me deliciando com seus contos.
Como também escrevo contos e adoro personagens do cotidiano, mergulhei com um prazer intenso em suas narrativas ágeis, enxutas, dinâmicas. Vários de seus personagens me soou familiar afinal, quem não conheceu uma mulher guerreira que sempre se dedicou a seus familiares e que agora ao fim de sua vida se vê jogada num asilo para idosos (Remédio forte), ou já não teve a experiência de ir a um mega show de sua banda favorita relembrando passagens de sua vida  (Um, dois, três, quatro...). Amei relembrar aqui meu debut em shows sendo o primeiro, Queen, minha banda favorita até hoje. 
Me diverti acompanhando a crise de identidade do número 5 no delicioso conto (Cinco menos fora nada).
A emoção tomou conta de mim ao ler o belo texto (Jaboticabas no Éden) que trata do encontro sensível entre crianças de 7 anos que perdurou na memória do menino pro resto de sua vida. Confesso que meus olhos se encheram de lágrimas nesse!
Dei boas risadas acompanhando os desencontros num relacionamento. Ah! O pensamento do homem e o pensamento da mulher! Sempre entrando em desalinho. Mas quem vive uma relação ou já viveu vai compreender muito bem as experiências vividas no texto (Primeiro round) pelo casal.
Nascido em Itabuna (BA), o autor soube com maestria descrever o Carnaval baiano no delicioso conto 
(O Pelourinho é logo ali). A gente se desloca para as ladeiras ouvindo o som contagiante dos atabaques, sentindo o cheio da comida baiana, o burburinho incessante dos turistas pelas ruas. É bom demais!
É um desfile de personagens e situações que além de nos entreter, nos força a refletir sobre a natureza humana. Sem dúvida, Gláuber foi super feliz na escolha dos contos e do título para seu livro. Remédio forte é o contato com as experiências humanas que nos tornam melhores ou piores dependendo de nossas escolhas na vida. Para mim, foi um remédio que além de me ajudar a passar o tempo ocioso diante de minha perna machucada, ajudou a tratar algumas feridas interiores fazendo-me refletir sobre algumas questões humanas.
Remédio Forte, esse eu altamente recomendo!


Livro: Remédio forte
Autor: Gláuber Soares
Editora: Terracota
113 p.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Remédio forte

Oi pessoal! Hoje divulgo o lançamento de livro de um amigo pra lá de especial e que vale a pena conferir.
Eu estarei lá !


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Os injustiçados escritores nacionais

Sou o que podemos chamar de leitora sem (ou quase) preconceitos. Movida pela curiosidade em conhecer autores e suas obras, ainda me pego supresa quando vejo o quanto nossos escritores nacionais ainda são objetos de preconceito. Trabalhando há mais de vinte anos em bibliotecas, me espanto quando, ao sugerir alguns autores, vejo as pessoas torcerem o nariz. Pôxa vida! As pessoas nem ao menos conhecem o autor e sua obra e já viram o rosto numa demonstração clara de renegar nossos talentos. Talentos, diga-se de passagem, que na maioria das vezes dão de dez a zero em muito lixo estrangeiro que nos fazem engolir nas livrarias. Agora me pergunto: por que? Por que se negar a ler um autor se nem ao menos conhece seu estilo, sua trajetória de vida literária, seu reconhecimento? Tenho verdadeiro carinho, admiração, respeito por autores como João Ubaldo Ribeiro, Luis Fernando Verissimo, Carlos Heitor Cony, Fernando Sabino. Isso sem contar com nossos autores clássicos como Machado de Assis, José de Alencar entre outros. E também sem contar com nossas escritoras como Clarice Lispectos, Cecília Meirelles, Nélida Piñon e tantas outras que não caberiam aqui. Mas hoje, apesar de gostar demais dos demais autores que falei acima, quero falar um pouco sobre um determinado autor que li, gostei demais e não me conformo com sua invisibilidade perante a maioria dos leitores: Josué Montello.
Sempre que falo sobre ele para alguém, sempre ouço: Quem? Nunca ouvi falar! Nunca li nada sobre ele ou dele. Tomei conhecimento desse autor, quando estava na sétima série do antigo ginásio. A professora deu o livro O labirinto de espelhos. Gostei tanto que nunca mais me esqueci dele. Passado muitos anos, já adulta e trabalhando em biblioteca, tive contato com um professora que era fã desse autor e conversando com ela, me indicou outros títulos para ler. Na sequência li Antes que os pássaros acordem, depois Uma sombra na parede, a seguir Enquanto o tempo não passa, A viagem sem regresso e por último li A última convidada. Ainda tenho muitos títulos dele para ler, inclusive seu livro mais famoso Noite sobre Alcântara. Montello é um mestre da narrativa. Seus personagens são riquíssimos e muito bem estruturados. Tanto que você esquece que são apenas personagens fictícios e se apaixona verdadeiramente por eles. Passam a fazer parte de sua vida. Legal isso não? Suas mulheres são inesquecíveis: Ariana, Edméia, Isabelle, Patrícia, Simone. Essas são apenas algumas das inúmeras mulheres de Montello. Fascinantes, perturbadoras, humanas. E as paisagens de suas histórias então? Montello tem um talento para descrever a cultura e a geografia maranhense. Sem dúvida, um autor injustiçado nesse imenso painel literário. Convido a todos para ler algum dos livros dele. Depois me digam suas impressões. Tenho ceteza que vão gostar. Assim como eu gostei!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Retomei o prazer da leitura com esse livro


Quando li sobre o lançamento do novo livro de Jô Soares, As esganadas, fiquei naturalmente curiosa pois sou fã de sua narrativa. Quando o li pela primeira vez, O Xangô de Baker Street, fiquei fascinada pela facilidade em mesclar situações históricas e personagens veridicos com ficção. Gostei muito também de sua forma leve e seu humor inteligente que já é uma marca registrada há muito tempo. Em seguida, quando lançou O homem que matou Getúlio Vargas, pensei com meus botões: será que ele conseguirá manter o ritmo do outro livro ou será uma cópia do que já se escreveu? Mais uma vez me diverti lendo as peripécias e desastres do assassino profissional mais desastrado da história: Dimitri Borja Korozec. Ri até ficar em cólicas com suas trapalhadas e sua obstinação em querer matar o presidente. Quando lançou Assassinatos na Academia Brasileira de Letras, mais uma vez adentrei seu mundo fictício mesclado com passagens históricas e um Rio de Janeiro maravilhoso de se vivenciar. Principalmente para quem não teve a oportunidade de conhecer a cidade maravilhosa em seus áureos tempos onde a intelectualidade fervia pelas ruas da cidade. E agora, ao chegar às minhas mãos o mais novo livro dele, literalmente devorei cada página de sua história. E mais uma vez comprovei a astúcia, a inteligência e o dom literário de Jô em desenvolver histórias plausíveis de se acontecer em qualquer parte mas que, como sempre, tem a cidade do Rio de Janeiro como pano de fundo. E porque não dizer como personagem principal afinal, está presente em todos os momentos do livro. Jô resgata ruas, lugares que foram point no passado e que muitas vezes nunca ouvimos falar a não ser que se pesquise como ele próprio deve ter pesquisado e muito.
Bom, como bibliotecária e pesquisadora amadora mas apaixonada, devo confessar que isso me fascina. E os personagens Tobias Esteves, um investigador português que vem parar por aqui, um Sherlock Holmes das terras lusitanas, o delegado sempre ranzinza, a jornalista moderninha e feminista, as vítimas que são sempre personagens interessantes e todo o clima que envolve o romance são um convite para a leitura. Cheguei a ler numa resenha feito em um determinado blog que Jô pecou ao revelar logo de cara o assassino. Discordo afinal, a inteligência de Jô está justamente em desenvolver as tramas paralelas de forma surpreendente e assim, o leitor se vê envolvido e vai até o final do livro. É isso. Deixo aqui meu parecer sobre esse livro e indico para todos que gostam de uma leitura inteligente e bem humorada. Salute Jô!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Autores independentes podem editar livros sem custos

Pensando em atender aos escritores que desejam publicar um livro, nasce o PerSe, portal de publicação para autores independentes. Através dele, é possível editar um livro totalmente sem custos, disponibilizá-lo para comercialização na
livraria eletrônica do PerSe em e-book ou com impressão dos exemplares sob demanda. O processo é simples. O autor define as características físicas do livro, como formato, acabamento, papel de miolo e cores. Depois sobe o arquivo para o sistema do PerSe e cria a capa. Em seguida, define o preço de venda e estabelece quanto quer ganhar de royalties. Os blogueiros também poderão diagramar e publicar livros.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Duas sugestões de leitura

Vamos sacudir a preguiça que se instala no final de ano e começar a escrever pra valer.
Faz tempo que não falo nada a respeito das minhas leituras. No segundo semestre, como estive mais ocupada com meus afazeres da escrita da pós, acabei deixando de lado minhas leituras. O que me deixou um pouco triste afinal, recebendo livros novos a todo momento aqui na biblioteca, não deu outra: fui ficando ansiosa vendo tantos títulos legais chegando e eu não podendo ser a primeira a ler. Mas de qualquer forma consegui ler alguns. E é sobre eles que vou falar agora.
O primeiro que peguei (dos dois) assim que chegou foi Fora de Mim, de Martha Medeiros. Acompanho essa escritora já há um tempo e adoro todas as crônicas dela. Esse livro em questão é um romance. Nele, a personagem passa pela experiência dur
o de ser largada pelo marido. A dor da separação, a constatação de que já não há um par, a certeza de que aqueles momentos felizes não voltarão mais, a dor da rejeição. Tudo isso relatado num ritmo frenético. Exatamente como está o interior da personagem. Leia a sinopse:

Em Fora de mim, a autora vai ainda mais fundo na descrição de sentimentos universais provocados por essa perda, comparada por ela a um acidente de avião, em que os sobreviventes "percebem a perda de altitude, a potência enfraquecida das turbinas e o desastre iminente, até que acontece a parada definitiva da aeronave, (...) e sobe do chão um silêncio absoluto, (

...) a quietude amortizante de quem não respira, não pensa, não sente nada ainda."

A autora inicia sua narrativa visceral no instante da despedida, da queda, do fim trágico, nem além nem aquém da dor maior: quando se tem a certeza de que não há mais volta. Aos poucos, o leitor vai compreendendo como tudo aconteceu, como tudo afinal foi ficando fora de controle.

Recém-separada de um casamento longo e pacífico, a protagonista se apaixona loucam

ente, embora não cegamente, por um outro homem, de personalidade conturbada, com quem vive uma intensa paixão. Consciente do mergulho, a mulher pressente que no fundo daquela relação só acabaria encontrando a escuridão da dor. Mesmo assim, dá o salto. E perde.

A entrega aqui é um vício sem saída.

O segundo livro foi Um erro emocional, de Cristovão Tezza.

Como já havia lido do mesmo autor O filho eterno e simplesmente fiquei extasiada com a forma de sua escrita, assim que chegou esse outro título dele, tratei de pegar para ler.

Confesso que li numa tacada só assim como o da Martha Medeiros. Com um diferencial: são escritas tão diferentes uma da outra, que as emoções fluem de uma maneira louca e absurda.

Com o livro da Martha, numa linguagem mais direta sobre as emoções à flor da pele quando se perde um grande amor, me senti retratada.

Afinal, quem nessa vida já não entrou com a bunda e seu

parceiro com o pé? Dói pra burro! Já no livro de Cristovão, fala-se de emoção também. Assim como fala de interiorização de cada personagem, seus pensamentos mais íntimos, suas "encanações", sua solidão.

Sei que a forma dele escrever não agradará a todos os leitores. Principalmente aqueles que gostam de linguagem direta. Sua escrita é mais subjetiva, dá mais voltas, mas é de uma riqueza que me agrada muito. Aprecio de fato a maneira que Cristovão Tezza escreve. Sem dúvida, já se tornou um de meus escritores contemporâneos preferidos.

Leia a sinopse:

Em Um Erro Emocional, Tezza apresenta a conflituosa relação entre Paulo e Beatriz, um escritor e sua leitora. O livro começa com uma declaração, uma frase truncada: "Cometi um erro emocional." É o ponto de partida para um mergulho em lembranças nem sempre agradáveis. Logo, Paulo e Beatriz vão se tornar cúmplices.

E é isso pessoal. Fica aqui minhas sugestões para iniciar um ano que, espero, seja rico em muitas leituras.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Adoro relações. Relações de sangue então...nem me fale!



Você já se imaginou percorrendo tranquilamente pelas ruas de São Paulo e de um momento para outro ver sua vida virada de cabeça para baixo? Já se imaginou envolvida por seres considerados mitológicos, pura ficção e repentinamente se ver rodeada por uma série deles?E se descobrisse que uma amiga sua também faz parte dessa tribo digamos...de hábitos noturnos? Consegue imaginar tudo isso? Mas creia: isso tudo pode acontecer e de fato acontece com Maria Clara Baumgarten, uma jovem de hábitos normais, rotina normal como qualquer outra pessoa dessa grande metrópole e que de repente vê sua vida transformada após conhecer de uma maneira bizarra, uma jovem de olhar inocente, tipo mignon, frágil, mas que esconde uma verdade que dificilmente um ser humano poderia imaginar ou suspeitar: Lucila é uma vampira! A partir daí, Clarinha não terá um minuto de sossego e terá que ter muito jogo de cintura, perspicácia e atenção pois qualquer deslize e ela poderá ser vítima de um louco de hábitos vampirescos ou mesmo servir de iguaria para um vampiro de verdade.
Sendo uma apreciadora desse tema, já li muitas coisas. De Entrevista com o vampiro de Anne Rice, passando por Os Sete, O Sétimo e demais títulos de André Vianco, circulando pela série Crepúsculo de Stephenie Meyer com seus vampiros teens, se deliciando com a vampira Miriam Blaylock, do clássico Fome de Viver, de Whitley Striber e tantos outros títulos que surgiram após a febre de Crepúsculo. Tive imenso prazer em ter em mãos e ler de forma orgástica o livro de Martha Argel Relações de Sangue. Incrível e talvez imperdoável que sendo uma bibliotecária e trabalhando em contato direto com livros e lançamento dos mesmos, eu não tenha reparado nesse título muito menos nessa autora. Não tem problema, para tudo se tem jeito e, nesse caso, minha reparação será feita agora através dessa resenha. Acredito que somente agora me encontrava em condições de receber esse livro e absorvê-lo no seu todo de forma a compreendê-lo e aproveitar o máximo de sua história e personagens.
Meu primeiro contato com Martha Argel foi através de seu blog que conheci, gostei e deixei um comentário no qual ela me respondeu conhecendo também meu blog e deixando um comentário seu registrado lá. A seguir, recebi um outro comentário pedindo meu e-mail pessoal para futuros contatos. Passado algum tempo, eis que recebo uma mensagem sua me falando de seu livro que ela relançaria na Bienal próxima em São Paulo. Meu contato foi direto com Maya, uma garota super simpática, que trabalha na Editora Giz. Infelizmente não consegui ir a editora na tarde em que Martha recebeu os demais blogueiros que ali estiveram para receber seu kit Martha Argel. No entanto, dias depois estive lá e pude pegar meu livro. Na mesma tarde iniciei a leitura e simplesmente embarquei na história que tem uma dinâmica incrível. Martha consegue dar vida aos personagens e transmite-nos uma imagem quase que em 3D de tão real que é. Ao terminar a leitura, permaneci um tempo analisando meus sentimentos com relação a história que havia acabado de ler. Não deu outra: virei definitivamente fã dessa autora! E quero mais histórias dessas personagens maravilhosas! Que Anne Rice, que Sthephenie Meyer, que P. C. Cast! Temos escritores talentosíssimos por aqui em terras tupiniquins e que dá de dez a zero nesse pessoal. Veja o próprio exemplo de Martha Agel, de André Vianco, de Giulia Moon e tantos outros que ainda se encontram no anonimato mas que já carregam um séquito de fãs de suas histórias fantásticas, com conteúdo e muito , mas muito bem escritas.
Esse é o recado que deixo a todos que por aqui passam e que curtem uma boa leitura. Leiam mais autores nacionais. Leiam os livros de Martha Argel. Aliás, já que no momento falo dela, indico não somente esse livro Relações de Sangue, mas indico também, outro que iniciei a leitura e que já me sinto fisgada. O título é O Livro dos Contos Enfeitiçados. Tem cada história! Só lendo pra crer. Adorável!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Cordilheira: uma viagem diferente a uma Buenos Aires não turística


Sempre digo que as coisas não são meras coincidências e que nada acontece ao acaso. E isso também se reflete nos livros que leio. Acredito que já expressei por aqui o que penso sobre os livros. Se não falei falo agora: Acredito piamente que não sou eu que escolhe o livro para ler mas sim, os livros é que me escolhem. E foi o que aconteceu com mais esse livro que terminei de ler.
Antes de sair em férias, já estava com meus livros escolhidos separados para levar para casa. Separei os seguintes títulos: Lis no peito: um livro que pede perdão, de Jorge Miguel Marinho, A elegância do ouriço, de Muriel Barbery, Os 13 porquês, de Jay Asher e a série Um mistério de Sally Lockhart, de Philip Pullman (dois livros). Para curtir os 30 dias de férias estava de bom tamanho não é mesmo? No entanto, no último dia antes de sair de férias, um funcionário veio devolver um livro qu tinha lido e, como sempre trocamos figurinhas sobre os livros lidos, ele me perguntou se já tinha lido aquele. Ao ver qual livro era, respondi em negativo. O funcionário me olhou nos olhos e disse:
- Roseli, gostando de ler como você gosta, não pode deixar de ler essa história. Você vai adorar. Leve para as férias.
Na hora me empolguei afinal, sou fominha com relação a livros, juntei à minha lista de livros e levei-os para casa e nem dei tanta atenção a ele. Ao retornar de minha viagem a Buenos Aires, estava eu deitada em minha cama quando olhei a pilha de livros e, ao invés de terminar de ler o livro A mulher do viajante no tempo que já estou enrolando faz tempo, meus olhos caíram direto no título Cordilheira, de Daniel Galera. Exatamente o livro que aquele funcionário havia me sugerido ler. Dei uma lida na sinopse, nada de mais. Li a orelha do livro, também nada de mais.
Mas algo me chamava para sua leitura e assim, me deixei seduzir e iniciei sua leitura.
Li esse livro em dois dias e teria lido em menos tempo se não tivesse visitas em casa e outros afazeres a cumprir. Não preciso nem dizer que fiquei em cólicas pois queria muito retomar a leitura do livro e ver seu final mas sempre tinha algo que me impedia de ler.

Sinopse:
Recém saída de um relacionamento amoroso e ainda sob o impacto do suicídio de uma amiga, uma escritora resolve aproveitar o lançamento da tradução argentina de seu romance, considerado por público e crítica uma das melhores surpresas da nova literatura brasileira, para passar uma temporada em Buenos Aires.
A trama de Cordilheira gira em torno de um recomeço: ao se envolver com um misterioso fã argentino e conviver com seus amigos de hábitos bizarros, Anita começa a deixar o passado para trás e a se tornar algo que ainda não sabe bem o que é. É também uma reflexão um pouco irônica sobre vida e arte, seus limites nem sempre definidos e a maneira como essa sobreposição, em meio aos sonhos e impasses de quem cedo ou tarde precisará enfrentar a realidade, pode acabar mudando os destinos individuais.

É interessante pois através da trama de Cordilheira, retornei a Buenos Aires e percorri junto a Anita e demais personagens as ruas dos bairros de Palermo, Recoleta, San Telmo e o microcentro de Buenos Aires onde fiquei hospedada e no qual caminhei bastante por suas ruelas estreitas e movimentadas. Num ritmo as vezes ágil, as vezes lento conforme o estado de espírito da personagem Anita, o livro vai se revelando algo maior do que se imagina a princípio. É um esboço de uma geração de pessoas perdidas de si mesmos e que buscam de alguma maneira, uma razão para continuarem a viver. Ou não.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Uma manhã falando sobre Aqueles cães malditos de Arquelau



Dia 18 desse mês, o colégio recebeu a visita do escritor Isaias Pessotti para um bate-papo com os alunos do primeiro ano do ensino médio que leram o livro Aqueles cães malditos de Arquelau. Sobre esse autor, já havia falado dele aqui mas abordado outro livro, A Lua da verdade.
Aqueles cães malditos de Arquelau foi o primeiro livro que li desse autor quando ainda fazia faculdade. Uma colega que gostava bastante de ler comentou comigo sobre o livro e perguntou se tinha interesse em ler. Não precisa nem dizer que quis, não é mesmo? O livro me pegou de imediato mas devo dizer que não é um livro tão fácil assim de se ler. Isaias Pessotti é uma pessoa extremamente culta, filósofo e psicólogo de formação além de um amante confesso da história italiana. Uma história muito bem desenvolvida com personagens enigmáticos e encantadores que nos seduzem logo que iniciada a leitura. Quando disse que o livro não é tão fácil de se ler, quis dizer que, para uma pessoa que não tenha uma bagagem boa de conhecimento, principalmente histórico, fica difícil de entender a trama. Mas, de qualquer forma, o livro é rico em tramas, mistérios, amores impossíveis e uma personagem linda, sedutora e envolvente que é a própria Itália e seus costumes e tradições. Em alguns capítulos, Pessotti nos narra a delícia de saborear "una pasta", un risotto nero, bebericando un Gattinara.
A história se passa entre os idos dos anos 60 em Milão onde jovens estudantes do Instituto Galilei se deparam com um inédito manuscrito do século XV.
Através de uma investigação aprofundada de dar inveja a qualquer romance policial, vão decifrando todo mistério que circunda a figura do bispo vermelho que estudava as tragédias gregas e chamava Eurípedes de "Cavaleiro da Paixão".
Alias, a paixão permeia a tudo e a todos: amor por uma mulher, por um pensador esquecido, por uma vida original livre da mediocridade, da prepotência, a paixão pelo conhecimento.
Este livro recebeu o prêmio Jaboti 1994 como livro do ano e em 2005 foi eleito por um juri de críticos literários e jornalistas de todo o país como um dos quinze melhores romances brasileiros dos últimos quinze anos. É pouco ou quer mais? Já li essa história duas vezes e continuo encantada com ela. Talvez eu parta para a terceira releitura e tenho certeza que lerei como se fosse a primeira. Para encerrar, devo dizer que fiquei encantada com o escritor pois ele é de uma simpatia sem igual. Como disse uma aluna ao se despedir dele:

- Preciso dar um abraço nele pois ele é muito fofo!

Fica aqui a minha dica de leitura. Já havia falado sobre ele no blog O Que Elas Estão Lendo, da Georgia e da Flavia mas é sempre bom falar desse livro e indicá-lo a todos.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Tatiana Busto Garcia lança seu primeiro romance


Livro novo surgindo na praça!

Nesta sexta-feira (26), uma nova escritora faz a sua estreia na literatura adulta: Tatiana Busto Garcia apresenta seu romance Cartas ao cão (Sá Editora, 288 pp., R$ 33) a partir das 18h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073 - Loja 151 - Artes - São Paulo/SP – Tel.: 11 3170-4033). No livro, Tatiana conta duas histórias – uma que se passa na São Paulo de hoje e outra na cidade de Santos 20 anos atrás. As protagonistas - uma mulher e de uma menina - são observadoras e cheias de devaneios e procuram seu lugar no mundo. Para dar vida aos personagens, criou um site onde o leitor encontra as músicas citadas no livro, o primeiro capítulo e muito mais. Leia mais

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Escritor brasileiro leva o Prêmio Portugal Telecom de Literatura

(Foto de Luciana Prezia)
Artista plástico e escritor, Nuno Ramos foi o primeiro colocado na sétima edição do Prêmio Portugal Telecom de Literatura por seu livro Ó (Editora Iluminuras, 289 pp., R$ 44), recebendo o prêmio no valor de R$ 100 mil. Quarto e mais radical livro de Nuno, reconhecido internacionalmente como um dos grandes nomes da arte contemporânea brasileira, Ó traz as marcas das leituras preferidas de Nuno, do alemão W. G. Sebald (1944-2001) ao austríaco Thomas Bernhard (1931-1989), passando pela filosofia do francês Montaigne (1533-1592) e do norte-americano Ralph Waldo Emerson (1803-1882). Após receber o prêmio por Ó, Nuno Ramos anunciou para 2010 um livro de poesia, afirmando que vê com naturalidade a migração para a arte literária, uma vez que seu trabalho visual faz uso frequente das palavras como meio de expressão. Leia mais
(Notícia retirada do Publishnews, 12/11/09)