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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Eterno pesar

Um minuto. Apenas um minuto é o suficiente para mudar o curso da vida. Não de uma vida mas, de muitas vidas.
E o que vale uma vida hoje? Qual seu valor de mercado? Um celular? Uma nota de dez, vinte, cem reais? Uma trepada não consentida? Uma opinião diferente da sua? Você ser do time adversário?
Quanto vale uma vida hoje? Quanto ela valia ontem ou no século passado?
Tais questões filosóficas passam rápido por minha mente toda vez que ouço ou leio alguma reportagem desse tipo.
Não sou adoradora da desgraça alheia. Muito pelo contrário, fugo de programas que exploram tragédias pessoais. No entanto, não tem como fugir delas principalmente quando tomam proporções gigantescas como foi o caso da menina Isabella, do empresário esquartejado pela esposa, dos pais que foram mortos pela própria filha e tantos outros casos que não temos por onde escapar. Ouvimos sobre eles em toda parte. Na condução, na fila de banco, no consultório médico, no salão de cabeleireiro através da manicure que ama falar da vida alheia e que, ao narrar os acontecimentos, seus olhos ganham um brilho anormal.
Acho graça ao mesmo tempo que lastimo ver o quanto a vida da maioria das pessoas são pobres e que a desgraça alheia dá um pouco de coloridio às suas desbotadas vidas.
Era muito jovem e ainda não me ligava às coisas da vida adulta quando aconteceu o assassinato de Claudia Lessin Rodrigues. Lembro-me perfeitamente da comoção nacional que foi. E olha que naquela época ainda nem existia a internet! Como em casa meu pai não permitia que assistíssemos essas notícias escabrosas, muita coisa só vim a saber bem mais tarde, já na fase adulta. Por um lado foi boa essa preocupação de meus pais em preservar nossa inocência diante de coisas tão brutais.
Hoje, observa-se uma banalização da violência. As crianças desde a mais tenra idade convivem até com uma certa naturalidade com o bombardeio de tantos acontecimentos violentos que ocorrem em nossa sociedade. Até acham graça e fazem piadas sobre fulano ou sicrano que barbaramente foi assassinado.
Piadinhas infames brotam nas redes sociais toda vez que algo incomum acontece. Pessoas têm verdadeiro prazer em ver fotos de corpos dilacerados, cérebros estourados, membros esquartejados. Vivemos numa sociedade que tem um prazer mórbido por sangue. E nem vampiros a lá Anne Rice somos.
Infelizmente somos piores! E rodei, divaguei por todas essa minhas linhas filosóficas para lamentar mais um infeliz acontecimento que ouvi logo pela manhã: a intolerância movendo um vizinho a cometer duplo homicídio e logo em seguida se matar. Duas vidas exterminadas por não saberem viver em sociedade, não entendendo que o seu direto acaba onde começa o direito do seu próximo. Observem comigo quantas vidas em questão de minutos foram radicalmente mudadas! E não falo apenas dos familiares e amigos que terão de conviver com essa tragédia. Falo também por nós que igualmente somos acertados por esse efeito dominó.
Enfim, mais um caso, mais vidas que se exterminam. Amanhã já será notícia velha.
Mas eu continuarei a lamentar e tomo mais uma vez emprestado o famoso título do autor alemão J. M. Simmel  "Por quantos ainda vamos chorar?"

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Quase fui pra lona

Hoje pela manhã ao vir pro trabalho, me aconteceu algo que poderia até colocar na categoria do surreal. Nunca fui dada a brigas, não cresci no meio de baixarias, falta de respeito e, portanto, sou uma pessoa da paz. Decidi ir pro trabalho de trem e metrô afinal, vai mais rápido, não pega trânsito e chego mais cedo ao colégio. Pois bem, ao chegar a estação de trem já me assustei um pouco pela quantidade de gente na plataforma. Mas até aí, tudo bem. Ao chegar o trem, é aquela briga para ver quem consegue entrar primeiro e conseguir um lugar pra sentar. Como desço na quarta estação, nem me preocupo em brigar por um lugar pois desço logo. Fico na porta mesmo afinal, é mais fácil para descer. Saímos da estação com o trem pra lá de lotado mas sem maiores problemas. Ao chegar na segunda estação, saí para fora para facilitar a saída dos que iam descer e após todos descerem, regressei para dentro do trem. Qual não foi meu susto ao sentir algo volumoso quase me atravessar o rosto! Meu reflexo foi rápido (Graças à Deus!) desviei sem nem mesmo saber o que era. Quando dei por mim, vi que era um punho fechado de um homem pra lá de musculoso, careca e com pinta de Bad Boy. O indivíduo encarava com uma carranca estampada no rosto e olhava me atravessando. Só então percebi que o soco não era para mim e sim, para o rapaz que estava atrás de mim. O rapaz também ficou sem reação pois não entendia tamanha agressividade. O soco acertou-o no braço e a única reação dele foi perguntar o porque daquilo. O Bad Boy continuou encarando-o e sibilou a seguinte frase entre os dentes cerrados:
-Se liga otário! E saiu pisando duro. Ninguém no trem entendeu nada. O rapaz que foi alvo de tamanha agressividade gratuíta falou mais pra si do que para nós que estávamos ao seu lado:

-Caraca mano! Cada maluco que a gente encontra ! O que que eu fiz pra ele? Nem mesmo havia notado sua presença!
Todo mundo olhou para ele e balançou a cabeça no sentido de que ninguém também havia compreendido. Mas, como ele mesmo havia dito: Cada maluco que a gente encontra!
Tenho pensado muito nisso ultimamente pois as coisas que têm acontecido no mundo todo, dá para pensar que as pessoas andam mesmo perdendo a razão por bobagem. Qual será o motivo para tanta violência? A vida dura que cada um leva? As contas a pagar que estouram o orçamento? O aluguel pra pagar? O fora da namorada? A inveja por seu colega ter sido promovido e você não? Não sei não. Tenho minhas dúvidas pois toda a geração de meus pais, meus avós tiveram uma vida bem dura, difícil mesmo e no entanto, havia um respeito pelo próximo que não tenho visto muito nas pessoas da atualidade. A selvageria está solta por toda parte e isso ao mesmo tempo em que me assusta, me entristesse. Não tenho respostas para tais indagações mas precisava fazer aqui meu desabafo.
Caraca! Até agora penso naquele soco me acertando! Foi por um triz!!