segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Parto doloroso

Dói. Dói muito. Ninguém faz ideia do quanto essa dor é intensa. Só mesmo passando por ela para entender. De tempos em tempos, fico boa. Chego até mesmo a rir, a ter os olhos brilhando de forma positiva. No entanto, basta alguns instantes e ela vem novamente. O dia passa e a dor vai e volta. As vezes, ela se manifesta direto no coração e aí, chego quase a desmaiar. Pensei até que estava enfartando mas não. Nem me preocupei em procurar um médico pois bem sei a sua origem. Outras vezes ela vai chegando devagar, subindo pelo braço direito. Sinuosa feito uma serpente, até novamente se instalar no coração e aí, semelhante a um projétil , atinge dilacerando tudo ao seu redor. Então afeta estômago, fígado, pescoço, cabeça e hoje, ao acordar, até mesmo minha face e minha gengiva doía aterradoramente. Como nunca havia sentido antes. Você pode estar pensando: nossa, mas o que será que ela tem? Que sintomas mais estranhos! Pois é, se eu ouvisse alguém falar sobre isso também estranharia pois até então não conhecia isso de perto. O dia passou para mim de forma inusitada. Momentos de tranqüila trégua, onde pude desenvolver meu trabalho de forma rotineira, e momentos de profunda angústia pois era só ela chegar e se instalar, e eu me via tomada pelo sofrimento. Após o almoço, cheguei até mesmo a ir ao banheiro para desabotoar meu sutiã pois achava que ele estava me sufocando. Ledo engano! Era ela, a dor que me aniquilava. Maldita! Quem ela pensa que é para me fazer sofrer assim? Que dardo é esse e quem a tem mirado em meu coração para me trazer tanto sofrimento? Não desejo pensar sobre isso. Minha vontade é de esquecer. Esquecer para não sofrer. Mas chega uma hora na vida da gente, que o melhor a se fazer é encarar os monstros de frente. E, através de alguém que serviu de instumento para me posicionar de frente para o espelho de minh'alma, me vi obrigada a enxergar o que sou de fato. E não aquele personagem que criei para apresentar aos outros. Como é doloroso encarar fraquezas e defeitos. Como dói ter alguém a lhe pegar pelo pescoço e esfregar sua cara naquilo que mais te aflige. Naquilo que você mais quer distância.
Tratamento de choque. Foi isso que recebi ontem. E depois, fui largada nua e sozinha com meus fantasmas. Arrancaram-me sem dó do mundo de Oz que tanto me comprazia. Que tanto me dava conforto e segurança. Está certo que era uma falsa segurança. mas servia até então. O choque foi imenso que nem consegui chorar. Simplesmente fiquei sem reação. Uma vez iniciada a pancadaria, aos poucos o amortecimento toma conta e então, não tem mais porque reagir. Foi exatamente assim que me senti. Me encontrava no ringue levando a pior, sem reagir, sem tentar lutar, esperando apenas o momento de cair na lona.
Crescer dói. Deixar o mundo infantil onde tudo é belo e adentrar o mundo adulto onde as cores perdem suas tonalidades originais e caem sempre para tons cinzentos, dói. Abrir mão do que é belo e fantasioso também dói demais. Só que não dá mais para ficar habitando esse paraíso. Para crescer é preciso respirar fundo, encher os pulmões de oxigênio, mirar a saída e saltar sem para-quedas sem pensar se sobreviverá ou não. Amadurecer é isso. Viver também é isso. Viagem sem retorno e sem garantias. É tudo por sua conta e risco. A vida é uma roleta russa onde a sorte estará ou não do seu lado. Só pagando pra ver. Ou não. Ainda não sei se te odeio ou se te amo por isso. Mas uma coisa eu preciso dizer: Obrigada.

3 comentários:

Daniel Savio disse...

Mas por mais que doa, o crescimento sempre valerá apena...

Fiquem com Deus, menina Roseli Pedroso.
Um abraço.

Francy´s Oliva disse...

Bom dia Roseli, concordo plenamente com o Daniel.
bjs.

Lunna Guedes disse...

Não sei, as vezes penso que a dor é apenas uma ilusão da pele. Não sei mesmo.
Sempre me lembro daqueles benditos remédios de açúcar, sabe? rs
Bacio