quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Blogagem coletiva: Professores do Brasil

Quando me comprometi a participar dessa blogagem sobre o Professor do Brasil, promovida pelo blog Ponderantes, fiquei ruminando minhas ideias para ver o que poderia falar por aqui. De gente que já fala mal dessa classe tão desprestigiada em nosso país já tem um monte. Da mesma maneira que os profissionais de biblioteconomia, os professores tornaram-se uma "kasta" menor no seio da sociedade brasileira. E me pergunto: por que? Uma classe de profissionais que até umas décadas atrás eram tão respeitados e tidos como pessoas da mais alta estirpe, o que aconteceu para que mudasse tanto assim o panorama? Poderia citar por aqui inúmeras e diversas teorias para que isso tenha acontecido. A educação degringolou de vez em nosso país e a própria sociedade (é claro com excessões) encara de forma arbitrária e leviana. Educação para a maioria é ter um diploma na mão. E para que isso aconteça, não importa os meios que se tenha de usar para obtê-lo. Comprar, trocar, financiar. Esse é o lema. Aprender? Oras bolas, isso é secundário. Não precisa.
Estudar pra quê? Fulano não tem estudo nenhum e ganha uma fortuna fazendo isso ou aquilo! Sicrano estuda feito um louco e ganha o quê? Uma miséria de salário! Nem carro tem, nem casa própria tem! De tanto estudar tá ficando matusquela!
São várias as frases que escutamos cotidianamente nos mais variados locais. Em casa, no trabalho, na condução, no salão de beleza, no barzinho e por aí vai. A aprendizagem cosnciente e séria passou a ser algo abominável entre nós. Trabalhando há quase duas décadas na área educacional, convivendo com profissionais dos mais variados perfis, consigo enxergar várias nuances que imperram a engrenagem da educação. A desmotivação da maioria dos professores, a carga excessiva dos mesmos tendo que trabalhar em várias escolas para dar conta de suas vida, a escola que não dá condições desses professores desenvolverem projetos a contento, enfim, sei o quanto penam os mestres para desempenharem suas tarefas. Mas, ao invés de falar mais, desejo postar em partes pois é grande, um texto de nossa queridíssima Fanny Abramovich que fala sobre o professor: Um imenso lápis vermelho, que ela dedicou à Paulo Freire. Lindíssimo! Esse texto faz parte do livro Meu Professor Inesquecível, da Editora Gente, organizada por ela mesma tendo convidado outros escritores para falar sobre o professor que lhe marcou a vida. Uma ótima sugestão de leitura. Aproveito também para sugerir outros dois títulos A palavra é...escola, Da editora Scipione e Histórias de professores e alunos. Uma seleção de contos sobre o mundo escolar. Muito bons também. Infelizmente. esses dois íltimos títulos encontram-se esgotados devendo encontrá-los somente em sebos. E, para finalizar minha homenagem, deixo um vídeo bem legal com texto de Gabriel Perissé intitulado Professores Apaixonados. Linda mensagem! Parabéns professores de todo o Brasil por sua dedicação, perseverança e coragem de não desistir de nós.


2 comentários:

Valdeir Almeida disse...

Roseli,

Eu costumo dizer para meus alunos, que por este Brasil afora existem milhares de Ronaldinhos e Giseles. Estudar é a única certeza de que teremos um grande futuro.

Abraços.

Luma Rosa disse...

Roseli, a educação no país é uma via de três mãos: Estado, família e a instituição de ensino devem agir em conjunto.

Eu tive professores ótimos e agradeço por isso, em contrapartida, tive professor que até lixar unha na sala, o fazia.

Penso também que os bons professores estão levando o pato pelos professores ruins. Dentro de uma linha de produção, isto não seria viável, sendo imediatamente descartável o profissional ruim. Porque os profissionais da área não exigem mais dos péssimos profissionais, assim como reclamam do aluno ruim, ou do governo ou da família que não dá assistência?

Lógico que se o salário fosse melhor, o mesmo Estado poderia exigir mais do professor. Enfim, se todos cumprissem com os seu deveres, ficaria mais fácil. Beijus