sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Meme Literário de Um Mês 2012 - Dia 19

Dia 19 – O que você acha da elitização da literatura? Você acha que realmente só é intelectualizado aquele que lê os clássicos da literatura? Que ler 1000 livros “de banca” não equivalem a 10 clássicos? O que você acha das pessoas que criticam a literatura “para a massa”, os blockbusters literários? É mesmo possível julgar o nível de intelecto de uma pessoa pelo que ela lê? Você tem algum preconceito literário?

Tenho comigo o seguinte lema: leia. Não importa o que. De algum ponto a pessoa deve iniciar sua trajetória da leitura. Tem outro ponto também: níveis de compreensão da leitura. Trabalhando em escolas desde 1995, acompanho a evolução e as dificuldades dos alunos em compreenderem os textos dos chamados livros "clássicos". Não contesto a qualidade dos mesmos mas a realidade de nossos alunos, a bagagem (ou a falta dela) cultural e até mesmo de vivência, impede que muitos alunos compreendam e gostem do que estão lendo. São histórias e realidades muito distante da realidade dos mesmos e isso sim serve de impecilho para que muitos peguem gosto pela leitura. Sempre costumo dizer aqui na biblioteca onde trabalho que os professores deveriam - em primeiro lugar - eles sim, se tornarem grandes leitores para depois exigirem um grau de leitura dos alunos que eles próprios não têm. Aqui na biblioteca, temos um acervo riquíssimo. A área de literatura juvenil é imensa e temos para todos os gostos. No entanto, as estantes vivem estáticas pegando pó pois os livros não saem. Os professores poderiam pegar alguns desses livros, lerem analisarem e oferecerem aos alunos para degustarem tais leituras que são mais a carinha deles. E só a partir daí, seguirem evoluindo e aumentando o grau de leitura e aprofundamento das histórias além é claro, de esmiuçar as histórias, o período em que foram escritos, seus costumes etc. Dá trabalho? Sem dúvida mas só assim os leitores serão formados. Não tenho preconceito não. Aqui mesmo, temos funcionários que têm uma formação de alfabetização quase nula, mas que adquiriram o gosto pela leitura aos poucos e pegam emprestados somente livros de romance espírita. Já tentei sugerir outros tipos mas eles são resistentes. Não posso nem devo condená-los pois o nível de leitura em que se encontram, por enquanto é esse. E que bom que lêem pelo menos isso. É melhor que nada. Já outros só gostam de ler autoajuda tipo O Segredo, os livros de Augusto Cury, de Roberto Shinyashiki e afins. Vou condená-los também? De jeito nenhum! De alguma forma tais leituras estão cumprindo a sua tarefa junto a esses leitores específicos. Outros tantos leitores são fissurados em romance policial, outros tantos em literatura fantástica e, confesso, bem poucos são leitores dos clássicos. Esses vivem em hibernação quase que constantes nas estantes. Eu mesma que me considero uma leitora num nível acima do normal, ainda não li muitos dos ditos "clássicos". Acho que tudo tem sua hora, seu momento e tenho certeza que quando estiver preparada e com uma boa bagagem cultural e de vida, lerei esses livros. Agora quanto aos que criticam, penso que poderiam ser mais humildes e respeitarem os demais leitores afinal, tem muita gente que lê livros aprofundados e considerados "clássicos" mas que no seu dia a dia não assimilaram absolutamente nada da grandeza dos livros. São ignorantes, intolerantes e não respeitam seu próximo. Pra ser bem sincera com vocês, detesto pseudointelectos. Pois os verdadeiros intelectuais atuam de forma bem diferente desses. Não apregoam, não tiram sarro do resto da humanidade muito menos ficam dizendo o que é certo ou errado. Respeita o caminho de cada um.

Esse texto faz parte da blogagem coletiva promovida pela Tabata do blogue Happy Batatinha

2 comentários:

Tay disse...

Nossa, é bacana porque você acompanha pessoas de diversos níveis de leitura, enriquece seu conhecimento sobre o assunto. Eu concordo que tem da haver uma evolução sim, ninguém chega nos clássicos bem do nada, sem um bom percurso.

Luis Felipe Lauletta disse...

Também ficava triste por perceber que, no colégio, eram raros os professores que utilizavam aquela biblioteca invejável.
Ainda bem que desde cedo fui captado pela leitura e que tive à disposicao todos aqueles livros!