terça-feira, 20 de setembro de 2016

De volta ao pátio do colégio


Aqui na biblioteca onde trabalho, ela é a queridinha das alunas. Thalita Rebouças, sucesso entre a garotada - em especial as meninas. A escritora mergulha no universo adolescente e expõe os conflitos, disputas, inseguranças que permeiam esse momento da vida de todos. Autora dos sucessos Fala sério que incluem Amiga!, Filha!, Irmão!, além de Traição entre amigas, Tudo por um namorado e outros títulos.
O seu mais recente livro Confissões de uma garota excluída, mal-amada e (um pouco) dramática, é uma aventura prazerosa.
Teanira ou simplesmente Tetê, uma garota cheia de problemas de autoestima que passou por sérios ataques de bullying na escola em que estudava. Moradora da Barra da Tijuca, tem sua vida, de uma hora para outra, de cabeça pra baixo: pai perde emprego, casamento está por um fio e todos se mudam para a casa dos avós em Copacabana para tentar sair da crise econômica. Dividindo o espaço com cinco parentes que brigam o tempo inteiro, ela perde suas referências. No meio de tantas coisas ruins acontecendo, ela se apega a única coisa que sabe fazer bem feito e adora: cozinhar!
Colégio novo, novos colegas mas o medo é antigo e acompanha Tetê em seu primeiro dia de aula.
Nessa sua nova fase de vida, a garota vai encontrar amigos de verdade, muitos mal-entendidos, algumas inimigas contudo, descobre o amor incondicional de seus avós, a fortaleza que a habita e que até então não tinha noção e a possibilidade de conquistas em sua vida. Garota divertida, adorei seus pensamentos, sua dramaticidade afinal, como boa canceriana, sou um tantinho assim dramática também talvez por isso, minha identificação com a personagem de Thalita Rebouças. A autora aborda nessa história um tema muito sério que ocorre nas escolas: a violência de determinados grupos com alguns colegas que "saem" do esteriótipo dito "normal". 
Confesso que dei muitas risadas durante a leitura desse livro assim como me emocionei em vários momentos. Ao todo, são personagens reais e não idealizados. Como trabalho nesse universo teen, reconheci vários tipos e todos são adoráveis e fazem desse livro uma viagem maravilhosa com direito a várias receitas de Tetê. Não vou entrar em maiores detalhes para não estragar a surpresa da história. E então? Vai ficar parada (o) aí ou vai comprar logo seu exemplar para ler e se divertir como eu? Garanto que não vai desgrudar os olhos enquanto a história não terminar. Senti através da leitura que entrei no túnel do tempo e me vi ali, cercada da garotada, vivendo todas as aventuras típicas. Essa é mais uma dica de leitura para você, que assim como eu, não tem preconceitos de leituras. Para mim, o importante é dar de cara com uma boa história!E essa, eu garanto que está muito boa!




Título: Confissões de uma garota excluída, mal-amada e (um pouco) dramática
Autora: Thalita Rebouças
Editora: Arqueiro
ISBN: 978-85-8041-579-7
Ano: 2016
Páginas: 272

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O universo masculino na lente de aumento de Murakami


Amante das letras, busco sempre conhecer a literatura de outras culturas. Já tive o prazer de conhecer autores da Índia, da Colômbia, do Chile, da China, dos países europeus. Mas ainda não tinha lido nenhum autor japonês. Há alguns meses, uma colega indicou veementemente a leitura da obra de Haruki Murakami.
Nascido em Quioto, é um dos mais populares e conceituados escritores no Japão.
Aqui, na biblioteca onde trabalho, temos vários livros dele. No entanto, nenhum tinha me chamado a atenção. Talvez até mesmo por ser bombardeada por tantos títulos chamativos, passou batido.
Ano passado, algumas alunas do ensino médio começaram a procurar a trilogia 1Q84 e sempre elogiavam ao devolver. Aí iniciou a germinação de uma sementinha de curiosidade por sua obra.
De tanto ouvir a colega falar de seus livros, decidi conhecer e optei por começar pelo livro de contos Homens sem mulheres.
Comecei a leitura não tendo muita expectativa. Mansamente fui sendo envolvida por seus personagens. Suas histórias se passam num universo de homens solitários que relembram, encontram ou acabaram de perder suas mulheres. 
Elas, as mulheres, são as grandes protagonistas destas histórias. Elas dão o ritmo e o rumo que cada homem terá. Achei interessante notar que, quase sempre, é mostrado a mulher sendo abandonada por um homem. Quase nunca pensamos nos sentimentos masculinos e no quanto a perda de uma mulher, traumatiza e leva um homem à depressão e ao isolamento.São ao todo sete histórias.
Com uma escrita hábil, Murakami nos surpreende a cada conto.
Eu, particularmente, gostei imensamente de dois contos: Sherazade e Samsa apaixonado. Gostei bastante também de Kino. Sendo que o segundo, Samsa apaixonado, li e reli com maior prazer. 
Ao término da leitura pensei comigo: Uau! Adoraria ter escrito esse conto!
Então é isso pessoal. Se você, assim como eu, ainda não leu nada dele, comece por esse livro de contos. Tenho certeza que irá gostar tanto quanto eu gostei e em breve passará a outro título dele.
E agora? Qual será o próximo livro? Sono ou Dance Dance Dance?



Sinopse:

Murakami é um autor capaz de criar universos próprios, que se desdobram em romances de fôlego e personagens cativantes. Mas ele é também um excelente contista, e sua produção mais recente está reunida neste volume: sete histórias que tratam de relações amorosas e trazem o estilo único do autor. São contos sobre o isolamento e a solidão que permeiam as relações amorosas: homens que perderam uma mulher depois de um relacionamento marcado por mal-entendidos. No entanto, as verdadeiras protagonistas destas histórias — cheias de referências à música, a Kafka, às Mil e uma noites e, no caso do título, a Hemingway — são as mulheres, que misteriosamente invadem a vida dos homens e desaparecem, deixando uma marca inesquecível na vida daqueles que amam.


Título: Homens sem mulheres
Autor: Haruki Murakami
Editora: Objetiva
ISBN:9788579624384
Ano: 2015

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Contos de fadas nunca saem de moda. Uma publicação


E eu quase já ia me esquecendo de falar por aqui, sobre a publicação do livro Descontos de Fadas, organização de Maria Esther Sammarone, Alink Editora. Não é desfeita não. Somente muito trabalho e cansaço me impedindo de escrever por aqui.
Sou até suspeita para falar mas, devo, afinal, sou uma das dezessete pessoas que toparam esse projeto. Foi uma experiência pra lá de feliz em poder fazer uma releitura de um dos contos de fadas já existentes. Textos muito bem escritos, bem diversificados, um visual lindo com ilustrações ricas feitas por Maria Luisa Miranda Mussanet, uma jovem muito talentosa em seus riscados. Não dá para falar mais. Só mesmo lendo e tirando cada um, suas conclusões. Mas o convite está feito: Se desejar, adquira seu exemplar pelo site da editora Alink


Sinopse:Um grupo de dezessete escritores se propôs a repensar os contos de fadas de forma bem-humorada sob a ótica das desilusões, reflexões, neuroses e modos de vida da sociedade moderna. Em diferentes vozes e estilos, aventuras originais ou recriadas, os textos deram novas vidas a princesas, anões, bonecos, sereias, lobos, marinheiros...
Autores:

  • Nanete Neves;
  • Márcia Barbieri;
  • Manuel Filho;
  • Tracy Segal;
  • Rogério Terranova;
  • Maria Esther Sammarone;
  • Mariana Portela;
  • Plínio Camillo;
  • Denise Ranieri;
  • Laura Del Rey;
  • Bia Bernardi;
  • Fernando Rocha;
  • Milton Strassa;
  • Roseli Pedroso;
  • Carlos Davissara;
  • Eder Santin;
  • Gláuber Soares
Segue alguns registros da tarde de lançamento. Foi bom demais!





quinta-feira, 7 de abril de 2016

Mergulho na alma adolescente - Soul love


Converso muito com meus usuários da biblioteca onde trabalho sobre os livros que lemos. Outro dia, almoçando com uma funcionária, ela me falou sobre um livro que - segundo ela, foi um livro que marcou sua adolescência. Curiosa, perguntei qual livro. Ela me respondeu e a conversa parou por ai.
Passado alguns dias, lembrei-me dessa conversa e procurei na internet alguma resenha sobre ele. Se fosse favorável, colocaria ele na lista de compras da biblioteca. O que encontrei foram muitas resenhas falando bem dele. O livro foi comprado e registrado. Ficou lá na vitrine, em exposição, de forma tímida sem ninguém prestar atenção nele.
Até que, sem nada para ler, decidi pegá-lo emprestado e assim, tornou-se minha leitura na hora do almoço.
Essa semana terminei de ler o tal livro e, confesso, agora faço parte dessa leva de leitores que simplesmente se renderam a essa história incrível.
Soul Love: à noite o céu é perfeito, de Lynda Waterhouse.

Jenna, uma adolescente de quinze anos, conquista a gente página por página durante a leitura do livro. Considerada "garota problema da família", ela guarda um segredo e por conta desse segredo, passa a ser hostilizada pelos colegas de escola e pela família que a manda passar uma temporada na casa de sua tia Sarah, na cidade de Netherby.
Lá, ela passará por um período de avaliação, crescimento e perceberá que as coisas não são bem como pensava. Conhecerá pessoas que farão toda a diferença em sua vida e se conscientizará de que seus problemas não são nada perto dos problemas que outras pessoas enfrentam.
Entre essas pessoas, conhece Gabriel, ou Gabe, como costuma ser chamado. Rapaz bonito, admirável enquanto ser humano, tem um passado sofrido, orfão de mãe. Está sempre com sua sombra, a jovem Cleo. Garota, à primeira vista, muito antipática que fará de tudo para separar Jenna de Gabe.
História muito bem escrita, com personagens encantadores, muita música  e final surpreendente. Livro que fala de adolescência e seus conflitos mas que é válido para todas as idades.


Sinopse:Jenna não quer trair os amigos e não revelará o que se esconde por trás de sua expulsão do colégio, assumindo toda a culpa sozinha. Como castigo sua mãe a levou para passar algum tempo com uma tia numa tediosa cidadezinha do interior. É lá que Jenna encontra Gabe, um rapaz autêntico, melancólico e reservado. Completamente diferente de todas as outras pessoas ela conhece. É inevitável: Jenna se apaixona por ele. Será que Gabe é sua alma gêmea? Ele mostra a Jenna a beleza de um céu noturno sem nuvens, escuro, um contraste perfeito para o brilho das estrelas. E, em meio a livros, música, poesia e noites estreladas, o sentimento entre eles se torna cada vez mais forte. Mas Cleo, uma garota antipática que tem uma ligação muito estranha com Gabe, não está gostando nada desse romance. Afinal, ela não quer que ninguém mais saiba o grande segredo de Gabe...

Título: Soul love: à noite o céu é perfeito
Autor: Lynda Waterhouse
Editora: Melhoramentos 
ISBN: 9788506056141
Ano: 2010
Páginação: 207

quarta-feira, 23 de março de 2016

O quarto de Jack (Room)



Após um jejum de cinema, ontem a noite fui assistir ao filme O quarto de Jack. Ganhei um ingresso cortesia no Reserva Cultural e lá fui eu, escolher um filme. Sou obrigada a reconhecer que atirei no escuro e acertei em cheio. Sem saber ao certo do que se tratava, assisti o filme, descortinando todo o mistério junto do garoto Jack.

Belamente interpretado por Jacob Tremblay, fui acompanhando o personagem em suas descobertas além das paredes do quarto que habita ao lado de sua mãe chamada de Ma (Brie Larson).

Baseado na obra de Emma Donoghue (Room) com roteiro dela mesma,dirigido pelo cineasta irlandês Lenny Abrahamson,  a história fala da jovem Joy que, aos dezessete anos voltando da escola, é abordada por um homem e seu cão pedindo ajuda. Em seguida, é sequestrada e mantida em cativeiro num quarto por sete anos.
A trama se inicia com o menino, fruto de vários estupros sofridos, acorda lembrando a mãe que completa cinco anos e já não é mais uma criança. O desenrolar da história, para muitos pode parecer monótona, sem grandes acontecimentos.
No entanto, o diretor conseguiu passar exatamente o que deve acontecer com quem vive em um cativeiro dentro de uns poucos metros quadrados. Vamos combinar que não se tem muito mesmo o que fazer. A tensão, preocupação com sua própria segurança e de seu filho estão sempre presentes em cada expressão e olhar da jovem mãe.
O ator mirim, dá um banho de interpretação no decorrer do filme emocionando a todos várias vezes.
Como há muito tempo não assistia a um bom filme, saí do cinema me sentindo recompensada e satisfeita pela escolha que fiz. Um filme que recomendo a todos. Sem dúvida, um filme merecedor doa prêmios ganhos pois foi um filme de interpretação e não de efeitos especiais. Desses confesso, já estou saturada e sentia saudade do bom e velho cinema. Room, fez jus à ele!

quinta-feira, 3 de março de 2016

Face emplumada - uma viagem em busca de si mesmo


É um privilégio de poucos, acompanhar o desenrolar do processo criativo de um escritor. Poder observar, mesmo que de longe, os personagens ganhando corpo, tornando-se reais. Melhor ainda, é poder ver esse escritor - antes, tímido, hoje, ousar em seus escritos.
Posso me considerar privilegiada por viver cercada de amigos escritores e usufruir um pouco de suas intimidades e saber sobre o que escrevem antes de todos os seus leitores comprarem o produto final, o livro pronto.
Terminei de ler já faz um tempo, o último livro de Gláuber Soares intitulado Face emplumada, @Link Editora. Ele estava na fila de livros - que cresce a cada dia , aguardando tempo livre para poder escrever sobre minhas leituras. Esse dia chegou.
Primeiro romance de Gláuber, já nos mostra o quanto o autor amadureceu desde sua última publicação, Remédio Forte (2014), aqui já resenhado por mim. Sempre gostei de sua escrita: direta, muitas vezes ácida, urbana. Gosto de me identificar como seus personagens que poderia ser qualquer pessoa com quem  transita nessa nossa louca metrópole chamada de Sampa.

Gostei demais do Guto, personagem central mas, confesso que me encantei com seu Galdino. personagem árido feito seu sertão, misterioso, sábio, trabalhador.

Daltônico, vinte e oito anos, solitário vivendo numa quitinete no centro de São Paulo, sonhador e ao mesmo tempo, um ser humano em busca de si mesmo. Esse é o resumo de toda a história de Guto. Porém, como verdadeiro artesão das palavras e ideias, Gláuber Soares soube, com sensibilidade e maestria, desenvolver uma trama rica em situações que muitas vezes, pode soar como surreais. No entanto, no nosso dia a dia, encontramos situações bem mais bizarras do que o autor expõe no livro. A vida imitando a arte e vice-versa.
Os conflitos que se apresentarão à Guto, durante sua trajetória nos solos semiáridos do nordeste ,mostrarão o quanto a vida pode ser dura, áspera mas, que também nos presenteia com delicadezas e belezas, naturais ou não. O crescimento de Guto enquanto ser humano, é o grande "pulo do gato" que o leitor acompanha passo a passo em uma deliciosa leitura. Ao término de minha leitura, surpreendi-me com um sorriso estampado no rosto e na alma. Meu amigo havia alcançado seu objetivo. Fez uma leitora feliz! E olhe que essa leitora costuma ser exigente!
Ah! Antes que acabe minha pretensa resenha, deixa eu dizer que além de toda a riqueza da história contada, o livro ainda tem um personagem constante na trama: Ziggy Stardust, criação imortalizada pelo David Bowie. Acha pouco ou quer mais? Quer mais? Então passe na primeira boa livraria perto de você e compre já seu exemplar Face emplumada. Gláuber, que venham muitos outros romances do quilate desse!

Essa é minha dica de leitura de hoje.

Sinopse: 
"Gustavo tem vinte e oito anos, é daltônico e vive sozinho numa quitinete na região central de São Paulo. Veio jovem do interior paulista, para estudar e trabalhar. Atualmente é analista financeiro de um banco de investimento, na poderosa avenida Paulista. Amigo da solidão, Guto também tem algo dos heróis desencantados da literatura existencialista de Camus e Sartre: a integridade moral. Sua vida segue sem grandes solavancos, até o dia em que decide viver uma grande aventura: ir de Sampa a Quixadá, no Ceará, atrás de uma garota que nunca conheceu mas não consegue tirar da cabeça. Parte do trajeto ele desbravará de moto. Primeiro romance de Gláuber Soares, Face emplumada narra uma fascinante jornada de autoconhecimento, para bem longe da bolha caótica da civilização. Seguindo um sonho maluco, Guto entrará em contato com as forças poderosas do semiárido nordestino – e por elas será modificado. Uma epifania profana o aguarda no labirinto ensolarado da caatinga. Para povoar essa viagem incomum, o romancista criou uma galeria de personagens inesquecíveis: o cabeleireiro Sandrinho, seu Galdino (o eremita da Fazenda Asa Azul) e sua família, a fisioterapeuta Paula, entre outros. Nessa galeria há espaço até para entidades insólitas, fruto da realidade e da imaginação fértil do protagonista: o roqueiro Ziggy Stardust e a grande coruja branca (rasga-mortalha). Guto é um herói urbano que sente certa ojeriza da metrópole. É um narrador sereno e ponderado, que descreve o mundo à sua volta de maneira objetiva. Mas às vezes delírios e sonhos instáveis assombram essa harmonia, desequilibrando qualquer objetividade. O encontro com as múltiplas formas da natureza áspera − a paisagem seca da caatinga, o preconceito e a hostilidade do mundo rural − será um teste definitivo de caráter e coragem. Teste do qual Guto sairá transfigurado, querendo ou não."

 (texto das orelhas escrito por Nelson de Oliveira)


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Vinte anos sem sua presença


Hoje, logo ao chegar ao trabalho, ligar meu computador e ver as novas do dia, deparei-me com uma reportagem sobre Caio Fernando Abreu. Foi mandada por um amigo que também nutre admiração por esse escritor que tanto me agrada. Lendo a reportagem, vi que hoje, 25 de fevereiro, completa vinte anos de sua morte prematura.
Prematura em todos os sentidos. Morrer aos quarenta e sete anos, é cedo demais. Assim como foi cedo demais calar a voz de alguém que tinha tanto ainda por dizer, tanto por escrever. E se ainda estivesse vivo, quanta matéria bruta para ser lapidada por ele e transformada em contos, crônicas, quem sabe até um romance!
Caio deixou toda uma geração órfã quando partiu. Mas, assim como Fênix, ressurge no cenário literário cada vez mais forte. Principalmente nas redes sociais. As novas gerações estão conhecendo e admirando os escritos atuais, humanos, urbanos que ele deixou. Ao meu ver, não tem como não gostar, não se sensibilizar afinal, Caio fala sobre os conflitos humanos tão comum à todos. Natural que haja uma identificação de imediato. Se você ainda não conhece a obra de Caio Fernando Abreu, hoje é um bom dia para conhecer. Tem muita coisa dele a disposição.
No site LeLivros, você tem acesso a vários livros dele como Morangos mofados, Onde andará Dulce Veiga, Os dragões não conhecem o paraíso, e outros. Vale a pena conhecer. E você? Já conhece a obra dele? Diz para mim.
Enquanto isso, convido a todos para ler minha homenagem que escrevi no meu blog Sacudindo as ideias. Aquela puta amizade que foi sem nunca ter sido

Te espero por lá. 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Tomada (que fôlego!) - novo trabalho, novo show


Sábado foi um dia muito aguardado por mim por poder mais uma vez apreciar um show de Filipe Catto. Trabalho novo intitulado Tomada, que já estou ouvindo desde que foi lançado. Tem sido meu companheiro de viagem diária de casa para o trabalho e vice versa pelo Spotify .

Para quem não conhece ainda, é um site de músicas maravilhoso que pode baixar no computador, tablet ou smartphone e curtir todo tipo de música. Propaganda feita sem levar nada em troca, voltemos ao show.
Nesse seu novo trabalho, Filipe adicionou uma pegada rock and roll que enriqueceu mais seu repertório e interpretação. Estava curiosa para vê-lo no palco.
Não me decepcionei. Muito pelo contrário, amei cada gesto, cada expressão, cada entonação de sua potente e bela voz.
                                                                                                                  (CD Tomada - 2015)
Senti que Filipe está amadurecido no palco, mais seguro e se sentindo em casa com seu público. Aliás, falando em público, gostei de ver uma coisa: nos outros shows que fui, sua maioria era de jovens na casa dos vinte, trinta anos e na sua maioria, mulheres. Sábado, percebi uma diversidade no público. Muitos fãs mais idosos que descobriram nele, um jovem cantor, um potencial com muita qualidade. E como estávamos órfãos de cantores desse naipe, é claro que o adotamos. Infelizmente, o que se ouve nas rádios é muito cantor fabricado que quando ao vivo, mostram o quanto são fracos. Filipe Catto não. Apesar de jovem, trás um bagagem musical enorme, referenciais de qualidade, entende de música como poucos, tem sensibilidade de sobra. Tudo isso faz uma grande diferença. Fora o fato de se expressar muito bem. Enfim, confirmei que esse novo trabalho já é um grande sucesso em sua carreira. Canções escolhidas com esmero de quem conhece o que é bom, parcerias ricas. Outro ponto forte do show foi a escolha de seus músicos. Integração total, talentos à altura.
O guitarrista Fabá Jimenez arrasa em diversos solos, a baixista Ana Karina Sebastião manda muito bem inclusive como backing vocal, Lucas Vargas nos teclados e Michelle Abul na bateria completam o time de primeira fazendo desse show algo inesquecível para seus fãs.
Em muitos momentos do show, foi visível a emoção querendo literalmente sair pela boca do cantor. No entanto, Filipe manteve-se firme comandando o espetáculo com a segurança de quem sabe e ama o que faz: cantar. E como canta!E encanta! Sai do show sabendo que virei outras e outras vezes.

Fotos gentilmente cedidas pelo Fã Clube Filipe Catto/Jonas Tucci







quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O grande feito da "foca"


Sabe aquela leitura que te remete ao ambiente e personagens da história no qual você, enquanto leitor, passa a fazer parte do mesmo? Livro que te faz sentir aromas, ver paisagens, fazer parte da mesma, conhecer os personagens e tornar-se íntima deles?
E quando esse livro tem como personagem principal o nosso poeta maior Carlos Drummond de Andrade e, aos poucos, você passa a frequentar seu apartamento, comer dos biscoitinhos e tomar seu café ouvindo sua fala mansa de mineirinho? Fala sério, consegui instigar sua curiosidade não foi?
Quer saber que livro é esse e participar dessa intimidade toda com o poeta? Então precisa comprar e ler o livro O poeta e a foca: como uma jovem jornalista conseguiu de Drummond a primeira entrevista para a imprensa, da jornalista Nanete Neves.
Numa linguagem leve, a autora narra sua grande aventura quando, recém formada, trabalhando num jornal pequeno paulistano, recebeu como missão, entrevistar o poeta às portas dele completar 75 anos.
Numa narrativa homérica, Nanete nos pega pela mão e inicia uma viagem com muitos obstáculos para transpor - uma vez que o poeta era arredio a entrevistas, até conseguir chegar a ele e concretizar o grande feito. Um delicioso painel das redações de jornais da época, do Rio de Janeiro na década de 70, um desfilar de outros autores que Nanete contatou para obter informações sobre Drummond e como chegar até ele.
Essa é minha dica de leitura de hoje. Uma leitura para todas as idades e eu super indico aos professores para trabalhar o livro junto das obras de Drummond no Ensino Médio. 
Gostou? Eu simplesmente amei!

Sinopse:

Em 1977, Carlos Drummond de Andrade completava 75 anos sem nunca ter dado uma entrevista. Toda vida ele fugiu de jornalistas. Com toda a grande imprensa à sua procura, só uma jovem repórter de um pequeno jornal paulistano foi recebida por ele - e em seu apartamento, no Rio de Janeiro, aonde nem os amigos tinham acesso. Quase 40 anos depois a escritora e jornalista Nanete Neves resolveu contar essa história no livro O Poeta e a foca. No livro, Nanete Neves conta como foi esse encontro que rendeu matérias em diversos veículos de comunicação e, principalmente, uma doce amizade com o poeta com troca de telefonemas e cartas por vários anos. A autora relata também as conversas com intelectuais que lhe falaram do jeito de ser do Poeta, suas esquisitices, sua visão de mundo e idiossincrasias pessoais, preparando-a para conhecer o mito: Antônio Houaiss, Nélida Piñon, Ferreira Gullar, Affonso, Antônio Callado, Pedro Nava entre outros.


Título: O poeta e a foca
Autor: Nanete Neves
Editora: Pasavento
ISBN:9788568222096
Ano: 2015

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Finalmente apresentada a ele

Terminei de ler o livro de um escritor que ainda não conhecia sua obra. Somente sua fama.
Pois é. Sempre ouvi falar de Charles Bukowski. Mas até então, entre tantos autores para se ler, fui deixando até que chegou às minhas mãos seu livro Mulheres. Terceiro romance publicado em 1978. Como é pocket, resolvi ler.
Como sempre gostei de personagens marginais ou fora do comum, apaixonei-me por Henry Chinaski e suas "Mulheres".
Um verdadeiro retrato da década de setenta. A vida boêmia de Hank, um escritor na casa dos quase sessenta anos e suas aventuras.
Após um período de jejum sexual, Hank inicia uma verdadeira maratona sexual em busca da mulher que o complete. Personagens hilárias passeiam pela vida do autor que, devido a uma certa notoriedade, mesmo sendo feio e velho, ganha fácil todas as mulheres que praticamente se jogam aos seus braços. E ele claro, não se faz de rogado "traçando" todas.
O livro até poderia cair na mesmice por não ter muito a acrescentar afinal, entra capítulo sai capítulo, a história se repete: mulher cruza caminho de Chinaski e logo vai para sua cama fazer mil estripulias sexuais ao lado do insaciável escritor. Muitas delas, verdadeiras junkies viciadas em álcool, bolinhas, maconha e claro, sexo.
O que constatei durante a leitura, é que o escritor (personagem) está fazendo um "estudo" sobre as mulheres para seus escritos. Tanto que algumas delas se reconhece em seus poemas. Ele descaradamente vai conhecendo, analisando, usando e catalogando cada mulher que passa por sua vida. Muitas delas deixam marcas na vida do autor, outras passam de forma meteórica, outras ficam no vai e vem.
Antissocial, não curte muito baladação no sentido de viver em grupos. Ama corrida de cavalos, música clássica, participa de saraus e dá palestra em universidade para ganhar o pão de cada dia. Ossos do ofício que muitas vezes, só bebendo umas pra aguentar. E ele bebe! E muito! E assim, esse personagem totalmente anti-herói vai ganhando nossa simpatia, afinal, qual mulher ainda não conheceu um legítimo representante "Chinaski"? Eu, confesso, já conheci alguns e sei que carisma eles trazem consigo.
Utilizando uma linguagem tida como "chula" por muitos, em minha opinião Bukowski soube escrever com maestria histórias que mostram bem o submundo literário em que seu personagem vivia.
Ao término do último capítulo, acredito que ele possa acrescentar mais uma admiradora sua: eu. Quero agora partir para a leitura de seus outros livros.
Essa é minha dica de leitura de hoje.

Sinopse: 

“Eu tinha cinquenta anos e há quatro não ia pra cama com nenhu­ma mulher.” Este é Henry Chinaski, Hank, escritor, alcoólatra, amante de música clássica, alter ego de Charles Bukowski e protagonista de Mulheres. Mas este não é um livro convencional – nem poderia ser, em se tratando de Bukowski – no qual um homem está à procura de seu verdadeiro amor. Após um período de jejum sexual, sem desejar mulher alguma, Hank conhece Lydia – e April, Lilly, Dee Dee, Mindy, Hilda, Cassie, Sara, Valerie, não importa o nome que ela tenha. Hank entra na vida dessas mulheres, bagunça suas almas, rompe corações, as enlouquece, as faz sofrer. E no fim elas ainda o consideram um bom sujeito. Publicado em 1978, Mulheres, o terceiro romance de Bukowski, é a essência de sua literatura: com o velho Chinaski, ele sintetiza a alma de todos aqueles que se sentem à margem. Escrevendo em prosa, Bukowski poetisa a dureza da vida e nos dá uma pista: “ficção é a vida melhorada”.

Título: Mulheres
Autor: Charles Bukowski
Editora: L&PM
ISBN: 978.85.254.2313-9 
Ano: 2011
Páginas: 320

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Revista Plural

Matando saudades dessas paragens após um prolongado distanciamento. Hoje divulgo a última edição da revista Plural. Nesse mês, homenageando o autor Rubem Alves com participação de vários autores entre eles, eu, com um texto evocando lembranças da infância. Venha conhecer a revista. Está linda que só! Para ler



sexta-feira, 15 de maio de 2015

Quando uma mentira nasce...



Quem nessa vida não mentiu? Você? Ah mentira!!!
Todo mundo alguma vez já mentiu na vida, em algum momento, em alguma situação. Seja para escapar de algo chato, seja pra driblar a mãe e o pai pra ir naquela baladinha, seja pro namorado, pro marido ou esposa. Seja para o professor, para o chefe. Gentem! Para o chefe! Aliás, esse profissional é um dos que mais lida com a mentira diariamente. Affê!!
Eu mesma não tenho problema algum em confessar que já menti inúmeras vezes. Sem dó na consciência. Pois é!Pois é!Pois é!
Só que com o passar do tempo, com a maturidade e a conscientização do que é certo e do que é errado, a gente vai podando ela - a mentira - de nosso dia a dia.
Mas para algumas pessoas não. Ela torna-se uma aliada, companheira, confidente, uma amiga para todas as horas e lugares. Pessoas assim acabam por se tornar mitômanos e sofrem de Pseudolalia, termo utilizado na psiquiatria. Movidas pela compulsão de mentir, mesmo que sem necessidade. 
O que para muitos é algo sem maiores consequências, para quem é portador desse transtorno, sofre por se ver refém da mentira e suas consequências distanciando as pessoas de si, perdendo empregos, se marginalizando perante a sociedade.
Fiz todo esse discurso, para falar um pouco sobre o livro que terminei de ler. Aliás,minto. Não li, devorei!!!
Oh coisa boa quando a gente se depara com uma ótima história!

O livro foi lançado mês passado, pelo autor Carlos Davissara e se intitula Uma mentira de pernas bem longas.
História infanto juvenil com muito humor, suspense, mistério e uma linda lição de vida para crianças e adultos. Um livro que para mim, não tem faixa etária definida. É leitura para todas as idades.

Carlos se saiu muito bem se arriscando na literatura juvenil. Ao contrário do que se imagina, é muito difícil de se escrever e de convencer. Linguagem dinâmica, leve, personagens verdadeiros. Parece até que fazem parte de sua família. 
Ah! E já ia me esquecendo de falar sobre a qualidade editorial do livro. Sou amante de capas e diagramação de livros. Detesto quando pego um livro e observo uma certa falta de cuidado, conhecimento e carinho para transformar uma bela história, num objeto a ser cobiçado, desejado por ser belo. Esse livro ganha pela estética, pela capa e páginas ilustradas por Ricardo A. O. Paixão, uma fonte utilizada que não cansa a visão...
Olha só como observo tudo num livro hein? Talvez justamente por trabalhar há tantos anos em biblioteca e manuseando tantos livros, adquiri esse olhar mais crítico. O livro passou em todos os testes. 
E então? Gostou? Essa é a dica de leitura de hoje!

Sinopse:


Dizem que a mentira tem pernas curtas, será que é sempre assim? Débora, a menina que protagoniza esta história, descobriu num dia cheio de emoções o quanto essas pernas podem crescer monstruosamente. Aliás, não só as pernas...



Título: Uma mentira de pernas bem longas
Autor: Carlos Davissara
Editora: Penalux
ISBN:978-85-69033-02-8
Ano: 2015
Paginação: 122 p.